Esquadrões

Times históricos: Sampdoria 1986-1992

Grandes feitos: Campeã da Recopa Europeia (1989-1990), Campeã do Campeonato Italiano (1990-1991), Bicampeã da Coppa Italia (1987-1988 e 1988-1989) e Campeã da Supercopa da Itália (1991).

Time base: Pagliuca; Mannini, Pellegrini (Lanna), Vierchowod e Bonetti; Cerezo e Pari (Invernizzi); Lombardo (Muñoz, Salsano), Katanec (Dossena) e Vialli; Mancini. Técnico: Vujadin Boskov.

Sob a batuta dos Gêmeos do Gol

Já relembramos histórias marcantes de grandes equipes italianas que brilharam no final dos anos 80 e início da década de 90. Inter, Juventus, Milan, Napoli e Roma foram alguns dos esquadrões que colecionaram títulos tanto em casa quanto fora dela, consolidando uma era de ouro da Serie A, que tinha o status de liga mais estrelada e disputada do planeta, muito a frente de Espanha, Alemanha e Inglaterra, as vedetes neste século XXI.

E foi naquela época que outra equipe, caçulinha perto dos gigantes italianos, também brilhou ao praticar um futebol competitivo, brilhante e talentoso: a Sampdoria. A equipe de Gênova possuía um notável equilíbrio entre defesa e ataque, muito graças ao técnico Vujadin Boskov, ao goleiro Pagliuca, ao zagueiro Vierchowod, ao volante Cerezo e aos “irmãos gêmeos” do ataque Mancini e Vialli, uma das duplas mais letais e entrosadas de toda a história da Itália. Entre 1986 e 1992 a Samp deixou de ser uma equipe pequena e sem títulos para se tornar uma potência que levantou taças na Itália e na Europa. Por muito pouco, o time não levantou uma incrível Copa dos Campeões na temporada 1991-1992, quando foi derrotado na prorrogação pelo Barcelona do técnico Johan Cruyff. É hora de relembrar.

Geração de ouro

Mancini e Vialli, os gêmeos do gol

Em 1985, a Sampdoria conquistou sua primeira Coppa Italia ao derrotar o Milan nos dois jogos finais (1 a 0 em Milão e 2 a 1 em Gênova). Aquela equipe ficou marcada pela revelação de grandes talentos, entre eles Roberto Mancini e Gianluca Vialli, que rapidamente ganhariam o apelido de “Gêmeos do Gol” tamanho entrosamento e facilidade para armarem jogadas entre si. Depois do título e de um vice em 1986, o então treinador Eugenio Bersellini deu lugar ao iugoslavo Vujadin Boskov, que já tinha feito um bom trabalho no comando do Real Madrid no final dos anos 70 e início da década de 80, ao conduzir o time merengue ao título do Campeonato Espanhol de 1980 e a duas Copas do Rei em 1980 e 1982, além de um vice-campeonato da Copa dos Campeões da Uefa em 1981, frente ao super Liverpool de Kenny Dalglish e Bob Paisley.

Logo em sua chegada, Boskov ganhou o reforço de Toninho Cerezo, célebre volante brasileiro estrela do Atlético Mineiro, e depois da Roma, por muitos anos. Em sua primeira temporada, o treinador já mostraria que aquele time daria muito trabalho aos gigantes da Itália, principalmente pela maneira de jogar. A Sampdoria explorava muito a velocidade de seus meias e atacantes e o talento de Cerezo, que surgia como um elemento surpresa no ataque, além de seus habituais lançamentos precisos. No campeonato nacional, o time ficou na sexta colocação, mas conseguiu bons resultados, como um 4 a 1 para cima da Juventus de Platini, vice-campeã da temporada 1986-1987 (o campeão foi o Napoli de Maradona). Sem taças naquele ano, o time daria alegrias para a torcida já na temporada 1987-1988.

Taças e o primeiro encontro com o Barcelona

O técnico Boskov: divisor de águas em Gênova

Reforçada por um talentoso e novato goleiro chamado Gianluca Pagliuca (aquele mesmo da Copa de 1994), a Sampdoria levantou na temporada 1987-1988 o título da Coppa Italia, depois de vencer o Torino na grande final. No Campeonato Italiano, o time ficou na quarta colocação e Vialli foi o artilheiro da equipe com 10 gols.

