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Os 10 maiores alemães do futebol italiano

Ocupando apenas posições intermediárias na tabela final de classificação da Serie A, o presidente Carlo Antonini, da Fiorentina, resolveu inovar: pagou 30 mil marcos ao 1860 München para acertar com o atacante Ludwig Janda, natural de Fürth. O debute do jogador aconteceu no dia 26 de dezembro, em um empate sem gols contra o Palermo.

A Viola não incomodou os campeões das temporadas seguintes. O clube viu Juventus e Milan conquistarem títulos sem sofrer com os pés de Janda, que marcou apenas 13 gols em dois anos em Florença. O atacante, no entanto, foi o primeiro alemão (ou tedesco, como se diz na Bota) a atuar na fase moderna do futebol italiano, em 1949 – antes disso, alguns tinham passado pela Itália antes da profissionalização do esporte e criação da Serie A. O conterrâneo dele, Horst Buhtz, também deixou a Alemanha para jogar na Itália. Ele foi um dos bons jogadores trazidos pelo Torino após o desastre de Superga.

Durante o fim da década de 1950 e início de 60, Karl-Heinz Spikofski (Catania), Kurt Zaro (Triestina), Albert Brülls (Modena), Jürgen Schütz (Roma), Horst Szymaniak (Catania) e Erwin Waldner (Spal) foram alguns dos alemães que trocaram a terra natal em busca de melhores condições financeiras na Itália, que tinha um dos campeonatos mais prósperos da Europa. Buhtz, em entrevista à revista “11 Freunde”, afirmou que ganhava 150 mil marcos por temporada e, em suas palavras, um atleta na Alemanha “demoraria uma década para ganhar a mesma quantidade”.

Dessa pequena invasão, os jogadores que mais se destacaram foram Helmut Haller, pela Juventus, e Karl-Heinz Schnellinger, no Milan. Eles foram apenas o início de grandes jogadores alemães que marcaram história na Serie A.

Nos anos 1980, a Serie A era o campeonato europeu mais forte. E, se a Alemanha Ocidental havia sido campeã europeia em 1980, vice-campeã mundial em 1982 e 1986, e dona do mundo em 1990, é claro que muitos jogadores do país acabariam por chegar ao futebol italiano. Dessa forma, uma nova invasão aconteceu, com jogadores que tiveram ótima participação em suas equipes naquela década. Casos de Hansi Müller (Inter, Como), Karl-Heinz Rummenigge (Inter) e Hans-Peter Briegel (peça importante no Verona campeão italiano em 1985, e depois na Sampdoria).

Sem falar, é claro, do trio “tedesco” formado por Lothar Matthäus, Andreas Brehme e Jürgen Klinsmann, que rivalizou com o trio holandês do Milan (Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco van Basten) e ajudou a Inter a viver um dos momentos mais prósperos de sua história. Após as saídas de Klinsmann, Brehme e Matthäus, em 1992, a equipe tinha feito grande contratação ao levar Matthias Sammer, ótimo líbero, para continuar a escrita germânica em azul e preto. O defensor, que não havia jogado a Copa de 1990 por ser da Alemanha Oriental, fez grandes partidas, mas não se adaptou à Itália e, seis meses depois, foi fazer história no Borussia Dortmund.

Sammer foi o único da Alemanha Oriental a jogar na Itália. Entre os ocidentais, dos 22 jogadores convocados por Franz Beckenbauer para o Mundial vencido na Itália, 10 atuaram no país, antes ou depois da conquista, já com o país reunificado. Então, outras equipes, além da Inter, tiveram grandes colônias alemãs nessa época, final dos anos 1980 e início dos anos 1990.

