Serie A

Os melhores da Serie A 2015-16

Nossa tradicional retrospectiva do Campeonato Italiano está chegando ao fim. No especial de 2015-16 o blog analisou as campanhas das 20 equipes que disputaram a Serie A (confira a primeira parte aqui e a segunda aqui) e também elegeu os jovens jogadores que deram o que falar na temporada. Para finalizar, é hora de conhecermos os melhores do torneio: o Quattro Tratti convidou alguns dos mais prestigiados jornalistas esportivos para escolherem a seleção da temporada recém-concluída da Serie A e também os melhores da temporada em oito categorias. Agradecemos a cada um dos participantes desta eleição e também a você, leitor, que nos acompanha diariamente. Vamos conferir quem garantiu as premiações?

Seleção da Serie A 2015-16

Buffon (Juventus); Vrsaljko (Sassuolo), Bonucci (Juventus), Koulibaly (Napoli), Alonso (Fiorentina); Pjanic (Roma), Pogba (Juventus), Hamsík (Napoli); Insigne (Napoli); Dybala (Juventus), Higuaín (Napoli).

Menções honrosas

Goleiros: Handanovic (Inter), Donnarumma (Milan) e Viviano (Sampdoria).

Defensores: Bruno Peres (Torino), Hysaj (Napoli), Barzagli (Juventus), Chiellini (Juventus), Acerbi (Sassuolo), Miranda (Inter), Manolas (Roma), Tonelli (Empoli), Alex Sandro (Juventus), Evra (Juventus), Ansaldi (Genoa) e Digne (Roma).

Meias: Florenzi (Roma), Nainggolan (Roma), Allan (Napoli), Jorginho (Napoli), Borja Valero (Fiorentina), Marchisio (Juventus), Bonaventura (Milan), Saponara (Empoli), Vázquez (Palermo), Bernardeschi (Fiorentina) e Ilicic (Fiorentina). 

Atacantes: El Shaarawy (Roma), Icardi (Inter), Bacca (Milan), Belotti (Torino) e Pavoletti (Genoa).

Gianluigi Buffon



Prêmios: Melhor jogador e melhor goleiro

Aos 38 anos, Buffon provou que ainda poderia fazer uma das melhores temporadas (senão a melhor) de sua longeva carreira. Lenda que é, Super Gigi dispensa qualquer apresentação de suas qualidades técnicas e de liderança, mas nesta Serie A ele ratificou porque é um dos maiores de sua posição em toda a história e porque é o capitão da Juventus. Após uma derrota contra o Sassuolo, Buffon deu uma bronca no elenco, que reagiu e arrancou rumo ao título com uma sequência de 26 jogos de invencibilidade. Neste período, Superman também superou Sebastiano Rossi como o goleiro com mais tempo sem ser vazado na história da Serie A, com 974 minutos de invencibilidade, e foi o grande responsável por fazer da pentacampeã Juve o time que teve a melhor defesa do campeonato.

Na categoria melhor jogador, Buffon concorreu com outros jogadores fundamentais para suas equipes no torneio, como os colegas Pogba e Dybala, peças-chave do título juventino, além de Higuaín, do Napoli, recordista de gols marcados em uma única edição da Serie A. Entre os goleiros, outros que se destacaram foram Handanovic (Inter), Donnarumma (Milan) e Viviano (Sampdoria).

Gonzalo Higuaín

Prêmio: Melhor atacante

Não tinha como o Pipita não faturar este prêmio. Nunca um jogador havia feito tantos gols em uma única temporada da Serie A. Higuaín foi capaz de balançar as redes 36 vezes, superando Gunnar Nordahl e quebrando um recorde que durava 66 anos. O argentino anotou contra 17 dos 19 adversários do Napoli no campeonato (só não deixou o dele contra Milan e Roma) e em 10 oportunidades marcou duas ou mais vezes em um mesmo jogo. Não se esperava que o Pipita fizesse uma temporada tão boa, já que ele  teve um 2014-15 negativo pelos azzurri e pela Argentina, já que perdeu muitos gols. A volta por cima foi em alto estilo, com recorde quebrado e papel preponderante em uma das melhores temporadas da história dos partenopei.

Os atacantes argentinos costumam ter bom histórico na Serie A e não tem sido diferente nos últimos anos. Nesta edição do torneio, três dos cinco principais goleadores foram argentinos: além de Higuaín, Dybala e Icardi fizeram ótima temporada. Outros atacantes que se destacaram em 2015-16 foram Insigne (Napoli), Bacca (Milan), Pavoletti (Genoa), Salah (Roma) e Belotti (Torino).

