Serie A

Parada de inverno, parte 2

Juventus ok: equipe de Turim mantém solidez e caminha a passo largos na busca pelo bicampeonato (AFP)

Com o ano novo, a ansiedade para a volta da Serie A cresce. Neste sábado, 5, a bola volta a rolar na Itália, e todas as equipes já estão treinando desde o fim do ano passado. Com o mercado reaberto, as equipes iniciam o chamado “mercado de reparação”, e resolvem os problemas na montagem do elenco, finalizada em agosto.

Na expectativa para a volta do campeonato, trazemos a segunda parte do nosso especial do primeiro turno, com a análise das equipes classificadas entre a 10ª e a 1ª posição, além das seleções dos melhores e piores da temporada até então (veja aqui a parte um do especial). Acompanhe abaixo e fique atento a nosso Twitter, @quattrotratti, e nosso Facebook, onde traremos as informações do mercado e o que de mais importante movimentar o noticiário. Boa leitura!

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Udinese

10ª posição. 18 jogos, 24 pontos. 5 vitórias, 9 empates, 4 derrotas. 26 gols marcados, 26 sofridos.

Time-base: Brkic; Coda (Benatia, Angella), Danilo, Domizzi; Basta, Allan (Badu), Pinzi, Pereyra, Armero (Pasquale); Lazzari; Di Natale.

Treinador: Francesco Guidolin

Destaque: Antonio Di Natale, atacante

Artilheiro: Antonio Di Natale, com 10 gols

Garçom: Antonio Di Natale e Allan, com 2 assistências

Decepção: Danilo, zagueiro

Maior sequência de vitórias: 2, duas vezes. Na 8ª e 9ª rodadas, e na 14ª e 15ª rodadas

Maior sequência de derrotas: 2, na 1ª e 2ª rodada

Maior sequência de invencibilidade: 6, da 8ª à 13ª rodada

Maior sequência sem vencer: 5, da 10ª à 15ª rodada

Fair play: 40 cartões amarelos, 5 vermelhos

Expectativa: Meio da tabela

Esqueça aquela Udinese que encantou o mundo com um estilo de jogo ofensivo e rápidos contra-ataques. Se a equipe da última temporada já não era tão brilhante, mas mantinha a eficiência, este ano tudo desandou. A reposição de peças como Sánchez, Inler (que saíram há um ano e meio e ainda não tiveram herdeiros) e Asamoah foram muito sentidas, já que Muriel, Lazzari, Willians e Pereyra nem de longe repetem as mesmas atuações. Danilo não se transferiu, mas também não consegue jogar como antes. Foi um dos melhores zagueiros da temporada passada, mas em 2012-13 está muito mal. Jogou todos os minutos no ano passado, mas foi expulso duas vezes e também cometeu pênaltis infantis. Dos quatro brasileiros da equipe, apenas Allan tem ido bem.

Toda essa fase negativa dá a impressão de que o ciclo de Guidolin está perto do fim. O competente técnico vêneto tem mantido sua filosofia de trabalho, mas as peças que tem à disposição não estão fazendo o time jogar bem. Até por isso, a dependência a Di Natale continua, mesmo que o capitão não esteja tirando tantos coelhos da cartola. Contratado para ajudar no ataque, o colombiano Muriel tem dificuldades para manter a forma física. Também se machucou e marcou apenas um gol com a camisa bianconera. Com tantos problemas, a Udinese dificilmente conseguirá surpreender no segundo turno e não deve superar seus adversários na briga por uma vaga em competições europeias.

Catania

9ª posição. 18 jogos, 25 pontos. 7 vitórias, 4 empates, 7 derrotas. 26 gols marcados, 27 sofridos.

Time-base: Andújar; Álvarez, Legrottaglie, Spolli (Bellusci), Marchese; Izco, Lodi, Almirón; Gómez, Bergessio, Barrientos.

