Serie A

13ª rodada: O retorno da Velha Senhora

Pela primeira vez no campeonato, Juventus assume liderança isolada da Serie A. Para não largar mais? (Skysports)

Após 13 rodadas, temos uma nova líder na Serie A. A Roma, que encabeçou a tabela do campeonato até o momento, e de forma consecutiva desde a 5ª rodada, cedeu terreno e, após três tropeços, viu a Juventus ultrapassá-la, com um ponto a mais. Agora, pela primeira vez neste campeonato, a Roma terá de assumir o modo de perseguição, enquanto uma Juve que viveu momentos de descrédito nesta temporada, volta à posição que ocupou quase sem distúrbios ao longo dos dois últimos anos. 

A rodada foi excelente para a Velha Senhora, uma vez que só ela conquistou os três pontos entre os melhores oito colocados na tabela. Napoli, Inter e Fiorentina, perseguidores em potencial, também vacilaram nesta rodada. E o Milan, cada vez mais longe da ponta, está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento, e já sofre questionamentos mais duros por parte de seus torcedores. Acompanhe o resumo da 13ª, que pode ter marcado uma guinada nos rumos do campeonato.

Livorno 0-2 Juventus

A nova dupla de ataque contratada para essa temporada parece cada vez mais entrosada e, mais uma vez, resolveu o jogo para a Juventus. Destaque maior para Llorente, que começou o campeonato em ritmo muito baixo, mas já se encontrou em campo e fez outro bom jogo neste domingo. Foi dele o primeiro gol, após bom cruzamento de Pogba, e também foi de seus pés que saiu a assistência para o gol de Tévez, que ajudaram a Velha Senhora a chegar a sua quinta vitória consecutiva – e sem tomar gols. O argentino já tem sete gols na Serie A, enquanto o espanhol marcou seu terceiro. 

A defesa desfalcada não foi um problema para a equipe de Conte, que jogou com Vidal improvisado no miolo da zaga, Cáceres na direita e Chiellini na esquerda do 3-5-2. Muito recuado em seu campo, o Livorno jamais agrediu a Juve e deu espaço para o time visitante jogar. No primeiro tempo, os bianconeri pouco conseguiram produzir, mas, na segunda etapa, o time explorou mais os lados do campo e conseguiu alcançar os gols. A vitória coloca a Juve na ponta da tabela, lugar ao qual se acostumou nas últimas temporadas, e deixa o Livorno em 16º, apenas dois pontos acima da zona de rebaixamento. (Rodrigo Antonelli)

Roma 0-0 Cagliari

Depois de dez vitórias consecutivas, três empates em sequência. A vida da Roma sem Totti é dura, mas no jogo desta segunda, diante do Cagliari, não dá para acusar a equipe capitolina de omissão. Os romanos criaram muitas jogadas e finalizaram 19 vezes ao gol. Porém, esbarraram em uma grande atuação do experiente goleiro Avramov, que só jogou porque Agazzi, o titular, está machucado. O sérvio de 34 anos fez apenas 15 partidas oficiais nos últimos seis anos, entre sua passagem por Fiorentina e Cagliari, e surpreendeu pelo tempo de jogo e pelas defesas complicadas.

Pela Roma, Maicon, Strootman e Gervinho criaram as principais oportunidades, enquanto mais uma vez Ljajic, Pjanic e Florenzi tiveram atuação discreta. Avramov fez duas ótimas defesas em chutes do lateral brasileiro, e evitou também o gol do meia holandês. Porém, apenas pode observar a cabeçada de Gervinho explodir contra a trave. O Cagliari, porém, não apenas se defendeu, e até teve um gol bem anulado, de Sau. Em outras duas oportunidades, De Sanctis também precisou trabalhar, afastando chute de Eriksson e perigosíssima cabeçada de Ibarbo. O meia colombiano, inclusive, se dedicou muito durante toda a partida, e foi um dos melhores em campo, se multiplicando na marcação e na criação das jogadas dos sardos. Pela boa fase, pode aparecer na Copa. A Roma, por sua vez, precisará reavaliar o seu campeonato, e provar que o excelente futebol do início de temporada pode voltar a aparecer também na condição de perseguidora da Juventus. (Nelson Oliveira)

Napoli 0-1 Parma

Preocuopado com a partida de hoje diante do Borussia Dortmund, na Alemanha, Rafa Benítez preferiu poupar Hamsik e Mertens no jogo de sábado, contra o Parma, e viu sua equipe ser dominada pelo adversário em pleno estádio San Paolo. Jogando em um 4-1-4-1 com Cassano de falso centroavante, o time de Roberto Donadoni criou as melhores chances do jogo e mereceu sair de Nápoles com os três pontos. O primeiro tempo foi mais equilibrado, mas, na segunda etapa, os crociati se impuseram e chegaram à vitória, principalmente por causa de uma grande partida de Antonio Cassano. 

