Liga dos Campeões

A melhor Juventus na Europa

Juve deu show na melhor apresentação internacional nos últimos três anos (Foto: LaPresse)

Nas três temporadas em que a Juventus foi treinada por Antonio Conte, duas apresentações em 22 foram realmente boas em partidas europeias – os confrontos contra Chelsea, em casa, e Celtic, fora, em 2012. É possível discutir se qualquer uma delas foi tão boa quanto os 3 a 0 desta quarta-feira ante o Borussia Dortmund, no Signal Iduna Park. A partida marcou o avanço às quartas de final do, por enquanto, melhor time da Itália.

A primeira quinzena de março foi um período para o técnico Massimiliano Allegri frisar aos jogadores que eles tinham de manter os pés no chão. O empate contra a Roma e a derrota para a Fiorentina, na Coppa Italia, ligaram um sinal de alerta antes das vitórias simples contra ante Sassuolo e Palermo. O 1 a 0, para o treinador, significa bastante. É o método de dizer: “ei, nada está vencido. Deem o máximo até o final”.

O comandante queria atacar o Dortmund na Alemanha. Blefou. Omitiu informações porque a Juventus foi ofensiva e efetiva nos momentos certos e, essencialmente, soube se defender com a ausência de dois titulares. Pirlo ficaria apenas 20 dias fora da equipe, mas não foi liberado para jogar na Liga; Pogba voltou a sentir uma lesão no joelho (ele foi poupado contra a Roma) e saiu de campo ainda no primeiro tempo com suspeita de lesão muscular.

Tévez aproveitou um desarme no campo de ataque para dar a vantagem a Juventus logo no terceiro minuto – e com um pequeno auxílio de Weindenfeller. Postada então com quatro zagueiros, Marchisio jogou à Pirlo e Vidal e Pereyra inverteram as posições para dar mobilidade e fluidez à saída de bola. Defensivamente, ora Tévez, ora Morata faziam a recomposição. O veloz ataque adversário, com Kampl, Mkhitaryan, Reus e Aubameyang, foi completamente dominado pela defesa bianconera. A entrada de Barzagli, então, foi a nova camada de cimento no muro intransponível em Dortmund.

O Borussia mal atacou, é verdade. Para se ter uma ideia, Kampl foi o jogador mais incisivo da equipe por mais de 50 minutos – ele sequer chegou perto de marcar gol. Um chute de longa distância de Subotic, na etapa final, foi o único momento de sufoco que Buffon passou. O time alemão bem que tentou pressionar, porém, simplesmente não conseguia passar pela defesa perfeitamente executada pelos comandados de Allegri. Apenas em contra-ataques, Morata parou em duas ótimas defesas de Weindenfeller antes de tocar para o fundo do gol após passe de Tévez. O argentino ainda deu números finais ao confronto com toque de Pereyra, outro jogador fundamental para a ofensiva da Velha Senhora na Alemanha.

A Juventus ainda teria dificuldades em vencer a Liga dos Campeões porque não tem o time mais qualificado entre os que ainda continuam lutando pelo título. Barcelona, Bayern de Munique, Real Madrid, PSG e Atlético estão à frente. Contudo, o clube italiano mostrou que o trabalho colossal realizado em nível nacional com Conte foi repensado por Allegri. E esse treinador representa o futuro de uma equipe cada vez mais preparada para reintegrar o principal escalão do Velho Continente.

A cena do técnico Jürgen Klopp deixando o Signal Iduna Park a pé, depois do confronto, traduz o que ele disse na entrevista coletiva: “perdemos para um time muito superior ao nosso”. Com Conte, a Juve era forte na Itália. Com Allegri, a Juve está chata, perigosa e sedenta para melhorar também em nível continental.

Borussia Dortmund 0-3 Juventus (no agregado, 1-5)

Borussia Dortmund: Weidenfeller, Sokratis, Subotic, Hummels e Schmelzer (46′ Kirch); Bender (63′ Ramos), Gundogan e Mkhitaryan (63′ Kuba); Kampl, Reus e Aubameyang. T: Jurgen Klopp

Juventus: Buffon, Lichtsteiner, Bonucci, Chiellini e Evra; Vidal, Marchisio, Pogba (27′ Barzagli); Pereyra; Tévez (81′ Pepe) e Morata (78′ Matri). T: Massimiliano Allegri

Gols: Tévez (3′ e 79′) e Morata (70′)

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