Listas

Os 5 maiores técnicos da história da Juventus

Nenhum país leva mais a sério a função de um técnico do que a Itália. Em outra ocasião, demos destaque ao trabalho destes profissionais quando fizemos o guia tático do futebol italiano, no qual falamos quais treinadores revolucionaram a história do esporte na Bota. Hoje começamos uma nova série, similar àquelas dos jogadores mais importantes dos principais clubes do Belpaese e do campeonato: listaremos os treinadores que marcaram época nos times e também criaremos um ranking com os melhores desde o estabelecimento da Serie A. Começamos com a Juventus, a maior vencedora de scudetti.

Em seus quase 120 anos de existência, a Juve teve 44 técnicos – 10 dos quais comandaram o time de forma interina. Somente em 1923 é que a figura do treinador foi estabelecida de forma definitiva na equipe, e foi o húngaro Jenő Károly que teve o privilégio de ser o pioneiro, após ser contratado pelo presidente Edoardo Agnelli. Desde então, ao menos 23 treinadores ganharam troféus pelo clube, mas menos de 10 fizeram história – falaremos mais detalhadamente sobre cinco deles logo abaixo.

Entre os treinadores estrangeiros, tal qual Károly, a Juve viu o sucesso do ítalo-argentino Renato Cesarini, vencedor de duas Serie A e uma Coppa Italia nos anos 1950, e do checoslovaco Cestmír Vycpálek (tio de Zdenek Zeman), ganhador de dois scudetti na década de 1970. O paraguaio Heriberto Herrera, que ficou em Turim entre 1964 e 1969 e levantou duas taças, também marcou época: é o estrangeiro com mais jogos à frente do clube (215). Um brasileiro chegou a treinar o time: Paulo Amaral, que não obteve sucesso nos anos 1960.

Mas foram mesmo os italianos que tiveram maior identificação e mais conquistas na agremiação de mais torcida do país. Entre os vitoriosos que não serão perfilados por nós, vale mencionar o atual técnico do clube, Massimiliano Allegri, bicampeão da Serie A e da Coppa Italia, que vai cavando seu lugar na história juventina dia após dia – podendo até galgar espaços em um futuro ranking. Outro que merece uma notinha de rodapé é Fabio Capello. Oficialmente, o sisudo comandante não tem conquistas pela Velha Senhora, mas foi ele que levou a Juve a um bicampeonato nacional em 2005 e 2006 – títulos revogados pelo Calciopoli.

Critérios

Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.

5º – Carlo Parola

Período no clube: 1959-61, 1961-62 e 1974-76
Títulos conquistados: Serie A (1960, 1961 e 1975) e Coppa Italia (1959 e 1960)

Parola foi um dos zagueiros mais importantes da história da Juventus – no momento em que ele virou treinador da equipe, talvez fosse o mais significativo, inclusive. O ex-xerife da zaga não tinha grande currículo fora das quatro linhas quando assumiu o cargo em 1959, tendo Renato Cesarini a seu lado, como diretor técnico, mas já chegou conquistando títulos: a primeira dobradinha da história bianconera, com as taças da Serie A e da Coppa Italia. Era Parola quem dava os treinos e comandava a Juventus à beira do campo, quando a Velha Senhora tinh um dos times mais importantes de sua história, com o Trio Mágico, formado por Giampiero Boniperti, John Charles e Omar Sívori.

No ano seguinte, ainda com Cesarini, e depois com Gunnar Gren, Parola levou a equipe à conquista de mais uma Serie A, no último ano do Trio Mágico, que deixou de existir com a aposentadoria de Boniperti. O treinador deixou o cargo ao fim da temporada, mas logo foi chamado para substituir Gren, e fazendo nova dupla, desta vez com Július Korestelev: dessa vez, porém, a temporada foi falimentar e a Juve ficou com a 12ª posição, a pior em sua história. Demitido, Parola rodou em equipes menores até meados dos anos 1970, quando foi chamado por Boniperti, agora presidente da Juve, para voltar ao comando técnico do clube. Com influências do Futebol Total holandês, Parola armou um time dinâmico, que ficou com o título em 1975 e o vice em 1976 – as rusgas internas do elenco atrapalhara. Foi o último trabalho da carreira do treinador.

4º – Antonio Conte

Período no clube: 2011-14
Títulos conquistados: Serie A (2012, 2013 e 2014) e Supercopa Italiana (2012 e 2013)

Assim como Parola, Conte tinha um importante passado como jogador juventino e um currículo modesto como treinador quando foi alçado ao cargo de comandante da Juventus. A falta de experiência como técnico em grandes equipes não atrapalhou o ex-capitão, que durante seus tempos como atleta foi treinado por gente do quilate de Giovanni Trapattoni, Arrigo Sacchi, Marcello Lippi e Carlo Ancelotti. Em seu primeiro desafio à frente de um time grande, Conte soube usar as peças que tinha à disposição, e alternando entre o 3-5-2 e o 4-3-3, devolveu à Velha Senhora a soberania perdida após o rebaixamento, consequência do Calciopoli.

Nenhuma equipe foi capaz de dar testa à Juve de Conte. Nos três anos em que o atual técnico do Chelsea treinou a Juve, a Velha Senhora alcançou diversos recordes e cinco títulos, incluindo o tricampeonato italiano. Não bastasse ter vencido tanto, a intensidade, a organização e a vontade de vencer que o salentino construiu em Vinovo ficou como herança para Massimiliano Allegri, que manteve a gigante bianconera no topo da Itália e entre os times mais competitivos de toda a Europa.