Treinador: Rolando Maran

Destaque: Francesco Lodi, meio-campista

Artilheiro: Gonzalo Bergessio, com 6 gols

Garçom: Alejandro Gómez e Francesco Lodi, com 4 assistências

Decepção: Alexis Rolín, zagueiro

Maior sequência de vitórias: 2, na 16ª e 17ª rodadas

Maior sequência de derrotas: 2, duas vezes. Na 8ª e 9ª rodadas e na 14ª e 15ª rodadas

Maior sequência de invencibilidade: 4, da 10ª à 13ª rodada

Maior sequência sem vencer: 3, da 8ª à 10ª rodada

Fair play: 42 cartões amarelos, 4 vermelhos

Expectativa: Vaga em competições europeias

Montella deixou a equipe rumo à Fiorentina, mas o Catania continua jogando como se ele estivesse ali. Méritos para o técnico Maran, que foi contratado após bom trabalho no Varese e manteve a mesma estrutura do time. Desde o início da temporada 2011-12, dá para saber a escalação-base da equipe, que temno entrosamento um de seus pontos mais fortes. O capitão Lodi, inclusive, é o único jogador de linha a ter atuado durante todos os minutos nas 18 partidas disputadas até então na Serie A. O regista, que é para o Catania o que Pirlo é para a Juventus, já distribuiu quatro assistências e marou quatro gols, além de gastar a bola no meio-campo. A seu lado, Almirón vem fazendo um ótimo campeonato, embora mais discreto. Os dois despertaram o interesse da Inter e ao menos um deles pode vestir a camisa nerazzurra já em janeiro.

Na equipe mais argentina da Itália, os portenhos são um destaque à parte. No gol, Andújar tem garantido pontos importantes com ótimas defesas – tem uma das melhores notas entre os goleiros da Serie A. No ataque, totalmente albiceleste, Barrientos e Gómez dão muita velocidade pelos lados e o segundo, principalmente, cresce em importância dentro do time. No comando do ataque, Bergessio vive seu melhor momento desde que chegou ao clube e além dos seis gols, faz um bom trabalho como pivô. Se forçar mais o ritmo, o melhor elenco low-cost da Itália pode ser premiado com uma inédita vaga em uma competição europeia e, quem sabe, um inédito título, já que o Catania está nas quartas de final da Coppa Italia. Será que dá?

Parma

8ª posição. 18 jogos, 26 pontos. 7 vitórias, 5 empates, 6 derrotas. 25 gols marcados, 24 sofridos.

Time-base: Mirante; Zaccardo, Paletta, Lucarelli; Rosi, Marchionni, Parolo, Valdés, Gobbi; Biabiany, Belfodil (Amauri).

Treinador: Roberto Donadoni

Destaque: Gabriel Paletta, zagueiro

Artilheiro: Izhak Belfodil, com 5 gols

Garçom: Três jogadores, com 2 assistências

Decepção: Dorlan Pabón, atacante

Maior sequência de vitórias: 3, da 8ª à 10ª rodada

Maior sequência de derrotas: 2, na 15ª e 16ª rodada

Maior sequência de invencibilidade: 3, três vezes

Maior sequência sem vencer: 5, da 3ª à 7ª rodada

Fair play: 55 cartões amarelos, 3 vermelhos

Expectativa: Vaga em competições europeias

A regular equipe montada por Donadoni mais uma vez faz campeonato forte, na parte de cima da tabela. O segundo ano de trabalho do ex-jogador do Milan e da seleção italiana segue a mesma linha dos outros anos e vai dando resultados semelhantes. O esquema base é o 3-5-2, mas a equipe pode jogar no 4-3-3 ou no 4-4-2 a depender do adversário. Isso levou os parmenses à 10ª posição na última temporada e, com Franco Colomba, em 2010-11, à 8ª posição – e é nessa parte da tabela que a equipe deve ficar mais uma vez. Neste campeonato, a equipe gialloblù ainda tem a seu lado o estádio Ennio Tardini, transformado em caldeirão pela torcida. Até agora, o Parma está invicto em sua casa.