Allan

Prêmio: Melhor brasileiro

Um prêmio que tardava em chegar. O ex-vascaíno Allan já tinha feito três excelentes temporadas com a camisa da Udinese e já havia sido citado pelo blog como concorrente ao título de melhor jogador brasileiro em atividade na Itália em outras oportunidades. Em seu primeiro ano pelo Napoli, o polivalente meio-campista tomou de assalto a titularidade no time de Maurizio Sarri e mostrou seu futebol de muita dinâmica, qualidade no passe e trabalho incansável com e sem a bola – sem falar nas chegadas de surpresa na área adversária para marcar gols e dar assistências. A conquista do vice-campeonato pelos campanos passou muito por seus pés e Dunga poderia observá-lo.

Cada vez mais os jogadores brasileiros que se destacam na Itália o fazem mais por suas características defensivas do que pelas ofensivas. Nenhum jogador do nosso país aparece entre os maiores artilheiros e autores de assistências da Serie A 2015-16, mas em outras posições há qualidade de sobra. Bruno Peres foi novamente um dos melhores laterais do ano na Itália, atuando pelo Torino, e tem sido comparado a Maicon, ao passo que Alex Sandro, pela Juventus, também se destacou muito e ganhou convocações para a Seleção – assim como Miranda, o capitão, também fez um ótimo campeonato com a Inter. Por outro lado, Felipe Anderson (vencedor em 2014-15) e Hernanes caíram demais de produção e nem chegaram perto de concorrem nesta temporada.

Nota: Jorginho e Éder, por já terem adquirido nacionalidade italiana e terem atuado pela Squadra Azzurra, não foram considerados.

Kalidou Koulibaly

 

Prêmio: Melhor zagueiro

Dois anos atrás o senegalês Koulibaly era praticamente desconhecido no mundo do futebol e caminhava para continuar assim após a má impressão que deixou em seu primeiro ano em Nápoles. No entanto, ele deu a volta por cima: alto e muito forte fisicamente – um verdadeiro armário – ele fez por merecer os apelidos de K2 (em referência à segunda montanha mais alta do mundo) e The Wall, que recebeu nesta temporada. Líder da defesa de Sarri, Koulibaly chega duro e seguro nas jogadas, é forte pelo alto e em roubadas de  bola. Didier Deschamps até pensou em convocá-lo para a França, mas ele já havia optado por defender Senegal, pátria de seus pais. Seria presença certa na Euro, principalmente após as lesões que assolaram os defensores dos Bleus.

O zagueiro mais destacado no campeonato fez parte da segunda melhor defesa da competição, mas claro que os pilares da Juventus também foram destaques. Bonucci e Barzagli continuam entre os melhores jogadores da posição em nível mundial, mas dessa vez ficaram um pouco atrás do zagueiro napolitano. Outros xerifes que tiveram bom desempenho na temporada foram Miranda (Inter), Acerbi (Sassuolo) e Manolas (Roma).

Paul Pogba

Prêmio: Melhor meio-campista

 

Não tem para ninguém. Pela terceira vez consecutiva Pogba faturou o prêmio de melhor meia da Serie A. O francês não foi nem tão brilhante quanto de costume, mas mesmo assim ocupa o rol dos melhores jogadores da competição e tem números muito acima da média – o que mostra o quanto esperamos que o craque jogue. Em sua temporada “abaixo da média”, Pogba jogou em quase todas as partidas da Juventus no campeonato, marcou oito gols e ainda foi responsável por 12 assistências, liderando este quesito ao lado de Pjanic.

 

Pjanic, aliás, foi o grande concorrente do juventino na premiação. O bósnio foi uma das grandes figuras do meio-campo da Roma ao lado de Nainggolan – outro que foi bem votado. O tridente do Napoli, composto por Hamsík, Allan e Jorginho também fez temporada excelente. Marchisio (Juve), Saponara (Empoli) e Ilicic (Fiorentina) também merecem citação.

