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Os 20 maiores brasileiros do futebol italiano

Em 1983, a TV Bandeirantes inovou. O primeiro campeonato estrangeiro começava a ser transmitido no Brasil e era a Serie A italiana. Fazia sentido: nos domingos pela manhã, o país podia ver Falcão e Toninho Cerezo na Roma, Zico e Edinho na Udinese, Juary no Ascoli, Batista na Lazio e Dirceu no Napoli, fora outros craques de diversos países. Nos anos seguintes, o número de brasileiros só cresceu. E se a Itália tinha o melhor campeonato europeu da época, natural que alguns dos melhores jogadores do Brasil fossem para lá.

Mas não foram apenas os jogadores da foto (Edinho, Zico, Júnior, Sócrates e Cerezo posam junto ao técnico Telê Santana) os únicos brasileiros a fazerem sucesso pelo futebol italiano. Desde os primórdios da Serie A, brasileiros estiveram ligados ao esporte no país. Como, por exemplo, Achille Gama, um dos fundadores da Inter, em 1908. Desde que a Serie A como a conhecemos – isto é, um torneio de grupo único, com rebaixamento – foi criada, em 1929, 285 jogadores do nosso país atuaram na velha Bota.

O Brasil é o segundo país que mais emprestou jogadores à Itália: vem atrás da Argentina, que cedeu 310, e bem à frente do terceiro, o Uruguai, que teve 137 representantes. O grande número de jogadores destes países deve-se, primeiramente, ao grande número de oriundi (filhos de imigrantes italianos) presentes nestes países sul-americanos.

Nos anos 1930, com o sucesso dos primeiros brasileiros, como Filó, Niginho, Paolo Innocenti, Ministrinho e Del Debbio, as portas começaram a se abrir para os verde e amarelos. Mas foi apenas depois da II Guerra Mundial e com a recuperação da economia italiana, a partir das décadas de 1950 e 1960, que os brasileiros ganharam mais espaço, com nomes como Julinho Botelho, Humberto Tozzi, Cané, Chinesinho, Amarildo, Dino da Costa, Luís Vinício, Jair da Costa e, sobretudo, um tal de José Altafini, o Mazzola.

A Itália ficou com fronteiras fechadas para a contratação de estrangeiros – exceto oriundi – entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1980, quando um mar de jogadores tupiniquins voltou a invadir o Belpaese. Desde então, a Itália recebeu os craques que mencionamos no início do texto e outros. Alguns dos melhores jogadores brasileiros em atividades atuaram por lá. Ronaldo, Kaká, Júlio César, Dida, Taffarel, Maicon, Cafu, Aldair, só para mencionarmos alguns de sucesso absoluto. Alguns não corresponderam tanto, como Renato Gaúcho, Andrade, Geovani, Márcio Santos, Roberto Carlos, Rivaldo ou Ronaldinho, mas também tiveram a chance de jogar na Serie A. Pensamos inicialmente em fazer uma lista de 50 jogadores que passaram com sucesso pela Itália. Porém, pela grande quantidade de bons jogadores que passaram por lá, ampliamos este número para 85, com 35 menções honrosas. Confira os critérios a seguir.

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Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Além do “top 10”, com detalhes sobre os jogadores, suas conquistas e motivos que os credenciam a figurar em nossa listagem, damos espaço para mais alguns jogadores de destaque. Quem não atingiu o índice necessário para entrar no top 10 é mostrado no ranking a seguir.

Observações: Para saber mais sobre os jogadores, os links levam a seus perfis no site. Os títulos e prêmios individuais citados são apenas aqueles conquistados pelos jogadores em seu período na Itália. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais, desde que ocorressem durante a passagem dos jogadores no período em questão.

Top 85 Brasileiros na Itália: menções honrosas

85. Adriano Ferreira Pinto; 84. Paolo Innocenti; 83. Lima; 82. Júlio Baptista; 81. André Dias; 80. Silas; 79. Amauri; 78. Fábio Simplício; 77. Mazinho; 76. José Ricardo da Silva (China); 75. Geovani; 74. André Cruz; 73. Maxwell; 72. Marcos Assunção; 71. Paulo Sérgio; 70. Enéas; 69. Doni; 68. Márcio Santos; 67. Niginho; 66. Juary; 65. Müller; 64. Armando Del Debbio; 63. Júlio César (zagueiro); 62. Adaílton; 61. Júnior (lateral, Parma); 60. Tita; 59. João Paulo; 58. Emanuele Del Vecchio; 57. Sergio Clerici; 56. Juan; 55. Mancini; 54. Rivaldo; 53. Ministrinho; 52. Roberto Carlos; 51. César;

Top 50 Brasileiros na Itália
50. Zé Elias; 49. Dirceu; 48. Edmundo; 47. Nenê; 46. Zé Maria; 45. Branco; 44. Thiago Motta; 43. Batista; 42. Rodrigo Taddei; 41. Antônio Carlos Zago; 40. Hernanes; 39. Evair; 38. Humberto Tozzi; 37. Ronaldinho; 36. Adriano; 35. Walter Casagrande; 34. Lúcio; 33. Sócrates; 32. Dunga; 31. Márcio Amoroso; 30. Edinho; 29. Cané; 28. Emerson; 27. Filó; 26. Thiago Silva; 25. Angelo Sormani; 24. Chinesinho; 23. Alemão; 22. Cláudio Taffarel; 21. Serginho;

