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Tomas Brolin teve curta carreira, mas se firmou em um Parma endinheirado

Dizem que tudo o que vem rápido vai rápido. Se isso é verdade ou não é difícil dizer, mas o que podemos afirmar é que essa frase define a carreira do meia-atacante Tomas Brolin. O menino-prodígio sueco virou profissional muito cedo e atingiu o ápice no Parma, mas decidiu se aposentar antes mesmo de completar 30 anos.

Nascido na pequena Hudiksvall, na região central da Suécia, Brolin entrou na escolinha do Näsvikens IK aos seis anos de idade. Por incrível que pareça, durou pouco para que ele estreasse pela equipe principal: com apenas 14 anos, Brolle, como era chamado, entrou em campo na quarta divisão sueca. O jogador passou três anos no clube de sua cidade natal até que o GIF Sundsvall, da Allsvenskan (primeira divisão do país), o notasse e lhe oferecesse um contrato, que também incluía uma bolsa de estudos.

Brolle logo se tornou o principal jogador do GIF Sundsvall, pequeno time, que lutava para não cair. Em 1988, a equipe por pouco não se classificou para a Copa Uefa, mas acabou rebaixada no ano seguinte, o que fez o meia-atacante se transferir. O tradicional IFK Norrköping, que já na década de 1940 teve as lendas Nils Liedholm e Gunnar Nordahl em suas fileiras e que tinha sido campeão em 1989, foi o destino do meia-atacante.

Logo na estreia, Brolin anotou três gols sobre o futuro campeão IFK Göteborg, chamando de vez a atenção do país e da seleção da Suécia. Olle Nordin, treinador da Blågult, tinha problemas com o improdutivo ataque e optou por testar Brolle. Em seus dois primeiros jogos, o garoto de 20 anos fez quatro gols (dois contra Escócia e dois contra a Finlândia) e acabou fazendo parte do grupo sueco para a Copa de 1990 – a Suécia não jogava um Mundial havia 12 anos.

Na Copa do Mundo, Brolin mostrou para o mundo o que já se sabia na Escandinávia: sua qualidade técnica, criatividade e bom poder de finalização, com chutes potentes. A fase do jogador era boa (marcara sete gols em nove partidas da Allsvenskan) e ele confirmou isso no Mundial, competição em que marcou um gol na fase de grupos, contra o Brasil. Apesar de a Suécia ter sido eliminada na primeira fase, Brolin continuou na Itália: eleito melhor jogador sueco do ano, o detentor da Guldbollen fechou com o Parma.

Àquela época, o Parma estreava na Serie A, menos de cinco anos depois de a Parmalat começar a investir no clube. Brolin foi um dos três estrangeiros contratados para a disputa do campeonato, ao lado do brasileiro Cláudio Taffarel e do belga Georges Grün, que também eram destaques em suas seleções. Brolle foi o parceiro de ataque de Alessandro Melli, também com 20 anos, no 3-5-2 montado pelo técnico Nevio Scala.

A dupla de jovens se destacou muito em uma ótima campanha dos crociati: Melli fez 13 gols e o sueco foi o vice-artilheiro do time, com sete tentos anotados. O Parma ocupou as três primeiras posições por boa parte da temporada, mas concluiu a Serie A 1990-91 na sexta posição, empatado em pontos com o Torino e à frente de times fortíssimos, como a Juventus de Roberto Baggio e o Napoli de Diego Maradona e Careca. Os parmesões ficaram com uma vaga na Copa Uefa.

Carreira do jogador sueco foi abreviada por problemas de forma física e uma séria lesão (Getty)

O auge de Brolin aconteceu justamente entre 1990 e 1995, anos em que vestiu as cores do Parma. Sua segunda temporada foi coroada com a participação em todos os 34 jogos do time na Serie A e com dois gols importantes na conquista da Coppa Italia, primeira taça da história dos ducali. Brolle balançou as redes seis vezes, com destaque para os tentos na copa, diante de Fiorentina (oitavas) e Sampdoria (semifinais).

Depois de brilhar com o clube, Brolin defendeu a Suécia na Euro 1992, disputada em sua casa. Jogando sempre no histórico Råsunda, em Estocolmo, a Blågult foi bem e ficou com a terceira posição no torneio. Brolle foi artilheiro da competição, ao lado de Henrik Larsen, Dennis Bergkamp e Karl-Heinz Riedle: fez três gols, diante de Dinamarca, Inglaterra e nas semifinais contra a Alemanha.

A volta da Eurocopa acabou significando um novo desafio para o sueco no Parma, apesar de sua boa performance na competição. Buscando fortalecer ainda mais o elenco e brigar pelo scudetto, os ducali contrataram o colombiano Faustino Asprilla, o que fez Brolin perder um pouco de espaço. Ainda assim, ele ajudou a equipe a ganhar a Recopa Uefa, na final contra o Royal Antwerp – inclusive, foi titular na decisão. A conquista do primeiro título continental do clube foi apenas um aperitivo para o rico clube bancado pela Parmalat, que ainda faturou outros dois troféus europeus durante o período em que Brolle ficou na Emília-Romanha.

