Serie A

Como joga a Serie A

O esquema 3-5-2, adotado pela Juventus, é a coqueluche do momento na Itália (Gazzetta dello Sport)

Depois de alguns meses de
angústia, a bola voltará a rolar pela Serie A neste final de semana. Na
preparação para a temporada 2013-14, o blog traz um apanhado de como os times provavelmente
se postarão taticamente no Belpaese.

A tônica não mudou muito em
relação aos últimos dois anos: o 3-5-2 segue como o principal sistema tático,
porém não tão dominante se comparado a 2012-13, quando pelo menos dez times tiveram
a defesa com três homens como sua referência. Curioso que, desde a Juventus de
Conte, o último time a ganhar o scudetto com uma defesa a três foi a Roma de
Capello, na longínqua temporada 2000-01, com um 3-4-1-2 jogando para o trio
Totti-Batistuta-Delvecchio/Montella. E o 3-5-2 merece uma atenção especial, já
que sua utilização vem crescendo nos últimos anos, especialmente na Itália, mas
também em outros centros do futebol europeu, embora em menor escala – na Alemanha
e na Inglaterra alguns times vêm utilizando a “defesa a três”.
Diferentemente dos 3-5-2/5-3-2
dos anos 80 e 90, os times que utilizam este sistema na Bota hoje seguem
um modelo de jogo diferente. Salvos exceções, a figura do 3-5-2 dependente dos
lançamentos para o pivô do centroavante e para as ultrapassagens dos alas caiu
por terra. A marcação individual por função foi abandonada de vez, e grande
parte das equipes marcam ou por zona ou individualmente por setor. Dois bons
exemplos: a Juventus de Conte e o Napoli de Mazzarri, respectivamente.

Outra
diferença bem singular se deve ao posicionamento e comportamento dos alas. Obviamente,
a preparação física de hoje permite maior movimentação dos jogadores, e neste
contexto os alas do “novo” 3-5-2 são fundamentais, já que com a bola dominada
atuam bastantes adiantados, e sem a bola ou recompõem o meio-campo – um volta
mais e se forma um 4-4-2 na fase defensiva – ou formam uma defesa com cinco
homens. Antes os principais criadores, os alas também ganharam um papel mais de
coadjuvantes, já que hoje o futebol é mais coletivo. Com zagueiros com maior
qualidade na saída de bola, um trio de meio-campistas que trabalha mais a bola,
e atacantes mais solidários e ativos, os alas são as válvulas de escape para abrir
o campo, criar espaços no sistema defensivo adversário, e dar profundidade.

Feita a observação, uma
constatação interessante, e que deverá ser comprovada nos próximos anos: assim
como o 3-5-2, o 4-3-3 por algum tempo perdeu espaço – e na Itália principalmente,
já que desde o 4-4-2 sacchiano acabou esquecido –, mas volta a ser utilizado
regularmente. Alguns times tem o sistema como uma variação ou alternativa, a
exemplo de Milan e Fiorentina, porém seis times hoje tem o 4-3-3 como sua base.
Outros revezam entre o 3-5-2 e o 4-3-3, como Parma, Catania e Verona, o que
pode fazer com que o 4-3-3 “tome a liderança”. Mas isso veremos durante o ano.
Antes uma referência no Belpaese, o 4-3-1-2 segue o processo
contrário e vem perdendo espaço, mesmo que seja o sistema tático mais utilizado
pelo treinador da Nazionale, Cesare Prandelli, que nunca escondeu sua
preferência pelo 4-3-3. Caso parecido com o do 4-4-2, muito presente até boa
parte dos anos 2000, ainda muito influenciado pelas ideias de Arrigo Sacchi e
Fabio Capello. Enquanto isso, o 4-2-3-1, ainda o “esquema da moda”, também é
pouco utilizado e, efetivamente, apenas duas equipes o tem como base.
À Gazzetta dello Sport, treinador
do tetracampeonato Marcello Lippi deu interessante entrevista, fazendo
observações pontuais.

Não é negativo jogar
com o 3-5-2. Não se trata de um módulo inferior em relação com os de defesa a
quatro, é simplesmente diferente. E mais difícil de ensinar. (…) 
Há 3-5-2’s e 3-5-2’s… Se um meio-campista avança e um atacante recua, temos o 3-4-2-1. É uma questão de necessidade. (…) O 3-5-2 da Juve é o 3-5-2 de Pirlo. Se você tem um meia-central como Andrea, que recebe a bola numa posição delicada e não a perde nunca, além de mediani incursori como Vidal e Marchisio, o 3-5-2 é mais fácil“.

