Liga dos Campeões

Time de fim de semana

A bela cobrança de falta de Beckmann colocou mais uma pedra no caminho da Juve: com três empates em três jogos, classificação para próxima fase fica mais complicada (Getty Images)

O título do post é uma brincadeira com mais uma das estatísticas bizarras que assombram essa Juventus: o time não vence uma partida de meio de semana há seis meses. Só nessa temporada, já foram quatro empates em jogos que não foram disputados em sábados ou domingos. Três deles aconteceram na Liga dos Campeões, resultados que deixam a equipe em situação desconfortável no Grupo E, apenas na terceira colocação, atrás de Shakhtar e Chelsea. Para piorar, a Juve ampliou o recorde de empates consecutivos em competições europeias, que já era seu: são nove em sequência.

O jogo de ontem, contra o Nordsjaelland, na Dinamarca, era visto como a melhor chance de a Juve voltar a vencer em competições europeias (já são nove partidas sem vitória) e recuperar a moral para os últimos jogos da fase de grupos. Porém, mais uma vez, a equipe se mostrou medrosa fora da Itália. Mesmo com time muito melhor que o dos donos da casa, a Velha Senhora recuou e deixou que o Nordsjaelland tivesse o domínio de bola. Durante boa parte do primeiro tempo, os dinamarqueses tiveram posse e domínio territorial superior ao da Juve, que também não conseguia se impor nos contra-ataques.

Para piorar, quando a equipe de Turim tinha a bola, não conseguia incomodar o adversário. Pirlo, Vidal e Marchisio fizeram partidas bem abaixo da média e os alas Isla e De Ceglie não conseguiram nem de longe ser incisivos como Lichtsteiner e Asamoah. No ataque, a dupla formada por Giovinco e Matri em momento algum funcionou. Matri, sempre muito lento, atrapalhou também com sua desatenção, que o deixou em impedimento diversas vezes. Já Giovinco, que reclamou por um lugar entre as estrelas da Juve por tantos anos, não conseguiu mostrar (de novo) porque merece esse posto.

Com tanta apatia, o resultado não podia ser diferente: mais um empate para a coleção juventina. A invencibilidade, agora de 48 jogos, continua intacta, mas o futebol mostrado em terrenos europeus não assusta ninguém. E Antonio Conte é responsável por grande parte disso. Além de ter escalado o time mal, o treinador, que na temporada passada surpreendeu por suas variações táticas, parece refém do 3-5-2 atualmente. Para que escalar três zagueiros centrais contra um time de poder ofensivo tão fraco quanto o Nordsjaelland? 

Apostar no 4-4-2, tão usado na temporada passada, poderia ser uma opção melhor para pressionar o adversário e ficar no campo de ataque. O 4-3-3, usado no fim da partida de ontem, depois que Giaccherini e Vucinic entraram, foi prova de que uma formação mais ofensiva poderia ter funcionado melhor. Só nos 10 minutos finais parecia que a Juventus estava mesmo em campo. E é aí que entra a parte da culpa de Alessio (substituo de Conte o banco de reservas, enquanto o titular cumpre suspensão), que demorou muito para mudar o time. O inoperante Matri, por exemplo, ficou em campo até os 22 minutos do segundo tempo.

Se quiser passar de fase, nesse grupo difícil, a mudança de postura tem que ser imediata. No dia 7 de novembro, contra o próprio Nordsjaelland, mas em Turim, os bianconeri vão ter que entrar em campo sem medo e partir para cima. Ainda é possível classificar, mas para isso as vitórias têm que vir. Não adianta continuar invicta, se não consegue vencer. E é para isso que esse vexame contra o Nordsjaelland pode servir: para abrir os olhos da Velha Senhora.

Para ver os gols e ler resumo com lances da partida, clique aqui.

Nordsjaelland 1-1 Juventus
NORDSJAELLAND (4-2-3-1): Hansen; Okore, Mtiliga, Parkhurst e Runje; Adu e Stokholm; John, Lorentzen (Christiansen) e Laudrup (Christensen); Beckmann (Nordstrand). Técnico: Kasper Hjulmand
JUVE (3-5-2): Bufon; Bonucci, Lúcio (Bendtner) e Chiellini; Isla, Vidal (Giaccherini), Pirlo, Marchisio e De Ceglie; Matri (Vucinic) e Giovinco. Técnico: Angelo Alessio
Gols: Beckmann (N), aos cinco minutos do segundo tempo, e Vucinic (J), aos 35 minutos do segundo tempo.
Local: Estádio Parken, em Copenhague, na Dinamarca
Árbitro: Deniz Aytekin (Alemanha)
Cartões amarelos: Runje e Mtiliga (N); Chiellini e Marchisio (J)

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