20º – Júnior

Posição: lateral-esquerdo e meia
Clubes em que atuou na Itália: Torino (1984-1987 e 1991) e Pescara (1987-1989)
Títulos: Copa Mitropa (1991)
Prêmios individuais: nenhum

Lateral de origem, Júnior foi deslocado para o meio campo assim que chegou à Itália, para defender as cores do Torino. O pedido partiu do próprio jogador, que desembarcou na Bota já com 30 anos e via a mudança de posição como uma necessidade para que continuasse atuando em alto nível por mais tempo. E a escolha deu certo: o brasileiro acumulou ótimas atuações na temporada 1984-85 e levou o Torino ao vice-campeonato nacional, recolocando o time entre os grande do país. O Toro sofreu com a Tragédia de Superga, e teve bons momentos nos anos 70, acumulando um scudetto e alguns vice-campeonatos. Com Júnior, o time seguiu na parte alta da tabela: no ano seguinte, outra boa temporada do brasileiro ajudou o Torino a conquistar a quarta colocação na Serie A.

Com muita bola dentro das quatro linhas e carisma fora de campo, o brasileiro ganhou até um programa de TV na Itália, onde comentava futebol e também música, uma de suas paixões. A passagem pelo Torino acabou após a temporada 1986-87, por desentendimentos com o técnico Radice, que havia dado ao Toro o único scudetto pós-anos 1940. Júnior partiu para o Pescara para ser o principal jogador do time que havia acabado de subir da Serie B. No primeiro ano, conseguiu livrar a equipe do rebaixamento, mas em 1988-89, quando teve a seu lado o meia Tita e o atacante Edmar, o Pescara não resistiu e acabou caindo para a segundona. Júnior foi considerado o segundo melhor estrangeiro da Serie A – à frente de Careca, Gullit, Van Basten e até Maradona, perdendo apenas para Matthäus –, mesmo com o descenso da equipe do Abruzzo. Voltou ao Brasil para defender novamente o Flamengo. Em 1991, Júnior ainda foi emprestado pelo Flamengo ao Torino para disputar a Copa Mitropa, vencida pelo time grená sobre o Pisa.

19º – Dino da Costa

Posição: meia e atacante
Clubes em que atuou na Itália: Roma (1955-60 e 1961), Fiorentina (1960-61), Atalanta (1961-63), Juventus (1963-66), Hellas Verona (1966-67) e Ascoli (1967-68)
Títulos: 3 Coppa Italia (1960-61, 1962-63, 1964-65), Recopa Europeia (1960-61) e Copa das Feiras (1960-61)
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A 1956-57

Com passagens por Roma, Fiorentina, Atalanta, Juventus, Hellas Verona e Ascoli, Dino da Costa marcou época na Itália. Ele foi o primeiro brasileiro a se tornar artilheiro da Serie A, em 1956-57, na sua segunda temporada pela Roma. Brilhou em giallorosso e conquistou fãs principalmente por sua eficácia contra a maior rival Lazio: até hoje é o maior artilheiro do dérbi de Roma, com 12 gols marcados. As boas atuações o levaram até à seleção italiana, onde não teve muito sucesso. Em 1960, perdeu espaço na Roma para o artilheiro argentino Pedro Manfredini e acabou emprestado para a Fiorentina.

Na viola, Dino da Costa atuou no meio de campo e foi importante nas conquistas da Coppa Italia e da Recopa Europeia da temporada 1960-61. Voltou para a Roma e conquistou a Copa das Feiras – antiga Copa da Uefa –, mas não voltou a ser aproveitado como antes, o que lhe rendeu uma transferência para a Atalanta. Em Bérgamo, foi essencial para o time de Ferruccio Valcareggi e conquistou mais uma Coppa Italia. Mais velho, passou por Juve, Verona e Ascoli, mas sem muito sucesso. Ao fim da carreira, tentou a sorte como treinador na Itália, mas não chegou nem perto da história que construiu como jogador.

18º – Leonardo

Posição: meia
Clube em que atuou na Itália: Milan (1997-2001 e 2002-03)
Títulos: Serie A (1998-99) e Coppa Italia (2002-03)
Prêmios individuais: nenhum

O sucesso de Leonardo na Itália vai muito além do campo de futebol. Lateral que virou meio-campista e até atacante no Milan, Leo – como era chamado na Bota – foi importante para a reconstrução de um time perdido no fim da década de 1990. Aliou as boas atuações à simpatia e lucidez nas entrevistas e conquistou rapidamente o torcedor rossonero. Foi talvez o melhor jogador do scudetto de 1998-99, marcando, inclusive, o gol do título, contra a Lazio, na última rodada. Leonardo foi, ainda, o precursor dos brasileiros no Milan de Berlusconi, que contratou 23 dos 29 jogadores canarinhos que passaram pelo Diavolo até hoje.

