Serie A

33ª rodada: O último trem

Renascimento de Podolski e combinação de resultados aproximaram Inter de sonho europeu (Caught Offside)

Com o título praticamente definido – a Juventus tem grandes chances de assegurá-lo já na próxima rodada –, a grande diversão deste estágio da Serie A é a briga por vagas europeias. Nesta rodada, o Napoli tropeçou e deixou Lazio e Roma com a faca e o queijo na mão para ficarem com as duas restantes para a Liga dos Campeões. Para a Liga Europa, os seguidos tropeços de Sampdoria e Fiorentina abriram a disputa para mais equipes e, hoje, Genoa, Torino e até mesmo a Inter sonham com a possibilidade de atuar às quintas-feiras pela competição continental de 2015-16. Quem pegará o último trem para a Europa?

Udinese 1-2 Inter
Na partida que abriu a rodada, nesta terça, a Inter sofreu mais do que o esperado para bater a Udinese, fora de casa. A equipe treinada por Roberto Mancini teve dois jogadores a mais por pouco mais de 30 minutos e mesmo assim quase cedeu o empate aos donos da casa. Após se safar nos últimos minutos, o time de Milão ainda contou com alguns resultados favoráveis na rodada e, hoje, ainda está vivo na briga por uma vaga na Liga Europa. São dois pontos atrás do Genoa, sexto colocado, e cinco atrás da Sampdoria, quinta. O plano para as cinco últimas rodadas do campeonato é um só: vencer e secar os rivais.

Contra uma Udinese que não tem mais nenhum objetivo na temporada, senão os pessoais do artilheiro Di Natale, a Inter só decidiu o jogo na segunda etapa. Após a expulsão de Domizzi, ainda no primeiro tempo, a Beneamata cresceu, com um Hernanes em boa forma. Mas o primeiro gol, de Icardi, só aconteceu depois que o árbitro Rocchi assinalou pênalti duvidoso em Kovacic. Enquanto Icardi chegava aos 18 gols na temporada, Di Natale buscava uma marca emocional: para presentear seu pai, queria ultrapassar Roberto Baggio na artilharia geral da Serie A. Contra a Inter, o artilheiro igualou o mito: são 205 gols marcados na primeira divisão. Porém, logo depois ele teve de ser substituído, graças a uma expulsão boba de Badu, por tentativa de agressão ao árbitro. O jogo ficou fácil para a Inter, que marcou o segundo com Podolski – um golaço, o primeiro do alemão pelo clube. Com tanta facilidade, a Inter poderia ter ampliado, mas começou a jogar mal, o que irritou seu técnico. Não fosse bola salvada por D’Ambrosio, no fim, o time teria perdido pontos vitais. (Nelson Oliveira)

Juventus 3-2 Fiorentina
Em um dos jogos mais emocionantes
da rodada, a Juventus venceu, porém, teve a festa do título adiada.
Salah e Llorente tiveram suas chances no início da partida, mas somente
Rodríguez conseguiu vazar um dos goleiros. Depois que Pirlo derrubou
Joaquín na área, o zagueiro converteu o primeiro pênalti da Fiorentina
na temporada – após quatro erros. Na sequência, no entanto, Llorente foi à rede após cobrança de falta de Pirlo. Uma infração
bastante polêmica marcada pelo árbitro Luca Banti, diga-se.

Mesmo
que Neto tenha feito uma defesa maravilhosa para salvar um gol de Evra,
ele nada pode fazer na cabeçada de Tévez para virar o jogo. O argentino
balançou a rede da Arena Juventus em mais uma oportunidade, já no
segundo tempo, poucos minutos depois de Rodríguez errar outra cobrança
de penalidade. Destaque para Joaquín, mais uma vez envolvido na falta
dentro da área. Ilicic decretou o resultado final após uma falta
perfeita. O resultado deixa a Fiorentina bastante questionada: afinal, é a quarta derrota seguida do time, que permitiu a aproximação de outras equipes, que estão mais motivadas na busca de uma vaga na Liga Europa. (Murillo Moret)