O Napoli até marcou primeiro, com Higuaín, após cobrança de escanteio, mas o argentino estava impedido. Em poucos minutos, a torcida napolitana foi da euforia à decepção: oito minutos após o impedimento de Higuaín, Cassano avançou e acertou belo chute em diagonal no gol de Pepe Reina. Benítez ainda tentou uma reação colocando Hamsik e Mertens em campo no final, mas não havia mais tempo. O gol do melhor homem em campo distancia o Napoli da briga pelo scudetto – já são seis pontos atrás da Juve – e tira uma invencibilidade dentro do San Paolo que durava desde 14 de fevereiro. Com a vitória, o Parma chega a 16 pontos, na 11ª colocação. (RA)

Bologna 1-1 Inter

Uma
mistura entre cansaço físico, falta de qualidade e apatia tem
prejudicado o desempenho da Inter. Mazzarri ainda está implementando sua
filosofia e são esperados alguns deslizes para esta temporada, porém a
postura do time nerazzurro tem sido um incômodo para o treinador, que
mais uma vez falou em muita ingenuidade no ataque e na defesa, mesmo com a volta de Campagnaro após dois meses. A Inter mais uma vez falha fora de casa:
em jogos que se esperava vitórias, contra Cagliari, Torino e
Bologna, a equipe empatou – também foram três empates em jogos pós-data Fifa. Com as derrotas
de Fiorentina e Napoli, a Inter tinha a oportunidade de empatar com o
time partonopeo e se distanciar dos viola, porém o tropeço manteve o time na 4ª posição. De “bom”, apenas a
invencibilidade fora de casa na temporada e o tabu de 11 anos sem perder
em Bolonha. Para o time da casa, resultado bom, considerando o nível do
adversário, mas que não o deixa em posição confortável.

Com
a bola rolando, a apatia interista foi punida por um Bologna bem
compacto atrás e perigoso com Diamanti, Kone e Bianchi, que
obrigaram Handanovic a trabalhar e a defesa a suar. O arqueiro esloveno,
contudo, falhou na primeira finalização do jogo, quando Cristaldo puxou
contra-ataque pela direita e centrou para um Kone livre mostrar porque é
um carrasco para os times de Mazzarri. Chegando a ter mais de 70% de
posse de bola, o triplo de dribles, escanteios e chutes, a Inter até tentou
reverter a situação no final do primeiro tempo e até a metade da segunda
etapa, mas teve um Guarín em má fase, um Álvarez em dia apagado, um Palacio
com a pontaria ruim e, de quebra, esbarrou na trave rossoblù, que impediu três gols. A Beneamata só alcançou o
empate quando Jonathan chutou da entrada da área e contou com o desvio
de Sorensen para empatar a partida. Pouco. (Arthur Barcelos)

Udinese 1-0 Fiorentina
Com apenas uma vitória nos últimos
cinco jogos, a Udinese recebeu em casa a Fiorentina, dona de uma das melhores
campanhas como visitante. Guidolin, que completou sua 200ª partida no comando
bianconero, aproveitou a data Fifa para armar a equipe no não usual 4-2-3-1,
com Heurtaux fazendo ora a ala direita, ora o terceiro zagueiro e Domizzi
formando a dupla de zaga com Danilo. Por outro lado, Montella seguiu sem poder
contar com Gómez, e continuou utilizando Joaquín e Cuadrado para formar o
ataque com Rossi.

Em campo, o quarteto defensivo da
Udinese anulou o trio de ataque viola. Rossi não conseguiu encontrar espaços e
Cuadrado precisou voltar e compor a linha de meio campo para conter as
oportunidades de Pereyra e Fernandes. A Udinese aproveitou os espaços deixados
pela perdida zaga da Fiorentina para criar boas chances de gol, obrigando Neto a
fazer boas defesas. Mas foi após uma bola parada que conseguiu o gol da
vitória. Aos 34, Di Natale cruzou, Pereyra desviou e Heurtaux completou na
segunda trave. Com a vitória, a Udinese subiu para a 10ª colocação, enquanto a
Fiorentina se distanciou da ponta da tabela, ficando 10 pontos atrás da Juventus. (Caio
Dellagiustina)

Verona 0-1 Chievo
Uma história daquelas que os poetas do
futebol amam. O Davi contra Golias. E a vitória de Davi. O então
lanterna do campeonato, o Chievo, derrotou o rival Verona, na
briga pela zona Champions, por 1 a 0, com um gol aos 48 do segundo
tempo. Naquele que foi apenas o terceiro dérbi da cidade de Verona na história da
Serie A e o 11º de toda a história, os clivensi venceram pela segunda vez
no campeonato, e deixaram a lanterna, coroando a coragem do técnico
estreante Eugenio Corini, figura importante da história deste dérbi em
sua carreira como jogador (leia aqui).
E alerta ligado para o Hellas, que perde contato com a zona Champions,
ainda que esteja próximo à zona de classificação para a Liga Europa.