Em 2000-01, Leonardo deixou o time e voltou ao Brasil, para atuar por São Paulo e Flamengo. Mas logo estava de novo na Itália, a pedido do técnico Carlo Ancelotti. Marcou um belo gol na reestreia, mas poucos jogos depois decidiu se aposentar, aos 32 anos. Partiu direto para os bastidores da equipe, onde se tornou diretor técnico e foi fundamental nas contratações de Kaká e Alexandre Pato, por exemplo. A identificação com o clube o levou ao comando técnico em 2009.

17º – Amarildo

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Milan (1963-67), Fiorentina (1967-70) e Roma (1970-72)
Títulos: Coppa Italia (1966-67) e Serie A (1968-69)
Prêmios individuais: nenhum

O homem responsável por substituir Pelé na Copa de 1962 chamou a atenção do mundo por tê-lo feito muito bem, sem sentir a pressão. O Milan viu ali um grande atacante e o contratou em 1963, dando início a uma passagem de sucesso de Amarildo no futebol italiano. Pela equipe de Milão, o atacante teve boas atuações, mas conquistou apenas uma Coppa Italia, já no fim de sua carreira no clube. Foi na Fiorentina, em 1968-69, que ele cavou seu lugar entre os grandes do futebol italiano.

Amarildo chegou para substituir o ídolo Kurt Hamrin, que se transferiu ao Milan, e ao lado de Giancarlo De Sisti e Mario Maraschi, viveu o auge de sua carreira. O brasileiro foi peça importante na conquista do Campeonato Italiano daquele ano, apenas o segundo da história viola. Ídolo, ele só jogou mais uma temporada na equipe e partiu para a Roma, onde não fez tanto sucesso como no Milan e na Fiorentina. Decidiu voltar ao Brasil e defendeu o Vasco até encerrar a carreira, em 1974. Depois, voltou à Itália para tentar a sorte como treinador, mas não foi bem. Adotou o país como casa até 2007, ano em que voltou para o Brasil.

16º – Toninho Cerezo

Posição: meia
Clubes em que atuou na Itália: Roma (1983-86) e Sampdoria (1986-92)
Títulos: Serie A (1990-91), Recopa Europeia (1989-90), Supercopa italiana (1990-91) e 4 Coppa Italia (1983-84, 1985-86, 1987-88 e 1988-1989)
Prêmios individuais: nenhum

As passadas largas eram característica marcante de Toninho Cerezo e, na Itália, ele ganhou até apelido por isso: Pluto. Foram nove temporadas jogando em altíssimo nível pelo Atlético-MG e duas Copas do Mundo nas costas que chamaram a atenção da Roma, que o contratou em 1983. Cerezo demorou para se adaptar ao frio da capital italiana, mas sempre foi titular na equipe, barrando Carlo Ancelotti. Pela equipe capitolina, foi destaque no primeiro ano, quando atuou nas 50 partidas da equipe, e também é lembrado por ter marcado o gol do título na Coppa Italia de 1986, mesmo machucado e cortado da Copa do Mundo de 1986. Cerezo trocou a Roma pela Sampdoria, sobre a qual havia convertido o tento, e aí sim fez história.

Reencontrou o seu grande futebol em Gênova e participou de período de ouro da Samp. Conquistou o bicampeonato da Coppa Italia em 1988 e 1989 e foi essencial na conquista do único scudetto da história do clube, em 1990-91. Marcou seu nome na memória de todos os blucerchiati fazendo um dos gols no 3 a 0 sobre o Lecce que decidiu a competição. No ano seguinte, ao lado dos atacantes Roberto Mancini e Gianluca Vialli, Pluto comandou a equipe até a final da Copa dos Campeões, perdida para o Barcelona. Depois, voltou para o Brasil, onde atuou pelo São Paulo.

15º – Dino Sani

Posição: volante
Clube em que atuou na Itália: Milan (1961-1964)
Títulos: Serie A (1961-62) e Copa dos Campeões (1962-63)
Prêmios individuais: nenhum

Muito bom nos desarmes e na saída de bola, Dino Sani foi um dos maiores volantes que jogaram na Itália na década de 1960. Protegia a defesa como poucos e sempre aparecia na frente para dar passes decisivos para os colegas. As qualidades agregadas lhe consagraram no Brasil, na Argentina e, por último, na Bota. Com a camisa do Milan, atuou ao lado de ídolos como Cesare Maldini e Rivera. Em pouco tempo já foi alçado ao patamar de herdeiro de Gunnar Gren, histórico meio-campista sueco que atuou entre 1949 e 1953 – até mesmo pelo físico similar; ambos baixinhos, aparentemente acima do peso e com uma vistosa careca. Com sua grande visão de jogo, foi um jogador avançado em seu tempo, tornando-se precursor de volantes de qualidade.

Marcou história no time ao vencer a Serie A de 1961-62 e a Copa dos Campeões de 1962-63, a primeira do clube. Após a passagem vitoriosa, na qual foi peça fundamental no esquema de Nereo Rocco, voltou ao Brasil como ídolo consagrado – também na Seleção Brasileira – para jogar pelo Corinthians. Virou ídolo alvinegro também e encerrou a carreira para se tornar treinador. Fez sucesso no sul, onde ganhou três gauchões, e depois no Uruguai, onde se consagrou bicampeão nacional.

