Copa do Mundo

Indefinição na zaga de Prandelli resolvida?

Paletta poderia ter sido testado antes, mas ganhou chance no final da trajetória azzurra e leva vantagem sobre rivais (AP)

O bom futebol ficou de lado no último amistoso da Itália antes da convocação de Cesare Prandelli para a Copa do Mundo de 2014. Em campo sem Balotelli, Rossi, Bonucci, Chiellini e sem Pirlo desde o início, a Nazionale foi a Madrid para fazer algumas experiências e não jogou bem contra a Espanha, no Vicente Calderón. A Fúria, por outro lado, também não fez grande partida, e contou com a superioridade física e boas atuações de Iniesta e Silva para passar pelos italianos. No final das contas, o único fator positivo para o técnico azzurro foi a possibilidade de ter resolvido uma indefinição na defesa. 

Porém, ainda há vagas em aberto e Prandelli não esconde. Uma amostra disso é que o técnico convocou 31 jovens jogadores para um estágio
em Roma, entre os dias 10 e 12 de março – veja a lista completa aqui. Será a oportunidade que ele
terá para observar alguns nomes não apenas para 2014, mas para o futuro –
várias promessas que atuam em equipes da Serie B foram convocadas, visando um trabalho a longo prazo.

Ontem, contra a Espanha, Gabriel Paletta, zagueiro com cabeleira particular (vide foto que abre o post), que atua pelo Parma e é argentino de nascimento, mas tem bisavô e passaporte italianos, foi o grande destaque da Itália no jogo. O jogador de 28 anos, que teve passagem negativa pelo Liverpool e ganhou sobrevida no Boca Juniors, chegou a ser campeão mundial sub-20 no time de Messi e Agüero em 2005, e foi convocado pela primeira vez à seleção italiana, mesmo após já ter declarado no início de 2013 que aceitaria um chamado de Prandelli. 

No bom Parma de Donadoni, é titular desde 2010 e destaque desde 2011, mas nunca havia sido chamado porque enfrentava uma forte concorrência: além do trio juventino formado por Barzagli, Bonucci e Chiellini, que irá à Copa do Mundo, enfrentava as concorrências de Astori (Cagliari), Ranocchia (Inter) e Ogbonna (antes Torino, agora Juventus). Como os três estão longe da melhor fase, acabou convocado e foi o melhor italiano em campo. 

Contra a Espanha, foi responsável por anular Diego Costa, que, é verdade, teve apenas dois dias para se adaptar a um estilo de jogo muito diferente do que pratica no Atlético de Madrid. Apesar do atenuante, sem dúvidas Paletta ganhou pontos com o treinador, que pode levar apenas quatro zagueiros ao Mundial – De Rossi é visto como alternativa válida, em caso de improviso, e Prandelli não pensa em “queimar” vagas chamando um jogador em fase negativa.

Contra a Espanha, os quatro laterais tiveram atuação negativa, o que incomoda Prandelli, visto que ele ainda não tem os nomes certos para a posição – nem mesmo sabe se levará quatro ou três nomes; no segundo caso, considerando Chiellini como opção para o flanco esquerdo. Maggio, longe da melhor fase há mais de um ano, teve vida dura contra Jordi Alba, enquanto Criscito levou um baile de Pedro (assim como de Reus, no duelo entre Zenit e Borussia Dortmund, na Liga dos Campeões). No segundo tempo, Abate e De Sciglio ofereceram mais cobertura, mas sem brilho. 

Uma prova de que as laterais preocupam é que na lista de 31 jovens convocados para a concentração em Roma, sete atuam por ali – três na direita e quatro na esquerda. Pela destra, jogam De Silvestri (Sampdoria), Ceccherini (Livorno) e Darmian (Torino), enquanto na canhota atuam Biraghi (Catania), Brivio (Atalanta), Murru (Cagliari) e Romagnoli (Roma). 

Outros nomes mais velhos continuam sob avaliação e são favoritos em relação aos supracitados: casos dos laterais esquerdos Pasqual (Fiorentina) e Antonelli (Genoa). Pelo pouco tempo de treinamento, seria uma surpresa que algum dos jovens figure na convocação para a Copa, formada por 23 jogadores e uma lista de espera, com sete nomes. Como há tempo para treinar antes da lista final, Prandelli pode optar por uma escolha contingente, mesmo que o amistoso contra Luxemburgo, que acontece no dia 4 de junho, aconteça após a entrega dos 23 nomes, que ocorrerá no dia 2.

