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Dino Baggio foi além do sobrenome famoso e construiu trajetória sólida

Durante toda sua carreira, Dino Baggio jogou com o fardo de carregar o sobrenome de um dos melhores jogadores de sua geração, Roberto Baggio. Um sobrenome que apenas 1500 pessoas na Itália possuem, segundo estimativas. Qualquer semelhança, porém, parava por aí. Os dois não tinham parentesco algum, atuavam em posições diferentes e tinham futebol incomparável, até por isso. Mesmo assim, Dino passou toda sua carreira marcada pelas insólitas alcunhas de “O outro Baggio” ou “Baggio 2”. Um pecado para quem era muito bom na função de meio-campista defensivo. Ao longo de sua carreira, Dino tentou não ficar à sombra de seu homônimo e também construiu uma carreira de enorme sucesso, que teve como auge as participações nos Mundiais de 1994 e 1998.

Enquanto Roberto Baggio era nome certo na Copa de 1990 acabara de negociar seu passe com a Juventus, após um brilhante início de carreira, Dino era promovido à equipe adulta do arquirrival, o Torino, após 6 anos de categorias de base. Dotado de uma raça incontestável e forte fisicamente, Dino logo se tornou peça fundamental no meio campo granata que acabara de retornar à primeira divisão italiana. Ele chegou a atuar na campanha campeã da Serie B, em 1989-90, mas foi ter sua chance como titular aos 19 anos, graças a Emiliano Mondonico, já na temporada 1990-91.

Dino Baggio era um jogador perfeito para o futebol proposto por Mondo. Ele se doava pelo time, caçava tornozelos sem cerimônia e fazia isso com tamanho sucesso a ponto de ser o responsável por proteger toda a defesa do time, mesmo tão jovem. Dino também contribuía com o ataque, principalmente porque era também dono de uma habilidade sem igual no jogo aéreo (com seu 1,88m) e responsável por chutes precisos de longa distância.

Os Baggios na seleção (Getty)

Em pouco tempo, o Torino tornou-se pequeno demais para um futebol de tanto destaque. Após sua primeira temporada como profissional, Dino Baggio foi contratado pela Juventus, mas acabou indo para a Inter, por empréstimo de uma temporada. Com apenas 20 anos, não se intimidou com a concorrência e companhias de peso, como Zenga, Brehme, Beppe Baresi, Matthäus e Klinsmann, assumindo o posto de cão de guarda da equipe interista.

Foram 27 jogos, mas a Inter não fez uma grande campanha. No entanto, foi o suficiente para que a Juventus quisesse integrar Dino Baggio em seu elenco para a temporada 1992-93. Ao lado de seu xará, Dino mais uma vez se firmou, enfrentando alguma resistência da torcida por causa de seu passado em Torino e Inter. Em campo, não enfrentou dificuldades, jogando ao lado de Conte. Nos bianconeri, foi um dos protagonistas do título da Copa Uefa, anotando gols nos dois jogos da final contra o Borussia Dortmund: um na ida, um 3 a 1 em Dortmund, e dois na volta, no 3 a 0 de Turim. Foram duas temporadas atuando pela Juve antes de ser comprado pelo endinheirado Parma, por 14 bilhões de liras e um dos maiores salários da época.

Antes de chegar à Parma, porém, Dino Baggio se tornou mundialmente conhecido. O volante, que já fazia parte da seleção italiana desde 1991, superou as lesões que sofreu em 1993-94 e participou da Copa do Mundo de 1994. Seu estilo de jogo coletivo e de trabalho duro sempre agradou Arrigo Sacchi, que confiou nele mesmo assim. Por isso, Dino atuou em todas as sete partidas da Itália no Mundial e foi fundamental na campanha da Squadra Azzurra: fez o gol da vitória contra a Noruega, na segunda partida da primeira fase, e contra a Espanha, nas quartas de final.

Um episódio no Mundial talvez tenha sido uma das poucas vezes em que Dino ficou à frente de Roberto. Contra a Noruega, a Itália precisava vencer para seguir viva na Copa, já que havia perdido para a Irlanda na estreia. Aos 21 minutos de jogo, Pagliuca foi expulso e Sacchi substituiu Roberto Baggio, que deixou o campo esbravejando. No segundo tempo, com uma de suas inserções perfeitas no ataque, marcou o gol da vitória por 1 a 0. Contra a Espanha, ele abriu o placar, de fora da área, Caminero empatou e foi Roberto Baggio quem decidiu o confronto, no final.