Perguntado
sobre a razão de quase metade da Serie A jogar com o 3-5-2 e o resto da Europa
não: “Porque os treinadores italianos são os melhores do mundo. Nem todos conseguem
explicar a defesa a três. Não é fácil. Mas todos jogam com três na partida. Por
exemplo: o Barcelona tem dois laterais bem avançados – Alves e Alba –, mas
Busquets volta entre os zagueiros. Na Roma de Luis Enrique o mesmo ocorria, com
De Rossi recuando para a defesa. Outro exemplo: nos times com defesa a quatro,
sempre avança um lateral enquanto o outro fica para fazer a diagonal, para
compor uma defesa a três
“.

Abaixo, um infográfico com perfil
tático dos times da Serie A.
Atalanta
Colantuono, seu nome é indecisão. Depois de um bem executado 4-4-1-1 em 2011-12, o treinador da Dea perdeu jogadores importantes devido a lesões na temporada 2012-13, e acabou por modificar várias vez o sistema tático da equipe bergamasca. 4-4-2, 4-3-1-2, 4-3-2-1, 3-5-2, 3-4-1-2… Colantuono tentou de tudo para encaixar o time, resultando numa campanha muito fraca, salva por Denis e lampejos de Bonaventura. Para 2013-14, o treinador trabalhou com um 4-3-3 na pré-temporada buscando melhor proteção para a envelhecida e lenta dupla de zaga, mas também para explorar melhor o futebol de Cigarini, Bonaventura, Livaja e do artilheiro-capitão Denis, a principal referência do time. Se discute a adaptação de Bonaventura à nova função, mas o camisa 10 nerazzurro já se mostrou muito versátil e inteligente, e poderá dar maior dinâmica ao setor direito centralizando para trabalhar com Cigarini e abrindo espaço para os avanços do novo lateral-direito Nica, sob a proteção do veterano Migliaccio. Para Livaja a função não é novidade, já que foi adaptado por Andrea Stramaccioni na equipe Primavera da Inter, campeã italiana e europeia, mostrando grande desenvoltura pela ponta esquerda.
Bologna
Nada novo no Bologna. O competente Pioli manterá seu 4-2-3-1 padrão – cheio de variações, as principais para 4-3-1-2 e 3-4-2-1, conforme o adversário -, até porque o elenco não sofreu grandes alterações. Marcar e jogar para Diamanti é o estilo do time emiliano, mas Bianchi deverá garantir uma boa cota de gols. Atenção para Alibec na ponta esquerda, o substituto de Gabbiadini, que é mais direto e técnico que o italiano, embora nunca tenha recebido chances na Inter. A saída de Taïder pode ser um problema, já que o franco-argelino era o principal auxiliador de Diamanti, o que exigirá mais do fanstasista rossoblù e dos técnicos, porém pouco dinâmicos, Della Rocca e Krhin.
Cagliari
Mesma tônica na Sardenha, ou melhor, em Trieste. Ivo Pulga, o motivador, e Diego López, o cérebro, devem manter imutável o 4-3-1-2 padrão desde Allegri, a não ser pelas adaptações para o 4-3-3 quando o trequartista Cossu está ausente (o que é corriqueiro). Perdendo ou não Nainggolan, Astori e Ibarbo, o clube sardo tem opções para a reposição, ainda que não no mesmo nível, então é difícil imaginar que o time fuja deste padrão, apresentando um futebol bem mesclado, que sabe trabalhar a bola, mas que também tem muita objetividade e velocidade.