No gol, Buffon também não foi bem e falhou no tento espanhol, marcado por Pedro, mas é titular garantido no Brasil. Seu reserva imediato deve ser Sirigu, do PSG, e Marchetti, com falhas frequentes e o ostracismo na Lazio, deve perder a posição para o promissor Perin, do Genoa, que viajou para o amistoso na Espanha. Mirante (Parma), Bardi (Livorno) e Scuffet (Udinese) correm por fora.

O meio-campo foi o setor mais criticado pela imprensa italiana após o jogo no Vicente Calderón. Foi ali que a condição física italiana se mostrou mais crítica em relação a dos espanhois e fez Prandelli se preocupar, uma vez que a competição ocorrerá no fim da temporada e em condições climáticas potencialmente adversas para os azzurri. Muito por questões físicas, os italianos não conseguiram equilibrar a partida, e em momento algum tiveram o controle do jogo, o que mesmo contra a Espanha, que pratica um futebol com pressão e toque de bola, preocupou Prandelli, adepto de uma filosofia futebolística similar à roja. 

Apesar da partida negativa, Pirlo, Montolivo, Marchisio e Candreva são nomes certos no Brasil – Giaccherini, mesmo mal em seu clube, agrada Prandelli pela versatilidade e pode aportar por aqui. As outras dúvidas se dão primeiro pela possibilidade de Prandelli levar um entre Thiago Motta e Verratti: o segundo, constantemente envolvido em polêmicas e não utilizado em Madrid, parece um pouco fora de rota, o que abre caminho para Aquilani (Fiorentina), Parolo (Parma), Florenzi (Roma) e mesmo para Bonaventura e Cigarini (ambos da Atalanta). A escolha de Diamanti, que preferir ir fazer seu pé de meia na China, onde atua pelo Guangzhou Evergrande, também deve abrir uma vaga, no meio-campo ou mesmo no ataque.

O próprio ataque é um dos setores com mais indefinições. Primeiro, não se sabe se Rossi estará em forma para o Mundial _se estiver, será titular ao lado de Balotelli – e vários atacantes do país vivem fase negativa: Pazzini (Milan), El Shaarawy (Milan), Matri (Fiorentina), Osvaldo (Juventus). No amistoso desta quarta, Insigne (Napoli) nem chegou a ser utilizado, o que compromete suas chances de vir ao Brasil. 

Gilardino também não foi utilizado, mas é muito conhecido por Prandelli, que gosta do seu futebol, e não precisa ser testado. Em seus lugares, jogaram Destro (Roma) e Immobile (Torino), mas surpreendeu a escolha de Prandelli de não utilizar este segundo, que vive ótima fase, ao lado de Cerci, seu companheiro de clube. Certamente, os treinamentos foram mais úteis do que o jogo para os convocados desta vez.

A dificuldade de nomes se firmarem – hoje, apenas Balotelli, Cerci e Rossi, caso esteja em forma, parecem unânimes para Prandelli – faz com que nomes experientes, como os de Totti e Toni, que fazem ótima Serie A, possam ser considerados de última hora. O treinador já avisou que poderá convocá-los caso ache adequado, mas caso isso aconteça, será apenas na lista de 30 jogadores que sai no final de maio. 

Uma boa opção seria Berardi (Sassuolo), jovem de 19 anos que tem 12 gols na Serie A – entre os italianos, só Rossi (14), Toni e Immobile (13) tem mais –, mas como o jogador feriu o código de ética de Prandelli ao ser expulso por dar uma cotovelada em Molinaro com 20 segundos em campo, as chances se esvaíram – ele não foi convocado nem mesmo para o período de treinos da próxima semana. Gabbiadini (Sampdoria) e Sau (Cagliari), chamados para as sessões em Roma, agradecem. A corrida continua, as dúvidas também.

Ficha técnica: Espanha 1-0 Itália

Espanha: Casillas (Valdés); Azpilicueta, Javi Martínez, Sergio Ramos (Albiol), Jordi Alba; Busquets (Xabi Alonso), Thiago Alcântara, Fàbregas (Silva), Iniesta (Navas); Pedro (Cazorla), Diego Costa. Técnico: Vicente Del Bosque

Itália: Buffon; Maggio (Abate), Paletta, Barzagli, Criscito (De Sciglio); Thiago Motta (Giaccherini), Marchisio, Riccardo Montolivo; Candreva (Pirlo), Cerci (Immobile), Osvaldo (Destro). Técnico: Cesare Prandelli

Local: Estádio Vicente Calderón, em Madri (ESP)

Árbitro: Yevgen Aranovskyn (UCR)

Gols: Pedro, 18’/2T (Espanha)

Cartões Amarelos: Criscito, Destro (Itália) 

Cartões Vermelhos: Nenhum

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