A temporada 1993-94 antecipava a Copa do Mundo, para a qual a Suécia também se classificou. Com as contratações de Gianfranco Zola e Massimo Crippa, Scala acabou recuando Brolin para a linha de meio-campo, algo que marcou sua carreira. Brolle marcou cinco gols na Serie A e foi bem na sua nova função (já havia sido utilizado assim antes, mas apenas esporadicamente), mas os parmenses amargaram a quinta posição no Italiano e a derrota para o Arsenal na final da Recopa.

Ainda assim, Brolin, que ainda tinha 24 anos, foi para o Mundial como um dos jogadores para serem apreciados. Sua Suécia era vista como uma boa seleção, mas surpreendeu ao terminar a competição com o terceiro lugar. O meia-atacante do Parma foi um dos destaques da campanha da equipe azul e amarela, sendo o responsável por acionar os atacantes Martin Dahlin e Kennet Anderson, artilheiros suecos na Copa, com quatro e cinco gols, respectivamente. Brolin, com três, foi o único jogador escandinavo eleito para a seleção dos melhores da competição e, no final do ano, recebeu o prêmio Guldbollen como melhor atleta sueco de 1994.

Meses após a Copa, Brolin quebrou um pé em um jogo das Eliminatórias para a Euro 1996 e ficou fora dos gramados por quase seis meses – ao todo, jogou apenas 11 vezes pelo Parma em 1994-95. Depois da lesão, o sueco nunca mais foi o mesmo e não voltou a entrar em forma. Com a chegada de Hristo Stoichkov, o meia-atacante foi relegado de uma vez por Scala e, depois de realizar apenas quatro partidas em 1995-96, se transferiu para o Leeds United, em novembro de 1995.

Ancelotti conversa com o sueco durante sua segunda passagem pela Itália (Panorama)

Na Inglaterra, Brolin até teve um bom início: ganhou o apelido de Baby-Faced Assassin da torcida, pelos gols marcados. Porém, logo começou a se desentender com o técnico Howard Wilkinson e a conviver com problemas físicos. Na temporada seguinte, o sueco foi deixado de lado e listado para transferência, mas nenhum clube se interessou, até que um arranjo de última hora o levou para a fraca liga suíça, na qual atuaria apenas três vezes pelo FC Zürich. Nesse ínterim, o Leeds trocou de técnico e o novo comandante, George Graham, ordenou que ele voltasse após o fim do contrato, em novembro. Brolin, porém, não queria voltar à Inglaterra, o que gerou uma tensão com o clube.

Após deixar claro que não queria atuar novamente em Elland Road, o sueco negociou com a Sampdoria, mas foi vetado nos exames médicos por causa de uma placa de metal colocada em seu tornozelo, consequência da lesão sofrida em 1994. Dessa forma, o sueco negociou com o Parma, que optou por acolhê-lo por seis meses. Brolle pagou 500 mil libras para que o Leeds o liberasse e fechou com o clube em dezembro de 1996, mas só estreou dois meses depois. Ao todo, atuou 11 vezes pelos crociati – Carlo Ancelotti só o escalou como titular uma vez neste período – e ficou claro que a diretoria só havia aceitado a transferência para que ele tentasse recuperar sua forma e como uma maneira de agradecê-lo pelos serviços prestados em cinco anos de Ennio Tardini.

Aqueles últimos dois anos foram o prenúncio de um fim de carreira melancólico para Brolin. Quando falamos em “fora de forma”, não queremos apenas dizer que o sueco estava sem ritmo de jogo, mas que ele estava engordando severamente. De volta ao Leeds, brigou com o técnico Graham, foi afastado e não conseguiu fechar contratos de empréstimo com Zaragoza e Hearts. Em outubro, rescindiu com os Whites e, depois de um período de testes, assinou com o Crystal Palace. 15 jogos, nenhum gol e um rebaixamento depois, foi liberado.

Brolin retornou à Suécia para repensar sua carreira. Em agosto, decidiu se aposentar, antes mesmo de completar 29 anos. No final daquele mês, entrou em campo pelo Hudiksvalls ABK, da sua cidade, e jogou os últimos 15 minutos da partida contra o Kiruna FF. Detalhe: como goleiro. Pelo peso, talvez?

Em Leeds, Brolle é tido como uma das piores contratações do clube de Elland Road e conhecido pelo grande apetite. Em Parma, ao contrário, é um ídolo e foi um dos convidados para a festa do centenário crociato, em 2009, o que só mostra como sua carreira teve uma trajetória de estrela cadente.

A ligação do sueco com a Bota é tão grande que ele manteve um restaurante de cozinha italiana na Suécia, chamado Undici – em referência à camisa 11, que usou na carreira. Anos depois de brilhar nos campos, hoje Brolin é craque em outro jogo: é um exímio jogador profissional de pôquer.

Per Tomas Brolin
Nascimento: 29 de novembro de 1969, em Hudiksvall, Suécia
Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou: Näsvikens IK (1984-86), GIF Sundsvall (1987-89), IFK Norrköping (1990), Parma (1990-95 e 1997), Leeds United (1995-96), FC Zürich (1996), Crystal Palace (1998) e Hudiksvalls ABK (1998)
Títulos: Coppa Italia (1992), Recopa Uefa (1993), Supercopa Uefa (1993) e Copa Uefa (1995)
Seleção sueca: 47 jogos e 27 gols

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