14º – Maicon

Posição: lateral direito
Clubes em que atuou na Itália: Inter (2006-12) e Roma (2013-)
Títulos: 5 Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Liga dos Campeões (2009-10), Mundial de Clubes (2009-10), 2 Coppa Italia (2009-10 e 2010-11) e 3 Supercopas Italianas (2006, 2008 e 2010)
Prêmios individuais: melhor defensor da Uefa (2010), time do ano Uefa (2010), FIFA/FIFPro World XI (2010) e All-Star Team Fifa da Copa do Mundo (2010)

Seis temporadas jogando em altíssimo nível colocaram Maicon na história da Inter de Milão. Lateral faz-tudo, defendendo muito bem e atacando com eficácia ímpar, ele foi essencial nas equipes vencedoras de Mancini e Mourinho e formou dupla entrosadíssima com o líder Javier Zanetti. Graças à sua explosão, ultrapassagem, entradas em diagonal, cruzamentos e um chute potente, justamente o eterno Zanetti mudou de posição (também pela idade, claro). Maicon pedia passagem, e conseguiu. Fez 20 gols pelo time e cansou de dar assistências para Eto’o e Milito marcarem os gols que levaram a Inter ao histórico triplete em 2009-10, conquistando Serie A, Coppa Italia e Liga dos Campeões – feito inédito e ainda não igualado por outro time italiano.

Em 2012, deixou o time após temporada muito ruim, decadente fisicamente, assim como muitos dos outros heróis da Tríplice coroa. Ao todo, realizou 248 partidas pela Inter, marcando decisivos 20 gols (como os golaços contra Milan, Juventus e Barcelona) e cedendo pouco mais de 50 assistências. Partiu para o Manchester City, onde não fez o mesmo sucesso, e em 2013 voltou à Itália para defender a Roma. Maicon recuperou o bom futebol e foi um dos grandes da posição no último campeonato. As boas atuações o colocaram de volta até na Seleção Brasileira, onde desbancou Dani Alves do time titular durante a Copa do Mundo.

13º – Luís Vinício

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Napoli (1955-60), Bologna (1960-62), Lanerossi Vicenza (1962-66 e 1967-68), e Inter (1966-67)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: artilheiro da Serie A 1965-66

Praticamente desconhecido no Brasil, Luís Vinícius – que virou Vinício na Itália – fez carreira no Belpaese e entra para a história do país principalmente por passagens sólidas pelo Napoli, como jogador e como treinador, e pelo Lanerossi Vicenza. Ele chamou a atenção dos napolitanos em excursão que o Botafogo fez pela Bota. Enquanto Dino da Costa acertava com a Roma, Luis Vinícius encaminhava sua transferência para o sul do país. Centroavante de bom posicionamento e finalização apurada, ele marcou 70 vezes em 152 partidas pelo clube, ocupando a 9ª posição no ranking geral de artilheiros. Não conquistou títulos, porém.

Deixou o clube para defender o Bologna e, depois, o Vicenza, onde viveu seu auge como jogador. Pelo clube, ele foi artilheiro do Campeonato Italiano de 1965-66, com 25 gols marcados. A marca impressionou até a Grande Inter, que pagou caro para ter o jogador em seu elenco. Foi coadjuvante naquela equipe por um ano e voltou para o Vicenza, onde encerrou a carreira. Apesar do bom retrospecto, o jogador nunca defendeu a seleção brasileira e recusou-se à naturalização italiana. Após pendurar as chuteiras, Vinício iniciou trabalhos como técnico e marcou seu nome no Napoli, jogando um futebol ofensivo e que levou a equipe ao terceiro lugar de 1973-74 e ao vice-campeonato, em  1974-75.

12º – Júlio César

Posição: goleiro
Clubes em que atuou na Itália: Chievo (2005) e Inter (2005-12)
Títulos: 5 Serie A (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09 e 2009-10), Liga dos Campeões (2009-10), Mundial de Clubes (2009-10), 4 Coppa Italia (2004-05, 2005-06, 2009-10 e 2010-11) e 4 Supercopas Italianas (2005, 2006, 2008 e 2010)
Prêmios individuais: Melhor goleiro da UEFA (2009-10) e Melhor goleiro da Serie A (2009 e 2010)

De todos os brasileiros que participaram das conquistas da Inter na última década, Júlio César foi o único que ganhou uma despedida pública do Giuseppe Meazza. Isso mostra a importância do goleiro brasileiro para o clube, que se tornou o principal time da Itália por cinco anos com ele defendendo a meta. Foram 300 partidas e apenas 273 gols sofridos com a camisa nerazzurra, retrospecto inferior apenas ao de Walter Zenga, maior arqueiro da história da Inter.

Na Liga dos Campeões 2009-10, o goleiro era um dos líderes do time de Mourinho e foi essencial para a conquista europeia, a maior do clube nos últimos 50 anos. Foi eleito o melhor goleiro da Europa naquela temporada e chegou à Copa do Mundo no auge de sua forma. Com a equipe de Dunga, não foi bem, mas na Inter continuou atuando em alto nível. Exceto pela desastrosa temporada 2011-12, sua última, teve ótima média debaixo do gol interista: menos de um gol sofrido por jogo. As grandes defesas e títulos lhe renderam o apelido de ‘L’Acchiappasogni’ – literalmente, “o apanhador de sonhos”.

