Seleção italiana

Um resultado digno

A defesa decisiva: Buffon pegou três pênaltis e garantiu terceiro lugar para a Itália (Reuters)

Depois da prova mais que digna contra a Espanha, a Itália viajou para Salvador com o intuito de enfrentar o Uruguai e manter a cabeça erguida. Disputas de terceiro lugar são quase sempre inúteis, mas dessa vez a equipe italiana entrava em campo para manter a evolução, contra um adversário complicado, como a Celeste, e para evitar um prejuízo financeiro: de acordo com reportagem do Terra, a viagem ao Brasil custou cerca de 2 milhões de euros e a premiação, em caso do bronze, deixaria os cofres da Federação Italiana, a FIGC, no azul. Deu certo.

Em campo, a Itália teve muitas dificuldades, sobretudo por causa do calor e da umidade. Se os italianos já haviam sofrido em jogos que aconteciam a partir das 16 horas, na partida deste domingo, às 13h, foi pior. Para se poupar, a Squadra Azzurra buscou ao máximo manter a posse de bola na zona sombreada do gramado da Fonte Nova. Sem parte do time titular (Marchisio e Pirlo foram poupados, Abate e Balotelli já haviam sido cortados), foi a hora de Diamanti e Candreva se destacarem. Ambos saem do torneio em alta, especialmente o meia da Lazio.

Aos 23 minutos de jogo, a Itália saiu na frente. Diamanti cobrou falta na trave e, após a bola bater nas costas de Muslera, Astori empurrou para as redes. Melhor em campo na primeira etapa, a Itália ainda criou uma outra chance, com El Shaarawy, mas Muslera defendeu bem. Os uruguaios reclamaram de pênalti por toque no braço de Chiellini, em cruzamento para a área pouco antes do intervalo. Erroneamente, o árbitro Raimodi deixou seguir. Antes, a arbitragem acertou ao anular gol de Cavani, que estava impedido.

Na volta para o segundo tempo, o Uruguai cresceu. Nitidamente mais bem preparado fisicamente, a equipe platense começou a criar mais e aproveitar o que deve ser o grande problema da Itália também na Copa de 2014 (já que a classificação está próxima): o cansaço. Melhor em campo, a seleção sul-americana começou a ganhar todas no meio-campo. E foi em uma saída de bola errada de De Rossi que Gargano recuperou a bola, avançou com velocidade e passou bem para Cavani bater colocado, vencendo Buffon. Pouco depois, Candreva errou passe no meio-campo e Arévalo Ríos puxou contra-ataque semelhante. Forlán chutou forte duas vezes, mas Buffon fez duas grandes defesas e manteve o empate.

Empate que deixaria de existir aos 27 minutos. Diamanti, um dos melhores cobradores de falta da atualidade aprontou de novo: dessa vez, de frente para o gol, na entrada da grande área, colocou uma bola com efeito, que fugiu de Muslera e morreu no fundo da rede. Aos 32, porém, Cavani também cobrou falta com muita categoria e aproveitou um erro de posicionamento de Buffon para fazer o 2 a 2 que seguiria até o fim do tempo normal e de uma prorrogação de poucas emoções.

Nos pênaltis, a perfeição da quinta-feira ficou de lado. Os batedores não estavam tão calibrados assim e Forlán deu logo o recado no início, batendo com força, mas mal, facilitando a defesa de Buffon. O goleiro da Juventus é maldosamente tido como um mau pegador de pênaltis, mas respondeu aos críticos fazendo outras duas defesas, encaixando as cobranças de Cáceres, colega de Juve, e de Gargano, que definiu o terceiro lugar. Apenas De Sciglio errou do lado italiano, embora não tenha batido mal – Muslera se esticou todo para pegar.

O saldo, no fim das contas, foi positivo para a Itália. A seleção atuou apenas contra rivais fortes e de quatro continentes. Foi mal contra o Japão (mas venceu) e poderia ter sido mais compacta contra o Brasil. Mas não sai chamuscada. Sai com mais opções (Candreva, em especial), e com a sensação de que pode fazer barulho em 2014. O objetivo, agora, é melhorar a preparação física e driblar o clima das cidades-sedes brasileiras.

Confira os melhores momentos do jogo aqui.

Ficha Técnica
COPA DAS
CONFEDERAÇÕES – URUGUAI 2×2 ITÁLIA (2×3 NOS PÊNALTIS)
Estádio: Fonte Nova, Salvador (BA)
Data/Hora: 30/06/2013
– 13h
Árbitro: Djamel Raimodi (Argélia)
Cartões
Amarelos: Maxi Pereira e Suárez (URU); Chiellini (ITA)
Cartão Vermelho: Montolivo (ITA)
Gols: Cavani (URU; 12 e 32/2T), Astori (ITA; 23/1T) e Diamanti (ITA; 27/2T)
Penalidades: Erraram Forlán, Cáceres, Gargano (URU) e De Sciglio (ITA); converteram Cavani, Suárez (URU), Aquilani, El Shaarawy e Giaccherini (ITA)
Uruguai: Muslera; Maxi Pereira (Álvaro Pereira), Lugano, Godín, Cáceres; Arévalo
Ríos (Pérez), Gargano, Cristian Rodríguez (Alvaro González); Forlán,
Suárez, Cavani. Técnico: Óscar Tabárez

Itália: Buffon; Maggio, Astori (Bonucci), Chiellini, De Sciglio; Montolivo, De
Rossi (Aquilani), Candreva; Diamanti (Giaccherini); El Shaarawy,
Gilardino. Técnico: Cesare Prandelli

1 comentário

  • Caro Nelson, vi o jogo na Fonte Nova, com atenção especial aos jogadores do Milan em campo – Montolivo, El Shaarawy e De Sciglio. Na condição de milanista, fiquei preocupado com o que testemunhei.

    Il Faraone parecia alheio ao que acontecia à sua volta, sem um pingo de vontade de jogar; deveria ser sua oportunidade para mostrar que pode brigar por vaga na equipe que voltará ano que vem.

    De Sciglio fez uma partida desastrosa, errando tudo que o que tentava. Aliás, sua participação na competição ficou abaixo do que vinha mostrando no Milan. Um vizinho de cadeira ficou abismado como aquele lateral podia ser titular do Milan e da seleção italiana.

    Montolivo jogou pro gasto – efeitos da maratona de viagens e do horário maravilhoso destinado à partida.

    Um abraço.

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