A conquista da copa nacional deu à equipe uma vaga na Recopa Europeia da temporada seguinte, de 1988-89. Nela, os italianos despacharam Norrköping, da Suécia, Carl Zeiss Jena, da Alemanha, além do romeno Dínamo Bucareste e o belga Mechelen (este com um show na partida de volta, em Gênova: 3 a 0, gols de Cerezo, Dossena e Salsano) até chegarem à final, disputada na Suíça. A equipe de Mancini e Vialli teve pela frente o Barcelona, comandado à época por Johan Cruyff e com jogadores como Zubizarreta, Amor, Salinas, Lineker e Beguiristain. Com um gol no começo do jogo e outro no final, o time catalão ficou com a Recopa, e a Sampdoria sucumbiu em sua primeira final continental.

Porém, nem tudo foi drama naquela temporada. O time venceu o bicampeonato da Coppa Italia de maneira inesquecível. Gianluca Vialli esteve infernal e marcou 13 gols, recorde em uma só edição do torneio que permanece até hoje. Na final, o time perdeu o primeiro jogo para o Napoli por 1 a 0. No entanto, a volta foi uma festa homérica: 4 a 0, gols de Vialli, Cerezo, Vierchowod e Mancini. A vitória mostrou a todos que aquela equipe já era, sim, uma das potências da Itália, a ponto de poder brigar de igual para igual contra o próprio Napoli de Maradona, a Internazionale de Matthäus e o Milan de van Basten.

Cada vez mais forte

Prestes a ser campeã: a base da Samp que marcaria época

Na temporada 1989-1990 a Sampdoria reforçou ainda mais seu elenco com dois jogadores que seriam fundamentais para dar ainda mais qualidade e pegada no meio de campo: o iugoslavo Srecko Katanec, que vinha de uma boa passagem pelo Stuttgart, e o italiano Attilio Lombardo, ótimo meia e ponta-direita que brilhou anteriormente na Cremonese. Na Serie A, a equipe outra vez ficou na parte de cima da tabela, mas não conseguiu brigar pelo título e terminou na quinta posição. Na Coppa Italia, a equipe chegou até as fases finais, mas foi eliminada. O grande foco do time na temporada era, na verdade, a Recopa Europeia, perdida no ano anterior. Vialli, Mancini e companhia tinham a certeza de que era possível brigar pelo título novamente.

Saga europeia

Adversários no chão e a Samp comemorando: cena normal naquela época

Na Recopa de 1989-1990, a Sampdoria começou sua caminhada contra o Brann, da Noruega, e venceu os dois jogos: 2 a 0 fora de casa (gols de Vialli e Mancini) e 1 a 0 em casa (gol de Katanec). Nas oitavas de final, duelo contra o Borussia Dortmund foi equilibrado. Na primeira partida, na Alemanha, empate em 1 a 1 (gol de Mancini). Na volta, Vialli marcou duas vezes, no segundo tempo, e deu a vitória por 2 a 0 aos italianos.

Nas quartas de final, mais duas vitórias contra os suíços do Grasshopper: 2 a 0 em casa (gols de Vierchowod e Meier, contra) e 2 a 1 fora de casa (gols de Cerezo e Lombardo). O passaporte para a segunda final seguida foi carimbado contra o Monaco de George Weah na semifinal. No primeiro jogo, na França, empate em 2 a 2 (dois gols de Vialli) na volta, Vierchowod e Lombardo fizeram os gols da vitória por 2 a 0. A Sampdoria estava na decisão.

Campeões continentais

Festa em Gênova: o título da Samp é o único continental da cidade em toda a história

A decisão da Recopa de 1989-1990 foi entre a Sampdoria e os belgas do Anderlecht, que lutaram pelo título continental na cidade de Gotemburgo, na Suécia. Depois de 90 minutos em que as duas equipes se anularam, coube ao artilheiro da Recopa decidir a partida a favor dos italianos: Vialli. O craque marcou duas vezes na prorrogação, aos 105 e 108, e deu o primeiro e histórico título continental à Sampdoria. Era a consagração daquele time que merecia há anos uma taça como aquela. Vialli terminou como artilheiro da competição com sete gols. O desempenho da equipe naquela temporada resultou na convocação de cinco atletas do time para a Copa do Mundo da Itália de 1990: Pagliuca, Vierchowod, Mancini e Vialli (seleção da Itália) e Katanec (seleção da Iugoslávia).