11º – Dida

Posição: goleiro
Clube em que atuou na Itália: Milan (2000-01; 2002-10)
Títulos: 2 Mundiais Interclubes (2000 e 2007), Serie A (2003-04), Coppa Italia (2002-03), Supercoppa (2003-04), 2 Ligas dos Campeões (2002-03 e 2006-07) e 2 Supercopas da Uefa (2002-03 e 2006-07)
Prêmios individuais: Melhor goleiro da Serie A (2004); Integrante do time da FIFPro (2005); Terceiro melhor goleiro do mundo (2004); segundo melhor goleiro do mundo (2005) e melhor goleiro brasileiro do século XXI, segundo a Federação Internacional de História e Estatística de Futebol

Se no Brasil Dida é lembrado com carinho especialmente por duas torcidas (Cruzeiro e Corinthians), na Itália só os milanistas têm esse direito. O alagoano de 1,95m marcou época nos rossoneri e, mesmo após falhas consecutivas em suas últimas temporadas pelo time, ganhou o reconhecimento merecido da torcida. Se consagrou em Milão principalmente por sua habilidade em pegar pênaltis. O mais lembrado deles contra a rival Juventus, na final da Liga dos Campeões de 2002-03.

Desde então, passou a ser respeitado como um dos maiores goleiros da Europa e acumulou títulos pela equipe milanesa. Serie A, Coppa Italia, Mundal de Clubes e mais uma Liga os Campeões enchem o currículo do alagoano que hoje defende o Internacional. Pelo Diavolo, foram 302 presenças. A regularidade debaixo da meta lhe rendeu o prêmio de melhor goleiro brasileiro do século XXI, segundo a Federação Internacional de História e Estatística de Futebol.

10º – Zico

Posição: meia
Clube em que atuou na Itália: Udinese (1983-85)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: nenhum

Ídolo máximo dos flamenguistas no Brasil, Zico não precisou de muito tempo para ficar marcado também no futebol italiano. Foram só duas temporadas no Belpaese antes do retorno ao Rubro-Negro, mas o suficiente para marcar época. Zico chegou ao país idolatrado. O dono do hotel Là di Moret, em Údine, chegou a falar que parecia que estava hospedando o papa, de tanta gente que se reunia na frente do estabelecimento à espera de um aceno do craque.

Nos dois anos em que ficou na Itália, Zico teve a companhia do zagueiro Edinho, com quem duelou por muito tempo, em Fla-Flus. Na primeira temporada, o Galinho de Quintino jogou tudo que sabia e marcou 19 gols, ficando atrás apenas de Michel Platini (que jogou seis partidas a mais) no ranking de artilharia. Apesar disso, sua equipe ficou apenas na 9ª colocação. No ano seguinte, pediu reforços para lutar pelo título, mas não foi atendido. Sem títulos, ele deixou a equipe e voltou para o Flamengo. Foram 27 gols em apenas duas temporadas, feito jamais esquecido: em 2006, o jornal La Repubblica publicou uma pesquisa que apontava Zico como o maior brasileiro que já passou pelo futebol italiano, seguido por Falcão, Kaká e Careca. O mito do Galinho permanece no imaginário.

9º – Julinho Botelho

Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Fiorentina (1955-1958)
Títulos conquistados: Serie A (1955-1956) e Copa Grasshoppers (1957)
Prêmios individuais: nenhum

Julinho Botelho é um dos únicos quatro estrangeiros que ganharam espaço no Hall da Fama do museu da Fiorentina, em Florença – o sueco Kurt Hamrin e os argentinos Gabriel Batistuta e Bruno Pesaola são os outros. O lugar de honra mostra a grandeza do jogador no futebol italiano. Ponta direita de muita habilidade, chutes e dribles certeiros e cruzamentos no alvo, o atacante foi peça essencial no primeiro scudetto viola, em 1955-56, e chegou a ser comparado a Garrincha. Em 1954, foi eleito o melhor jogador do Brasil na Copa do Mundo, o que chamou atenção da viola. Na Copa seguinte, abdicou da Seleção por achar injusto um atleta que jogava no exterior representar o país.

Na Itália, a fama era tanta que, muitas vezes, ele precisava se esconder no banheiro do trem para escapar do assédio dos fãs, dizem os jornalistas mais antigos. Líder de um time que começava a aparecer mais no continente europeu após o primeiro título italiano, foi presença constante nas campanhas dos vice-campeonatos de 1956-57 e 1957-58. Até hoje, é considerado um dos maiores que já passou pela Fiorentina. Na volta ao Brasil, em 1958, defendeu o Palmeiras, onde também se tornou ídolo.

8º – Careca

Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Napoli (1987-1993)
Títulos: Copa Uefa (1988-1989), Serie A (1989-1990) e Supercoppa Italiana (1990)
Prêmios individuais: artilheiro da Copa Uefa (1989)

Careca ficará para sempre na memória dos torcedores napolitanos. Integrante do trio MaGiCa (Maradona, Giordano e Careca), o mais badalado da história do Napoli, ele não se cansou de fazer gols vestindo azzurro e conquistou fãs também por causa do bom humor. Em 1993, ele deixou a equipe como o quinto maior artilheiro da história partenopea, com 95 gols anotados. Nos últimos três anos da passagem, virou ainda mais ídolo porque segurou as pontas no time que perdeu Maradona por doping.