Para
a surpresa de muitos (todos?), o Verona não viu a cor da bola. Corini
escalou um híbrido 4-5-1, que se tornava 4-3-3 no ataque, com
Estigarribia e Sestu pressionando no primeiro combate e alimentando o
isolado Théréau no ataque – o francês infernizou a defesa do Hellas
durante todo o jogo. Logo aos 4 minutos de jogo, Cesar abriria o
placar para o Chievo, mas o gol legal foi mal anulado. Era o cartão de
visitas do time que finalizaria quase o dobro de vezes que seu adversário durante
todo o jogo. Inclusive, o Verona, que era implacável em casa, jogou mal, e de suas sete finalizações,
simplesmente não acertou nenhuma no gol. Corini trocou o trio de frente por
outros atacantes, ao invés de colocar defensores e segurar o empate: ele
queria a vitória. E um destes atacantes, Lazarevic, premiou o treinador  e marcou o gol da vitória após tabela com Hetemaj. Todos os
jogadores do Chievo partiram para fazer um montinho em cima do atacante. Parecia que toda
uma cidade estava ali. (Thiéres Rabelo)

Milan 1-1 Genoa
14 pontos em 13 jogos. Max Allegri está mais do que ameaçado no Milan e terá um verdadeiro teste diante do Celtic, neste meio de semana, pela Liga dos Campeões. Na Serie A, o seu Milan é muito pouco eficiente, e mesmo quando cria não parece ter força de vontade de arrancar as vitórias à força. Neste sábado, a equipe voltou a jogar mal, e apesar de ter dominado quase toda a partida, não conseguiu vencer o Genoa, que jogou com um a menos a partir dos 35 minutos do primeiro tempo, quando Manfredini foi expulso por cometer pênalti em Balotelli. O jogo estava empatado em 1 a 1 e o atacante poderia tranquilizar San Siro, mas sua cobrança foi o retrato da equipe: displicente, pouco focada, e nem um pouco ajustada. O segundo pênalti perdido na carreira (de forma consecutiva, vale dizer) é um grande indício da má fase pela qual Super Mario passa no Milan.

Antes de tudo isso acontecer, Kaká abriu o placar aos três minutos de jogo, após receber belo lançamento de De Jong e bater na saída de Perin. Só que o Genoa de Gasperini não sentiu o gol e empatou cinco minutos depois, quando Gilardino converteu penalidade sofrida por Vrsaljko. Colocou a bola nas redes o que Balotelli, seu companheiro de seleção, não fez. E foi ativo no jogo, ao contrário do milanista, disperso e fora do jogo quando sua equipe mais precisava dele. No segundo tempo, com Antonelli improvisado na defesa, o Genoa se doou e se defendeu bem, mas contou com a complacência de um Milan lento, previsível e pouco brilhante. Perin fez boas defesas quando requisitado e, na bola do jogo, no quarto minuto de acréscimo, Zapata chutou para fora, mesmo estando livre na marca do pênalti. Ao fim do jogo, os ultrà do Milan, que já haviam levado faixas agressivas ao estádio, bloquearam a saída do ônibus rossonero do estádio. Kaká e Abbiati tiveram de sair para conversar com os torcedores, e ao fim do papo, acabaram aplaudidos. Mas o clima é muito tenso em Milanello. (NO)

Sampdoria 1-1 Lazio
Todos os esforços da diretoria da
Sampdoria em tirar Sinisa Miahjlovic do comando técnico da sua seleção
sérvia estavam sendo recompensados na partida contra a Lazio, no
Marassi, a qual a Samp vencia pelo placar mínimo até os 49 do segundo
tempo. Mas a equipe treinada pelo suíço de origem bósnia Petkovic tratou de estragar a estreia do ex-doriano (e ex-laziale, também) com o
albanês Cana, que empatou a 10 segundos do fim. O gol evitou nova derrota,
mas não interrompeu o jejum de vitórias que já chega a quatro jogos – apenas um triunfo nas últimas oito partidas. O instante de desatenção da Samp
custou-lhe mais alguns dias na zona de rebaixamento, a qual deixaria
caso vencesse. O time, porém, mostrou que está mais aguerrido que com Delio Rossi, e está a apenas dois pontos de deixar a zona incômoda.

