Extracampo

O curioso caso de Maurão (ou Ricardão?) Icardi

Já há várias semanas Mauro Icardi, atacante contratado pela Inter ainda no fim da temporada passada, começou a ganhar destaque nas manchetes das publicações italianas. Mas não as esportivas e, sim, as de fofocas. Em julho, Mateus Ribeirete nos explicou a teoria científica do Italiano Comedor. Icardi, mesmo não sendo italiano de nascença, tem o passaporte azzurro, certamente leu o texto e seguiu um dos mandamentos mais importantes do I.C.: ele “não disfarça o trejeito de quem corteja as esposas de todo o mundo”. Um caso fantástico – no sentido literal do termo – aconteceria meses depois.

Icardi talvez seja um nome um pouco vago para muitos não-interistas e, quiçá, até para alguns torcedores interistas. Dos quase 1.500 minutos em que a agremiação milanesa esteve em campo nesta Serie A, Icardi esteve presente em apenas 215 deles, em nove das 16 partidas. Fez, sim, dois gols salvadores, contra a Juventus e contra o Cagliari, que garantiram empates. Mas o atacante argentino não é, nem de perto, a figura que fez a Inter tirá-lo da Sampdoria, onde era um dos destaques na temporada passada, na qual fez 11 gols. Antes de voltar a campo no último domingo, contra o Napoli, ele esteve longe dos gramados por quase dois meses, com pubalgia. Mas, ainda assim, não esteve longe dos holofotes da imprensa.

Vamos a um pouco de história, portanto, para os que pouco entendem o que Icardi tem de tão interessante para as redações italianas. Argentino de Rosário, Icardi iniciou a carreira na Espanha, onde se destacou e foi adquirido com apenas 15 anos pelo Barcelona. Destaque nas categorias de base, foi emprestado e, em seguida, adquirido pela Sampdoria em 2011, quando o time genovês estava na Serie B e ele tinha 18 anos. Jogando pela equipe Primavera do clube blucerchiato, ganhou chances no time profissional apenas no final da temporada 2011-2012, marcando, inclusive, um gol importante para o acesso da Samp. De volta à Serie A, a equipe genovesa começou a apostar em sua promessa e deu-lhe espaço.

Durante a temporada brilhante, Icardi disputou posição ou até fez dupla com o compatriota Maxi López (guarde este nome), o então camisa 10 da Samp, emprestado pelo Catania após passagem apagada pelo Milan. Icardi marcou pela primeira vez na Serie A em um dérbi contra o Genoa, vencido pelos dorianos por 2 a 1. Uma dopietta no Juventus Stadium impôs a primeira derrota da Juve no novo estádio. Um “poker” com quatro gols contra o Pescara. Outro gol sobre a Juve, na última partida da temporada, carimbando a faixa dos bianconeri. Foram 11 gols em 33 partidas. Mais do que o dobro de gols feitos por Maxi López – dentro e fora do campo.

Agora, nos rendemos às especulações, por óbvia falta de fatos. Três argentinos compunham o elenco doriano daquela temporada, com Icardi, López e o goleiro Romero. “Por algum motivo”, os dois atacantes se tornaram muito próximos fora do campo. López, na Itália desde 2010, se torna mentor do rapaz. Ele, sua esposa Wanda Nara, modelo argentina, e seus três filhinhos, preenchem seu Instagram com fotos sorridentes, com seus cortes de cabelo estilo tigela e usando camisas 10 da Samp, com “Maxi” às costas. Em uma ou outra destas publicações na rede social, como prova de minha especulação, me aparecem os dois atacantes e Wanda.

EXCLUSIVO! As deliciosas férias de Wanda Nara, Maxi López e Icardi na Itália (Instagram)

Fim de temporada, ambos deixam Gênova. Maurito, disputadíssimo, se junta à Inter em julho, oficialmente. López, Wanda e os tigelinhas voltam para a Sicília, onde o papai voltará a jogar pelo Catania. Em setembro, pela segunda rodada da atual temporada, os nerazzurri visitam Catania para enfrentar os elefantes. Os amigos se reveem. Maxi entra no jogo ainda no primeiro tempo, enquanto Icardi esquenta o banco durante toda a partida, vencida por 3 a 0 pelos visitantes. Nós, aqui da plateia, não sabemos de nada. Mas, a testa de um dos personagens desta história deveria estar doendo já neste dia.