Catania
O sistema tático deverá ser o mesmo, o 4-3-3, mas Rolando Maran terá um padrão de jogo um pouco mais diferente. Isso porque perdeu suas duas referências, Lodi e Gómez. Para a posição do ex-camisa 10 chegou Tachtsidis, de nível inferior mas com potencial para crescer e ajudar os veteranos Izco e Almirón no meio-campo siciliano. Sem Marchese e o baixinho Gómez, o time deverá se focar mais no lado direito com a chegada do promissor Peruzzi – comparado a Zanetti, e indicado à Inter pelo próprio – para trabalhar com Barrientos, agora a definitiva referência do time juntamente com o bomber Bergessio. Quem ganha espaço de vez é Castro, uma grata surpresa na última temporada. Versátil, abre um leque de opções para Maran trabalhar, como o 4-2-3-1, variação muito utilizada no primeiro semestre de 2013.
Chievo
O 4-4-2 ortodoxo voltou para o time do Vêneto. Um sacchiano convicto, o também carequinha Sannino resgatará as duas linhas de quatro marcadas no clube por Delneri. O torcedor gialloblù verá um time mais organizado e simples, muito pragmático. Com maior jogo pelos flancos, os atacantes Paloschi e Théréau seguirão como as referências e deverão chegar a uma boa cota de gols – caso contrário, o time irá sofrer para bater os adversários.
Fiorentina
Vincenzo Montella não tem o que reclamar. Com um elenco mais homogêneo e mantendo o padrão tático que encantou o Belpaese na temporada passada, o treinador terá vida boa na Toscana. O 3-5-2 segue como referência, mas com tantos talentos à frente não será surpresa se o ex-atacante da Roma trabalhar com mais frequência com o 4-3-3 que encaixou direitinho em parte de 2013, ou até buscar alguma outra alternativa no decorrer da temporada, como por exemplo um 4-2-3-1. De qualquer forma, o jogo de manutenção da posse de bola, muita movimentação e objetividade será o mesmo, agora com um bomber (Gómez) que em muitos momentos fez falta em 2012-13. Mas a grande expectativa é o retorno de Pepito Rossi, por algum tempo o melhor atacante italiano da Squadra Azzurra, porém refém de duas graves lesões em dois anos.
Genoa
Uma grande incógnita na Ligúria. Liverani, aquele mesmo, será treinador pela primeira vez no futebol profissional, o que gera muitas dúvidas, já que não há referência de outros trabalhos. De qualquer forma, o ex-meio-campista vem trabalhando com um 4-3-3 e promete um futebol mais vistoso que o praticado pelo time nos últimos dois anos. Com dois laterais muito ofensivos, um meio-campo dinâmico regido por Lodi, pontas técnicos e um bomber nato, espera-se um time que consiga trabalhar bem a bola, mas que seja muito objetivo na fase ofensiva, explorando o que de melhor Gilardino tem a oferecer: gols. A defesa é que preocupa, visto que a dupla de zaga é lenta e envelhecida.
Inter
Mais um ano de mudanças em Appiano Gentile. Desde a saída de José Mourinho em junho de 2010, Walter Mazzarri é o sexto treinador contratado por Massimo Moratti e Marco Branca para o comando técnico da Beneamata – antes, passaram pelo clube Rafa Benítez, Leonardo, Gasperini, Ranieri e Stramaccioni, todos de estilos e filosofias diferentes. Diferente da aposta imatura por Strama, o treinador toscano dará maior consistência e experiência ao novo projeto do clube, buscando sua revitalização técnica, tática e financeira, cada vez mais apostando em investimentos visando o futuro. O seu 3-5-2 – primeiramente aprimorando o 3-5-2 padrão, para depois treinar outras alternativas, como o 3-4-2-1 ou o 4-3-3 – está sendo implantado com muito trabalho e cautela, e ainda necessita de certos ajustes. Segundo o próprio, seu time ainda apresenta 60% do que é capaz, e estará 100% apenas em meados de outubro e novembro, justamente quando Milito e Zanetti voltarem das graves lesões sofridas no primeiro semestre de 2013.
Juventus
A revolucionária Juventus segue seu processo de crescimento. Depois de duas consistentes temporadas sob o comando de Antonio Conte com basicamente o mesmo elenco, a Vecchia Signora foi para o mercado para melhorar um nível que já é elevado, agora visando a conquista na Europa. O 3-5-2 seguirá como a base e ganhou reforços interessantes para o ataque, setor que acabou pecando um pouco na última temporada. O nível aumentou, e agora Conte procura adaptar seu time para acomodar melhor seus craques, mas principalmente não fazer feio na Champions League, título que não vai para Turim desde 1996. O treinador sabe das deficiência do 3-5-2 – e também do 3-6-1 – contra equipes que jogam no 4-2-3-1 e 4-3-3, sistemas dominantes no futebol europeu além-Itália, e vem pensando em alternativas para conseguir disputar em alto nível a principal competição europeia. Para isso, a hipótese de um 3-3-4 não parece utopia, e Conte chegou a fazer alguns testes com o sistema na pré-temporada, embora falte um externo. A ideia é pressionar com muita intensidade a linha adversária e ocupar bem os espaços na retaguarda, exigindo também maior comprometimento na recomposição de todos, para que não fique em desvantagem numérica na fase defensiva. Uma proposta ousada e interessante, mas que também requer muito trabalho. A conferir.
Lazio
Sem a possibilidade de fazer grandes investimentos, a Lazio irá manter o bom padrão que apresentou em boa parte da temporada sob o comando de Vladimir Petkovic, buscando apenas reforçar o elenco em setores necessitados de alternativas, o que fez falta na reta final de 2012-13 devido a problemas físicos de jogadores importantes. O 4-5-1 segue, apresentando as mesmas variações: 4-1-4-1 e 4-2-3-1. Improvável que o treinador bósnio fuja disso, no máximo procurando certas adaptações contra os 3-5-2, como o 3-4-2-1 utilizado na última temporada.
Livorno

