Serie A

Retrospectiva da Serie A 2015-16, parte 2

Juventus começou mal, mas conseguiu arrancada e faturou o penta (Repubblica)

Na semana passada, começamos a relembrar como foi a temporada 2015-16 no futebol italiano em nossa retrospectiva da Serie A. Já analisamos as campanhas dos times classificados na parte mais baixa da tabela e agora iremos falar dos 10 primeiros do campeonato. É hora de relembrar as decepções de Milan e Lazio, o feito histórico do Sassuolo e a volta da Inter às competições europeias. Também falaremos, claro, do bom futebol da Roma de um interminável Francesco Totti e do Napoli do recordista Gonzalo Higuaín, e encerramos analisando como Gianluigi Buffon, Paul Pogba e Paulo Dybala conduziram a Juventus a uma histórica recuperação e ao pentacampeonato. Boa leitura!

Confira aqui a primeira parte do especial. Publicado também na Trivela.

Empoli

A campanha: 10ª posição, 46 pontos. 12 vitórias, 10 empates e 16 derrotas.

No primeiro turno: 7ª posição, 30 pontos.

Fora da Serie A: Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pelo Vicenza
Ataque e defesa: 40 gols marcados e 49 sofridos
Time-base: Skorupski; Laurini (Zambelli), Costa, Tonelli, Mário Rui; Zielinski, Paredes, Croce (Büchel); Saponara; Pucciarelli, Maccarone.
Artilheiros: Massimo Maccarone (13 gols) e Manuel Pucciarelli (6)

Técnico: Marco Giampaolo

Os destaques: Riccardo Saponara, Massimo Maccarone e Piotr Zielinski
A decepção: Marko Livaja

A revelação: Assane Dioussé
Quem mais jogou: Manuel Pucciarelli (38 jogos), Massimo Maccarone (37) e Mário Rui (36)

O sumido: Michele Camporese

Melhor contratação: Leandro Paredes

Pior contratação: Marco Zambelli
Nota da temporada: 7,5

Não há dúvidas de que o Empoli foi a maior surpresa desta temporada e queimou a língua de muita gente, inclusive a deste colunista. Os azzurri foram esfacelados na janela de transferências para 2015-16 e perderam o treinador Sarri e peças como Sepe, Hysaj, Rugani, Valdifiori, Vecino e Verdi. Já seria suficiente para um redimensionamento, mas a chegada de Giampaolo ao comando técnico aumentou as desconfianças, pois o ítalo-suíço não tinha bom currículo e foi mal até na terceira divisão, com a Cremonese. No entanto, ele herdou o esquema tático do seu antecessor e deu um toque pessoal ao estilo de jogo dos toscanos, com maior compactação na defesa, que marcava à pressão, e mais agressividade no ataque.

No final das contas, o Empoli de Giampaolo teve uma temporada superior ao de Sarri: foram 46 pontos contra 42, apesar de uma grande queda no segundo turno. O time azzurro teve a sétima melhor campanha na primeira parte do campeonato e apenas a antepenúltima na segunda. O treinador, sondado até pelo Milan, teve seus méritos na trajetória toscana, mas alguns jogadores puxaram a fila dos destaques. Seja o interminável Maccarone, que, do alto dos seus 37 anos, atuou em quase todas as partidas e anotou 13 gols ou o jovem Dioussé, uma das boas revelações da temporada. O trio de meio-campo formado por Zielinski (na mira do Liverpool), Paredes (de propriedade da Roma) e Saponara (sondado pela Juve) também brilhou muito e foi um dos mais agradáveis de se ver em 2015-16. Palmas para um time que se reinventou a partir de um conceito e chegou mais longe do que se imaginava.

Chievo

A campanha: 9ª posição, 50 pontos. 13 vitórias, 11 empates e 14 derrotas.

No primeiro turno: 10ª posição, 26 pontos.