Em
pouco mais de uma semana no time, Mihajlovic conseguiu dar uma nova
cara à Samp, a começar pela mudança de esquema tático, abandonando o
3-5-2 e passando ao 4-5-1. Os donos da casa, então, aproveitando-se
também da grande lista de desfalques dos laziali, conseguiram mandar
nas ações do primeiro tempo, apesar de não marcar. No segundo
tempo, porém, Krsticic recebeu vermelho direto por entrada violenta em
Ledesma e tudo parecia em risco. Mas, pelo contrário, a Samp foi quem
continuou buscando o jogo e abriu o placar aos 23, quando Soriano
cabeceou para o gol uma bola que pererecou na pequena área em um bate-rebate sem fim, seu primeiro gol na Serie A. Mas a Lazio não se
entregou: no último suspiro, em um chutão da defesa que Floccari escorou
com o peito para Cana, o jovem Petagna falhou na cobertura e permitiu que o
albanês penetrasse a área e fuzilasse o canto direito de Júnior Costa. (TR)

Torino 4-1 Catania

Apesar
de ter aprontado contra Inter e Roma e ter tido bom desempenho em outros
jogos, o Torino não vencia há dois meses. Neste domingo, a equipe tirou
toda zica que a rondava ao massacrar o desesperado Catania. A vitória garante posição
mais confortável ao time de Ventura no meio da tabela, a cinco pontos da
zona de rebaixamento e três do sétimo colocado. Derrotado pela oitava
vez no campeonato (junto com o Chievo, o Catania é o time com mais derrotas), o time de De Canio parece sem reação, mesmo com a vitória sobre a
Udinese, e agora ocupa o último lugar da tabela.

Antes
com um 4-2-4 bem definido, Ventura tem apostado em não dar referências
aos adversários e buscar um módulo para cada jogo. O comportamento,
contudo, é o mesmo: bem compactado atrás, rápido na transição ofensiva,
direto nos ataques e com treinamentos específicos para as bolas paradas. Foi assim que os quatro gols contra o
Catania saíram. Primeiro, com Immobile roubando a bola de um cada vez
mais fora de forma Legrottaglie e arrematando colocado para marcar seu
quinto gol em menos de dois meses, logo aos 10 minutos. Pouco mais de
vinte minutos depois veio o segundo, em contra-ataque finalizado por El
Kaddouri, em grande tarde. Após a volta do intervalo, o time siciliano tentou uma
reação com gol de Leto de fora da área, porém logo depois o time da casa
liquidou o jogo com dois gols em dois minutos: em escanteio cobrado por
Cerci, Moretti cabeceou firme coroando uma ótima partida, e El Kaddouri
fechou o placar ao aproveitar rebote do goleiro após grande jogada de
Immobile. (AB)

Sassuolo 2-0 Atalanta
Reagindo após o fraco início, o Sassuolo chegou ao terceiro
jogo consecutivo somando pontos. Depois de vencer com propriedade a Sampdoria
e ter arrancado um empate inesperado contra a Roma, ambos fora de casa, a
equipe fez a lição de casa, venceu a Atalanta, e se distanciou da zona de
rebaixamento. A equipe de Bérgamo segue em 9º, mas longe de brigar por alguma
competição europeia.
Di Francesco deixou de lado a
cautela para apostar no esquema que consagrou os neroverdi na segunda divisão,
o 4-3-3. Mesmo com toda ofensividade, o primeiro tempo foi muito monótono, com
poucas chances dos dois lados e com Colantuono tendo de mexer duas vezes na
Atalanta, ambas por motivo de lesão. Na segunda etapa, a aposta ofensiva de Di
Francesco deu resultado. Aos 22, Zaza,
que recebia mais uma chance como titular, aproveitou a sobra de falta cobrada
por Berardi e abriu o placar contra o time que o lançou profissionalmente. E três minutos depois, o jovem artilheiro
Berardi ficou frente a frente com Consigli e tocou no canto baixo do arqueiro,
definindo o jogo. O nome da partida foi o meia Marrone, emprestado pela Juventus, autor de duas assistências. (CD)

Relembre a 12ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.  

Seleção da rodada
Avramov (Cagliari); Vrsaljko (Genoa), Heurtaux (Udinese), Marrone (Sassuolo), Moretti (Torino); El Kaddouri (Torino), Pogba (Juventus), Ibarbo (Cagliari); Cassano (Parma), Llorente (Juventus), Immobile (Torino). Técnico: Roberto Donadoni (Parma).

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