Liga Europa

Como se fosse a Champions League

Di Natale comemora: em sua volta ao time titular da Udinese, a equipe deu uma amostra de como se deve jogar a Liga Europa (Daily Mail/AP)

“Jogar em Anfield Road é um sonho, é como se fosse uma final da Liga dos Campeões”. Assim Antonio Di Natale, 35 anos, definiu a importância da partida da Udinese contra o Liverpool, nesta quinta. Meio por acaso, Totò acabou deixando clara forma como os times italianos devem enfrentar seus adversários na Liga Europa: como se fosse uma final de Champions. 

A seriedade ao abordar a competição tem sido pedida por jornalistas que acompanham o futebol italiano em todo o mundo – inclusive por nós, do Quattro Tratti. E, dois anos após a perda da quarta vaga italiana na LC, os italianos parecem, enfim, estar levando o torneio a sério, já que a Europa League se tornou, em certa medida, mais importante para o futebol local – afinal, são quatro italianos na competição, contra apenas dois na LC. Na segunda rodada da fase de grupos, além da Udinese, Inter e Lazio também jogaram a sério, utilizando equipes cheias de titulares. 

A Inter, em virtude da longa viagem ao Azerbaijão quatro dias antes do dérbi contra o Milan, e também por causa da fragilidade do adversário, o Neftchi, ainda se deu ao luxo de poupar vários jogadores – os mais experientes -, mas jogou para valer. O Napoli, por sua vez, foi a campo com um time repleto de reservas, frente ao PSV, adversário mais forte do grupo, e levou uma surra. Que sirva de lição.

Acompanhe, agora, as análises das partidas, feitas por Caio Dellagiustina, Arthur Barcelos, Cleber Gordiano e Murillo Moret.

Liverpool 2-3 Udinese

Com as pazes feitas com Francesco Guidolin, Di Natale retornou ao time da Udinese. E, diferente do que vinha
acontecendo, força máxima na competição, muito em função da fraca campanha na
Serie A. Mesmo tendo pela frente o Liverpool, em Anfield Road, o time friuliano
tinha a obrigação de vencer para afastar as críticas sobre a equipe, embora
tenha entrado com o time retraído.
O ambiente de pressão inglês se fez valer na primeira
etapa, tanto que os Reds dominaram o
jogo, até abrirem o placar aos 23 minutos, com Shelvey. A pausa para o
intervalo era tudo o que a Udinese precisava e a puxada de orelha que Guidolin
deve ter dado surtiu efeito, pois, já no primeiro minuto, Di Natale mostrou o
porque é o grande destaque do time. Depois de jogada de Lazzarri, recém-entrado no lugar de Armero, Totò fez um belo gol, que trouxe a Udinese de novo no
jogo.
E não foi só o camisa dez que estava de volta. A sorte ficou
ao lado dos friulianos também. Em cobrança de falta, Coates marcou gol contra e
deixou os bianconeros na frente. Dois minutos depois, Di Natale fez boa jogada e
deixou para Pasquale chutar forte e colocado para marcar o terceiro.  Nem mesmo o gol de falta marcado por Suárez
foi capaz de tirar uma grande e surpreendente vitória da Udinese, que finalmente vem dando mostras
de que o time pode voltar a ser um dificílimo adversário. Com o resultado, a equipe ultrapassa o Liverpool e fica na segunda posição do grupo, com os mesmos 4 pontos do Anzhi, que bateu o Young Boys por 2 a 0, com dois de Eto’o, e tem um gol a mais de saldo. (Caio Dellagiustina)

Gols do jogo aqui.

Neftchi 1-3 Inter
Após uma desgastante viagem de
mais de 4 mil quilômetros até a capital do Azerbaijão, Baku, a Internazionale
não encontrou maiores dificuldades para bater o atual campeão azeri, o Neftchi
Baku, com grande atuação de Guarín e Philippe Coutinho, além da
melhor execução do 3-5-2 proposto por Andrea Stramaccioni desde a vitória sobre
o Chievo – contra o Torino, uma variação já havia sido testada.
O primeiro tempo foi todo dos nerazzurri, que apesar de ter contado
com poucos titulares, apresentou um bom entendimento na realização do 3-5-2,
especialmente no setor de meio-campo. Negando espaços e marcando por pressão, a
equipe não encontrava empecilhos ao partir para o ataque, quase sempre pelos
pés de Guarín, Coutinho ou Cambiasso, este improvisado como zagueiro-central ao
lado de Silvestre e Juan Jesus.
Todos os gols da Beneamata saíram na primeira etapa:
primeiro com Coutinho, de letra, depois de jogada de Guarín; o segundo, também
em jogada do colombiano pela direita, desta vez achando Obi penetrando na área
adversária; e o terceiro, por incrível que pareça, novamente em jogada do
camisa 14 nerazzurro – ele teve seu
passe interceptado, mas, na sobra, o jovem Livaja completou. Nos 45 minutos
finais, a equipe relaxou e deixou o Neftchi descontar com Canales, aproveitando
vacilo de Juan Jesus – que, apesar do cochilo, novamente teve bom desempenho.
Com a vitória na longínqua Baku,
a Inter chega ao Derby della Madonnina, contra o Milan, neste domingo,
em relativa vantagem – ainda que Stramaccioni negue –,
mas tudo dependerá da consolidação do novo sistema tático e da recuperação física
para o jogo de domingo. Os três pontos também garantiram a primeira colocação
no Grupo H, ficando à frente do Rubin Kazan (que venceu o Partizan por 2 a 0) pelo número de gols marcados. Além
disso, a Inter chegou a sexta vitória em 6 jogos fora de casa na temporada, marcando
incríveis 15 gols, tendo sofrido apenas 1 tento. A sequência de últimos
resultados também é favorável: 3 jogos, 3 vitórias, 7 gols pró e 2 contra. (Arthur Barcelos)
Gols do jogo aqui.