Fora da Serie A: Eliminado na terceira fase da Coppa Italia pela Salernitana.
Ataque e defesa: 43 gols marcados e 45 sofridos.
Time-base: Bizzarri; Cacciatore (Frey), Cesar, Gamberini (Dainelli), Gobbi; Rigoni, Radovanovic, Hetemaj; Birsa, Meggiorini (Inglese, Pellissier, Paloschi), Castro.
Artilheiros: Valter Birsa (6 gols), Riccardo Meggiorini (5) e Sergio Pellissier (5)

Técnico: Rolando Maran

Os destaques: Valter Birsa, Riccardo Meggiorini e Albano Bizzarri
A decepção: Paul-José M’Poku

A revelação: Filippo Costa
Quem mais jogou: Valter Birsa e Albano Bizzarri (ambos com 35 jogos)

O sumido: Gennaro Sardo

Melhor contratação: Simone Pepe

Pior contratação: Nikola Ninkovic
Nota da temporada: 7

A contratação do treinador Maran, realizada pouco mais de um ano e meio atrás, parecia perfeita para o Chievo. Para começar, o ex-zagueiro foi capitão da equipe quando era jogador e, além de total identificação com os clivensi, propõe um futebol sólido, exatamente no mesmo estilo que tem consagrado o Ceo como um dos times mais físicas da Serie A. Maran havia começado o seu trabalho no meio de 2014-15 e ter iniciado a pré-temporada gialloblù neste ano foi fundamental para a melhora do Chievo. Os veroneses não correram risco de serem rebaixados em momento algum e quase sempre ficaram na parte de cima da tabela – em dois terços do torneio.

Para que o ex-técnico do Catania pudesse repetir em Verona o trabalho que lhe deu destaque na Sicília, o jogo pelos lados do campo foi privilegiado. Gobbi, Cacciatore, Castro, Pepe e, principalmente, Birsa e Meggiorini, foram vitais para boa campanha dos Burros Alados. Paloschi, negociado com o Swansea em janeiro, nem fez falta: o jogo mais posicional, com rápidas transições e contra-ataques deu mais destaque a Meggiorini, vice-artilheiro e líder de assistências do time (sete). A defesa continuou sólida, como é de tradição para o Chievo, e foi uma das melhores do campeonato, assim como Bizzarri foi um dos goleiros mais destacados.
 

Lazio

A campanha: 8ª posição, 54 pontos. 15 vitórias, 9 empates e 14 derrotas.

No primeiro turno: 9ª posição, 27 pontos.

Fora da Serie A: Vice-campeã da Supercopa Italiana, eliminada nos play-offs da Liga dos Campeões pelo Bayer Leverkusen, nas oitavas de final da Liga Europa pelo Sparta Praga e nas quartas da Coppa Italia pela Juventus
Ataque e defesa: 52 gols marcados (5º melhor) e 52 sofridos.
Time-base: Marchetti; Basta (Konko), Mauricio (Gentiletti), Hoedt, Lulic (Radu); Milinkovic-Savic (Cataldi, Onazi), Biglia, Parolo; Candreva, Klose (Djordjevic), Felipe Anderson (Keita).
Artilheiros: Antonio Candreva (10 gols), Miroslav Klose (7) e Felipe Anderson (7)

Técnicos: Stefano Pioli (1ª-31ª rodada) e Simone Inzaghi (32ª em diante)

Os destaques: Antonio Candreva, Lucas Biglia e Federico Marchetti
A decepção: Felipe Anderson

A revelação: Sergej Milinkovic-Savic
Quem mais jogou: Felipe Anderson (35 jogos), Marco Parolo (31) e Keita Baldé (31)

O sumido: Ravel Morrison

Melhor contratação: Sergej Milinkovic-Savic

Pior contratação: Milan Bisevac
Nota da temporada: 5

Em termos de quantidade, nenhum time decepcionou mais a sua torcida nesta temporada do que a Lazio. A equipe celeste sofreu três eliminações ao longo de 2015-16 (uma delas, vexatória, diante do Sparta Praga), foi vice da Supercopa nacional e não conseguiu empolgar na Serie A, ficando quase todo o campeonato em posições intermediárias. Um desempenho muito aquém do demonstrado no ano passado, no qual os aquilotti encantaram o país e se classificaram para a Liga dos Campeões. O principal motivo para isso é que, tanto sob o comando de Pioli quanto de Simone Inzaghi, algumas das principais peças do time não engrenaram.