No time de Donadoni, as peças mudam com alguma frequência, conforme a necessidade tática do treinador. O que é invariável é que o time joga forte (é o segundo time com mais cartões amarelos, logo atrás do Cagliari), e tem uma organização defensiva muito grande, baseada na proteção oferecia por Parolo, na entrada da área, e do trio de zaga formado por Zaccardo, Paletta e Lucarelli. O argentino Paletta, inclusive, está entre os melhores e mais completos do campeonato, roubando bolas e afastando cruzamentos com um senso de posicionamento acima da média – não à toa, interessa ao Napoli. O ataque, por sua vez, poderia ser mais produtivo. Na reta final de 2012, Amauri perdeu espaço para o jovem Belfodil, que está dando seus primeiros passos na Serie A e pode ser o futuro do clube.

Milan

7ª posição. 18 jogos, 27 pontos. 8 vitórias, 3 empates, 7 derrotas. 34 gols marcados, 26 sofridos.

Time-base: Abbiati (Amelia); De Sciglio (Abate), Mexès, Yepes (Bonera), Constant; Nocerino, Montolivo (De Jong), Emanuelson (Ambrosini); Boateng, Pazzini, El Shaarawy.

Treinador: Massimiliano Allegri

Destaque: Stephan El Shaarawy, atacante

Artilheiro: Stephan El Shaarawy, com 14 gols

Garçom: Três jogadores, com 3 assistências

Decepção: Kevin-Prince Boateng, meio-campista

Maior sequência de vitórias: 4, da 14ª à 17ª rodada

Maior sequência de derrotas: 2, duas vezes. Na 3ª e 4ª rodada e na 7ª e 8ª rodada

Maior sequência de invencibilidade: 5, da 13ª à 17ª rodada

Maior sequência sem vencer: 3, da 6ª à 8ª rodada

Fair play: 45 cartões amarelos, 4 vermelhos

Expectativa: Vaga em competições europeias

A temporada milanista começou de forma nefasta, mas, pouco a pouco, o time começou a ganhar nova cara e melhorou. As perdas de Ibrahimovic e Thiago Silva foram sentidas no início do campeonato, mas já foram amenizadas. No ataque, o jovem El Shaarawy tem comandado a equipe e, com seus 14 gols e três assistências, tem média ainda superior que a de Ibra, tornando-se um dos grandes jogadores do campeonato. Porém, Pazzini, Pato e Bojan não conseguiram executar bem a função de referência no ataque rossonero, o que poderia ter ajudado a equipe a superar a Juventus como melhor ataque nas partidas fora de casa. Na zaga, Acerbi e Zapata não se adaptaram, mas Yepes tem se virado como pode para substituir Thiago Silva.

Nesse cenário, Allegri tem méritos de conseguir fazer um elenco desmotivado ter se recuperado e estar vivo na briga por uma vaga em competições europeias. O técnico bancou a titularidade do garoto De Sciglio e ainda improvisou o meia Constant na lateral esquerda. Ainda mudou o esquema, colocando a equipe no 4-3-3 – o que fez El Shaarawy render ainda mais. O esquema deu mais solidez à equipe, que perdeu três dos seus quatro primeiros jogos em casa, até a sétima rodada. Depois, em cinco jogos no San Siro, o Diavolo perdeu apenas um, para a Fiorentina, e venceu os outro quatro, incluindo um contra a Juventus. A derrota para a Roma na última rodada do ano interrompeu uma sequência de quatro vitórias consecutivas, mas não apagou o crescimento do time. Agora resta recuperar o futebol de Boateng, que decaiu bruscamente nesta temporada e deixou de ser decisivo.

Roma

6ª posição. 18 jogos, 32 pontos. 10 vitórias, 2 empates, 6 derrotas. 42 gols marcados, 29 sofridos.

Time-base:
Goicoechea (Stekelenburg); Piris, Marquinhos, Leandro Castán,
Balzaretti; Bradley, Tachtsidis (De Rossi), Florenzi; Lamela (Pjanic),
Osvaldo (Destro), Totti.

