Listas

Top 100 Serie A: 100-91

Nos últimos anos, nos dedicamos a algumas listas aqui no Quattro Tratti. Elegemos os melhores jogadores dos principais times da Itália, os melhores italianos da história e os melhores de algumas nacionalidades a terem atuado na Bota – inclusive os brasileiros –; veja ao lado, na seção Tops da Serie A. Agora, vamos a mais uma empreitada polêmica: em uma votação interna, escolhemos os 100 jogadores mais relevantes do Campeonato Italiano dos últimos 50 anos – ou seja, a partir de 1966. Traremos 10 figurinhas por texto, duas vezes por semana, e começaremos com os atletas que ficaram entre a 100º e a 91ª posições. Vamos lá completar esse álbum?

100º – Gianluca Signorini

Posição: zagueiro
Clubes na Serie A: Roma (1987-88) e Genoa (1989-95)

Maior ídolo do Genoa, Signorini foi capitão do time por sete temporadas e viveu um dos momentos mais gloriosos da história da equipe, o mais importante dos grifoni sem contar a época da conquista dos seus nove scudetti – final do século XIX e início do XX. Forte pelo alto e com bom posicionamento, o zagueiro foi, ao lado de Branco, Tomas Skuhravy e Carlos Aguilera, um dos pilares da equipe treinada por Osvaldo Bagnoli, que surpreendeu a Itália e o mundo ao chegar ao quarto posto na Serie A, em 1991, e às semifinais da Copa Uefa, no ano seguinte. Muito identificado com a torcida, viveu com eles as maiores glórias e também se emocionou nos piores momentos, como no rebaixamento rossoblù, em 1995. Vítima de esclerose lateral amiotrófica, faleceu em 2002, e foi homenageado com a aposentadoria de sua camisa 6 e com o nome no CT do clube.

99º – Marek Hamsík

Posição: meio-campista
Clube na Serie A: Napoli (2007-hoje)

Os quase 10 anos de Napoli fazem do eslovaco Hamsík uma bandeira moderna do clube azzurro. Em toda a história da equipe de Fuorigrotta, apenas três jogadores estrangeiros – sem contar três oriundi – usaram a braçadeira de capitão: Diego Maradona, Roberto Ayala e o próprio Marekiaro, que ainda integra a lista dos maiores artilheiros dos partenopei – é o quinto, com 98 gols – e a dos que mais vezes vestiram a camisa azul celeste: 403, o que o coloca como terceiro do ranking. Ao lado de Ezequiel Lavezzi e Edinson Cavani – depois também com Gonzalo Higuaín –, o meia fez parte do segundo melhor Napoli da história, um time que devolveu ao clube a grandeza dos tempos de Maradona e que brigou por títulos nos últimos anos. Foi o único dos três tenores a ficar no San Paolo e é um símbolo do ressurgimento do clube.

98º – Fabrizio Miccoli

Posição: atacante
Clubes na Serie A: Perugia (2002-03), Juventus (2003-04), Fiorentina (2004-05) e Palermo (2007-13)

Romário do Salento ou Pibe de Nardò. Os apelidos dados a Miccoli ao longo da sua carreira, que contemplam a união do nome de um craque com a sua naturalidade já deixam claro que o atacante mostrava em campo um talento especial, mesmo atuando a maior parte da carreira em equipes de porte pequeno ou médio. Habilidoso, veloz e ótimo finalizador, o jogador explodiu com a camisa do Perugia, e poderia ter tido um futuro de glórias na Juventus, não fosse a inimizade com a diretoria. Apesar dos bons números em Turim, acabou indo contribuir com a salvação da Fiorentina, mas foi em Palermo que virou ídolo e se consolidou como um dos melhores italianos em sua função nos anos 2000. Entre 2008 e 2010, anos nos quais Miccoli disputou artilharias e levou os rosanero a boas posições na Serie A, Marcello Lippi foi pressionado a levá-lo para a seleção, mas não deu o braço a torcer. Pior para ele.

97º – Franco Causio

Posição: meio-campista
Clubes na Serie A: Juventus (1966-68 e 1970-81), Palermo (1969-70), Udinese (1981-84), Inter (1984-85) e Lecce (1985-86)

Jogar em alto nível por quase 20 anos é para poucos. Para os jogadores mais habilidosos, com mais inteligência e elegância, como Causio, fica mais fácil. Apelidado de Barone, pela classe, e de Brazil, pela técnica, o ala foi um dos principais coadjuvantes de luxo da história do futebol italiano. Nem tão comentado, mas sempre importante para os elencos que integrou, o meia foi titular de uma Juventus histórica por uma década, e em Turim levantou seis scudetti, uma Copa Uefa e uma Coppa Italia. Na Udinese, Causio foi o principal parceiro de Zico e, mesmo antes da chegada do Galinho, já vivia grande fase – a ponto de ter sido convocado para a seleção italiana campeã mundial em 1982. Somente ele e Vincenzo Iaquinta chegaram ao topo do mundo durante sua passagem pelo time friulano.