Empoli 4-2 Napoli
No encerramento da
rodada, o Empoli recebeu o Napoli. Porém, em campo viu-se um time só.
Irreconhecível, o time de Rafa Benítez foi dominado pelo time de Maurizio Sarri, que foi
eficiente, dominou o time napolitano e soube aproveitar bem as
oportunidades. Na primeira etapa, os 11 minutos de posse de bola toscana se
refletiram em três gols, em que o time se valeu da fragilidade da defesa e do inócuo
ataque adversário. O Napoli, embora com força máxima, não conseguiu ser produtivo.
Higuaín isolado na frente pouco fez e o trio de meio campo não conseguia
uma simples troca de passes.

A vantagem do Empoli começou a ser
construída logo aos quatro minutos, com Maccarone, que tabelou com
Pucciarelli e chutou forte para bater o goleiro Andújar. Depois de
controlar as ações durante mais de 30 minutos e mostrar-se mais
eficiente, o time da casa chegou ao segundo gol já nos minutos finais.
Saponara cruzou e uma trapalhada de Andújar com Britos colocou a bola
na rede napolitana. Ainda deu tempo para Saponara fazer o terceiro e
fechar o primeiro tempo com a vitória praticamente consolidada. Na
volta, Benítez mudou sua equipe, mas pouco conseguiu fazer. Não à toa o
primeiro gol partenopeu só saiu após Laurini colocar contra a própria
meta. Quando o Napoli ensaiava uma pressão, Albiol marcou
o terceiro gol contra do jogo (algo assim não acontecia na Serie A desde 1995) e consolidou a vitória do Empoli. Hamsík, já nos acréscimos, fez
o segundo, que de nada adiantou. O resultado afastou a chance
napolitana de alcançar a terceira colocação. Agora a equipe fica cinco pontos atrás da Roma e cinco à frente da Sampdoria – o que torna a quarta posição cada vez mais possível para a equipe. O resultado praticamente garantiu o Empoli na Serie A em 2015-16. (Caio
Dellagiustina)

Milan 1-3 Genoa
O Milan continua acumulando
micos nesse campeonato e já chega ao quarto jogo consecutivo sem vencer.
Dessa vez, a derrota foi para o Genoa – para quem não perdia em casa
desde 1958 – e marcou o esgotamento da paciência dos torcedores com a
equipe, atual 10ª colocada da Serie A. Em um dos momentos mais marcantes
da rodada, os organizados do clube fizeram mosaico humano na
arquibancada formando a palavra “basta”, em protesto contra o péssimo
momento do time, que negocia sua venda nos bastidores e parece pouco se
preocupar com as questões de dentro de campo.

Talvez por isso,
Inzaghi tenha ganhado mais alguns dias no comando do time. O técnico faz
trabalho ruim e não consegue nem dar padrão de jogo ao já limitado
elenco. Contra o Genoa, a equipe saiu perdendo, depois que Bertolacci
fez 1 a 0, no fim do primeiro tempo, e ainda tomou golpe durou logo na
volta do intervalo, quando Niang fez 2 a 0, aos quatro minutos. No primeiro tempo, poderia ter sido um massacre, visto que Diego López fez defesas incríveis. Mexès
diminuiu aos 21 do segundo tempo, os rossoneri melhoraram em campo e até tiveram chance
de empatar o jogo, mas Ménez foi expulso aos 27, no melhor momento dos
donos da casa no jogo, e acabou atrapalhando tudo. Iago fez 3 a 1, de
pênalti, no finzinho. Ao mesmo tempo que afundou o Milan em sua crise
interna, o Genoa festejou a vitória que o coloca de vez na briga por
vaga na Liga Europa. A disputa contra a principal rival, Sampdoria,
promete ser boa nesse fim de campeonato. (Rodrigo Antonelli)

Sampdoria 1-1 Verona
Mais
uma rodada e a Sampdoria – como a Fiorentina – novamente tropeçou, dando outra oportunidade
para Genoa, Torino e Inter chegarem à Europa, depois de estarem quase desacreditados. Agora são
apenas três pontos entre os blucerchiati e Torino e Inter: duas vagas para
cinco times e mais cinco rodadas pela frente. E o Verona, depois de
tanto tempo “morto” no campeonato, volta a fazer graça sob o ritmo do
goleador Toni, agora com 18 gols. Com 40 pontos garantidos, a equipe não tem mais chances de ser rebaixada.