Treinador: Zdenek Zeman

Destaque: Francesco Totti, atacante

Artilheiro: Erik Lamela, com 10 gols

Garçom: Francesco Totti, com 5 assistências

Decepção: Maarten Stekelenburg, goleiro

Maior sequência de vitórias: 4, da 13ª à 16ª rodada

Maior sequência de derrotas: 2, na 9ª e 10ª rodadas

Maior sequência de invencibilidade: 4, da 13ª à 16ª rodada

Maior sequência sem vencer: 2, duas vezes. Na 5ª e 6ª rodadas, e na 9ª e 10ª rodadas

Fair play: 42 cartões amarelos, 5 vermelhos

Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

O futebol ultraofensivo de Zeman  voltou à Serie A com toda força. O time tem o melhor ataque do campeonato, com 42 gols a favor (três deles conquistados por uma vitória no tapetão, o 3 a 0 contra o Cagliari) e é um dos cinco mais positivos na Europa até o momento. A defesa concede muitos gols (é a 4ª pior), e não foram raros os momentos em que as câmeras flagraram apenas dois jogadores atrás da linha do meio-campo, enquanto os oito restantes atacavam como se não houvesse amanhã. Não é à toa que a equipe tem apenas dois empates e ficou apenas um jogo sem marcar gols. Mesmo com a filosofia “matar ou morrer”, o time briga forte no topo da tabela e está a apenas três pontos da zona de classificação para a Liga dos Campeões, objetivo traçado no início da temporada.

O destaque da equipe é o capitão Totti, do alto de seus 36 anos. O Pupone começou a ganhar importância em Trigoria e virou capitão justamente na primeira passagem de Zeman pela equipe, entre 1997 e 1999. Jogando mais próximoa ao gol, Totti tem cinco gols marcados, cinco assistências efetuadas e também é o jogador que mais tempo ficou em campo pela Roma em todo o campeonato. O vice-capitão De Rossi, por sua vez, está recuperando seu prestígio com o treinador pouco a pouco, e deve voltar a ser titular. Gratas surpresas são Lamela, que vai despontando como artilheiro da equipe e, sobretudo, o zagueiro Marquinhos. Com apenas 18 anos, o ex-jogador do Corinthians tem sido um dos defensores mais observados do futebol italiano. Por sua vez, Stekelenburg parece destinado a deixar Roma. Depois de falhar demais e não cair nas graças de Zeman, o goleiro titular da seleção holandesa perdeu posição para o uruguaio Goicoechea.

Napoli

5ª posição. 18 jogos, 34 pontos, penalização de 2. 11 vitórias, 3 empates, 4 derrotas. 33 gols marcados, 17 sofridos.

Time-base:
De Sanctis; Campagnaro, Cannavaro, Gamberini; Maggio, Behrami, Inler
(Dzemaili), Hamsík, Zúñiga; Insigne (Pandev), Cavani.

Treinador: Walter Mazzarri

Destaque: Edinson Cavani, atacante

Artilheiro: Edinson Cavani, com 13 gols

Garçom: Marek Hamsík, com 6 assistências

Decepção: Bruno Uvini, zagueiro

Maior sequência de vitórias: 3, duas vezes. Da 1ª à 3ª rodada e da 5ª à 7ª rodada

Maior sequência de derrotas: 2, na 16ª e 17ª rodadas

Maior sequência de invencibilidade: 7, da 1ª à 7ª rodada

Maior sequência sem vencer: 2, duas vezes. Na 10ª e 11ª rodadas, e na 16ª e 17ª rodadas

Fair play: 43 cartões amarelos, nenhum vermelho

Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

O Napoli começou o campeonato voando e como anti-Juventus. Porém, os sete jogos de invencibilidade das primeiras rodadas já são passado. Quando Cavani começou a ter problemas físicos e desfalcou a equipe em algumas rodadas, os azzurri mostraram que ainda dependem demais de seu artilheiro. Com 13 gols, o uruguaio é o vice-artilheiro do campeonato e precisa de um reserva à altura, para que o time continue rendendo sem ele ou mesmo quando ele esteja em má fase – o Matador foi obrigado a atuar em algumas partidas mesmo fora de forma. A perda de dois pontos e sobretudo de Cannavaro, suspenso (assim como o reservaço Grava) por seis meses por omissão de denúncia do esquema de manipulação de resultados pode fazer falta. Com mais dois pontos, a equipe já estaria empatada com a Lazio na vice-liderança. Hoje, estaria se classificando apenas para a Liga Europa.