Candreva (10 gols e três assistências) e Felipe Anderson (sete gols e quatro assistências) apresentam números inferiores aos do ano passado e não conseguiram sustentar a equipe – o brasileiro até perdeu a vaga de titular para Keita em momentos da campanha. A Lazio também apresentou uma penca de problemas defensivos e nenhum dos beques convenceu – a ausência do titularíssimo De Vrij, que perdeu toda a temporada por causa de uma grave lesão, foi muito sentida. De bom, podemos destacar que Marchetti voltou a mostrar segurança no gol, Biglia continuou regendo o meio-campo com classe e o setor tem futuro garantido com os ótimos Cataldi e Milinkovic-Savic. A maior tristeza de 2015-16 ficou por conta da despedida de Klose, que fez sete gols e cedeu sete assistências ao longo do torneio, mas vestiu a camisa do clube pela última vez em uma derrota feia para a Fiorentina. Quase uma metonímia da temporada laziale.
 

Milan

A campanha: 7ª posição, 57 pontos. 15 vitórias, 12 empates e 11 derrotas.

No primeiro turno: 8ª posição, 29 pontos.

Fora da Serie A: Vice-campeão da Coppa Italia.
Ataque e defesa: 49 gols marcados e 43 sofridos.
Time-base: Donnarumma; Abate (De Sciglio), Alex (Zapata), Romagnoli, Antonelli; Honda, Kucka (Bertolacci), Montolivo, Bonaventura; Luiz Adriano (Niang, Balotelli), Bacca.
Artilheiros: Carlos Bacca (18 gols), Giacomo Bonaventura (6) e M’Baye Niang (5)

Técnicos: Sinisa Mihajlovic (1ª-32ª rodada) e Cristian Brocchi (33ª em diante)

Os destaques: Gianluigi Donnarumma, Carlos Bacca e Giacomo Bonaventura
A decepção: Riccardo Montolivo

A revelação: Davide Calabria
Quem mais jogou: Carlos Bacca (38 jogos), Alessio Romagnoli (34) e Giacomo Bonaventura (33)

O sumido: Philippe Mexès

Melhor contratação: Carlos Bacca

Pior contratação: Mario Balotelli
Nota da temporada: 4,5

Quem viu o Milan jogar somente na final da Coppa Italia ou nos clássicos do returno contra Inter e Juventus até poderia pensar que a temporada dos rossoneri foi boa. Pelo contrário, estas foram as melhores partidas feitas pela equipe em um ano decepcionante, no qual Berlusconi investiu mais de 90 milhões de euros e teve como resultado nem mesmo uma classificação para a Liga Europa. Já são três anos consecutivos sem competição continental para os milaneses, algo que nunca havia acontecido durante a gestão do manda-chuva. Ele tem sua parcela de culpa, já que não tem dado tranquilidade aos treinadores contratados e também tem tentado vender o clube sem discrição, deixando os bastidores confusos.

Mihajlovic vinha fazendo um trabalho bastante razoável à frente dos rossoneri, tirando o que podia das peças à disposição – porque o Milan gastou muito, mas de forma pouco inteligente. O Diavolo brigava por Liga Europa, mas Berlusconi demitiu o treinador e Brocchi acabou perdendo terreno para o Sassuolo. O inexperiente substituto não conseguiu se acertar nos poucos jogos em que comandou o elenco, apesar do time competitivo montado na final da copa. Entre os destaques da temporada rossonera, podemos citar a espinha dorsal do time: Donnarumma, Romagnoli, Bonaventura e Bacca. O sucesso da equipe em 2016-17 depende dos quatro e da recuperação de nomes como De Sciglio, Montolivo e Bertolacci. Balotelli é um capítulo à parte: cada vez mais desconectado, jogou muito pouco, só fez um gol e mostrou outra vez que sua carreira é um desperdício de talento.
 

Sassuolo

A campanha: 6ª posição, 61 pontos. 16 vitórias, 13 empates e 9 derrotas. Classificado para a Liga Europa.

No primeiro turno: 6ª posição, 32 pontos.

