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Preben Elkjaer, ídolo instantâneo do Verona nos anos 80

Alguns nascem para ser estrelas nas maiores realidades do futebol, em meio a elencos repletos de craques; outros são predestinados a brilhar em situações menos glamourosas, mas sendo protagonistas de grandes histórias do esporte. O dinamarquês Preben Elkjaer Larsen, campeão italiano com o Verona na década de 1980, construiu sua carreira sendo parte integrante do segundo grupo de atletas descrito por nós acima.

Elkjaer nasceu em Copenhagen, capital da Dinamarca, e começou sua carreira nas divisões de base de clubes da região, como o Frederiksberg e o KB. Em franco desenvolvimento, o atacante começou a ser convocado para a seleção sub-19 do país e foi adquirido pelo Vanløse, estreando profissionalmente em 1976. Elkjaer, no entanto, ficou pouco em sua terra natal: o Köln, da Alemanha, assegurou a contratação do jovem de 20 anos em janeiro de 1977. Na mesma época, foi convocado para o time principal da nação nórdica.

O dinamarquês faturou uma Bundesliga e duas Copas da Alemanha, mas entrou muito pouco em campo e só marcou um gol. Farrista, Elkjaer não se adaptou ao clima extremamente profissional e disciplinado dos vestiários alemães – inclusive, uma anedota envolvendo o atacante e o técnico Hennes Weisweiler é lembrada até hoje. O treinador lhe perguntou se era verdade que ele havia sido visto em uma noitada com uma garrafa de uísque e uma garota. Elkjaer prontamente respondeu, prontamente que era mentira. “Eu estava com uma garrafa de vodca e duas garotas”.

As desavenças com o treinador levaram Elkjaer Larsen ao pequeno Lokeren, da Bélgica, pelo qual atuou por cinco anos. Neste período, o atacante ganhou o apelido de “O Louco de Lokeren” e, com quase 100 gols, ajudou os tricolores a atingirem seus melhores resultados em torneios nacionais e continentais: os segundos lugares no Campeonato Belga e na copa local e as quartas de final da Copa Uefa. Elkjaer foi titular pela Dinamáquina na Euro 1984 e, com dois gols, ajudou a seleção a alcançar as semifinais e atingir seu maior resultado em termo esportivos até aquele momento.

Eleito jogador dinamarquês do ano, em 1984, Elkjaer se transferiu para a Itália, que já se consolidava como o país em que se disputava a mais forte liga. O destino do atleta de 27 anos foi o Verona, equipe que não tinha grande história, mas que acumulara bons resultados no início daquela década e resolvera investir em dois reforços de peso: além do dinamarquês, o Hellas acertou com o alemão Hans-Peter Briegel.

Elkjaer e Briegel foram os dois reforços estrangeiros para a campanha do Hellas (Yahoo)

Elkjaer Larsen valeu cada centavo investido pelos butei – cerca de 2,5 bilhões de velhas liras. Em Verona, o dinamarquês ganhou o apelido de “Cavalo Doido”, pela potência, determinação, dinamismo e velocidade, o que o fazia lutar por todas as bolas – algo louvável para um fumante inveterado, que acendia um cigarro até mesmo no intervalo das partidas. No Marcantonio Bentegodi, ele se consolidou como um dos atacantes mais perigosos dos anos 1980e foi um dos grandes destaques do time na temporada 1984-85, foi histórica para os scaligeri.

O Cavalo Doido marcou oito vezes e foi o terceiro artilheiro do time em sua temporada de estreia, atrás de Giuseppe Galderisi e Briegel, mas foi o responsável por alguns dos gols mais importantes da equipe na campanha do scudetto. O segundo de seus tentos pelos butei foi antológico: na vitória sobre a Juventus, arrancou pela esquerda, fugiu de dois carrinhos, perdeu sua chuteira e, mesmo assim, balançou as redes com o pé descalço – o que lhe valeu o apelido de “Cinderelo”. Elkjaer ainda guardou o gol do título, no empate contra a Atalanta.

Com os gols do nórdico, o Hellas faturou seu único scudetto e estabeleceu uma marca importante: é o único clube vindo de uma cidade que não é a capital de sua região a ter sido campeã italiana na era dos pontos corridos – Verona fica no Vêneto, cuja sede administrativa é Venezia. A façanha foi ainda maior porque os adversários dos mastini eram nada mais nada menos que a Juventus de Paolo Rossi, Michel Platini, Antonio Cabrini e Gaetano Scirea; a Inter de Walter Zenga, Giuseppe Bergomi, Alessandro Altobelli e Karl-Heinz Rummenigge; o Milan de Pietro Paolo Virdis e Franco Baresi; a Roma de Paulo Roberto Falcão, Carlo Ancelotti e Roberto Pruzzo e o Napoli de Diego Maradona. Sem contar o Torino de Aldo Serena (vice-campeão), a Fiorentina de Sócrates, a Udinese de Zico, a Atalanta de Roberto Donadoni e a Sampdoria de Roberto Mancini.

O desempenho assombroso daquele Verona e o protagonismo de Elkjaer lhe renderam ainda mais reconhecimento internacional. O dinamarquês foi terceiro colocado na Bola de Ouro em 1984 e segundo colocado no ano seguinte – Platini venceu nas duas ocasiões. O atacante anda disputou uma ótima Copa de 1986 com a Dinamarca, estreante na competição e eliminada nas oitavas de final pela Espanha, a mesma algoz da Euro: graças aos quatro gols marcados e a uma grande parceria com Michael Laudrup, Elkjaer foi eleito o terceiro melhor jogador do Mundial.

Em quatro anos de Verona, Elkjaer entrou para a história do clube (Corriere della Sera)

Após a sensacional temporada de estreia, Elkjaer ainda teve bom desempenho em 1985-86, ano em que anotou 14 gols, mas não conseguiu ajudar o Verona a decolar na Serie A, na Coppa Italia e na Copa dos Campeões. O Cavalo Doido continuou jogando com regularidade e foi, três vezes seguidas, o melhor marcador do clube na temporada, mas o Verona não manteve o mesmo nível da temporada gloriosa do scudetto – o melhor desempenho foi o 4º lugar de 1987. Com quase 31 anos, Elkjaer acabou deixando o Vêneto para encerrar a carreira na Dinamarca.

Já em baixa, Elkjaer assinou pelo Vejle, de sua terra natal, mas não conseguiu entrar em campo muitas vezes, por causa de uma série de lesões. Dessa forma, ele decidiu se aposentar em 1990, aos 33 anos. À essa época, o atacante já havia também deixado a seleção dinamarquesa, com a qual realizou sua última partida na Euro 1988. Com 38 gols pela Dinamáquina, Elkjaer é o quinto maior artilheiro dos alvirrubros.

Elkjaer Larsen ficou cinco anos afastado do futebol até tentar um breve retorno, como treinador do Silkeborg. Após um ano na nova ocupação, o ex-atacante decidiu ser comentarista, mas também não se fixou na área. O Cavalo Doido prefere mesmo uma vida sem amarras.

Preben Elkjaer Larsen
Nascimento: 11 de setembro de 1957, em Copenhagen, Dinamarca
Posição: atacante
Clubes como jogador: Vanløse (1976), Köln (1977-78), Lokeren (1978-84), Verona (1984-88) e Vejle (1988-90)
Títulos como jogador: Bundesliga (1978), Copa da Alemanha (1977 e 1978) e Serie A (1985)
Carreira como técnico: Silkeborg (1995-96)
Seleção dinamarquesa: 69 jogos e 38 gols

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