Agora, o presidente De Laurentiis e o diretor esportivo Bigon terão de ir ao mercado em busca também de um zagueiro para ser titular e outro para a reserva, já que Aronica não é nada confiável (por erros seus, a equipe perdeu quatro pontos nesta temporada). A defesa do Napoli é a segunda melhor do campeonato, mas se não fossem os apagões, provavelmente teria números semelhantes aos da Juve. Hamsík, titularíssimo e agora capitão, e Insigne, garoto-prodígio, estão fazendo um campeonato muito bom, e podem continuar abastecendo Cavani com maestria – qualidade o time já tem. Só que Mazzarri terá de fazer um excelente trabalho de vestiário para que o elenco não entre em parafuso por causa da série de problemas e mudanças de objetivos. Vai ter que ser na garra.

Inter

4ª posição. 18 jogos, 35 pontos. 11 vitórias, 2 empates, 5 derrotas. 30 gols marcados, 19 sofridos.

Time-base: Handanovic; Ranocchia, Samuel, Juan Jesus; Zanetti, Guarín (Palacio), Cambiasso, Gargano, Nagatomo; Milito, Cassano.

Treinador: Andrea Stramaccioni

Destaque: Fredy Guarín, meio-campista

Artilheiro: Diego Milito, com 8 gols

Garçom: Antonio Cassano, com 5 assistências

Decepção: Jonathan, lateral direito

Maior sequência de vitórias: 7, da 5ª à 11ª rodada

Maior sequência de derrotas: –

Maior sequência de invencibilidade: 7, da 5ª à 11ª rodada
Maior sequência sem vencer: 3, da 12ª à 14ª rodada

Fair play: 34 cartões amarelos, 1 vermelho

Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

A Inter renovada de Stramaccioni tem muito de um time em formação: alterna grandes momentos com exibições terríveis. Irregular, a equipe começou o campeonato com altos e baixos, e começou a se estabilizar depois que o técnico definiu o 3-5-2 (transmutável em 4-4-2 losango) como esquema tático base. Daí, a equipe emplacou sete vitórias em sequência, venceu o dérbi contra o Milan, tirou a invencibilidade da Juventus e conquistou a maior sequência de vitórias do campeonato (7), antes de novamente cair de produção. O time mostra que tem muito a evoluir e que pode ter um futuro brilhante, mas dificilmente pode brigar de igual a igual com a Juventus, como se previu.

Algumas peças estão claramente em falta (um zagueiro, um regista no meio-campo e um reserva para Milito). Apesar disso, Stramaccioni recupero o futebol de Ranocchia, que faz ótima zaga com Samuel e Juan – o brasileiro evoluiu muito nesta temporada, mas ainda apresenta erros naturais para quem é jovem. No meio-campo, Guarín faz a diferença e, se Sneijder resolver suas diferenças salariais com a Inter, o clube terá mais um outro grande jogador à disposição. A tríade formada por Cassano, Milito e Palacio marca muitos gols e constitui um dos ataques mais fortes do Belpaese, sendo o setor mais forte de um time que está sendo preparado para o futuro. Caminhando a passos curtos, a Inter pensa mais em 2014, e se contentaria com a volta para a Liga dos Campeões.

Fiorentina

3ª posição. 18 jogos, 35 pontos. 10 vitórias, 5 empates, 3 derrotas. 36 gols marcados, 19 sofridos.

Time-base: Viviano; Roncaglia, Rodríguez, Tomovic (Savic); Cuadrado, Aquilani (Férnandez, Rômulo), Pizarro, Borja Valero, Pasqual; Jovetic, Toni (El Hamdaoui, Ljajic).