De volta ao Campeonato Italiano, ao lado de outras estrelas como Cannavaro, Crespo e Buffon, fez história nos crociati. Logo no primeiro ano, Baggio mostrou sua estrela e fez valer a lei do ex na final da Copa Uefa. Diante da Juventus, com 5 minutos de jogo, anotou o gol da vitória por 1 a 0. Na partida de volta, foi ele quem deu o gol de empate que definiu o título gialloblù.

Dino Baggio jogou no Parma por seis anos, em mais de 170 partidas, e foi titular com os três técnicos do período – Nevio Scala, Carlo Ancelotti e Alberto Malesani. No entanto, ele sempre viu fracassadas as chances da equipe conquistar o inédito scudetto – o máximo que conseguiu foi um vice-campeonato. Porém, Dino Baggio foi parte integrante do mais virtuoso ciclo da história parmense, e fez parte do vitorioso time campeão de duas Copas Uefa, uma Coppa Italia e uma Supercoppa Italiana. Titular também na seleção, pela qual também jogou a Euro 1996 e a Copa de 1998, Dino foi, durante boa parte da década, um dos melhores volantes da época.

Por clubes, Baggio teve seu auge com a camisa do Parma (Getty)

Recentemente, em uma entrevista, o volante afirmou que um time como o Parma jamais conquistaria o scudetto naquela época, porque haviam outras coisas envolvidas. Dino Baggio também é lembrado por outra polêmica: um gesto após uma expulsão num confronto contra a Juve que quase comprometeu sua carreira. Naquela oportunidade, uma falta simples em Zambrotta rendeu-lhe o cartão vermelho. Nervoso, Baggio esfregou os dedos, como se o árbitro Stefano Farina estivesse “comprado”. Mal sabia ele que, anos depois, o escândalo do Calciopoli viria à tona, com Farina entre os envolvidos.

Em 2000, depois de ser esquecido por Dino Zoff na convocação para a Eurocopa, foi vendido à Lazio, que aproveitou o início da decadência financeira do Parma para acrescentar qualidade ao meio-campo campeão italiano. Na capital, porém, Baggio não era unanimidade e ficou três anos apenas como uma opção à Simeone, Stankovic e Verón. Já com mais de 30 anos, pediu para ser emprestado ao Blackburn e depois ao Ancona, em passagens rápidas e sem destaque. Em seu último ano de carreira, disputou a segunda divisão pela Triestina, mas encerrou a temporada com apenas três jogos. Ao todo, em cinco anos, Baggio disputou somente 67 partidas.

Parado por dois anos, Dino Baggio retornou ao futebol em 2008 para jogar pelo time de sua terra natal, o Tombolo, em uma única partida. Curiosamente, o time, que integrava a nona divisão italiana, ainda era treinado por Cesare Crivellaro, seu técnico na infância. Desde então, Dino praticamente abandonou o futebol. Amante do teatro, dedicou seu tempo aos palcos, e na companhia de sua esposa, a apresentadora Maria Teresa Mattei, participou da encenação da Paixão de Cristo, em 2008. Em 2011 até tentou retornar para perto do futebol, como assistente técnico do time juvenil do Padova, mas a aventura durou apenas uma temporada.

Dino Baggio
Nascimento: 24 de julho de 1971, em Camposampiero, Itália
Posição: Meio-campista
Times em que atuou: Torino (1990-91), Inter (1991-92), Juventus (1992-94), Parma (1994-2000), Lazio (2000-03), Blackburn (2003-04), Ancona (2004-05), Triestina (2005-06) e Tombolo (2008-09)
Títulos conquistados: Campeão Europeu Sub-21 (1992), Serie B (1989-90), Coppa Italia (1998-99), Supercoppa Italiana (1999), Copa Mitropa (1991) e Copa Uefa (1992-93, 1994-95 e 1998-99)
Seleção italiana: 60 jogos e 7 gols

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