96º – Lilian Thuram

Posição: zagueiro e lateral-direito
Clubes na Serie A: Parma (1996-2001) e Juventus (2001-06)

Em 10 anos de Itália, Thuram disputou 433 partidas e conquistou sete títulos. Defensor completo, o francês foi um dos pilares de um dos melhores times do Parma em toda a sua história, e liderou a defesa crociata ao lado de Roberto Sensini e Fabio Cannavaro. Um dos zagueiros mais completos do fim dos anos 1990 e início dos 2000, pelas atuações na Itália ele conquistou vaga na seleção francesa que chegou ao topo do mundo e da Europa. Na Juventus, continuou exercendo sua presença quase onipresente na defesa de dois elencos bastantes sólidos, os de Lippi e Capello, e repetiu a dupla de sucesso com Cannavaro, além de atuar ao lado de tantos outros defensores marcantes, como Ciro Ferrara e Paolo Montero. Em Parma, o francês faturou uma Copa Uefa e, em Turim, foi vice da Liga dos Campeões e conquistou quatro scudetti – dois deles revogados.

95º – Leonardo Bonucci

Posição: zagueiro
Clubes na Serie A: Inter (2005-07), Bari (2009-10) e Juventus (2010-hoje)

Revelado pela Inter, Bonucci virou pupilo de Gian Piero Ventura no Pisa (Serie B) e foi com o técnico que ele ganhou sua primeira chance real na primeira divisão, vestindo a camisa do Bari. Na Apúlia ele formou uma elogiada dupla de zaga com Andrea Ranocchia, mas quase todo mundo achava que o jogador mais completo era seu colega. Ledo engano: o defensor lacial acertou com a Juventus e se tornou um dos maiores zagueiros de seu tempo. Integrante do fortíssimo trio BBC, Bonucci tem muita personalidade, é ótimo em todos os fundamentos defensivos e, graças à sua formação como meia central, é especialista em passes e lançamentos. O pentacampeão italiano ainda representou a Squadra Azzurra em duas Euros e duas Copas do Mundo.

94º – Gennaro Gattuso

Posição: volante
Clubes na Serie A: Perugia (1996-97), Salernitana (1998-99) e Milan (1999-2012)

Nem os bons momentos no início de carreira, por Perugia e Salernitana, deveriam fazer um jovem Gattuso pensar que ele chegaria aonde chegou. Sinônimo de raça e liderança, o volante contratado como promessa logo ganhou as chaves do meio-campo, entregues por Carlo Ancelotti. Em 13 anos de Milan, ele se multiplicou em campo e se doou para os rossoneri, ganhando praticamente tudo o que podia: Serie A, Liga dos Campeões, Mundial Interclubes e Copa do Mundo – além de Coppa Italia e Supercopas italiana e europeia. Em 468 jogos pelo Diavolo, Rino se transformou em símbolo de uma época vencedora e colocou seu nome na história do futebol italiano.

93º – Walter Samuel

Posição: zagueiro
Clubes na Serie A: Roma (2000-04) e Inter (2005-2014)

Samuel é, ao lado de Dejan Stankovic, o estrangeiro com mais títulos da Serie A: seis scudetti, um pela Roma e cinco pela Inter. Não é apenas uma estatística, afinal o argentino foi um pilar em todas as conquistas, escrevendo seu nome a ferro em cada troféu. Na primeira temporada no Belpaese, conquistou o scudetto com a Roma de Capello e ganhou o apelido de The Wall. Ainda passou outros três anos na Cidade Eterna, mas foi após a passagem decepcionante pelo Real Madrid que atingiu seu auge. Na Inter, o zagueiro de muita força física e especialista em bolas aéreas faturou cinco scudetti, uma Liga dos Campeões, um Mundial e 14 títulos no total, se tornando ainda o maior vencedor de dérbis de Milão, com 10 sucessos em 11 clássicos disputados. A temporada de maior destaque do argentino foi a de 2009-10, quando formou uma das melhores defesas do mundo ao lado de Maicon, Lúcio e Javier Zanetti.

92º – Zvonimir Boban

Posição: meio-campista
Clubes na Serie A: Bari (1991) e Milan (1992-01)

Contratado pelo Milan em 1991, teve de esperar um ano para estrear. Isso porque, na época, os times europeus só podiam escalar três estrangeiros – e o time rossonero já tinha Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Marco van Basten. Boban acabou emprestado ao Bari, impressionou por lá, e logo voltou. Tornou-se peça essencial nas equipes que fizeram o Milan ultrapassar a Internazionale em quantidade de títulos italianos, deitou e rolou nos 4 a 0 sobre o Barcelona na decisão da Copa do Campeões de 1994 e viu-se líder de um vestiário cheio de estrelas. O auge do croata se deu na temporada 1998-99, ao conquistar seu nono e último título na Itália. O Zorro deixou Milão com 251 partidas e 30 gols. Depois, formou-se em História na Universidade de Zagreb.

91º – Júnior

Posição: lateral-esquerdo e meio-campista
Clubes na Serie A: Torino (1984-87) e Pescara (1987-89)

Ídolo do Flamengo e da seleção brasileira, Leovegildo Lins da Gama Júnior só desembarcou na Europa aos 30 anos, quando o Torino pagou 2 milhões de dólares para tirá-lo do Rio, em 1984. Ao chegar, pediu para jogar no meio-campo. Sorte da equipe tê-lo atendido: o brasileiro foi o melhor do time logo na primeira temporada, marcada pelo vice-campeonato italiano. Jogou em alto nível por dois anos e meio. Caiu de rendimento após brigar com o técnico e fechou com o Pescara. Livrou o time da queda na primeira temporada, mas sucumbiu na segunda. Deixou a Itália rebaixado, mas eleito o segundo melhor estrangeiro daquele campeonato, à frente de Careca, Ruud Gullit e Diego Maradona, perdendo apenas para Lothar Matthäus.

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