Samp
e Verona não fizeram um dos jogos mais bonitos da história. O primeiro tempo não teve grandes oportunidades de gol, mas o domínio foi dos donos da casa, mais
perigosos. Superior e em busca da vitória também na segunda etapa, o
time de Mihajlovic ainda teve que superar a expulsão boba de Acquah,
que recebeu o segundo amarelo por mão na bola. E o fez. Dez minutos
depois, aos 65 minutos, contra-ataque de manual: partindo da meia-lua,
Muriel usou todo o gás que vinha reservando há dois anos e, acompanhado
de De Silvestri e Bergessio, tocou para o lateral abrir o placar. Porém,
no ataque seguinte, os defensores dorianos cometeram erro capital e
deixaram Toni livre na área para receber de Nico López e empatar ao seu
jeito, sempre desengonçado, mas sempre decisivo e artilheiro. Mesmo com a
pressão posterior, a Sampdoria não conseguiu voltar a mexer no placar, e
teve que se contentar com outro tropeço. (Arthur Barcelos)

Palermo 2-2 Torino
O
Torino perdeu a chance de se aproximar ainda mais da zona de
classificação aos campeonatos europeus depois que um gol foi invalidado
nos minutos finais. Em dez minutos, o Palermo já vencia por 1 a 0,
depois que Vitiello, de voleio, desviou o cruzamento de Dybala. Bruno
Peres empatou logo na sequência, depois que colocou o pé na finalização
torta de Quagliarella. De um lado, Sorrentino fez boa defesa para frear
Martínez; do outro, Rigoni marcou depois de cruzamento de Lazaar.

Depois disso, Dybala
não conseguiu chegar a tempo para desviar o lançamento de Vázquez, já
sem goleiro. Noutra oportunidade, Sorrentino fez outra boa defesa em
finalização de Máxi López. O argentino, no entanto, marcou o gol de
empate e, nos minutos finais, teve um gol negado pelo arbitragem. Andrea
Gervasoni marcou falta de ataque (bastante contestada) de Maxi em
Vitiello pouco antes de a bola passar a linha do gol. (MM)

Lazio 4-0 Parma
A
Lazio não deu mole e venceu o falido – e agora
matematicamente rebaixado – Parma, adiando o título da Juventus em mais uma
rodada. No Olímpico, o time da casa não teve a menor dificuldade contra
os emilianos e em apenas 15 minutos já havia decidido a partida. Parolo
fez aos 10, em chute de 25 metros; Klose abriu 2 a 0, três minutos
depois, aproveitando rebote; e Candreva ampliou para 3 a 0 aos 16
minutos do primeiro tempo, praticamente liquidando a fatura.

Com
os três gols-relâmpago, a partida perdeu em intensidade e a Lazio só
voltou a assustar em três oportunidades: duas no fim da etapa inicial,
com Candreva e Felipe Anderson, e outra no segundo tempo, que resultou
no primeiro gol de Keita nesse campeonato. O Parma melhorou um pouco na
etapa final e exigiu defesas de Marchetti pelo menos duas vezes, mas foi
só. Com 16 pontos marcados em 33 jogos, a equipe crociata está
matematicamente rebaixada à Serie B. A Lazio, por sua vez, permanece
firme na vice-liderança. (RA)

Sassuolo 0-3 Roma
Seguindo o
ritmo da última rodada, a Serie A teve uma rodada de meio de semana
movimentada em gols e expulsões, mas também contou com golaços. Um deles
saiu dos pés de Florenzi, que garantiu vantagem para a Roma fora de casa. Enfim a equipe voltou a vencer, depois de três partidas e a segunda posição
perdida. Apesar de a rival Lazio também ter vencido e ter um ponto de
vantagem, o Napoli tropeçou e a margem de cinco pontos para os azzurri, faltando cinco
rodadas, é boa. O Sassuolo, com seus 36 pontos, precisa de apenas
tropeços de Cagliari e Cesena na próxima rodada para confirmar a
permanência na elite, o que está longe de diminuir a decepção daqueles que achavam que o time faria uma campanha melhor nesta temporada.