Caso da Roma, que teve de uma vez só o atacante Rudi Völler, o meia Thomas Hässler e o defensor Thomas Berthold – que passara pelo Verona anos anos. Ou a Juventus, que chegou a ter Hässler entre 1990 e 1991, e, enquanto disputava os títulos da Copa Uefa e da Liga dos Campeões com o Borussia Dortmund, “roubou”, do rival europeu, os campeões mundiais Jürgen Kohler (zagueiro), Stefan Reuter (lateral direito) e Andreas Möller (atacante). O outro dos campeões em 1990 a jogar na Itália foi o atacante Karlheinz Riedle, que teve bons anos na Lazio e, de certa forma, antecedeu Thomas Doll e Miroslav Klose.

Ziege, Bierhoff e Lehmann passaram pelo Milan, mas só o do meio é querido pela torcida (Interleaning)

Na década de 1990, o Milan também ensaiou montar uma colônia alemã, mas falhou. O goleiro Jens Lehmann, respeitadíssimo em suas passagens por Schalke 04, Borussia Dortmund e Arsenal, foi contratado para ser titular, mas colecionou falhas e só vestiu a camisa rossonera por cinco oportunidades. Por sua vez, o lateral esquerdo Christian Ziege também teve atuações apagadas. Apenas Oliver Bierhoff, com muitos gols, colocou seu nome na grandiosa história do clube. Na mesma década, a Fiorentina teve, em momentos distintos, Steffan Effenberg e Jörg Heinrich, membros da Nationalmannschaft duas décadas atrás.

Ao todo, 49 alemães já atuaram na Serie A – o que faz do país o décimo mais representado na história do campeonato. Hoje, somente três atuam no Belpaese. Duas máquinas de fazer gols: Klose, na Lazio, e Mario Gómez, que tem o compatriota Marko Marin, como colega de clube em Florença. Até agosto, quem também atuava na Itália era o alemão de origem albanesa Shkodran Mustafi. Coadjuvante no tetracampeonato da Alemanha no Brasil, o zagueiro, atualmente no Valencia, da Espanha, é o único jogador da Sampdoria a ter vencido um Mundial em toda a história. Falando nisso, gol da Alemanha.

Critérios 
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do “Top 10”, com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no Top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 25 Alemães no futebol italiano

11. Hans-Peter Briegel; 12. Thomas Berthold; 13. Andreas Möller; 14. Thomas Hässler; 15. Stefan Reuter; 16. Karlheinz Riedle; 17. Hansi Müller; 18. Thomas Doll; 19. Matthias Sammer; 20. Horst Szymaniak; 21. Jörg Heinrich; 22. Stefan Effenberg; 23. Christian Ziege; 24. Albert Brülls; 25. Horst Buhtz.

10º – Rudi Völler

Posição: atacante
Clube em que atuou: Roma (1987-92)
Títulos conquistados: Coppa Italia (1990-91) e Copa do Mundo (1990)
Prêmios individuais: artilheiro da Copa Uefa (1990-91) e Coppa Italia (1990-91)

O presidente da Roma Dino Viola conseguiu tirar Rudi Völler do Werder Bremen em 1987. O alemão, já consagrado após marcar quase 100 gols em seis anos e pelo vice-campeonato mundial, em 1986, no entanto, jogou pouco em sua primeira temporada na Itália, devido a uma lesão – portanto, a dupla de atacantes bigodudos que faria com Roberto Pruzzo foi editada poucas vezes. Durante seus anos na Roma, o atacante foi titular pela seleção alemã na Eurocopa de 1988 e venceu a Copa do Mundo de 1990, sofrendo o pênalti nos últimos minutos na final contra a Argentina.

Em nível nacional, com a camisa romana, o único título conquistado por Völler foi a Coppa Italia de 1990-91. Ele foi fundamental na conquista giallorossa, marcando um gol em cada jogo das finais contra a Sampdoria, além de ter conquistado a artilharia. Na mesma temporada, Völler foi ainda artilheiro na Copa Uefa, mas a Roma (que também tinha Thomas Berthold) acabou derrotada na final por uma Inter “alemã”, que tinha Andreas Brehme, Lothar Matthäus e Jürgen Klinsmann. Em todas as competições desta temporada, o alemão balançou a rede em 25 oportunidades em 52 partidas disputadas. Foi o melhor ano do “Alemão voador” pela Roma. Dois anos depois, com a chegada do técnico Vujadin Boskov, ele deixaria o Olímpico para ser campeão europeu pelo Olympique Marseille. Em 2004, Völler ainda teve rápida e pouco brilhante passagem pela Roma como técnico.