3º – Carlo Carcano

Período no clube: 1930-34
Títulos conquistados: Serie A (1931, 1932, 1933 e 1934)

O elegante Carlo Carcano foi um dos primeiros grandes técnicos de equipes italianas. Ex-jogador da Alessandria, o lombardo realizou um bom trabalho à frente do clube que o formou e também passou brevemente pela seleção italiana antes de elevar a Juventus de patamar em solo nacional. Quando Carcano chegou, em 1930, o time bianconero tinha apenas dois scudetti, mas ele fez uma revolução na história do clube. O comandante iniciou o período conhecido como Quinquennio d’Oro, que valeu à Velha Senhora o primeiro pentacampeonato consecutivo de qualquer agremiação na Bota. A marca ainda é um recorde a ser batido na Serie A, já que apenas Torino, Inter e a própria Juventus conseguiram igualá-lo.

Protagonista do time na década de 1930, Carcano esteve presente em quatro das cinco conquistas, estabelecendo o recorde de scudetti consecutivos para treinadores, que também perdura até a atualidade. O treinador, que também foi auxiliar de Vittorio Pozzo na vitoriosa campanha da Itália na Copa de 1934, só não ficou mais tempo na Juve porque o fascismo dominante naqueles tempos sombrios do Belpaese não permitiu. Carcano foi demitido sem maiores explicações, mas jornais da época afirmavam que o clube de Turim rompeu com seu ídolo por uma suposta homossexualidade de Carcano, que nunca confirmou o boato. Fato é que, depois disso, sua carreira decaiu.

2º – Marcello Lippi

Período no clube: 1994-99 e 2001-04
Títulos conquistados: Serie A (1995, 1997, 1998, 2002 e 2003), Supercopa Italiana (1995, 1997, 2002 e 2003), Liga dos Campeões (1996), Mundial Interclubes (1996) e Supercopa Uefa (1996)

Durante muito tempo, falar em Lippi era falar em Juventus. Apesar de ter treinado a seleção italiana duas vezes – em uma, foi tetracampeão mundial – e de ter feito trabalhos muito bons em Cesena, Atalanta e Napoli, a identificação do treinador toscano é completa com a Velha Senhora, clube em que trabalhou duas vezes, num total de oito anos. Considerado antipático por boa parte dos não-juventinos, Lippi mesclou influências do trabalho de Arrigo Sacchi com o velho jogo à italiana para fazer da Juve uma máquina nos anos 1990 e início dos 2000.

Na primeira passagem por Turim entre 1994 e 1999, Lippi conquistou, entre outros títulos, três scudetti, um Mundial Interclubes e foi a duas finais de Liga dos Campeões – foi vencedor uma vez –, enquanto em seu segundo período bianconero, foi campeão italiano em mais duas oportunidades. Em ambos os trabalhos, Alessandro Del Piero era o centro do esquema e o foco de criação e finalização das jogadas de elencos que atacavam com dinâmica e pressão para contra-atacar. Além disso, Lippi solidificou na Juventus uma tradição de um futebol de marcação muito aplicada, grandes defesas e poucos gols sofridos. Não à toa, o treinador nascido em Viareggio foi coroado também com muitos prêmios a seu trabalho durante a carreira, sendo eleito melhor profissional da Itália e da Europa.

1º – Giovanni Trapattoni

Período no clube: 1976-86 e 1991-94
Títulos conquistados: Serie A (1977, 1978, 1981, 1982, 1984 e 1986), Copa Uefa (1977 e 1993), Coppa Italia (1979 e 1983), Copa dos Campeões (1985), Mundial Interclubes (1985), Supercopa Uefa (1984) e Recopa Europeia (1984)

Um dos maiores técnicos da história do futebol italiano e europeu, Trapattoni começou a se tornar um dos mais vitoriosos comandantes do mundo na Juventus. Ele chegou à Velha Senhora em 1976, após estrear pelo Milan, e ficou no clube por uma década, estabelecendo o ciclo mais duradouro de toda a história do Belpaese – Trap ainda teve um retorno a Turim em 1991, totalizando 13 anos à frente da gigante bianconera. Neste período, o milanês comandou a equipe em 598 jogos, com 53,34% de aproveitamento e 14 títulos conquistados.

Eleito duas vezes Seminatore d’Oro – prêmio conferido ao melhor técnico da Serie A –, Trapattoni é o recordista em número de scudetti (sete) e venceu o Campeonato Italiano seis vezes pela Juventus – o que significa dizer que quase 20% dos títulos nacionais do clube têm o seu dedo. Pioneiro da zona mista, estilo de jogo com fortes influências do catenaccio e do Futebol Total, Trap montou o time juventino mais lembrado de toda a história, com uma das defesas mais sólidas de todos os tempos: ao longo deste período, teve Dino Zoff, Stefano Tacconi, Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini, Marco Tardelli, Paolo Rossi, Zbigniew Boniek e Michel Platini como pilares. Sob a batuta do Trap, uma lenda viva, a Velha Senhora também venceu a Copa dos Campeões e o Mundial Interclubes pela primeira vez em uma sua história.

Deixe um comentário