Entre outubro e novembro de 1990, a Sampdoria teve a chance de conquistar mais um título internacional, mas perdeu para o Milan de Arrigo Sacchi na final da Supercopa Europeia. No entanto, os comandados de Boskov teriam o canto do cisne na temporada 1990-1991: a Serie A.

A Itália a Gênova pertence!

Mancini e Vialli comemoram: ídolos de qualquer torcedor da Samp

Campeã da copa nacional e da Recopa, a Sampdoria precisava aproveitar a ótima fase de seu elenco (e o início da queda do Napoli de Maradona) e brigar definitivamente pelo título do Campeonato Italiano. E foi o que ela fez. Forte, dinâmica e dificílima de ser batida, a equipe não deu chances aos rivais e conquistou seu primeiro scudetto da história com uma campanha magnífica: 20 vitórias, 11 empates e apenas três derrotas em 34 partidas, com 57 gols marcados (melhor ataque) e 24 sofridos. Vialli deu show outra vez ao ser o artilheiro do torneio com 19 gols. Mancini, seu “irmão gêmeo”, marcou 12.

Na campanha do título, a Sampdoria mostrou força em casa ao vencer as maiores potências do torneio: 1 a 0 na Juventus, 4 a 1 no Napoli, 3 a 1 na Internazionale e 2 a 0 no Milan. Fora de casa, a equipe também mostrou sua artilharia pesada ao golear o Napoli por 4 a 1 e bater a Inter por 2 a 0 e o Milan por 1 a 0.

Festa no Marassi: a Itália era blucerchiata

Na mesma temporada, a equipe foi finalista de mais uma Coppa Italia, mas perdeu o título para a Roma. A vingança, no entanto, veio tempo depois na final da Supercopa Italiana, quando a Sampdoria derrotou a Roma por 1 a 0, gol de Mancini. A conquista da Serie A credenciou a equipe de Gênova a uma inédita participação na Copa dos Campeões, em 1991-1992. Será que aquele time faria um bom papel em sua estreia na principal competição do continente?

Que debute!

A inédita participação na Copa dos Campeões consumiu todas as energias da Sampdoria, por isso, a equipe ficou apenas na sexta posição no Campeonato Italiano de 1991-1992. Na Copa, o time massacrou o Rosenborg, da Noruega, na fase preliminar ao fazer 5 a 0 na partida de ida, na Itália, com gols de Lombardo (2), Dossena (2) e do brasileiro Silas. Na volta, na Noruega, outra vitória, dessa vez por 2 a 1 (gols de Vialli e Mancini). Na etapa seguinte, um sufoco diante do Budapeste Honvéd. No primeiro jogo, na Hungria, derrota por 2 a 1. Na volta, Lombardo e Vialli (2) garantiram a virada e a classificação para a fase de grupos, uma novidade na disputa daquele ano. Os primeiros colocados de cada um dos dois grupos fariam a final.

A Sampdoria disputou um lugar na final com o forte Estrela Vermelha (os iugoslavos eram, naquele momento, campeões continentais), Anderlecht e Panathinaikos. Os italianos derrotaram o Estrela em casa (2 a 0) e na Iugoslávia (3 a 1), empataram sem gols com o Panathinaikos na Grécia e em 1 a 1 em casa e perderam na Bélgica para o Anderlecht (3 a 2), vencendo a volta por 2 a 0. Com três vitórias, dois empates e uma derrota, a equipe conseguiu, logo em sua primeira participação na Copa dos Campeões, um lugar na badalada decisão, que seria disputada no estádio de Wembley, na Inglaterra. Mas, por ironia do destino, a equipe italiana teria que encarar o mesmo fantasma de três anos antes: o Barcelona.