Fora da Serie A: Eliminado na quarta fase da Coppa Italia pelo Cagliari.
Ataque e defesa: 49 gols marcados e 40 sofridos (4ª melhor)
Time-base: Consigli; Vrsaljko, Cannavaro, Acerbi, Peluso; Missiroli (Pellegrini, Biondini), Magnanelli, Duncan; Berardi (Politano), Defrel (Falcinelli), Sansone.
Artilheiros: Domenico Berardi, Nicola Sansone e Grégoire Defrel (todos com 7 gols)

Técnico: Eusebio Di Francesco

Os destaques: Domenico Berardi, Alfred Duncan e Sime Vrsaljko
A decepção: Marcello Trotta

A revelação: Lorenzo Pellegrini
Quem mais jogou: Nicola Sansone (37 jogos), Andrea Consigli (37) e Francesco Acerbi (36)

O sumido: Luca Antei

Melhor contratação: Alfred Duncan

Pior contratação: Marcello Trotta
Nota da temporada: 8

Uma temporada histórica e com a devida recompensa para o Sassuolo do ótimo técnico Di Francesco. Foi ele que levou o time à elite e, no seu quarto ano de trabalho, conseguiu montar um conjunto forte, focado e consciente dos seus pontos fortes e fracos. O 4-3-3 neroverde se baseava em uma defesa forte e técnica, mesmas características dos meias centrais. Pelos lados do gramado, bastante velocidade e apoio aos atacantes, que trocavam bastante de posição. Zaza, negociado com a Juventus no início da temporada, não era um centroavante clássico, mas Defrel, Politano e Falcinelli ampliaram a movimentação no setor.

A partir disso, o time do treinador nascido em Pescara foi modificando seus objetivos. Primeiro, escapar do rebaixamento, depois a tranquilidade no meio de tabela (como em 2014-15) e, por fim, a inédita vaga na Liga Europa. Curiosamente, Berardi e Sansone não jogaram tão bem quanto em anos anteriores, mas continuaram sendo peças importantes para a equipe emiliana. Dessa forma, outras forças emergiram no time, como o zagueiro Acerbi, o lateral croata Vrsaljko e os volantes Duncan e Magnanelli (dono da braçadeira), que se estabeleceram no grupo dos melhores do campeonato em suas posições. Para o Sassuolo, que tem planejamento inteligente e execução quase perfeita, o céu é o limite. Afinal, o que dizer de um time que estreou na Serie A em 2013 com quatro derrotas (incluindo um 7 a 0 em casa sofrido diante da Inter) e pouco tempo depois deu a volta por cima?
 

Fiorentina

A campanha: 5ª posição, 64 pontos. 18 vitórias, 10 empates e 10 derrotas. Classificada para a Liga Europa.

No primeiro turno: 4ª posição, 38 pontos.

Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Carpi e nos 16 avos de final da Liga Europa pelo Tottenham
Ataque e defesa: 60 gols marcados (4º melhor) e 42 sofridos
Time-base: Tatarusanu; Roncaglia (Tomovic), Rodríguez, Astori; Bernardeschi, Badelj, Vecino, Alonso; Ilicic (Tello), Borja Valero; Kalinic.
Artilheiros: Josip Ilicic (13 gols), Nikola Kalinic (12) e Khouma Babacar (5)

Técnico: Paulo Sousa

Os destaques: Josip Ilicic, Marcos Alonso e Federico Bernardeschi
A decepção: Luigi Sepe

A revelação: Federico Bernardeschi
Quem mais jogou: Ciprian Tatarusanu (37 jogos), Borja Valero (37) e Nikola Kalinic (36)

O sumido: Panagiotis Koné

Melhor contratação: Nikola Kalinic

Pior contratação: Luigi Sepe
Nota da temporada: 7

Uma parte médico, outra parte monstro. A Fiorentina teve momentos de futebol encantador e outros de atuações opacas durante a temporada, mas conseguiu chegar a seu objetivo mínimo em 2015-16 e abocanhou uma vaga na Liga Europa. O time violeta começou o ano cercado de dúvidas, pois tinha perdido uma dezena de jogadores que atuavam com frequência e trocado de treinador, mas logo deu mostras de que poderia surpreender. Paulo Sousa conseguiu superar o ceticismo inicial da torcida com uma vitória em um amistoso contra o Barcelona e, já na Serie A, ao bater Milan e Inter com autoridade. A largada foi justamente o melhor período da trajetória toscana.