Na primeira temporada, deslocado para a ponta direita, Careca fez “só” 13 gols. Depois, com mais entrosamento com Maradona, deslanchou. Em 1988-89, foi o artilheiro do Napoli na Serie A com 19 gols e também liderou a tabela de tentos marcados na conquista da Copa Uefa, marcando, inclusive, na final contra o Stuttgart. Em 1989-90, venceu o scudetto e cravou o nome na história de uma vez por todas. Com a suspensão de Maradona, teve novo parceiro de ataque, Gianfranco Zola, e brilhou um pouco menos nos quase três anos restantes no clube. Em 1993, o brasileiro deixou o clube para jogar no Kashiwa Reysol, do Japão. Careca deixou o Napoli com 95 gols, em 221 partidas e, ainda hoje, é o sexto maior artilheiro da história napolitana.

7º – Jair da Costa

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Inter (1962-67 e 1968-1972) e Roma (1967-68)
Títulos: 4 Serie A (1962-63, 1964-65, 1965-66 e 1970-71), 2 Copas dos Campeões (1963-64 e 1964-65) e 2 Mundiais de Clubes (1964 e 1965)
Prêmios individuais: nenhum

Jair precisou só de dois minutos para fazer seu primeiro gol pela Inter. Logo em sua estreia, contra o Genoa, deixou sua marca e mostrou aos torcedores nerazzurri ao que veio. Nos anos seguintes, se tornou peça-chave da Grande Inter, uma das maiores equipes já montadas pelo clube. Tinha velocidade e habilidade fora do comum para atacar pelo lado direito do campo e era homem de confiança de Helenio Herrera, técnico que pediu diretamente ao presidente Angelo Moratti a sua contratação.

Dentre tantos títulos – oito de grande expressão -, os três da temporada 1964-65 foram os mais especiais para o brasileiro. Foi quando Jair esteve no auge de sua forma. A temporada fantástica foi coroada com o gol histórico da final da Copa dos Campeões, contra o Benfica. Saiu da Inter por uma temporada, para defender a Roma, mas não se destacou na capital. Voltou a vestir nerazzurro por mais quatro temporadas, antes de voltar para o Brasil. Até hoje é considerado o maior ponta-direita da história da Inter, time no qual fez 260 partidas e 69 gols.

6º – Paulo Roberto Falcão

Posição: volante
Clube em que atuou na Itália: Roma (1980-85)
Títulos: Serie A (1983) e 2 Coppa Italia (1981 e 1984)
Títulos individuais: nenhum

O apelido de Falcão já explicaria por si só o porquê da presença do jogador nessa lista: Rei de Roma. O craque brasileiro foi protagonista em anos dourados para a equipe giallorossa. A conquista do scudetto, apenas o segundo da história do time – o primeiro já completava 41 anos –, o colocou em um pedestal. Até hoje, é considerado por muitos o maior estrangeiro que já vestiu a camisa da Roma. A classe dentro de campo, a qualidade para tocar a bola e a garra com que disputava cada bola logo ganhou a torcida.

O que poucos sabem é que não foi amor à primeira vista. Falcão estava no auge de sua forma e tinha sido eleito o melhor jogador dos campeonatos brasileiros de 1978 e 1979. Mesmo assim, não ganhou recepção calorosa no aeroporto da capital italiana, como é costume na Bota quando grandes ídolos aterrissam. Isso porque eram sondados nomes como Zico e Rivelino, mais famosos entre os amantes da bola no Belpaese. Os números ao fim da passagem de cinco anos mostraram o tanto que os torcedores estavam errados. Falcão foi contratado para alavancar a equipe, e assim o fez. Transformou um time inofensivo no principal adversário da Juventus em solo italiano, além de um rival a ser batido na Europa. Em cinco temporadas, ganhou três títulos, um punhado de vices e fez a Roma conhecida mundialmente. Um ícone romanista.

5º – Cafu

Posição: meia
Clubes em que atuou na Itália: Roma (1997-2003) e Milan (2003-2008)
Títulos: 2 Serie A (2000-01 e 2003-04), 2 Supercoppa Italia (2001 e 2004), Liga dos Campeões (2006-07), 2 Supercopas Europeias (2003 e 2004) e Mundial Interclubes (2007)
Prêmios individuais: nenhum

Cafu se tornou ídolo em dois clubes rivais na Itália. Romanistas e milanistas não poupam elogios ao craque do Jardim Irene, um dos maiores laterais direitos que já passaram pelo futebol italiano. Chegou em Roma em 1997 após dois anos de brilho no Palmeiras e logo encantou os torcedores, mesmo sem conseguir títulos. Seu vigor físico lhe rendeu o apelido de Pendolino (algo como “Trem expresso”), por causa das subidas ao ataque e recomposições à defesa em grande velocidade.

