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Serie B: soberano, Palermo voltará à elite

Artilheiro do Palermo, Abel Hernández é um dos destaques do elenco “de Serie A” rosanero (Getty Images)

Restando apenas nove rodadas e pouco menos de dois meses para o final da campanha regular, a Serie B chega na reta final e as disputas estão cada vez mais acirradas com tanta irregularidade e surpresas. Na ponta da tabela, contudo, o Palermo segue soberano e cada vez mais próximo não apenas da volta pra elite do futebol italiano, mas também do tetracampeonato da segunda divisão.

Palermo

Finalmente vingando as expectativas do início da temporada, o Palermo cresceu sob o comando de Iachini, substituto de Gattuso, e agora justifica as largas diferenças de orçamento com os outros clubes. Os rosanero estão invictos há mais de três meses, somando nove vitórias e cinco empates nos últimos 14 jogos. Com 32 pontos conquistados de 42 possíveis, e um aproveitamento de 76,1%, o time siciliano alavancou ainda mais sua vantagem na liderança do campeonato. Hoje estão 13 pontos na frente do Empoli.

Empoli

Sempre entre os três primeiros colocados desde o início da Serie B, e líder até a 19ª rodada, o Empoli tem tropeçado muito em 2014 e seu retrospecto preocupa para uma volta à Serie A. Os azzurri estão fora da principal divisão do futebol há seis anos e, depois de bater na porta em 2012-13, o retorno parecia quase certo até pouco tempo atrás. Neste ano, o time de Sarri e dos veteranos Tavano (16 gols) e Maccarone (12), responsáveis por 66,6% dos gols marcados, soma apenas três vitórias em 12 partidas. São cinco empates e quatro derrotas. Números parecidos que tinham até a 21ª rodada, com seis empates e quatro derrotas, mas 11 vitórias.

Cesena, Crotone e Latina

Na cola do vacilante Empoli, os times de três regiões diferentes (Cesena da Emília-Romanha, centro-norte; Crotone da Calábria, sul; Latina do Lácio, centro) têm feito boas campanhas nesta temporada, até acima das expectativas. O clube emiliano, inclusive, só não tem a mesma pontuação do Empoli (53) por punição (-1, 52) e com Bisoli no comando, o mesmo que levou os “cavalos marinhos” pra Serie A em 2009-10, são 13 vitórias, 14 empates e seis derrotas, com 38 gols marcados e 25 sofridos (a segunda defesa menos vazada).

Como já falado aqui, o Crotone é uma das equipes mais interessantes de se assistir. Ofensivo, o time treinado por Drago ainda é uma boa oportunidade de seguir alguns jovens talentos. Até mesmo pela baixa idade dos jogadores – tem a segunda menor média do campeonato, 23,7 anos -, o clube calabrês é instável, com 14 vitórias, nove empates, 10 derrotas, 46 gols marcados e 40 sofridos. Mas depois de algum tempo ficando no meio da tabela, os “tubarões” ou “pitagóricos” parecem prontos para dar um salto e a vaga no playoff, e consequente sonho por uma inédita Serie A, está próxima.

O novato do campeonato, o Latina, é uma grata surpresa nesta temporada. Os “leões nerazzurri” se renovaram para a primeira temporada na Serie B e, apesar de quase todo o elenco ter sido montado em 2013 (um ou outro jogador relevante no elenco está desde 2012), o time comandado por Breda é um dos mais organizados taticamente. Pragmático, tem a terceira defesa menos vazada e não costuma brilhar no ataque, dependendo dos gols do brasileiro Jonathas, ex-Cruzeiro, Brescia e Torino. Também é um grupo homogêneo, a se destacar os veteranos Cottafava (36 anos, dos melhores zagueiros da temporada), Morrone (35) e Bruno (30) e os jovens Iacobucci (22, entre os melhores goleiros), Brosco (23), Ristovski (22), Alhassan (21), Crimi (24, entre os melhores meias), Viviani (22) e Jonathas (24, entre os artilheiros).

