Copa do Mundo

Empate custou caro e Itália não será cabeça de chave

“Vocês falam mal, eu faço gol”. Assim Balotelli respondeu às criticas da mídia italiana (Reuters)

Na volta da Itália a Nápoles após sete anos de ausência, a expectativa era de um jogo de festa. A vaga na copa de 2014 estava garantida há muito tempo, mas a vitória significaria
confirmar-se como um dos cabeças de chave. Prandelli fez algumas
mudanças, especialmente na defesa, onde Pasqual ganhou a vaga de Balzaretti,
após terrível partida na Dinamarca, e Astori entrou para fazer dupla com Bonucci, no 4-3-3 italiano. O ataque iria a campo com duas grandes promessas, Florenzi e Insigne, filho da terra, ao lado de Osvaldo. Porém, novamente
o que se viu em campo foi uma Itália preguiçosa e apática contra uma Armênia
solta, que entrou em campo sabendo que a classificação era utopia, afinal àquela
altura, a Dinamarca já vencia Malta por 3 a 0.

Mesmo assim, viu-se claramente a Armênia muito mais ativa nos primeiros minutos,
sobretudo porque a seleção dos Cárpatos contava com os erros e a displicência da defesa italiana. A crítica torcida, que já havia vaiado até o hino nacional, ganhou mais motivos para reclamar. No primeiro
lance, aos 4, Astori quase complicou, mas se recuperou travando o chute de
Movsisyan. Mas na sequência, Aquilani tentou sair jogando, errou o passe na
entrada da área e viu de perto a bola sobrar nos pés do mesmo Movsisyan, que chutou
sem dar qualquer chance a Marchetti.
O gol despertou a Itália, que tentou pressionar, mas sempre deixando muitos espaços
na frente da área, proporcionando boas chances para a Armênia. Sem Diamanti e
jogando no 4-3-3 (que podia se transformar num 4-1-4-1), o time sentiu falta,
em muitos momentos, da ligação, uma vez que os meias italianos, mesmo com muita
qualidade, pouco produziam. As boas chances só apareciam quando caiam nos pés
de Florenzi e Insigne, os únicos que pareciam estar a fim de jogo. 

Inclusive, o atacante
napolitano protagonizou a primeira grande chance italiana em um arremate de fora da
área, que pegou na trave – no rebote, Osvaldo, travado pelo zagueiro, não
conseguiu marcar o gol. Minutos depois, o empate saiu. Insigne conseguiu boa jogada pela
esquerda e cruzou na cabeça de Florenzi, que sozinho, cabeceou no canto de
Berezovski.

Após
o gol, a Itália tomou conta do jogo e criou algumas boas oportunidades,
sobretudo com a revelação do Napoli, mas o segundo gol só viria a sair na segunda etapa, já
com Balotelli em campo. O atacante que foi alvo da imprensa local e causou muita dor de cabeça à FIGC (com
os episódios do empurrão no cameraman no desembarque da equipe e no “apoio” à
máfia italiana com comentários em sua conta no Twitter) entrou no lugar do
apagado Osvaldo e deu outra cara ao ataque da Squadra Azzurra. Mas antes de marcar o seu
gol, Balotelli viu a Armênia marcar o segundo, com Mkhitaryan, contando com
grande colaboração de Marchetti, que saiu muito mal do gol para cortar cobrança de escanteio.
O
empate veio minutos depois. Balotelli, após grande passe de Pirlo, não ficou nem um
pouco nervoso na frente de Berezovski e tocou por cima do goleiro, deixando o
placar novamente empatado. A chance da virada veio nos minutos finais,
novamente com Balotelli, que fez uma arrancada incrível, desde o campo de
defesa, se livrando de quatro defensores e finalizando bem. Por um capricho, a
bola tocou na perna do goleiro e foi desviada, saindo rente à trave. A arbitragem não viu o toque e nem assinalou o corner.
No
retorno à Nápoles, a Itália novamente mostrou um futebol medíocre,
como o demonstrado em boa parte dos jogos que não valiam muita coisa – justamente o que fez a equipe cair no ranking da Fifa e ser superada por seleções que não tem tanta tradição. Por isso, a equipe perdeu o posto de cabeça de chave no Mundial, após os resultados nas Eliminatórias da
América do Sul – mesmo que o Uruguai caia na repescagem diante da Jordânia, a vitória da Holanda sobre a Turquia, hoje, tirou completamente as chances italianas. Se serve como consolo, quando as partidas eram para valer, o time de Prandelli rendeu muito bem nos últimos três anos.

Dentre os teste feitos, Pasqual e Insigne foram os que se deram
melhor, enquanto Florenzi ainda tem boas expectativas de vir ao Brasil disputar o Mundial. No meio, Aquilani também pode ter perdido espaço, pois apesar de ter marcado um gol contra a Dinamarca, no susto, fez uma má Copa das Confederações e foi um dos piores em campo contra a Armênia. Na defesa, Astori fez Ranocchia abrir um sorriso e abriu ainda mais a briga por uma vaga no grupo. 

O goleiro Marchetti merece um capítulo à parte. Ele tem crédito pelas ótimas exibições na Lazio e por ter tentado segurar a bronca na Copa de 2010, após a lesão de Buffon, mas tem que abrir o olho. O arqueiro pode ter perdido a vaga de reserva imediato para Sirigu e pode, ainda, abrir a disputa pela terceira vaga de goleiro, uma vez que Consigli (Atalanta), Agazzi (Cagliari) e Perin (Genoa) já foram chamados por Prandelli, e o jovem Bardi (Livorno) pode aparecer como surpresa. 

Agora, resta ao comandante da Nazionale aproveitar
os amistosos de novembro, contra Alemanha e Nigéria, para testar não só definir boa parte dos que irão à Copa, como
também dar uma cara à Azzurra.

Colaborou Nelson Oliveira.

Confira os melhores momentos do jogo aqui:
Ficha técnica:
Itália:
Marchetti; Abate, Astori, Bonucci, Pasqual; Aquilani (Rossi, 73’), Pirlo,
Montolivo; Florenzi (Candreva, 60’), Osvaldo (Balotelli, 54’) e Insigne. Técnico:
Cesare Prandelli
Armênia: Berezovski; Haroyan,
Arzumanyan, Mkoyan, Hayrapetyan (Hovhannisyan, 62’); Mkrtchyan (Marcos
Pinheiro, 90’), Yedigaryan; Özbiliz (Sarkizov, 79’), Mkhitaryan, Ghazaryan;
Movsisyan. Técnico: Vardan Minasyan
Ábritro: Michael Oliver (ING)
Gols: Movsisyan (ARM, 4’), Florenzi
(ITA, 24’), Mkhitaryan (ARM, 70’) e Balotelli (ITA, 76’)

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