Coincidência ou não, dois meses após a visita do amigo Maurito a Catania, Wanda anunciava, em seu Twitter, o fim de seu amor, com a nada enigmática mensagem “até aqui chegou meu amor”. Seis anos e três rebentos depois, chegava ao fim a união do casal loiro. Até o fim de novembro, os papeis do divórcio já estavam preenchidos. E foram à loucura editores de revistas italianos e argentinos com o caso. “Já passaram três meses desde que eu e o meu marido não fazemos sexo. Estava rodeada de luxos, mas vivia escondendo a dor. Ele me descuidou… Não vou lutar pelo dinheiro, pois ele sabe quanto o mereço”, teria declarado a musa. Outras explicações, além dos tuítes carregados de chavões adolescentes da modelo em seu Twitter, eram as de que López a teria traído com a modelo argentina Vanesa Carbone, invocando, ele mesmo, os poderes do Italiano Comedor. Quem saberá a verdade? A estas especulações, este escritor diz “foda-se”.

Fato é que o espírito do Italiano Comedor (já podemos substituir por Argentino?) foi reavivado por Maurito, o filho mais goleador de Rosário, como clamava o companheiro Mateus, em seu texto. Uma semana (repito: uma) após o tuíte de Wanda falando que seu amor havia acabado, Icardi escreve em seu perfil a seguinte mensagem, em espanhol: “@WanditaNara Te amo, nunca será simples dizer o que sinto, porque descobri que estas duas palavras levam juntas um sentimento sem limites”.

Titio (ou padrasto?) Icardi segura um dos filhos de Maxi e Wanda (Instagram)

Tire alguns minutos para digerir os fatos. Pois vem mais.

Menos de uma semana depois, Maurito (ou Maurão, a partir de agora) posta em seu Twitter uma foto com o nome de Wanda tatuado em seu antebraço esquerdo. Isto em meados de novembro, quando o jogador já estava havia cerca de 20 dias longe dos gramados, tratando de crise de pubalgia – bom, creio que todos sabemos onde fica o púbis. Uma contusão que, segundo a sabedoria popular que um certo editor deste site me transmitiu, “se você está maluco para transar com uma pessoa, acho que deve ser ainda mais difícil de sarar” (poético). Ou seja, o espírito do Argentino Comedor estaria prejudicando o desempenho de Icardi como jogador da Inter, pois o jogador não estaria conseguindo se focar na sua recuperação. O filho mais goleador de Rosário voltava a ser Messi, pelo menos dentro de campo.

WANDA, tatuou Icardi

Nas últimas semanas, o caso explodiu, nos dois países. Em Buenos Aires, ao lado da foto de Maurão com sua tatuagem no antebraço, está uma foto da saudável Wanda ocupando a capa da revista Caras argentina e sua frase “vou passar as festas com meu namorado”. Nas páginas da revista, a cereja do bolo adúltero: “depois de passar as festas e as férias com ele, penso em voltar a Milão e morar lá”. Ela continua com os devaneios adolescentes da Disney: “tenho três filhos e ele lutou por mim, se colocou contra Maxi e, depois, se declarou corajosamente. Mauro fez, por amor, coisas que nenhum homem jamais fez por mim, é uma pessoa incrível e me protege”, disse Wanda, senhora de 27 anos e mãe de três filhos, sobre Icardi, um menino de 20 anos.

Em um momento de instabilidade da Inter na temporada, em que a equipe patina para chegar à zona Champions, o clube entra no jogo e “sugere” que Icardi sossegue o facho, em uma sutil mensagem: “Icardi, pense apenas em se recuperar dos problemas físicos sofridos nestes meses”, teria dito uma mensagem enviada da diretoria ao atleta, segundo o site Tutto Mercato Web.

Afinal, a vida particular do jogador diz respeito apenas a ele, desde que não prejudique o seu desempenho profissional. Icardi, uma das maiores promessas do futebol argentino e de toda a Serie A, está desperdiçando a maior chance de sua curta carreira por paixão. Se vale a pena, só ele poderá dizer, mas o fato é que ele precisa deixar seus objetivos claros ao clube que paga os seus salários e que desembolsou 15 milhões de euros para ter o seu futebol. E não por capas de revistas de fofoca. Após dois meses, Icardi voltou aos campos no último domingo, contra o Napoli, mas não está 100%.

Particularmente, tudo o que eu quero é que o dia 26 de janeiro chegue logo e que os dois argentinos resolvam em campo seus problemas. De preferência, com muitos carrinhos, pontapés e cotoveladas entre os dois. Uma verdadeira comédia romântica não se fecha sem que duas peças de um triângulo amoroso venham às vias de fato, não é mesmo? Que vença o Argentino Comedor mais poderoso.

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