Siena

Um dos rebaixados da Serie A 2012-13, o Siena tem a segunda melhor campanha desta temporada, mas por várias punições o time toscano ocupa apenas a sétima colocação. São 14 vitórias, 14 empates e cinco derrotas, o que lhe deixaria com 56 pontos, mas com -8 por problemas financeiros e disciplinares, tem 48 e está a cinco do segundo colocado. Apesar disso, a campanha mostra que o time de Beretta tem feito sua parte, com destaque para os veteranos Rosina e Pulzetti, e os jovens Rossetti, Spinazzola e Lamannna. Com o crescimento nos últimos jogos, ao menos os bianconeri deverão brigar no play-off pela volta à Serie A.

Modena e Bari

Com uma das melhores campanhas da Serie B em 2014, o Modena superou a irregularidade da primeira parte do campeonato e hoje objetiva o play-off. Três pontos atrás do Avellino, o último colocado na zona de play-off, e dentro da multidão que ainda sonha com a última vaga pra Serie A (são mais de dez), o clube emiliano tem feito boa campanha sob o comando de Novellino, importante jogador no Milan de Liedholm do scudetto de 79, inclusive substituindo Rivera no seu último ano como jogador. Depois de anos na Sampdoria e alguns péssimos trabalhos na sequência, o técnico caiu no ostracismo e, apenas agora vai realizando novo bom trabalho.

O ex-meia tem filosofia semelhante a de outro ídolo rossonero, Sacchi, e monta seus times no 4-4-2 com marcação por zona. Neste ano são seis vitórias, cinco empates e apenas uma derrota, o que impulsionou o time para a posição de hoje. Tem ainda o terceiro ataque mais goleador, muito por causa de Babacar, sim, ele mesmo, autor de 16 gols e sete assistências. E como não poderia deixar de ser diferente, tem como destaques veteranos (Garofalo, vice-líder de assistências, Zoboli e Granoche) e jovens (Molina e Mangni da Atalanta, Babacar e Salifu da Fiorentina, Rizzo e Signori da Sampdoria, Bianchi do Sassuolo, e Mazzarani da Udinese).

Outro que tem tido bons meses em 2014 é o Bari. Pelo menos em campo, melhor dizendo. Fora, o clube foi à falência no mês passado depois de anos de gestão da família Matarrese, e hoje, provavelmente com o nome Football Club Bari 1908 (atualmente Associazione Sportiva Bari) espera um investidor (com no mínimo 10 milhões de euros) para manter o tradicional clube da Apúlia – confira aqui a matéria da Gazzetta dello Sport de hoje.

Por outro lado, os torcedores entenderam o mau momento e tem ido ao San Nicola apoiar o time. Dos quatro maiores públicos desta Serie B, três são do Bari, todos nos últimos jogos em casa. E o resultado em campo não poderia ser diferente: nos últimos seis jogos (desde fevereiro), foram cinco vitórias e um empate. Os comandados de Alberti estão invictos há um mês no campeonato e, mesmo com três pontos a menos por punição, estão próximos do play-off e almejam um lugar entre os oito melhores, o que ajudaria significativamente o clube e sua reestruturação.

Trapani e Avellino

Como o Latina, Trapani e Avellino vieram da terceira divisão e tiveram momentos de destaques na Serie B (aqui e aqui). Hoje, ambos estão na zona de play-off, mas os últimos resultados tendem a crer que sicilianos e campanos dificilmente estarão em boas condições de brigar por uma vaga na elite italiana. O Trapani, que teve período de invencibilidade entre novembro e março – ao todo 14 jogos, oito vitórias e seis empates, a maior série de jogos sem perder do campeonato, agora prestes a ser superado pelo Palermo -, tem tropeçado desde o mês passado, e desde então tem três derrotas, dois empates e duas vitórias, o que fez ser ultrapassado por Cesena, Crotone e Latina e encostado com o Siena. A equipe, no entanto, continua confiando em Mancosu, artilheiro da competição, com 20 gols.

