Liga dos Campeões

Cínica e cirúrgica

Marchisio e Matri comemoram o primeiro gol, em Glasgow. Juventus cedeu a posse de bola, levou sufoco e venceu bem (Foto: La Presse)

A Juventus era favorita num estádio tomado de torcedores escoceses e Rod Stewart. Era esperada uma vitória bianconera no Celtic Park, onde um clube italiano não conseguia vencer desde a temporada 1968-69 – quando o Milan bateu os Hoops por 1 a 0 (gol do atacante Pierino Prati). Mas a Juventus é cínica e ainda deu aos escoceses o gostinho de pensar na vitória.

O primeiro contra-ataque da partida matou o confronto. Peluso fez bom lançamento, Matri ganhou de Ambrose, que chegou da recém-conquistada Copa Africana de Nações pela Nigéria, e tocou por debaixo das pernas de Forster. A bola passou a linha do gol, Wilson afastou parcialmente e Marchisio chutou para a rede. A Uefa, na metade do primeiro tempo, concedeu o gol ao atacante. 

A esta altura do jogo, o Celtic já tinha mais posse de bola que a sua média na fase de grupos (tá certo que era de 38%, melhor apenas que a do Cluj – 35%), porém, o time de Glasgow jogava bem e pressionava absurdamente o time italiano. Cínico. Que deixava o adversário trocar quantos passes quisesse no campo de ataque e chutasse de fora da área. Buffon, afinal, pouco se esforçou, pois os chutes de Commons, Mulgrew e Hooper tinham sempre o mesmo destino: o meio do gol, nos braços do goleiro.

No ano passado, o Celtic venceu o Barcelona, no Celtic Park, em partida épica decidida com um gol de Samaras. Os escoceses foram firmes na marcação e seguraram os espanhois até o último minuto. Time encardido, pois. A Juventus também é. A diferença entre as equipes é que uma tem a competência de chegar ao ataque e definir a jogada em gol. 

No segundo tempo, Matri fez o pivô e achou Marchisio na área. O meia cortou o capitão Brown e chutou com força para vazar Forster. Minutos depois, Vucinic marcou o terceiro, aproveitando novo vacilo do zagueiro Ambrose, e praticamente definiu a classificação da Juventus às quartas de final da Liga dos Campeões. A última vez que a Juve jogou as quartas foi na temporada 2005-06, quando foi eliminada pelo Arsenal que seria vice-campeão europeu.

A Juve voltou a jogar uma bola redondinha na partida do fim de semana contra a Fiorentina e mostrou em Glasgow que tem competência para continuar brigando na Europa mesmo sem um goleador exímio. Peluso, estreante em competições continentais, fez boa partida antes de sair machucado; o tridente Pirlo, Vidal e Marchisio foi ótimo na recomposição defensiva; e Matri, quem diria!, participou de dois gols. A dúvida pelo desconhecido Nordsjaelland, a técnica do Chelsea, a correria e ousadia do Shakhtar e a garra do Celtic. Até agora, nada foi suficiente para derrotar a Juventus na Liga. E agora?

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