No esquema do técnico português, Ilicic e Bernardeschi ganharam muita liberdade, assim como Alonso, que barrou Pasqual na lateral esquerda. Os três foram os jogadores mais agudos da equipe e mantiveram a regularidade ao longo de toda a temporada – em especial, Ilicic e Alonso. A Viola ainda teve Borja Valero e Rodríguez como polos de experiência (mesmo que eles não tenham sido tão importantes quanto em anos anteriores) e a dupla Vecino-Badelj mostrou boa combinação de destruição e qualidade ao centro do campo. No segundo turno, porém, o time caiu de produção ao passo que o croata Kalinic viu seus gols ficarem cada vez mais escassos: quarta colocada e a um ponto de distância da segunda posição na virada
de turno, a Fiorentina somou apenas seis vitórias no returno e concluiu a Serie A 18 pontos distante do Napoli, vice-líder. Embora a torcida tenha chegado a sonhar mais alto, a temporada dos gigliati foi bastante satisfatória.

Inter

A campanha: 4ª posição, 67 pontos. 20 vitórias, 7 empates e 11 derrotas. Classificada para a Liga Europa.

No primeiro turno: 2ª posição, 39 pontos.

Fora da Serie A: Eliminada nas semifinais da Coppa Italia pela Juventus.
Ataque e defesa: 50 gols marcados e 38 sofridos (3ª melhor)
Time-base: Handanovic; D’Ambrosio (Nagatomo), Miranda, Murillo, Alex Telles (Juan Jesus); Brozovic, Medel (Felipe Melo), Kondogbia; Jovetic (Ljajic, Palacio), Icardi, Perisic.
Artilheiros: Mauro Icardi (16 gols), Ivan Perisic (7) e Stevan Jovetic (6)

Técnico: Roberto Mancini

Os destaques: Mauro Icardi, Samir Handanovic e Miranda
A decepção: Éder

A revelação: Rey Manaj
Quem mais jogou: Samir Handanovic (36 jogos), Jeison Murillo (34) e Ivan Perisic (34)

O sumido: Assane Gnoukouri

Melhor contratação: Miranda

Pior contratação: Martín Montoya
Nota da temporada: 6,5

Sem Champions, mas a melhor temporada desde 2011: a torcida nerazzurra não fica plenamente satisfeita pela campanha construída pela Inter, mas vislumbra um futuro melhor, que pode começar com a volta do time a disputa de uma competição continental. O investimento do presidente Thohir para dar reforços de peso a Mancini foi grande e uma vaga na Liga Europa era o mínimo pretendido, mas não o desejado. O time não ficou completamente pronto ao fim de uma temporada e não manteve a força da reta inicial do campeonato, quando brigava pelo título – ou seja, o retorno não foi imediato. Se alivia alguma coisa, Mancio conseguiu montar uma espinha dorsal para 2016-17.

Durante este ano, a Inter finalmente acertou sua defesa, terceira melhor do campeonato, e graças à solidez defensiva proporcionada por Miranda, Medel e Handanovic. Murillo foi bem durante o ano, mas cometeu algumas falhas capitais e foi um dos responsáveis pelo fato de a Beneamata ter sido uma das equipes que mais sofreram gols em erros individuais. No meio-campo, a ausência de um jogador mais criativo, como Kovacic, foi sentida e os caros Kondogbia e Perisic demoraram a se adaptar, mas hoje são fundamentais ao esquema. O ataque nerazzurro é que foi um problema: 1 a 0 foi o placar mais repetido do ano e em apenas 13 jogos (menos de um terço) a equipe anotou dois ou mais gols. Mesmo pouco acionado, Icardi balançou as redes 16 vezes, o que mostra a margem de crescimento do jogador e do time. A questão é que o torcedor cansou de pensar em comemorações somente no futuro. A paciência está acabando.
 

Roma

A campanha: 3ª posição, 80 pontos. 23 vitórias, 11 empates e 4 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.

No primeiro turno: 5ª posição, 34 pontos.