O fim do sonho

Não adiantou reclamar…

A decisão entre Sampdoria e Barcelona tinha tudo para ser emocionante. Ambas as equipes tinham times muito bem organizados taticamente e possuíam talentos em todos os setores do campo. No papel, o Barcelona levava vantagem, mas a Sampdoria não poderia ser deixada de lado principalmente por seu meio de campo rápido e criativo, bem como o extraordinário Vialli, que faria exatamente naquele jogo sua última partida com a camisa da equipe de Gênova – dali, ele partiria para mais títulos e sucessos na Juventus.

O jogo foi aberto e com chances claras de gols para os dois times. Do lado do Barça, Guardiola, Ferrer, Laudrup e Stoichkov atormentavam constantemente a zaga italiana. Já na Samp, a movimentação de Mancini, Vialli, Lombardo e Cerezo originava boas oportunidades de gol, mas a falta de pontaria e as defesas de Zubizarreta prejudicavam o time. Depois de 90 minutos e 0 a 0 no placar, o jogo foi para a prorrogação.

Koeman marca e acaba com o sonho da Sampdoria

Nela, aos 6 do segundo tempo, uma falta na entrada da área da Samp parecia o último momento de perigo no jogo, que estava se encaminhando para os pênaltis. Foi então que o holandês Ronald Koeman acertou um de seus fabulosos chutes e marcou o primeiro e único gol daquela final: 1 a 0. Os catalães conquistavam seu primeiro título da Copa dos Campeões e a Sampdoria sucumbia pela segunda vez diante do clube azul e grená. Ali, terminaria a fase de ouro da equipe de Gênova.

Eternos 

A derrota na final europeia custou o fim de um ciclo de ouro na equipe da Sampdoria. O técnico Boskov partiu para a Roma, Vialli foi para a Juventus, Cerezo se encaminhou para o São Paulo e a espinha dorsal daquele esquadrão encantador e competitivo era desmantelada. O time ainda venceria uma Coppa Italia em 1994, mas campanhas ruins na Serie A culminariam com o descenso da Samp para a segunda divisão em 1999.

Desde então, a equipe nunca mais voltou a conquistar títulos e tem a esperança de voltar a brilhar na Itália depois de boas temporadas que levaram a equipe à disputa dos play-offs da Liga dos Campeões. Enquanto isso, a torcida que lotava o estádio Luigi Ferrari para presenciar os espetáculos de Mancini, Vialli e Cerezo segue nas lembranças dos feitos históricos de um time que peitava sem medo os maiores esquadrões europeus entre 1986 e 1992. Uma Sampdoria histórica.

Os personagens:

Gianluca Pagliuca: cria das categorias de base do Bologna, Pagliuca chegou cedo em Gênova, se tornou em pouco tempo titular absoluto da meta do time e foi uma das maiores revelações do futebol italiano na virada da década de 80 e início dos anos 90. Ágil, sortudo, seguro e capaz de fazer defesas espetaculares (além de pegador de pênaltis), Pagliuca foi convocado para a Copa de 1990 e em 1994 foi o goleiro titular da Squadra Azurra, que chegou ao vice-campeonato mundial depois de perder para o Brasil. Pagliuca deixou a Sampdoria em 1994 e ainda brilhou na Internazionale e no Bologna, até encerrar a carreira no Ascoli em 2007.

Moreno Mannini: depois de passar por equipes de pouca expressão no começo dos anos 80, o lateral-direito Moreno Mannini escreveu sua história de sucesso na Sampdoria, para onde migrou em 1984. O jogador foi titular em todas as grandes conquistas da equipe naquele final de anos 80 e inicio dos anos 90 e se tornou um dos jogadores com mais participações com a camisa da Samp, com 417 jogos disputados.

Luca Pellegrini: defensor muito forte na marcação que vestiu a camisa da Sampdoria entre 1980 e 1991, Pellegrini é outro que fez história em Gênova ao jogar mais de 360 partidas com a camisa azul. Ganhou três Coppa Italia, um scudetto e uma Recopa com a equipe entre 1985 e 1991. Perdeu espaço no time no final dos anos 80 com a ascensão de Lanna. Encerrou a carreira no Torino, em 1995.