9º – Jürgen Kohler

Posição: zagueiro
Clube em que atuou: Juventus (1991-95)
Títulos conquistados: Serie A (1994-95), Coppa Italia (1994-95), Copa Uefa (1992-93)
Prêmios individuais: integrante do All-Star Team da Eurocopa 1992

Kohler jogou em apenas um clube fora da terra natal, a Alemanha. Integrante do elenco campeão do mundo em 1990, o Bayern de Munique negociou o zagueiro com a Juventus por 8,5 milhões de liras (aproximadamente 4,5 milhões de euros, em valores atualizados), no ano seguinte. A contratação de Kohler era para basicamente ajudar a Juventus a parar o Milan de Maldini, Baresi, van Basten, Gullit e Rijkaard.

O alemão liderou a zaga da Juve com um posicionamento incrível. Também ajudou a parar o clube rossonero, que dos supracitados tinha apenas Maldini e Baresi, vencendo a Serie A de 1995 com dez pontos de vantagem – aquele time era um esquadrão e tinha, ainda, Roberto Baggio, Del Piero, Vialli, Ravanelli, Ferrara, Peruzzi, Paulo Sousa, Deschamps, Jarni e Conte. Kohler conquistou a Europa (via Copa Uefa) com a Juventus e venceu a própria Juve na Liga dos Campeões com o Dortmund em 1997. Na comemoração do título, ele vestiu um cachecol bianconero durante a volta olímpica, mostrando o caráter de um dos maiores alemães da história da Serie A.

8º – Oliver Bierhoff

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Ascoli (1991-95), Udinese (1995-98), Milan (1998-2001) e Chievo (2002-03)
Títulos conquistados: Serie A (1998-99) e Eurocopa (1996)
Prêmios individuais: artilheiro na Serie B (1992-93), artilheiro da Serie A (1997-98) e melhor jogador alemão de 1998

Bierhoff chegou à Itália em 1991, ano que a Inter buscou o atacante no Austria Salzburg. Só que ele nunca vestiu a camisa nerazzurra e foi fazer sucesso mesmo no outro lado de Milão anos depois. Antes disso, a Beneamata o emprestou imediatamente ao Ascoli, que precisava de um atacante para substituir Casagrande. No time marchegiano, a primeira temporada do atacante foi péssima e com direito a rebaixamento. Bierhoff se destacou individualmente com a artilharia na Serie B de 1992-93, marcando 20 gols, e também foi bem nas duas seguintes edições da segundona, o que chamou a atenção da Udinese. Então, tudo mudou a partir de 1996: já como atleta da equipe de Údine, começou a se destacar e ganhou as primeiras convocações para a seleção do seu país. Acabou a temporada com 17 gols marcados e como herói na final da Eurocopa, quando marcou dois gols (um deles, gol de ouro) e conseguiu o título continental para a Alemanha.

Em Údine, Bierhoff se apresentou muito bem com a ajuda da dupla Amoroso e Poggi. Na temporada de 1996-97, o alemão jogou menos, mas conseguiu manter a média de mais de um gol a cada duas partidas, ajudando os friulanos a ficarem com a quinta posição. No campeonato seguinte, marcou 27 gols em 32 jogos disputados – conseguiu, também, o prêmio de artilheiro da Serie A, competição na qual a Udinese conseguiu um histórico terceiro lugar. Silvio Berlusconi contratou o atacante para o Milan em 1998, no centenário do clube. Resultado: 22 gols e título. Bierhoff ainda jogou outras duas temporadas pelo Diavolo, mas acabou liberado para o Monaco em 2001 – afinal, os rossoneri rejuvenesciam o elenco e já tinham Inzaghi e Shevchenko. No ano seguinte, voltou para a Itália, aos 34 anos, e ajudou o Chievo a conseguir uma honrosa sétima posição, aposentando-se em seguida. Foi a passagem final de um atacante com faro de gol em território italiano.