Voltar para a Serie A é sempre um desafio para os times que sobem da Serie B, especialmente para os que não tem grandes investimentos. Caso do Livorno, que terá um elenco leve, dinâmico, porém jovem e muito inexperiente na elite do futebol italiano. O também jovem treinador Davide Nicola, comparado a Walter Mazzarri – também “revelado” pelo time toscano na Serie A -, terá tarefa difícil para administrar o comando técnico do clube amaranto. Tendo como referência a última temporada e a pré-temporada, veremos um Livorno no 3-5-2, ou com um trequartista, ou com o trivote. Com atacantes rápidos e meio-campistas dinâmicos, os contra-ataques deverão ser uma arma perigosa para o time de Nicola, que poderá até voltar a utilizar o 4-3-3 ou 3-4-3, já que Siligardi volta de lesão e pode formar o tridente que rendeu muitos gols na última Serie B, com Paulinho e Dionisi.

Milan
Na pré-temporada Galliani e Allegri definiram: o 4-3-1-2 será o sistema tático da equipe em 2013-14. Velho conhecido dos rossoneri, o sistema se encaixa bem com o que o elenco disponibiliza, porém há um problema: o trequartista. Destaque na Serie B com 13 gols e 15 assistências em 40 partidas, o jovem Saponara foi contratado em co-propriedade ainda na janela de inverno, porém permaneceu num Empoli que por pouco não subiu para a Serie A. Agora em Milanello, a comissão técnica parece que terá muita cautela com o trequartista, como teve com De Sciglio e El Shaarawy e vem tendo com Petagna e Cristante. Para a posição foi acertada a contratação do Honda, mas apenas para janeiro de 2014, e Boateng deve exercer a função novamente. No imbróglio para trazer o japonês ainda no verão, Allegri decidiu manter o 4-3-3, já bem desenvolvido e compreendido por seus jogadores. Da forma que for, o Diavolo parece mais preparado para voltar a disputar títulos depois de um bom segundo semestre em uma temporada muito irregular.
Napoli
Depois de muitos e bons anos no 3-5-2, uma drástica mudança no clube partenopeu. Saiu Mazzarri, entrou Rafa Benítez. De filosofia muito distinta da de seu antecessor, o treinador pegou um elenco bem acostumado a trabalhar com uma defesa a três, mas isto não parece ser um problema para o espanhol, que teve liberdade para indicar nomes para o seu 4-2-3-1, e também para aproveitar a versatilidade dos ex-comandados de Mazzarri. Um futebol de mais posse de bola e menos pragmático será visto no San Paolo. Com um quarteto de ataque com muita qualidade individual, e ótimos reservas, o novo Napoli dará o que falar no Belpaese. Pelo menos a princípio, já que há um pé atrás com o trabalho de Benítez numa Inter muito ligada a José Mourinho.
Parma
Desde que assumiu o comando do clube emiliano em 2011, Roberto Donadoni vem conseguido realizar um bom trabalho e com alguns resultados expressivos. Nesse período, o ex-meia do Milan de Sacchi definiu bem dois esquemas táticos, 3-5-2 e 4-3-3, e a tônica não deverá ser diferente nesta temporada, preservando o mesmo padrão tático de outrora, com um futebol que se fecha bem no campo defensivo e que sabe o que fazer com a posse de bola.
Roma
Como a Inter, mais mudanças em Trigoria. Apesar de trabalharem com o 4-3-3, Luis Enrique, Zdenek Zeman e Rudi Garcia tem muitas diferenças entre si e, novamente, o elenco terá que se adaptar a mais uma filosofia. O francês Garcia provavelmente terá uma fase defensiva melhor trabalhada que a de Zeman, enquanto terá uma fase ofensiva mais objetiva, mas também dependente da posse de bola bem trabalhada, como com Luis Enrique. As chegadas de Benatia, Maicon, Strootman e Gervinho casam bem com o 4-3-3 de Garcia, agora resta esperar para ver o que o time da capital irá apresentar na temporada.
Sampdoria