Marco Lanna: começou a carreira na Sampdoria em 1987 e fez, ao lado de Vierchowod, uma das melhores duplas de zaga da história do clube. Alto e rápido, Marco Lanna jogou até 1993 na equipe e venceu cinco taças pelo clube. Tomou a vaga de Pellegrini na equipe titular e não saiu mais, atuando muitas vezes como líbero.

Pietro Vierchowod: foi um dos maiores zagueiros da história da Itália e um dos mais temidos pelos atacantes também. Forte, marcador implacável e extremamente competitivo, o zagueiro marcou época na Sampdoria, clube que defendeu entre 1983 e 1995 e pelo qual marcou 39 gols. Vierchowod jogou mais de 490 partidas pela Sampdoria, o segundo na lista dos que mais vezes vestiram a camisa da equipe, além de ter disputado as Copas de 1982, 1986 e 1990. Ídolo imortal da equipe até hoje.

Ivano Bonetti: meio campista muito eficiente na marcação e no passe, Bonetti jogava também como lateral naquela equipe da Sampdoria. Ajudava no apoio ao ataque e foi uma das peças de destaque na conquista do Campeonato Italiano de 1991. Jogou na Samp entre 1990 e 1993.

Toninho Cerezo: craque de estilo clássico, passadas largas, lançamentos precisos e muita elegância, Toninho Cerezo foi um dos pilares do mágico meio de campo da Sampdoria naqueles anos de ouro. Além de marcar, apoiar o ataque e dar assistências primorosas, o brasileiro anotou vários gols e foi um dos maiores craques do Campeonato Italiano no final da década de 80 e início dos anos 90. Cerezo, ao lado de seus companheiros, enchia o estádio Luigi Ferraris a cada apresentação da Sampdoria por aquelas bandas. Foi ídolo e um dos grandes do futebol mundial em todos os tempos. Deixou Gênova em 1992 para continuar a brilhar no São Paulo.

Fausto Pari: entre 1983 e 1992, Fausto Pari foi um dos motores do meio de campo da Sampdoria, sendo essencial para o brilho do setor no período. Marcava muito e ajudava a zaga principalmente quando Cerezo se mandava para o ataque. Mesmo com relativo destaque no time, não teve chances na seleção italiana.

Giovanni Invernizzi: outro que compôs o meio de campo da Sampdoria entre 1989 e 1997. Participou de todas as glórias da equipe no período. Encerrou a carreira na própria Samp e foi técnico da equipe a partir de 1997.

Attilio Lombardo: o “carequinha” chegou em 1989 à Sampdoria e se tornou um dos maiores craques da equipe até 1995. Rápido, goleador e muito técnico, Lombardo compôs um ataque inesquecível ao lado de Mancini e Vialli. Pela ponta-direita, o italiano armava várias jogadas e deixava os companheiros na cara do gol, além de marcar os dele também. Virou grande companheiro de Roberto Mancini tanto dentro quanto fora de campo, e segue no mundo esportivo até hoje como auxiliar técnico de Mancio no Manchester City. Disputou 306 partidas pela Samp e marcou 54 gols.

Víctor Muñoz: depois de passar por Zaragoza e Barcelona, o meio-campista espanhol com cara de poucos amigos chegou à Sampdoria em 1988 e permaneceu até 1990, sendo um dos jogadores que ajudaram nas conquistas da Recopa Europeia de 1990 e da Coppa Italia de 1989.

Fausto Salsano: hoje auxiliar técnico de Mancini, o meia Salsano brilhou na Sampdoria entre 1984 e 1990 e 1993 e 1998, marcando gols importantes e ajudando na construção de jogadas de ataque do time. Salsano foi revelado pela própria Sampdoria em 1979 e teve a honra de vencer todas as Coppa Italia que a equipe já conquistou em sua história: 1985, 1988, 1989 e 1994.

Srecko Katanec: outro craque que chegou no final dos anos 80 à Samp para brilhar no meio de campo, o iugoslavo Katanec foi um dos pilares do setor defensivo e ofensivo da equipe naqueles anos de ouro. Jogou de 1989 até 1995 em Gênova, até encerrar a carreira pelo clube com quatro títulos conquistados e atuações de gala recheadas de passes, gols e muito talento. Foi uma das estrelas da forte seleção iugoslava do início dos anos 90 e também atuou pela Eslovênia após a separação do país.