Fora da Serie A: Eliminada nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Real Madrid e nas oitavas da Coppa Italia pelo Spezia.
Ataque e defesa: 83 gols marcados (o melhor) e 41 sofridos (5ª melhor)
Time-base: Szczesny; Florenzi (Maicon), Manolas, Rüdiger, Digne; Pjanic, De Rossi (Keita); Salah, Nainggolan, El Shaarawy (Iago); Dzeko (Perotti).
Artilheiros: Mohamed Salah (14 gols) e Miralem Pjanic (10)

Técnicos: Rudi Garcia (1ª-19ª rodada) e Luciano Spalletti (20ª em diante)

Os destaques: Miralem Pjanic, Kostas Manolas e Francesco Totti
A decepção: Edin Dzeko

A revelação: Umar Sadiq
Quem mais jogou: Kostas Manolas (37 jogos), Radja Nainggolan (35), Mohamed Salah (34) e Wojciech Szczesny (34)

O sumido: Salih Uçan

Melhor contratação: Stephan El Shaarawy

Pior contratação: Iago Falqué
Nota da temporada: 7,5

A diretoria da Roma cometeu um erro de avaliação no final da última temporada: achou que deveria manter Garcia como treinador da equipe mesmo com o desgaste que ele tinha com parte do elenco e após a queda de rendimento do time em 2014-15. Os cartolas acharam que o francês ainda poderia voltar aos níveis de seu primeiro ano na Cidade Eterna se recebesse um grande número de reforços (o que foi feito), mas se enganaram. Os romanos tiveram primeiro turno muito abaixo do esperado e ficaram sete pontos atrás do Napoli, então líder. Garcia até comeu o panetone, mas foi demitido em janeiro para dar lugar a Spalletti, que retornava ao clube com um atraso de seis meses e com o objetivo de salvar o ano.

O técnico toscano conseguiu. Com mais reforços para o ataque, ele montou uma máquina ofensiva, que anotou 47 gols desde a sua chegada – desempenho responsável pelos 46 pontos e a vice-liderança do returno. Spalletti sacou Dzeko, um dos grandes flops da temporada europeia, e desenhou uma linha ofensiva mais leve, com Salah, El Shaarawy e Perotti. Ao mesmo tempo, Nainggolan foi adiantado (tal qual Perrotta na primeira passagem do treinador por Trigoria), o que deu mais liberdade para que Pjanic armasse o jogo como um regista, vindo de trás. Isso foi fundamental para a circulação da bola pelo meio-campo romanista e para a classificação para a Liga dos Campeões. Mais importante ainda para que o clube alcançasse a vaga foi o capitão Totti, utilizado a conta-gotas pelo carequinha: ele marcou gols nos poucos minutos que teve em campo e deu pontos vitais à Roma, vencendo a queda de braço com o técnico. Totti precisa permanecer.

Napoli

A campanha: 2ª posição, 82 pontos. 25 vitórias, 7 empates e 6 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.

No primeiro turno: 1ª posição, 41 pontos.

Fora da Serie A: Eliminado nos 16 avos de final da Liga Europa pelo Villarreal e nas quartas da Coppa Italia pela Inter
Ataque e defesa: 80 gols marcados (2º melhor) e 32 sofridos (2ª melhor)
Time-base: Reina; Hysaj, Albiol, Koulibaly, Ghoulam; Allan, Jorginho, Hamsík; Callejón (Mertens), Higuaín, Insigne.
Artilheiros: Gonzalo Higuaín (36 gols), Lorenzo Insigne (12) e José Callejón (7)

Técnico: Maurizio Sarri

Os destaques: Gonzalo Higuaín, Allan e Jorginho
A decepção: Mirko Valdifiori

A revelação: Nathaniel Chalobah
Quem mais jogou: Marek Hamsík e José Callejón (ambos com 38 jogos)