Treinador: Vincenzo Montella

Destaque: Borja Valero, meio-campista

Artilheiro: Stefan Jovetic, com 8 gols

Garçom: Borja Valero, com 8 assistências

Decepção: Emiliano Viviano, goleiro

Maior sequência de vitórias: 5, da 9ª à 13ª rodada

Maior sequência de derrotas: 3, duas vezes. Da 5ª à 7ª rodada e da 13ª à 15ª rodada

Maior sequência de invencibilidade: 8, da 7ª à 14ª rodada

Maior sequência sem vencer: 3, duas vezes. Da 4ª à 6ª rodada e da 14ª à 16ª rodada

Fair play: 50 cartões amarelos, 1 vermelho

Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

Uma reviravolta que pode ser considerada uma obra-prima (ou, em bom italiano, um capolavoro). Até junho, a Fiorentina era uma equipe cheia de jogadores desmotivados, que jogava mal e flertava com o rebaixamento. Desde a chegada de Montella e de contratações inteligentes, a agremiação virou o fio e é a grande sensação de 2012-13. A equipe é a melhor
mandante do campeonato, com 7 vitórias, nenhuma derrota, 15 gols pró, e deixou de marcar em apenas uma oportunidade, no 0 a 0 contra a Juventus, em uma de suas melhores exibições. A coletividade é uma das principais qualidades da Fiorentina, e 13 jogadores diferentes já marcaram gols no campeonato.

Além da chegada de Montella, a grande contratação que mudou os rumos do time foi Borja Valero. O espanhol distribui o jogo no meio-campo com maestria e já se tornou um dos principais nomes do campeonato e também da equipe, “ofuscando” Jovetic. Antes frágil quando Jovetic estava de fora, hoje a Fiorentina sobrevive à ausência de seu capitão e artilheiro, porque Valero e também Pizarro, Cuadrado, Pasqual e Toni chamam a responsabilidade. Como nem tudo é perfeito, a decepção do time fica por conta do goleiro Viviano. Torcedor declarado da equipe, Viviano chegou à Florença, mas tem falhado demais quando exigido e não repete as ótimas atuações dos tempos de Bologna. Sorte é que Roncaglia e Rodríguez tem feito excelente campeonato e ajudam a Fiorentina a sonhar com a volta ao cenário europeu. Um sonho que pode muito bem virar realidade.

Lazio

2ª posição. 18 jogos, 36 pontos. 11 vitórias, 3 empates, 4 derrotas. 26 gols marcados, 18 sofridos.

Time-base: Marchetti; Konko, Biava, André Dias, Lulic; Candreva, Hernanes, Ledesma, González, Mauri; Klose.

Treinador: Vladimir Petkovic

Destaque: Miroslav Klose, atacante

Artilheiro: Miroslav Klose, com 10 gols

Garçom: Stefano Mauri, com 5 assistências

Decepção: Ederson, meio-campista

Maior sequência de vitórias: 3, duas vezes. Da 1ª à 3ª rodada e da 6ª à 8ª rodada

Maior sequência de derrotas: 2, na 4ª e 5ª rodadas

Maior sequência de invencibilidade: 7, da 12ª à 18ª rodada

Maior sequência sem vencer: 3, da 9ª à 11ª rodada

Fair play: 40 cartões amarelos, 4 vermelhos

Expectativa: Vaga na Liga dos Campeões

Há três anos a Lazio tem surpreendido ao se manter na briga pela Liga dos Campeões até o fim, mesmo com um elenco mais barato que o dos concorrentes e também mais modesto. Desta vez, com Vladimir Petkovic, estreante na Serie A, a equipe tem superado quaisquer expectativas. Os números são tão bons que o suíco de origem bósnia pode entrar na história da equipe romana. Apenas Sven-Göran Eriksson e Tommaeso Maestrelli, que foram campeões com a Lazio, tem aproveitamento melhor. A grande dúvida é: esta Lazio tem potencial para se manter no topo ou, como a equipe treinada por Edy Reja, cairá fisicamente nas últimas rodadas e não aguentará o ritmo?