7º – Karl-Heinz Rummenigge

Posição: atacante
Clube em que atuou: Internazionale (1984-87)
Títulos conquistados: nenhum
Prêmios individuais: Integrante da lista Fifa 100

Rummenigge já era multicampeão quando chegou à Itália, por 8,5 bilhões de liras: duas vezes vencedor da Bola de Ouro, da Bundesliga, da Copa da Alemanha, da Copa dos Campeões e ainda campeão mundial pelo Bayern Munique e europeu pela Alemanha Ocidental. Porém, o craque sofreu com as lesões na Itália e não rendeu o esperado pela Inter. A primeira temporada, de 1984-85, foi a que ele mais jogou: disputou 44 partidas e marcou 18 gols. Apenas oito deles foram na Serie A. Favorita ao título italiano, a Inter terminou a época com a 3ª colocação e sem taça na Copa Uefa.

A melhor marca individual do alemão no Campeonato Italiano foi a de 13 gols realizados na época seguinte, conquistando a vice artilharia do torneio. Um deles foi antológico: um voleio no ângulo no empate em 3 a 3 com o Torino. Ele mal jogou em seu terceiro e último ano em Milão. Rummenigge não apresentou o mesmo futebol do Bayern Munique, mas bastou para ser adorado pela torcida da Inter, pois era um craque que fazia gols importantes e em dérbis – como contra o Milan e num inesquecível 4 a 0 sobre a Juventus que seria campeã europeia em 1984-85. Ao todo, o Panzer marcou 42 gols em 107 jogos – veja aqui os 10 mais bonitos ou importantes. A passagem de Rummenigge por Milão é considerada ponto-chave para que a Inter contratasse Matthäus, Brehme e Klinsmann pouco depois.

6º – Miroslav Klose

Posição: atacante
Clube em que atuou: Lazio (desde 2011)
Títulos conquistados: Coppa Italia (2012-13) e Copa do Mundo (2014)
Prêmios individuais: nenhum

Klose saiu do Bayern de Munique e assinou gratuitamente com a Lazio em junho de 2011. E, desde então, só tem dado lucro aos romanos. Na fase preliminar da Liga Europa de 2011-12, contra o Rabotnicki, marcou seu primeiro gol com a camisa celeste, logo em sua estreia. Pouco depois, estreou em grande estilo na Serie A e marcou gol no Milan. O primeiro de 16 em 35 partidas disputadas naquela temporada. Um deles foi o que deu a vitória aos 48 minutos do segundo tempo no dérbi romano, levando os torcedores da Lazio à loucura.

Em 2012-13, o atacante alemão entrou no seleto grupo dos jogadores que marcaram cinco vezes numa mesma partida na vitória ante o Bologna por 6 a 0. A Serie A não via marca parecida desde 1986, quando Pruzzo fez cinco na vitória da Roma por 5 a 1 sobre o Avellino. Foi exatamente nesta temporada que ele conquistou seu único título (até então) pela equipe da capital: a Coppa Italia, exatamente contra a Roma. Com 40 gols, Klose é um dos 25 maiores artilheiros da história da Lazio e é um dos cinco únicos a terem vencido uma Copa do Mundo enquanto jogadores do clube – o único estrangeiro. O maior artilheiro da história dos Mundiais também é um mito do futebol italiano.

