Seleção italiana

Bota na conta do Papa

Em homenagem a Francisco, Itália mostrou pouco contra a Argentina (AP)

Não é novidade alguma que o técnico da Itália, Cesare Prandelli, gosta de experiências em amistosos, sem valorizar os resultados. Tanto é que desde que assumiu a seleção, em 2010, havia perdido sete amistosos e apenas dois jogos oficiais. Após a derrota para a Argentina, o número subiu a oito, sem que houvesse lamentações ou grande proveito do jogo. Afinal, amistosos realizados no meio da pré-temporada, em agosto, não servem para muita coisa. Uma data Fifa inútil, em verdade.

Em amistoso organizado especialmente como homenagem ao Papa Francisco, argentino que é Bispo de Roma, os portenhos não contaram com Messi, machucado, mas assim mesmo foram amplamente superiores a uma Itália que não teve nomes como Balotelli, Barzagli e Pirlo – o meia da Juventus até estava entre os relacionados, mas não saiu do banco de reservas. A Argentina, que entrou em campo com um time formado predominantemente por jogadores que atuam na Itália (sete, ao todo), se sentiu em casa. 

No primeiro tempo, com domínio albiceleste, o gol foi uma formalidade. Aos 19 minutos, Higuaín recebeu passe na entrada da área, tirou dois marcadores com um corte e bateu forte, vencendo Buffon. A partida, que era aberta, tinha chances também para os italianos, mas a melhor foi uma jogada iniciada por De Rossi ainda no campo de defesa. O passe do vice-capitão da Roma para Osvaldo, no entanto, não foi bom. Ainda na primeira etapa, Di María, o melhor argentino em campo, fez ótima jogada e passou para Palacio, que tentou empurrar a bola para as redes vazia com um carrinho, mas foi atrapalhado pelo quique da bola.

O primeiro tempo de poucas experiências não foi nada válido – afinal, o ofensivo Maggio teve esperadas dificuldades com Di María e Higuaín infernizou a zaga formada por De Rossi e Chiellini. No meio-campo, Verratti esteve muito abaixo do esperado, e não substituiu Pirlo à altura. Como teste, acabou ficando o jogo inteiro em campo.

Na segunda etapa, o gol argentino saiu logo, depois que Banega aproveitou um contra-ataque e acertou bom chute no canto. Com o 2 a 0 no placar, a Argentina teve outras chances, com Di María e Higuaín, mas Marchetti, que substituiu Buffon no segundo tempo, fez duas defesas excepcionais. O goleiro da Lazio mostrou que a ótima fase da última temporada segue intacta.

Com o relaxamento dos argentinos, a Itália saiu mais para o jogo e dois jogadores apareceram bem: Insigne e Diamanti, que entraram na segunda etapa. Os mais habilidosos do selecionado azzurro colocaram fogo no jogo e, através deles, a Itália diminuiu. Primeiro, teve um gol bem anulado, após cobrança de falta de Diamanti que explodiu no travessão e sobrou para Aquilani, impedido, marcar. Faltando 14 minutos para o fim do jogo, Insigne marcou um golaço de fora da área. 

Ainda restou tempo para Marchetti realizar outra defesa incrível (a melhor da noite), mas foi só. Sem grandes novidades, Prandelli só pode observar algo de diferente em dois jogadores que devem fazer parte do grupo italiano na Copa de 2014: Verratti, que teve um teste difícil contra o forte time argentino e, em 90 minutos, foi reprovado, e Insigne, um jogador em franca evolução.

O garoto de Napoli teve menos de 45 minutos em campo, mas foi bem e é candidato a ganhar a vaga de um opaco El Shaarawy no ataque da Squadra Azzurra. Olho nele, que será titular jogará aberto pela esquerda no 4-2-3-1 de Rafa Benítez.

Itália 1-2 Argentina

Estádio: Olímpico de Roma

Árbitro: Wolfgang Stark (ALE)

Gols: Higuaín (A), Banega (A), Insigne (I)

Itália: Buffon (Marchetti); Maggio (Cerci), De Rossi, Chiellini, Antonelli; Montolivo (Aquilani), Verratti, Marchisio (Florenzi); Candreva (Insigne), Giaccherini (Diamanti); Osvaldo

Argentina: Andújar; Campagnaro, F. Fernández, Garay (Coloccini), Basanta; Di María (Álvarez), Mascherano (Maxi Rodríguez), Biglia; Lamela (Banega), Higuaín (Lavezzi), Palacio (A. Fernández)

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