Por enquanto, a impressão passada é que a Lazio pode, sim, garantir uma vaga na LC, que não disputa desde 2007-08. Klose continua voando e, com 10 gols, é o jogador que decide a favor do time. Em todo o ano de 2012, seus gols garantiram 33 dos 68 pontos conquistados pelos aquilotti. No meio-campo, Candreva, Mauri e Hernanes são “coadjuvantes” de luxo, e abastecem o alemão com passes açucarados, além de marcarem uma quantidade razoável de gols. A defesa também é sólida (a terceira melhor do campeonato), e conta com um Marchetti em grande fase, além de uma boa organização da linha de quatro defensores. Equilíbrio é a palavra-chave que define a equipe.

Juventus

1ª posição. 18 jogos, 44 pontos. 14 vitórias, 2 empates, 2 derrotas. 39 gols marcados, 11 sofridos.

Time-base:
Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Lichtsteiner, Vidal, Pirlo,
Marchisio, Asamoah; Giovinco, Vucinic (Quagliarella).

Treinador: Antonio Conte

Destaque: Kwadwo Asamoah, meio-campista

Artilheiro: Fabio Quagliarella, com 6 gols

Garçom: Três jogadores, com 4 assistências

Decepção: Lucio, zagueiro

Maior sequência de vitórias: 5, da 6ª à 10ª rodada

Maior sequência de derrotas: –

Maior sequência de invencibilidade: 10, da 1ª à 10ª rodada

Maior sequência sem vencer: 2, na 13ª e 14ª rodadas

Fair play: 44 cartões amarelos, nenhum vermelho

Expectativa: Título

Não há dúvidas de que a Juventus é a melhor equipe do campeonato. Os bianconeri detém o maior
número de vitórias, o melhor saldo, o menor número
de derrotas, a melhor defesa e também é a segunda melhor mandante – só perde para a Fiorentina e está empatada com a Lazio. Com oito pontos de vantagem sobre a segunda colocada, corre praticamente sozinha pelo título e pode até se preocupar mais com a Liga dos Campeões, onde também pode brigar pelo título. Como enfrenta o Celtic, nenhum bicho-papão, e apenas em março, e tem uma tabela muito acessível no inverno, a Velha Senhora está despreocupada.

Até agora, a Juventus perdeu dois jogos, deixando de lado sua invencibilidade de 49 partidas. Mas, contra os pequenos, o time se impõe como não se impunha em 2011-12, e venceu todos os seus confrontos. Se o primeiro time de Conte empatava bastante, o atual praticamente só ganha – e por isso superou o recorde de pontos em um ano solar da Serie A. Eram 93 da Juve de Fabio Capello, em 2005, e a equipe de Conte chegou aos 94. A defesa continua fortíssima, e o lado esquerdo do meio-campo no 3-5-2 ganhou a importante presença de Asamoah, que jogou todos os 18 jogos da campanha e deu mais mobilidade e força física a um setor que não tinha titular absoluto. Se esse problema foi resolvido, a Juve segue em busca de um atacante goleador, e precisa reencontrar o caminho dos gols através das penalidades: na temporada, a equipe acertou apenas 50% deles. Sobretudo na LC, o aproveitamento nas penalidades pode ser fundamental.

Melhores do primeiro turno
Perin (Pescara); Marquinhos (Roma), Barzagli (Juventus), Ranocchia (Inter); Hernanes (Lazio), Borja Valero (Fiorentina), Hamsík (Lazio), Asamoah (Juventus), Pasqual (Fiorentina); Totti (Roma), El Shaarawy (Milan). Técnico: Petkovic (Lazio).

Decepções do primeiro turno
Gillet (Torino); Silvestre (Inter), Lucio (Juventus), Capuano (Pescara), Poulsen (Sampdoria); Schelotto (Atalanta), Nainggolan (Cagliari), Willians (Udinese), Vargas (Genoa); Maicosuel (Udinese), Sansone (Torino). Técnico: Di Carlo (ex-Chievo).

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