5º – Jürgen Klinsmann

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Internazionale (1989-92) e Sampdoria (1997)
Títulos conquistados: Supercoppa Italia (1989), Copa da Uefa (1990-91) e Copa do Mundo (1990)
Prêmios individuais: Integrante da lista Fifa 100

Em Milão, Klinsmann reencontrou seus companheiros de seleção alemã Matthäus e Brehme. Seu último jogo pelo Stuttgart foi na final da Copa Uefa, contra o Napoli de Maradona e Careca, que passaria a enfrentar na Itália. Na primeira temporada com a camisa da Inter, o atacante marcou 13 vezes e foi o artilheiro do time. Infelizmente, para a equipe, não foi o suficiente para o título italiano – a Beneamata terminou o ano na 3ª colocação, atrás do campeão Napoli e do vice Milan e não repetiu o scudetto e os recordes do ano anterior.

Após ser campeão do mundo em 1990, na própria Itália, Klinsmann foi peça-chave para a conquista da Copa Uefa de 1990-91. Ele marcou três vezes na campanha interista na Europa. No Italiano, somou mais 14 gols e ficou entre os principais goleadores da temporada. Em 1991, ele renovou o contrato por três anos, mas acabou saindo ao fim da época marcada por um longo jejum: marcou apenas sete gols em uma temporada bastante negativa para a Inter, que quase o fez ficar de fora da campanha do vice alemão na Euro 1992; só foi convocado por lesão de Völler. Klinsi deixou o clube como ídolo por, quase sempre, ter se exibido em grande forma. Cinco anos depois, o “anjo loiro” ainda passou brevemente pela Sampdoria antes de encerrar a carreira.

4º – Andreas Brehme

Posição: lateral esquerdo
Clube em que atuou: Internazionale (1988-92)
Títulos conquistados: Serie A (1988-89), Supercoppa Italiana (1989), Copa Uefa (1990-91) e Copa do Mundo (1990)
Prêmios individuais: Guerin d’Oro (1988) e Terceiro colocado na Bola de Ouro (1990)

Conhecido como Andy, Brehme jogou apenas quatro temporadas na Itália. E fez muito. Em seu primeiro ano, atuou como falso lateral-esquerdo na Inter de Trapattoni e conquistou o título italiano. De quebra, o jogador levou o Guerin d’Oro, prêmio dado ao melhor atleta da Serie A. Nenhum outro alemão conseguiu tal objetivo.

Brehme, além de conquistar Copa Uefa e Supercoppa, levantou o caneco da Copa do Mundo de 1990 com gols importantíssimos na semifinal e na final. Diante da Inglaterra, no Giuseppe Meazza, ele fez o gol de empate e converteu um pênalti; contra a Argentina, venceu Goycochea na penalidade para dar o título mundial à Alemanha. Ele deixou a Inter em 1992, juntamente com os outros alemães, após uma péssima temporada finalizada na 8ª colocação.

3º – Helmut Haller

Posição: meia
Clubes em que atuou: Bologna (1962-68) e Juventus (1968-73)
Títulos conquistados: 3 Serie A (1963-64, 1971-72 e 1972-73)
Prêmios individuais: nenhum

Haller foi acusado de mercenário ao deixar o Augsburg após a Copa do Mundo de 1962 por 750 mil marcos e um salário 40 vezes maior. O Bologna da década de 1960 já era forte, mas ficou ainda mais sólido com o alemão. A equipe venceu o campeonato de 1963-64 com ótima participação de Haller, que atuou em todas as partidas do campeonato e também no spareggio, a partida-desempate contra a Inter, vencida por 2 a 0 – as duas equipes empataram em pontos e o regulamento previa uma partida extra para definir o detentor do scudetto. Naquela época, com a Grande Inter e um fortíssimo Milan, não era fácil ser campeão nacional. Com 208 partidas disputadas e 58 gols marcados, ele é o 19º maior artilheiro da história rossoblù e um dos grandes nomes da história do clube.

