Coppa Italia

Para voltar a ser história

Nas divisões menores desde 2002-03, o Hellas Verona tem revivido na Coppa Italia os seus tempos de Serie A: hoje, contra a Inter, será o quinto jogo “grande” dos últimos dois anos (desconhecido) 

Arrastando-se em meio a um desinteresse quase geral, a Coppa Italia tem tudo para ser notícia hoje, em Milão. Vindos diretamente de Verona, mais de 8 mil auto-intitulados “loucos” – veronesi tutti matti, diz um antigo ditado vêneto – tomarão parte do Giuseppe Meazza para apoiar o Hellas Verona contra a Internazionale, pela oitavas de final do torneio. 

Confronto que, embora o handicap amplamente desfavorável, traz boas lembranças ao clube scaligero. Na temporada 1975-76, por exemplo, foi contra a Inter que o Hellas conquistou, pela primeira vez, o direito de ir à decisão da copa nacional – em que perderia para o Napoli, por 4 a 0. Menos de dez anos mais tarde, em 1984-85, ambos chegaram a ser adversários diretos pelo scudetto; com uma vitória e um empate, o Verona levou a melhor, consolidando o caminho para o título italiano. 

De Primeira – ou quase

Na tarde-noite de hoje, porém, o Hellas Verona deixa de lado esse histórico com a pretensão, não de fazer história, mas voltar a fazer parte da história. Reencontrar-se, ainda que por apenas 90 minutos, com a Serie A, que não frequenta há uma década. Ou, por outra: frequenta, de vez em quando – justamente na Coppa Italia. 

Para chegar até a Inter, a equipe comandada pelo ex-interista Andrea Mandorlini precisou tirar de seu caminho, além da modesta Virtus Entella (Lega Pro Prima Divisione), Genoa e Palermo. Campanha semelhante à da última temporada, na qual, para se “presentear” com um confronto contra a Lazio, também nas oitavas, os gialloblù tiveram de se impor sobre o Parma. Sempre jogando fora de casa – como prevê o regulamento arrivista da FIGC, formatado em prol dos grandes. 

Unidos e distantes

Fosse apenas por isso, Internazionale x Hellas Verona já seria um belo acontecimento. Mas ainda há outros dois atrativos: um que aproxima e outro que distancia as equipes. 

O primeiro, que aproxima, estará entre as quatro linhas, onde veremos duas autênticas “Torres de Babel”. Na mesma temporada em que deixou de ser estritamente veronês – o clube foi adquirido recentemente por Maurizio Setti, empresário de Ravenna, e ex-Bologna e Carpi – o Hellas, a exemplo da Inter, nunca foi tão pouco italiano: no gol, quem reina, desde os tempos recentes de Terceira Divisão, é o brasileiro Rafael; na defesa, Ceccarelli e Maietta se alternam ao lado do insubstituível grego Moras; no meio, os talentosos brazucas Jorginho e Martinho (ex-Catania) jogam quase sempre com o islandês Hallfredsson e esloveno Bacinovic (ex-Palermo); e no ataque, o centro-avante Cacia (ex-Lecce) tem sempre como companheiros ou argentino Gomez, ou o búlgaro Bojinov (ex-Sporting Lisboa), quando não ambos. 

Já o segundo atrativo, aquele que distancia os clubes, estará nas arquibancadas: amigas no passado, as torcidas de Hellas Verona e Internazionale se reencontrarão pela primeira vez desde o fim de seu gemellaggio, na temporada 2001-02 (justamente a última dos scaligeri na elite). Aproximação e rompimento se deram por razões políticas, com ambas as curvas orientadas à direita – e com os butei ainda plenos defensores de sua ideologia, ainda que, dentro dos estádios, os símbolos e coros extremistas apareçam cada vez menos. Se as previsões veladas se confirmarem, o Meazza tem tudo para viver mais uma jornada de alerta, como foi aquela contra o Partizan, pela Liga Europa deste ano. 

(Re)Marco-zero

Será, enfim, uma tarde histórica para muitos torcedores: os do Verona esperam que este encontro seja somente a van premiere do retorno à elite, que o clube persegue loucamente – come matto, diriam – nesta temporada. E os neroazzurri, donos da casa – e de Milito, Cassano, Palácio, Guarín etc – têm a chance de reverter um pouco do histórico desfavorável em decisões ante o “novo rival”.

Qual lado dessa nova história vai prevalecer?

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