Lazio 1-0 Maribor

Contra um adversário mais fraco, a Lazio conseguiu a primeira vitória na fase de grupos da Liga Europa. Com alguns jogadores poupados – Marchetti, Ledesma, Mauri e Klose, por exemplo -, o time de Petkovic ficou longe de ser brilhante, mas “deu para o gasto” e soube controlar a partida, sofrendo poucos riscos, mesmo com o placar magro.

O Maribor até que começou tentando pressionar, chegando a acertar a trave no início do jogo, após cobrança de escanteio. A resposta da Lazio veio com Candreva, que também acertou a trave, chutando quase sem ângulo. Aos 27 minutos, Ederson completou passe de Hernanes para as redes, mas estava em posição de impedimento, e o gol foi bem anulado. Depois disso, a Lazio passou a pressionar ainda mais, com o próprio Ederson, em bola desviada, e com Candreva, que novamente acertou a trave. Os biancocelesti mereciam ter saído com a vitória ao fim do primeiro tempo.

Na volta do intervalo, a Lazio manteve o domínio e chegou ao gol com Ederson, que aproveitou rebote em chute de Floccari e marcou seu segundo gol com a camisa biancoceleste. Os italianos ainda tiveram a chance de ampliar, mas o goleiro Jasmin Handanovic – primo do mais famoso, Samir, titular da Inter – defendeu cobrança de pênalti de Hernanes. Com um jogador a mais após a penalidade, a Lazio passou a jogar com mais tranquilidade, dominando a partida e não dando chances ao adversário.

Com a vitória, a equipe biancoceleste assumiu a liderança isolada do Grupo J, com uma vitória e um empate. Os romanos, que vêm dando importância para a competição europeia e jogaram, mais uma vez, com o time cheio de titulares, deram um bom passo rumo à classificação, já que Tottenham e Panathinaikos, principais adversários no grupo, ainda não venceram: os ingleses empataram duas vezes e o PAO tem apenas um pontinho. O Maribor é o vice-líder do grupo, com 3 pontos. (Cleber Gordiano)

Gol do jogo aqui.

PSV 3-0 Napoli

Era um Napoli reserva, mas a
surra foi titular. Do PSV, claro, que não tomou conhecimento da equipe
italiana, em Eindhoven. Talvez nem mesmo a equipe de Walter Mazzarri
tenha tomado conhecimento da partida pífia que fez no Philips Stadion.
Cannavaro, Aronica e Fernández, altos e imponentes, mais pareciam
Cinquecento; Lens, Narsingh e Mertens, ligeiros, eram Bugatti. No
primeiro gol, após lançamento longo, Rosati saiu mal da baliza, trombou com Fernández, e Lens
aproveitou a chance para marcar, com o gol aberto. Ainda na etapa inicial, Mertens, com um belo
sem-pulo, aumentou a vantagem holandesa depois de uma jogadaça de
Narsingh, que entortou Dossena duas vezes. 

O mais interessante era que a proposta de marcação
do Napoli não era ruim. O time italiano teve pouco mais de 25% da posse
de bola no primeiro tempo e levou um baita sufoco, mas os jogadores
partenopei no 3-1-4-2 faziam uma pressão individual muito forte. No
entanto, o Napoli levou desvantagem em todos os confrontos um-contra-um. E aé mesmo pelo alto, deficiência da última temporada que parecia corrigida na Serie A. Na etapa complementar, já com Cavani no
lugar de El Kaddouri, o PSV ganhou a maioria dos escanteios ofensivos.
O brasileiro Marcelo, com a testa, marcou o terceiro gol desta forma. 

 

O que
impressionou foi a capacidade dos azzurri de não saber perder. Os jogadores
perderam a cabeça depois do gol do zagueiro brasileiro e chegaram muito duro sobre alguns adversários, sobretudo Lens. O camisa 11 do PSV foi
responsável direto pelos últimos cinco cartões amarelos do Napoli nos
dez minutos finais da partida. Cabia até um cartão vermelho para Cavani,
que deu um pontapé em Lens no campo de defesa. Faltava só sair do
gramado e não voltar para a premiação como fez na Supercoppa, quando perdeu, de virada, para a Juventus. (Murillo Moret)

Gols do jogo aqui.

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