O sumido: Ivan Strinic

Melhor contratação: Allan

Pior contratação: Gabriel
Nota da temporada: 8,5

O Napoli entrou em 2015-16 com o dever de fazer uma temporada melhor do que a anterior – e conseguiu com sobras. Sarri foi contratado com este objetivo e ganhou como reforços alguns jogadores que ele cultivou no Empoli, como Hysaj e Valdifiori, além de Allan e Reina, que seriam titulares absolutos. Os azzurri começaram o ano no 4-3-1-2, mas o técnico percebeu que seria melhor não se apegar a suas convicções e mudar para o 4-3-3. Dessa forma, ele aproveitou o melhor das peças que tinha à disposição em todos os setores. A defesa, por exemplo, se acertou com a chegada do experiente Reina e a regularidade de Hysaj e Ghoulam, ao passo que o senegalês Koulibaly colocou de lado as desconfianças da última temporada e foi um dos melhores zagueiros deste campeonato. No meio-campo, o capitão Hamsík, Allan e Jorginho (que barrou Valdifiori, preferido do treinador) formaram um dos melhores trivotes da Europa, por aliarem qualidade técnica, boa circulação, inserções na área adversária e marcação insaciável.

Tudo isso sem falar das cerejas do bolo: Insigne, finalmente estabelecido como um dos melhores italianos de sua geração, e o goleador Higuaín. Nunca um jogador havia feito tantos gols em uma única temporada – 36, incluindo 10 oportunidades em que anotou duas ou mais vezes em um mesmo jogo – e, para falar a verdade, se esperava muito pouco do Pipita. Ele estava em baixa após um ano negativo pelos azzurri e a perda da Copa América com a Argentina. Perdia muitas oportunidades decisivas e soube dar a volta por cima para levar o Napoli a uma de suas melhores temporadas em toda a história.
 

Juventus

A campanha: Campeã, 91 pontos. 29 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.

No primeiro turno: 3ª posição, 39 pontos.

Fora da Serie A: Campeã da Supercopa Italiana, campeã da Coppa Italia e eliminada nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Bayern Munique.
Ataque e defesa: 75 gols marcados (3º melhor) e 20 sofridos (a melhor)
Time-base: Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini (Rugani); Lichtsteiner (Cuadrado), Khedira (Sturaro, Hernanes), Marchisio, Pogba, Evra (Alex Sandro); Dybala, Mandzukic (Morata).
Artilheiros: Paulo Dybala (19 gols), Mario Mandzukic (10) e Paul Pogba (8)

Técnico: Massimiliano Allegri

Os destaques: Gianluigi Buffon, Paul Pogba e Paulo Dybala
A decepção: Roberto Pereyra

A revelação: ninguém
Quem mais jogou: Leonardo Bonucci (36 jogos), Paul Pogba (35) e Gianluigi Buffon (35)

O sumido: Martín Cáceres

Melhor contratação: Paulo Dybala

Pior contratação: Mario Lemina
Nota da temporada: 9

Dez jogos: foi o tempo que durou para que algumas pessoas pudessem pensar que a Juventus desta temporada não seria campeã nacional. Com apenas três vitórias neste período, o time de Allegri parecia padecer das saídas de Tévez, Vidal e Pirlo, ao passo que os reforços – Dybala, Khedira, Hernanes, Cuadrado e Mandzukic – não engrenavam. A partir da derrota para o Sassuolo, tudo mudou: Buffon deu uma bronca nos companheiros, o treinador passou a dar mais minutos a Dybala e a equipe se acertou. No jogo seguinte, uma vitória contra o Torino com um gol chorado de Cuadrado nos acréscimos virou o fio. A partir daí, foram 26 vitórias em 28 jogos e apenas uma derrota, com o título já assegurado. Uma das mais incríveis arrancadas da história do futebol italiano.

A campanha de recuperação da Juventus foi absurda e teve em Buffon a materialização do seu sucesso. O veterano foi importante nos bastidores e, envelhecendo com um bom vinho, bateu o recorde de minutos sem sofrer gols – foram quase 11 partidas invicto –, feito fundamental para o histórico pentacampeonato. Peças importantes, como Chiellini e Pogba, não foram tão brilhantes quanto de costume (o francês, mesmo abaixo, deu 12 passes para gol e liderou o quesito no torneio), mas colegas de setor, como Bonucci e Marchisio, deram conta do recado quando foram solicitados. A espinha dorsal da equipe ganhou elementos importantes, como Cuadrado e Khedira, mas os grandes méritos vão para a jóia Dybala. O argentino, autor de 19 gols e nove assistências, já mostrou todo o seu potencial e será um dos principais jogadores de toda a Serie A por anos.

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