Após três temporadas, viu Fabio Capello assumir o time e mudar sua posição em campo. No 3-5-2, Cafu virou ala e, ao lado de um Totti que voava, participou ativamente na campanha do terceiro e mais recente scudetto da Roma. Foi devastante nas seis temporadas em que esteve na Cidade Eterna e também é lembrado por uma sequência de chapéus em Pavel Nedved em um dérbi contra a Lazio. Aos 33 anos, partiu para o Milan e também marcou época, com conquistas ainda maiores, como a Liga dos Campeões da temporada 2006-07, quando foi destaque, e também o Mundial de Clubes, vencido após os rossoneri voltarem ao topo da Europa. Encerrou a carreira no Diavolo e com direito a gol na partida de despedida, contra a Udinese.

4º – Aldair

Posição: zagueiro
Clubes em que atuou na Itália: Roma (1990-2003) e Genoa (2003-04)
Títulos: Coppa Italia (1990-91), Serie A (2000-01) e Supercopa italiana (2001)
Prêmios individuais: nenhum

Aldair chegou ao futebol italiano sob desconfiança geral. Jogadores, torcida e imprensa questionavam se a Roma precisava mesmo gastar o alto valor de 6 bilhões de liras por um zagueiro, em um tempo em que o futebol italiano ainda produzia os melhores da posição. Mas o brasileiro tinha um fã de respeito: o presidente romanista Dino Viola bancou a contratação e foi a Lisboa para acertar o contrato pessoalmente e tirou o jogador do Benfica, onde havia sido vice-campeão europeu. Viola não se arrependeu. Aldair foi um dos brasileiros com passagem mais positiva pela Bota. Conquistou o respeito de todos e foi símbolo de uma Roma que voltou a ganhar a Serie A após quase 20 anos. Aldair, assim como Cerezo, ficou conhecido pelo apelido Pluto.

Só de ter sobrevivido aos esquemas suicidas de Zdenek Zeman já merece respeito. Começou jogando como lateral direito e não foi bem. Mesmo assim, era titular e nunca saiu vaiado de campo. A partir de sua segunda temporada, mostrou a elegância com a bola nos pés, com passes de canhota que muitos meias nem sonham em dar, e a eficiência para roubar a bola dos adversários. Após mais e 10 anos de titularidade e três títulos, ele deixou a Roma e teve sua camisa 6 aposentada. Só foi realocada na temporada passada, quando a direção da Roma entrou em contato para pedir autorização para cedê-la a Kevin Strootman.

3º – Ronaldo

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Inter (1997-2002) e Milan (2007-08)
Títulos: Copa Uefa (1997-98) e Recopa Europeia (1996-97)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (1997), Melhor Jogador do Mundo Fifa (1997), Jogador do Ano World Soccer (1997), Melhor Jogador da Copa (1998), Seleção da Copa (1998 e 2002), Atacante do Ano da Uefa (1998), Jogador do Ano da Uefa (1998), Oscar del Calcio: Melhor jogador estrangeiro (1998), Oscar del Calcio: Melhor jogador (1998), Artilheiro da Copa América (1999), Artilheiro da Copa do Mundo (2002) e Integrante da lista Fifa 100

Muitos dos jogadores listados acima ganharam mais títulos que Ronaldo no período em que jogaram na Itália. Mas nenhum deles encantou tanto quanto o Fenômeno. As arrancadas incríveis, gols espetaculares, dribles desconcertantes e voltas por cima marcaram uma geração. Todos queriam ser Ronaldo. Não importa que ele não tenha dado uma Serie A à Inter – ficou no quase, duas vezes. Ele era o melhor jogador do mundo, no auge de sua forma, ali, ao alcance dos olhos dos torcedores.

Os nerazzurri pagaram 25 milhões de dólares ao Barcelona para contar com aquele futebol. E teve o melhor dele por duas temporadas: foram 34 gols em 47 jogos em 1997-98. No ano seguinte, balançou as redes 15 vezes em 28 jogos. Depois, as lesões atrapalharam. Mas não existe interista que se esqueça daquela apresentação na final da Copa da Uefa de 1997-98, para muitos a melhor de Ronaldo pelo clube. O título foi a cereja no bolo. Pela Inter, foram 59 gols em 99 jogos, 34 deles só em 1997-98, seu auge com a camisa nerazzurra. Na Serie A, 49 em 68, média de 0,72, superior a Meazza, Boninsegna, Altobelli e até Vieri, que o substituiu. Com a camisa nerazzurra, só ele e Matthäus foram eleitos como melhores do mundo. Depois de passar quase cinco anos no Real Madrid, voltou à Bota para defender o Milan. Começou bem, com sete gols em 14 jogos, mas outra série consecutiva de lesões atrapalhou o sucesso maior. Nada capaz de apagar o brilho de um dos maiores atacantes de todos os tempos.

