Liga dos Campeões

Uma derrota que vai além das falhas defensivas

Abbiati reflete o que é o Milan, uma equipe caída, por baixo e impotente ante o Barcelona (Uefa.com)
Elogiada pela grande partida que fez no primeiro jogo, a
zaga hoje poderia ser considerada a grande vilã do Milan contra o Barcelona. Ao menos para quem analisa apenas os
gols ou mesmo os melhores momentos, essa será a impressão passada, porém, quem
viu o jogo como um todo e acompanha o retrospecto rossonero na temporada, sabe
que não foram as falhas defensivas que fizeram com que a equipe fosse
derrotada.

O esquema era o mesmo, com sutis mudanças (como Emanuelson na vaga
de Constant e Poli no lugar de Birsa, além do retorno de Abbiati), mas
tecnicamente o time era outro. Sem ímpeto e vontade de atacar, algo que
surpreendeu o Barcelona em San Siro, a equipe de Allegri ficou refém da defesa
e apostava tudo num milagroso contra-ataque.

A marcação deu conta do recado no início, com Montolivo, De
Jong e Muntari sendo verdadeiros protetores da zaga, mesmo abusando das faltas.
Mas, aos poucos, o Barcelona foi dominando o primeiro tempo, trocando passes (quase
três vezes mais que o Milan) e conseguindo chegar com perigo ao gol de Abbiati.
A primeira grande chance veio quando Xavi achou Sánchez no meio da área, mas o
chileno se enrolou com a bola e Mexès fez o corte. O detalhe do lance é que
haviam oito jogadores da equipe milanista cercando o ataque barcelonista.
Percebendo a monotonia do jogo, Abbiati resolveu dar um pouco
de emoção e quase entregou. Após recuo, o goleiro tentou sair jogando e
precisou contar com a sorte de a bola ter batido na cabeça de Sánchez e ido para
fora. Mas, pouco depois, quem se complicou foi o árbitro, que marcou pênalti
controverso de Abate em Neymar, que valorizou a jogada. Na cobrança, Messi
abriu o placar. Se as esperanças começaram a diminuir após o primeiro gol, ela
quase foi embora de vez quando Busquets ampliou. O volante catalão, sozinho
dentro da área, só teve o trabalho de dar uma leve desviada para marcar.
Posicionado de maneira diferente, Kaká pouco fez. Se em
Milão acompanhou Daniel Alves de uma linha de fundo a outra, dessa vez ele
ficou mais parado a frente, em um tentativa de segurar o lateral. Em uma das
poucas boas jogadas que conseguiu fazer, o brasileiro passou por Daniel Alves e
no cruzamento contou com desvio contra de Piqué para diminuir para o Milan.
A segunda etapa
começou diferente. Já com Balotelli no lugar de Robinho, o Diavolo procurou
atacar e criou algumas oportunidades com o próprio Balotelli e Kaká. Mas aos
poucos, o predomínio do Barcelona voltava à tona. Neymar fintou quase toda a
defesa, mas chutou para fora. Pouco depois, em outra investida, Fàbregas tabela
com Messi e o argentino, com toda “a crise que vive”, apenas deu um toque por
cima para aumentar ainda mais a vantagem.
Sabe-se quando a toalha é jogada. E isso ficou claro quando Allegri tirou Kaká
mais com a intenção de  preservá-lo para
o final de semana do que buscar uma inimaginável reação. Foram mais alguns minutos
de angústia milanista até que o árbitro sérvio encerrasse o jogo. A zaga marcou
bobeira em alguns momentos, mas era precisa muito mais do que confiança para
esperar que o Milan vencesse o jogo. Com um time à altura do segundo escalão
europeu, a soma dos dois confrontos é para se ficar mais que contente, ainda
mais sabendo que o Ajax derrotou o Celtic, o que faz o Milan depender apenas de si
para conquistar a vaga para a próxima fase.
Barcelona 3-1 Milan
Barcelona (4-3-3): Valdés, Daniel Alves, Piqué, Mascherano,
Adriano, Busquets, Xavi (88’ Song), Iniesta (78’ Fábregas), Neymar (85’ Pedro),
Alexis e Messi. Técnico: Gerardo Martino
Milan (4-4-1-1): Abbiati, Abate, Mexés, Zapata, Emanuelson,
De Jong, Montolivo, Muntari, Poli (74’ Birsa), Kaká (84’ Matri) e Robinho (45’
Balotelli). Técnico: Massimiliano Allegri
Árbitro: Milorad Mazic (Sérvia)

Gols: Messi (30’ e 83’), Busquets (40’) e Piqué (contra, 45’)

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