Delio Rossi assumiu o posto de Ciro Ferrara sob muita pressão e se saiu bem, conseguindo melhorar a situação dos blucerchiati, emendando bons resultados e garantindo o meio da tabela, mesmo com uma queda de desempenho no final da temporada. Mantido no cargo, o treinador segue com o 3-5-2 que se encaixou bem com o elenco. Com um time tecnicamente bom, o padrão deverá ser o mesmo, trabalhando a posse de bola e centralizando para o centroavante, que agora será Gabbiadini, após o sucesso de Icardi. Na ala esquerda, as surpresas podem ser Regini, que nunca foi um lateral muito propenso ao ataque – tanto que se tornou zagueiro no Empoli – mas que teve desempenho satisfatório na pré-temporada, e também Eramo, de ótima temporada no mediano Crotone na Serie B, assumindo o posto de Poli como o meia do trivote de mais chegada.
Sassuolo
O novato da Serie A pode surpreender muita gente nesta temporada. O time emiliano está recheado de jovens promissores, incluindo o treinador Eusebio Di Francesco, campeão italiano com a Roma em 2000 e, agora com 43 anos – mais velho apenas que Liverani (37), Montella (39) e Nicola (40). A equipe tem potencial para ser uma pedra no sapato dos grandes, como foi no Troféu TIM, e está mais bem preparada técnica, tática e estruturalmente que Brescia, Pescara e Novara, que subiram recentemente à elite, por exemplo. O time de Di Francesco joga num 4-3-3 bem equilibrado, que se compacta bem atrás e ataca com velocidade e objetividade, como mandam os manuais. As diagonais dos pontas, as infiltrações dos meias e a presença de um bomber são as principais marcas do time neroverde.
Torino
Após o sucesso e o fracasso do 4-2-4, que assim como deu trabalho para os times de cima, sofreu com a irregularidade, Gian Piero Ventura decidiu aderir ao 3-5-2 – nos últimos jogos da temporada 2012-13 já o havia feito, por sinal. Como o elenco não disponibiliza alas propensos ao que o 3-5-2 “exige” – em contrapartida, são bons cruzadores -, dá a entender que o time de Ventura não será tão pragmático quanto antes e que irá trabalhar mais, e melhor, a posse de bola. Os jovens Bellomo, que provavelmente será o regista, e El Kaddouri serão as referências técnicas no meio-campo juntamente com o veterano Farnerud, sendo os principais responsáveis por fazer a bola chegar na nova dupla de ataque, Cerci e Immobile. Como alternativa, Ventura também poderá trabalhar com duas linhas de quatro, como gosta.
Udinese
De contratos renovados, Francesco Guidolin e Di Natale seguem como as caras de uma Udinese muito bem estruturada e que vem dando trabalho para os grandes há pelo menos quatro anos. Não deverá ser diferente em 2013-14, com um elenco muito semelhante ao da última temporada e que, mais uma vez, conta com jovens que podem despontar este ano. Taticamente, nada muda. O 3-5-2 padrão será mantido e espera-se que este seja o ano de Muriel, após boas, porém irregulares, exibições ao lado de Di Natale. Como principal alternativa, também segue o 3-4-2-1, sem grandes mudanças em relação à base. Caso queira fazer barulho na Europa, Guidolin deverá buscar outra alternativa, com uma defesa com quatro homens, como chegou a testar, sem muito sucesso, um 4-1-4-1.
Verona
O bom filho a casa torna. Depois de um bom tempo ausente da Serie A, o campeão do campeonato em 85, Hellas Verona, está de volta à elite italiana. E volta, aparentemente, bem, tratando de buscar reforços para o plantel. Taticamente, o ex-líbero de Trapattoni na “Inter dos recordes”, Andrea Mandorlini, trabalha com um 4-3-3 que, assim como o Sassuolo de Di Francesco, segue o prescrito com um conjunto bem equilibrado, compacto e objetivo na frente. Como alternativa, Mandorlini vem trabalhando com um 3-5-2 e dessa forma bateu o Palermo de Gattuso (no 4-2-3-1) pela Coppa Italia. Na última temporada, o treinador gialloblù chegou a jogar também com um 4-4-2, e não será surpresa se repeti-lo como uma variação.
*Ficou perdido com algum termo e/ou conceito? Uma boa referência é o livro do mestre Eduardo Cecconi sobre
análise tática no jornalismo, vale a leitura. Aqui.

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