2º – Kaká

Posição: meia
Clube em que atuou na Itália: Milan (2003-09 e 2013-14)
Títulos: Serie A (2003-04), Liga dos Campeões (2006-07), Mundial de Clubes (2007), Supercopa da Uefa (2003 e 2007) e Supercopa Italiana (2004)
Prêmios individuais: 5 Oscar do Calcio (3 de melhor estrangeiro – 2004, 2006 e 2007; e 2 de melhor jogador – 2004 e 2007); 3 prêmios de melhor jogador da Uefa (2005 e 2007 – duas vezes Melhor atacante e uma vez melhor jogador); Integrante do time da FIFPro (2006, 2007 e 2008); Integrante do time do ano da Uefa (2006, 2007 e 2008); Artilheiro da Liga dos Campeões (2006-07); Bola de ouro (2007); Melhor jogador do Mundial de Clubes (2007); Melhor jogador do Mundo pela Fifa (2007), Onze d’or (2007); Jogador do ano pela World Soccer (2007)

A história de amor dos torcedores do Milan por Kaká começou cedo: ainda em sua primeira temporada no clube, em 2003, o jovem meia superou Rui Costa e Rivaldo em número de camisas vendidas. Ali já dava para perceber o surgimento de um novo xodó rossonero. Logo em seu primeiro dérbi de Milão, peitou Kily González e marcou um gol na vitória por 3 a 1. Nos anos seguintes, se tornou o ídolo máximo do time, sendo essencial para a conquista mais importante do clube nos últimos anos, a Liga dos Campeões de 2007.

Jogando seu melhor futebol, ele conduziu o Milan ao título europeu histórico daquele ano, mesmo após a punição que o clube sofreu por envolvimento no Calciocaos. Na final, mereceu todos os aplausos possíveis por fazer a equipe italiana ir à forra diante do Liverpool, em vitória por 2 a 1 – dois anos antes, os rossoneri haviam deixado os Reds empatarem uma partida que estava 3 a 0 e perderam nos pênaltis. Com 10 gols, Kaká foi o artilheiro e o melhor jogador da competição. As atuações memoráveis, com arrancadas imparáveis pelo meio e chutes incríveis do meio da rua, lhe renderam o título de melhor jogador do mundo em 2007. O assédio de grandes clubes europeus aumentou e ele conquistou a torcida de novo após recusar ofertas seguidas. Duas vezes, multidões se reuniram na frente de sua casa em Milão para convencê-lo a ficar. Saiu para o Real Madrid em 2009, mas voltou na temporada passada, 2013-14, para fazer campeonato regular com o Milan. Com mais de 300 partidas pelo Diavolo, já não precisava provar mais nada e deixou o clube idolatrado, para acertar seu retorno ao futebol brasileiro.

1º – José Altafini

Posição: atacante
Clubes em que atuou na Itália: Milan (1958-65), Napoli (1965-72) e Juventus (1972-76)
Títulos: 4 Serie A (1958-59, 1961-62, 1972-73, e 1974-75) e Copa dos Campeões (1962-1963)
Prêmios individuais: Artilheiro da Serie A (1961-62), artilheiro da Copa dos Campeões (1962-63) e artilheiro da Coppa Italia (1960-1961)

Foram 18 anos de carreira na Itália, a maioria de muito sucesso e grande identificação com os clubes. Defendeu a Squadra Azzurra em uma Copa do Mundo e a seleção brasileira em outra, na qual ajudou o Brasil a ficar com o primeiro de seus títulos. O caso de amor dura até hoje: mesmo tendo encerrado a carreira há mais de 30 anos, José Altafini – ou Mazola – não deixou o país. Mora na Itália até hoje, onde é comentarista de futebol respeitado. O espaço que conquistou não é obra do acaso. Altafini foi um dos maiores goleadores da década de 1960, acumulando marcas, fãs e títulos por onde passava.

Chegou ao Milan após a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Jogou só as primeiras partidas daquele Mundial – perdeu a vaga para Pelé –, mas o suficiente para chamar atenção de clubes europeus. Pelos rossoneri, nas mais de 240 partidas com o clube, foi artilheiro do campeonato italiano em três oportunidades. Deixou Milão após duas Serie A e uma Copa dos Campeões nas costas (e 161 gols em 246 jogos). Altafini foi, ainda, até a temporada 2011-2012, o maior artilheiro de uma mesma edição de Copa/Liga dos Campeões. Rumou para Nápoles e, vestindo azzurro, não ganhou títulos, mas somou mais 97 gols em sete temporadas. As boas atuações o levaram para a Juventus, onde conquistou mais dois campeonatos italianos, sempre exibindo muita velocidade e precisão nas finalizações. Até hoje, Altafini é o quarto maior artilheiro da história da Serie A, com 216 gols, empatado com Giuseppe Meazza. Nenhum estrangeiro marcou tantos gols quanto ele. E, por isso, o nosso Mazzola é o maior brasileiro que pisou nos campos da Itália.

2 comentários

  • Apesar de respeitar a opinião de todos vocês, sinceramente, não consigo entender Maicon muito atrás de Cafu e Júlio Cesar atrás de Dida. Além disso, Adriano tão mal ranqueado e Zico apenas em 10º? O que justificaria Zico em 10º e Ronaldo em 3º?

  • Só uma correção, senhores: Leonardo voltou ao São Paulo porque queria passar pelos 2 clubes em que jogou no Brasil antes de encerrar a carreira(tanto que, após isso jogou no Flamengo também). Sua equipe de coração, pelo menos de acordo com o mesmo, é o Flamengo e não o tricolor paulista.

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