Giuseppe Dossena: depois de brilhar pelo Torino e ser campeão do mundo com a seleção da Itália em 1982, Giuseppe Dossena foi para a Sampdoria em 1988 e por lá permaneceu até 1991, período em que conquistou seus primeiros e únicos títulos por clube. Foram quatro taças: Serie A, Copa da Itália, Recopa e Supercopa da Itália, além de atuações de muita qualidade no meio de campo e ataque. Deixou a equipe para encerrar a carreira no Perugia, em 1992.

Gianluca Vialli: foram 141 gols em 321 jogos, títulos históricos, atuações impecáveis e a consagração como um dos mais prolíficos e perigosos atacantes do futebol italiano em todos os tempos. Gianluca Vialli chegou à Sampdoria em 1984, depois de despontar no Cremonese. Na equipe de Gênova, ao lado de Roberto Mancini, fez aquela que é considerada uma das maiores duplas de ataque do Calcio na história. Ambos foram apelidados de os “Gêmeos do Gol” e levaram a Sampdoria às glórias entre 1985 e 1992. Foram três Copppa Italia, uma Recopa Europeia, uma Supercopa Italiana e um Campeonato Italiano, este com Vialli como artilheiro máximo com 19 gols. Foi com a camisa da Samp que o atacante alcançou o recorde de 13 gols marcados numa só edição de Coppa Italia, em 1989, quando levantou a taça. No ano seguinte, foi o artilheiro e herói da primeira e única conquista continental do clube italiano, a Recopa, quando marcou os dois gols da final contra o Anderlecht. Rápido, inteligente, preciso e letal, Vialli foi um dos maiores ídolos do clube em todos os tempos e integrou a seleção italiana na Copa de 1990. Deixou a Samp em 1992, para defender a Juventus.

Roberto Mancini: genioso, polêmico, temperamental, e ao mesmo tempo brilhante, craque e líder. Roberto Mancini foi e é o maior ídolo da Sampdoria em todos os tempos e fez com que a história do clube passasse a ser dividida em a.M. e d.M. (antes e depois de Mancini). Antes dele, o clube não era nada, não tinha títulos e vivia na segunda divisão. Depois de Mancini, a Samp se tornou uma força na Itália, levantou taças e fez história. Mancini é o jogador que mais vezes vestiu a camisa da equipe (566 partidas) e também o maior artilheiro (173 gols). Mas, o que tinha de craque, matador e genial, Mancini tinha de bravo e explosivo, a ponto de arrumar confusões, brigas e expulsões, o que prejudicava sua equipe e, claro, sua presença na seleção. Mancini disputou apenas uma Copa do Mundo, em 1990. Ao lado de Vialli, Mancini fez uma dupla de ataque histórica, que se entendia por telepatia e era responsável por mais de 50% dos gols do time. Ficou na Sampdoria entre 1982 e 1997, para depois atuar por Lazio e Leicester antes de encerrar a carreira em 2001. Virou um técnico de sucesso na Inter e no Manchester City.

Vujadin Boskov (Técnico): o iugoslavo já havia brilhado no Real Madrid se consagrou em definitivo quando comandou a Sampdoria entre 1986 e 1992. Beneficiado por talentosos jogadores no elenco, Boskov se tornou um mito dentro do clube ao levar a Samp a glórias jamais imaginadas pela torcida. Foram duas Coppa Italia, uma Recopa, um Campeonato Italiano e uma Supercopa Italiana, além dos shows protagonizados por um time que era forte e equilibrado em todos os setores do campo, além de perigosíssimo em qualquer estádio por conta de seu criativo meio de campo e um prolífico ataque. Depois de perder o título da Copa dos Campeões de 1992, Boskov deixou a Samp e nunca mais foi o mesmo. Comandou Roma, Napoli, Servette, a Samp novamente e o Perugia, mas não ganhou títulos. Afinal, sua história já havia sido escrita: ser o treinador da mais dourada e marcante fase da Unione Calcio Sampdoria em todos os tempos.

Conteúdo do blog Imortais do Futebol. Leia mais sobre times, seleções, jogadores, técnicos e jogos que marcaram época no futebol mundial clicando aqui.

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