Para não dar margem a mais uma romada, os
giallorossi abriram o placar cedo. Com cinco minutos, Pjanic cruzou e
Doumbia acertou potente cabeçada para marcar seu primeiro gol na Itália.
Em jogo morno em termos de chances de gol, somente aos 27 a rede
voltaria a balançar. Agora lateral-direito, Florenzi fez jogada pessoal e
chutou de longe, relembrando seu companheiro Maicon
e marcando um dos golaços da rodada. Buscando diminuir o prejuízo, os
donos da casa correram atrás no segundo tempo, porém, depois de 20
minutos de pressão e sem jamais passar por De Sanctis, Gervinho
encontrou Pjanic na pequena área, livre, leve e solto para ampliar a
vantagem e decretar o placar final. (AB)

Chievo 1-0 Cagliari
O organizado e pragmático Chievo de Rolando Maran garantiu mais uma permanência na elite – a sétima consecutiva. Identificado com o clube como jogador, já que atuou 11 anos pelos clivensi, o técnico pode dar um presente à torcida com bastante tempo de antecedência, mesmo com um time que marca poucos gols (apenas 25, o pior ataque da Serie A), mas que sofre poucos também (33, média de um por jogo, a quarta melhor do campeonato). As cinco rodadas que virão por aí serão para cumprir tabela, e o torcedor certamente está feliz com isso.

Diante do Cagliari, os gialloblù fizeram o seu jogo de sempre. Meio-campo povoado, muita dedicação e força física e um posicionamento tático quase impecável. Mesmo animado após a ótima vitória por 3 a 1 contra a Fiorentina, em nenhum momento o time sardo ameaçou conseguir a vitória. Os três pontos que definiram o destino do Chievo chegaram graças a um gol de Meggiorini, logo aos 11 minutos de jogo. Nos minutos finais, o Cagliari ainda teve as expulsões de Murru e Cossu, que desfalcarão o elenco contra o Parma. (NO)

Cesena 2-2 Atalanta

A Atalanta cedeu uma penca de jogadores para o Cesena nesta temporada. Na disputa entre os times “A e B”, tudo igual. Visitante incômoda, a equipe nerazzurra quase saiu com a vitória, mas o empate já é bom para as pretensões de permanência na elite. Uma vitória praticamente daria o veredito dos rebaixados na Serie A, mas a igualdade manteve o time com oito pontos de vantagem sobre o Cesena e a zona de rebaixamento. Só um desastre leva a Atalanta para a Serie B, para onde deverão mesmo ir Cagliari e Cesena, juntamente ao já rebaixado Parma.

Gols apenas no segundo tempo no Dino Manuzzi. Primeiro, Pinilla aproveitou uma falha da defesa bianconera e só empurrou para as redes. Só que o Cesena virou em pouco tempo: Brienza, de pênalti, e Carbonero, com belo gol, anotaram. Mas, já nos minutos finais, Pinilla apareceu novamente e marcou mais um golaço de bicicleta nesta temporada. (NO)

Relembre a 32ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui

Seleção da rodada

Diego López (Milan); Florenzi (Roma), Cesar (Chievo), Ciani (Lazio), D’Ambrosio (Inter); Candreva (Lazio), Bertolacci (Genoa), Parolo (Lazio), Saponara (Empoli); Tévez (Juventus), Pinilla (Atalanta). Técnico: Gian Piero Gasperini (Genoa).

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