Gianluigi Donnarumma

Prêmio: Revelação da Serie A

A maior revelação desta Serie A teve sua primeira chance de modo similar a seu maior ídolo. Tal qual Buffon, Donnarumma era terceiro goleiro e recebeu chance no time profissional do Milan de surpresa, aparecendo bem e não perdendo mais a vaga. Gigio, então com 16 anos, foi escolhido por Sinisa Mihajlovic como substituto de Diego López e se destacou pela sobriedade, pela grande personalidade e por sua envergadura (ele tem 1,99m de altura) não afetar sua agilidade. Com todas essas características, Donnarumma defendeu o gigante Milan em 30 partidas, não sofreu gols em 10 jogos – média superior às de Dida e Abbiati – e foi o goleiro com menos de 21 anos mais utilizado nas principais ligas europeias. Tem tudo para ser o futuro titular da seleção italiana.

Este foi um ano em que muitos jogadores jovens se destacaram no Campeonato Italiano. Icardi, Dybala, Saponara, Belotti e Berardi já são figurinhas carimbadas, enquanto Federico Bernardeschi (Fiorentina), explodiu nesta temporada e começou a receber chances na seleção italiana. Vale lembrar também de duas das pérolas lançadas pelo Bologna: Adam Masina, lateral esquerdo, e Amadou Diawara, volante. Na Emília-Romanha o Sassuolo também deu espaço a um jogador de apenas 18 anos que teve importância na ótima campanha do clube: Lorenzo Pellegrini.

Eusebio Di Francesco

Prêmio: Melhor técnico

Em um ano comum, seria natural que o técnico do melhor time do campeonato fosse escolhido como o melhor da temporada. Desta vez não foi assim: Di Francesco foi o grande responsável por um feito histórico com o pequeno Sassuolo, naquele que foi o seu quarto ano de trabalho pelos neroverdi. O treinador montou a equipe na Serie B, em 2012, e foi subindo de patamar com o passar dos anos, a partir de um a filosofia de jogo muito bem desenvolvida e executada. Ao longo dos anos, adaptou peças a seu estilo, formando um conjunto de operários conscientes de suas funções, em um 4-3-3 de força física e qualidade no passe desde a saída de bola, com valorização da posse da pelota. Além disso, o pescarês gosta de velocidade, muitas trocas de posição e construção de jogadas pelos lados do gramado. Essa foi a receita do sucesso da classificação da sua equipe para a Liga Europa.

Logo depois de Eusebio Di Francesco, aparece Massimiliano Allegri, ainda em lua de mel com a torcida da Juventus por conta do pentacampeonato da Serie A e a soberania em solo nacional, além das atuações consistentes na Liga dos Campeões. Em seguida, um técnico com estilo similar ao do comandante do Sassuolo: Sarri também merece ser destacado, já que fez do Napoli um time que executa um futebol ofensivo de altíssimo nível competitivo. Para finalizar, vale mencionar Giampaolo, do Empoli, e Spalletti (apesar da polêmica com Totti e de ter disputado apenas um turno da Serie A), que também realizaram trabalhos de vigor.

Votantes da seleção da temporada 

Aldir Junior (Atalanta Brasil)
Alexandre Perin (Almanaque Esportivo)
Anderson Moura (Quattro Tratti/Esporte Interativo)
Andrea Chiavacci (FoxSports)
Antônio Carlos Zamarian (Portale Romanista)

Arthur Barcelos (Quattro Tratti/La Beneamata – ESPN FC)

Braitner Moreira (Quattro Tratti/Correio Braziliense)
Bruno Bonsanti (Trivela)
Bruno D’Alécio (Juventus Brasil)

Caio Bitencourt (Partenopeo – ESPN FC)

Caio Dellagiustina (Quattro Tratti)
Daniele Monti (Sportv)
Felipe Lobo (Trivela)

Felipe Portes (Todo Futebol/Yahoo)
Felipe Rolim (Esporte Interativo)

Gabriel Joaquim (AC Milan Brasil)

Gian Oddi (ESPN) 

Júlio Souza (SampBrasil – ESPN FC)

Leonardo Bertozzi (ESPN)
Lucas Martins (Doentes por Futebol)

Marco De Vargas (FoxSports)

Mateus Ribeirete (Quattro Tratti)
Michel Costa (co-autor do livro “É Tetra! A conquista que ajudou a mudar o Brasil”)

Murillo Moret (Quattro Tratti/Gazzebra – ESPN FC)

Nelson Oliveira (Quattro Tratti)

Paulo Andrade (ESPN)
Paulo Lima (FoxSports)

Pedro Spiacci (Quattro Tratti)
Raniery Medeiros (Doentes por Futebol)
Rodrigo Antonelli (Quattro Tratti/Correio Braziliense) e
Vitor Sergio Rodrigues (Esporte Interativo)

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