Nos anos seguintes, Haller e Nielsen começaram a se desentender, o que favoreceu a saída do alemão. Durante os anos de 1968 e 73, com a camisa da Juventus, Helmut Haller atuou menos; teve uma participação reduzida, em campo. No entanto, o robusto meia-atacante alemão, ao lado de Causio, Bettega e Altafini, ajudou a Juve em dois títulos italianos e nos vices da Copa das Feiras, contra o Leeds, em 1971, e da Copa dos Campeões, em 1973, contra o Ajax.

2º – Karl-Heinz Schnellinger

Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Mantova (1963-64), Roma (1964-65) e Milan (1965-74)
Títulos conquistados: Serie A (1967-68), 4 Coppa Italia (1963-64, 1966-67, 1971-72 e 1972-73), 2 Recopas europeias (1967-68 e 1972-73), Copa dos Campeões (1968-69) e Torneio Intercontinental (1969)
Prêmios individuais: nenhum

Pode chamar de Panzer ou Volkswagen. Não importa. Fato é que Schnellinger, que entrou na Itália através da Roma, atuou pelo Mantova antes de fazer carreira no Milan e se tornar um dos grandes ícones do time em sua história. Atuando como líbero (e também como zagueiro pelos lados e volante), o alemão ajudou o Diavolo durante nove anos, sendo tão importante para aquele time dos anos 1960 e 1970 quanto Cesare Maldini, Altafini e Rivera. A temporada mais impressionante foi a de 1968-69: não teve título italiano, mas o Milan sofreu apenas 12 gols em 30 jogos. Por outro lado, na Copa dos Campeões, o alemão foi um dos pilares da equipe vencedora.

Talvez esse seja o resumo do que foi Schnellinger. O apelido Volkswagen representava que a equipe sempre poderia contar com seu bom desempenho – confiabilíssimo, regular. Jác“Panzer” foi colocado por conta de seu vigor físico. Aliado à técnica e à versatilidade, o jogador foi idolatrado em Milão, onde atuou por 334 partidas e ganhou nove troféus. Conquistas das mais importantes na história do clube, que a partir da década de 1960 começava, de fato, a ganhar dimensão mundial. Enquanto jogador rossonero, Schnellinger ainda atuou em duas das suas quatro Copas do Mundo, conquistando um vice, em 1966, e um terceiro lugar, em 1970.

1º – Lothar Matthäus

Posição: meia
Clube em que atuou: Internazionale (1988-92)
Títulos conquistados: Serie A (1988-89), Supercoppa Italia (1989), Copa da Uefa (1990-91) e Copa do Mundo (1990)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1990), Melhor Jogador do Mundo Fifa (1991), Jogador do Ano World Soccer (1990), Jogador Alemão do Ano (1990), Seleção da Copa (1990) e Integrante da lista Fifa 100

Na primeira temporada do lado azul de Milão, Matthaüs deu o título a Inter em um campeonato de pontos corridos. O gol de falta contra o Napoli, rival direto, garantiu matematicamente o título aos nerazzurri, que só o veriam novamente 17 anos depois. Mesmo construindo o jogo através da defesa, o alemão estava no ápice de seu vigor físico e sempre chegava à área rival. Diego Maradona disse que Matthäus foi o maior adversário que enfrentou.

Matthäus foi o melhor alemão na Itália não somente porque fez história na Inter dos recordes, no começo dos anos 90, mas também porque alcançou títulos individuais e com a seleção nacional no auge de sua carreira. Era líder dentro e fora de campo, criava e defendia, marcava gols, corria o campo todo. Se tornou um dos grandes jogadores da história da Inter e um dos maiores craques que passaram pela Itália. Não à toa, nos anos em que esteve em Milão, o germânico ganhou uma Copa do Mundo, foi líder da campanha recordista dos nerazzurri na Serie A e conquistou quase todos os prêmios individuais da carreira, incluindo os de melhor jogador do mundo, pela Fifa e pela France Football. E, com merecimento, encabeça a nossa lista.

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