Já o time da cidade dos Sopranos, Avellino, fazia ótima campanha até a 24ª rodada, muito acima das expectativas, mas bastou uma série de seis jogos sem vencer (quatro empates e duas derrotas) para perder espaço entre os melhores. Agora na oitava colocação, ocupa a tão disputada última vaga para o play-off e é ameaçado por Lanciano, Modena, Pescara, Spezia, Bari, Brescia, Varese, Carpi e Ternana, que fazem o meio da tabela em um campeonato tradicionalmente embolado. Desde março, a equipe fez sete jogos, perdeu três, empatou dois e venceu apenas dois. Com tantos tropeços, é bom abrir o olho.

Novara, Padova e Reggina

Uma das melhores equipes em 2013 na última temporada, o Novara quase voltou para a Serie A, mas nesta tem decepcionado. Com um dos melhores elencos do campeonato, o fracasso é enorme e pode ficar ainda pior. Com a Ternana a cinco pontos e sonhando com vaga no play-off, o clube piemontês é o primeiro na zona de play-out e precisa ficar atento para não evitar uma vergonha. Com uma tabela complicada pela frente, o time treinado por Aglietti poderia evitar o play-out abrindo cinco pontos para o 19º colocado, hoje o Cittadella, e desde que o treinador voltou (foi demitido em novembro e retornou em fevereiro) os azzurri tem tido um retrospecto melhor, com três vitórias, três empates e duas derrotas. 

Time com vários jovens interessantes, como Kelic, Benedetti, Pasa, Vinícius, Almici, Jelenic, Moretti, Improta e Pasquato (apenas os últimos três têm tido algum destaque, especialmente Pasquato, depois de vários flops), além de velhos conhecidos como Santacroce, Modesto e Rocchi, o Padova não tem tido bom ano e desde a primeira rodada está entre os piores cinco times do campeonato. O que é uma grande decepção, já que nas últimas três temporadas o clube do Vêneto teve boas campanhas (5º em 2010-11, 7º em 2011-12 e 11º em 2012-13), mas nesta é seríssimo candidato para a nova Serie C (as Lega Pro Prima e Seconda Divisione acabarão, criando uma terceira divisão com 69 clubes).

Depois de flertar com o rebaixamento na última temporada, a Reggina, que frequentou a Serie A na última década, está a um passo de seguir a Juve Stabia para a Serie C. O time do calabrês Gagliardi (se quiser dar algumas risadas, veja aqui, aqui e aqui) não tem dado boa resposta e só venceu uma partida das últimas oito. Não é por falta de elenco, também, já que os amaranto tem jovens bons como Dumitru, Fischnaller, Maicon (da base do Grêmio), Strasser, Sbaffo, Barillà, Frascatore e Adejo, além do veteraníssimo Di Michele, camisa 10 e principal destaque com sete gols e seis assistências, mas ainda não o bastante para evitar um fracasso. Afinal, com elenco e estrutura para ousar um retorno à elite, galopar rumo à terceirona é um grandíssimo vexame, tanto para padovanos quanto para calabreses.

Seleção da Serie B (até a rodada 33)

Iacobucci (Latina)
Laurini (Empoli), Muñoz (Palermo), Rugani (Empoli), Garofalo (Modena)
Galano (Bari), Barreto (Palermo), Crisetig (Crotone), Nizzetto (Trapani)
Babacar (Modena), Mancosu (Trapani)
Treinador: Iachini (Palermo)

Perfil tático da Serie B
3-5-2 (5) – Palermo, Latina, Avellino, Brescia, Cittadella
4-2-3-1 (5) – Cesena, Spezia, Bari, Varese, Juve Stabia
4-3-3 (5) – Crotone, Siena, Lanciano, Carpi, Ternana
4-4-2 (3) – Trapani, Modena, Padova
4-3-1-2 (2) – Empoli, Novara
3-4-2-1 (1) – Pescara
4-1-4-1 (1) – Reggina

Classificação da Serie B aqui.
Principais estatísticas da Serie B aqui.

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