Listas

Os 5 maiores técnicos da história do Torino

Hora do rival. Depois de começarmos a nossa série sobre os melhores treinadores do futebol italiano ao falarmos da Juventus, trazemos o ranking dos técnicos que ajudaram a escrever a história do Torino. E, adiantamos, teremos surpresas no texto.

A princípio os leitores poderiam imaginar que a lista teria uma série de profissionais responsáveis pelo sucesso do Grande Torino nos anos 1940, mas não: o esquadrão que encantou o mundo e faleceu em um desastre aéreo em Superga não tinha os treinadores como seu grande forte. András Kuttik, Antonio Janni, Mario Sperone, Leslie Lievesley ou os diretores técnicos Roberto Copernico e Ernő Erbstein não entraram no nosso ranking, embora tenham sido importantes para o clube. Houve quem os superasse.

Ao contrário da rival Juve, o Torino teve muitos treinadores – a crise que culminou em rebaixamentos nos anos 1990 e 2000 fez este número crescer. Dentre os 91 profissionais que comandaram o clube, alguns outros que não viveram a década de ouro grená merecem citação: o primeiro deles é Vittorio Pozzo, pioneiro em Turim. O bicampeão mundial com a Itália em 1934 e 1938 comandou o Torino entre 1912 e 1922. Outros dois técnicos de relevo e que também tiveram seus bons momentos no Piemonte foram Nereo Rocco (1963-67) e Edmondo Fabbri (1967-69 e 1974-75). Nenhum dos citados, porém, deu mais alegrias do que os cinco que elencamos abaixo.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.

5º – Gian Piero Ventura

Período no clube: 2011-16
Títulos conquistados: nenhum

Atual técnico da Itália, Ventura tinha uma carreira bastante modesta até chegar ao Torino. Especialista em fazer times subirem de divisão, o genovês assumiu o Toro na Serie B com o objetivo de levá-lo à elite, mas acabou se tornando uma solução de longo prazo para os granata. Surpreendentemente, o veterano treinador permaneceu por cinco anos em Turim e comandou a equipe por 207 partidas consecutivas, batendo o recorde estabelecido por Luigi Radice. Depois de conseguir o retorno à elite logo em seu primeiro ano no clube, Ventura construiu um time sólido, equilibrado na defesa e com um contra-ataque mortal. Graças a ele, o Torino voltou a competir na Serie A sem correr riscos de rebaixamento e, ainda por cima, conseguiu se classificar para uma competição europeia depois de mais de 20 anos – na Liga Europa eliminou o Athletic Bilbao e só caiu para o Zenit.

O lígure ainda conseguiu quebrar um jejum incômodo para a torcida grená: jogou de igual para igual com a Juventus e comandou o Toro na primeira vitória no clássico local desde 1995. Além de contribuir para que o Torino voltasse a ter força dentro da Itália e ser respeitado internacionalmente, o treinador valorizou jogadores como Kamil Glik, Alessio Cerci, Ciro Immobile, Omar El Kaddouri, Danilo D’Ambrosio, Nikola Maksimovic, Bruno Peres, Andrea Belotti e Matteo Darmian, ajudando a tirar a agremiação do vermelho.

4º – Tony Cargnelli

Período no clube: 1927-29, 1934-36 e 1940-42
Títulos conquistados: Serie A (1928) e Coppa Italia (1936)

Austríaco, mas de origem italiana, Anton “Tony” Cargnelli não tinha um currículo recheado quando assinou com o Torino, em 1927: aos 38 anos, o ex-jogador de carreira modesta treinara apenas o Mühlburg, da Alemanha, e o Timisoara, da Romênia. Eram outros tempos, nos quais a figura do técnico apenas começava a ganhar importância, mas Cargnelli foi contratado para dar ao Toro o primeiro scudetto – os grenás haviam vencido em 1926-27, mas tiveram o título confiscado por fraude.

Logo em seu primeiro ano em Turim, o ítalo-austríaco conseguiu aproveitar a boa base que o time já tinha e conduziu os granata ao título, aproveitando o melhor de estrelas do clube, como Adolfo Baloncieri (tido como um dos melhores meias da época), o artilheiro Julio Libonatti e também Gino Rossetti, Mario Sperone e Antonio Janni. Após o vice-campeonato em 1929, Cargnelli rodou pela segunda e pela terceira divisões até retornar ao Toro em 1934, para salvar o time de um rebaixamento e conquistar uma Coppa Italia. O treinador ainda teve uma terceira passagem pelo clube nos anos 1940, mas saiu antes de os grenás se tornarem o Grande Torino. Com tanta identificação com Turim, Cargnelli ficou na cidade após se aposentar e lá viveu até seu falecimento, em 1974.

3º – Emiliano Mondonico

Período no clube: 1990-94 e 1998-2000
Títulos conquistados: Coppa Italia (1993) e Copa Mitropa (1991)

Técnico de poucos títulos, mas muito querido pelo meio futebolístico, Mondonico atingiu o auge da sua carreira comandando o Torino na primeira metade dos anos 1990. Após passagens consistentes por Cremonese e Atalanta, Mondo voltou ao time em que atuou como jogador e, de cara, conseguiu resultados expressivos com seu estilo de jogo organizado e de muitos cuidados defensivos. Com um elenco relativamente modesto, o Toro ficou com a 5ª posição e a terceira melhor defesa da Serie A, classificando-se à Copa Uefa. A equipe granata também venceu a Copa Mitropa, competição disputada por campeões das segundas divisões de Áustria, Hungria, República Checa e Itália, além do vice da Serie B.

A obra-prima da carreira de Mondo, porém, foi o trabalho realizado na temporada 1991-92, uma das melhores campanhas grenás após a década de 1940. Mondonico conduziu o time a um terceiro lugar na Serie A, com a melhor defesa do torneio, e ainda colocou o Torino em uma inédita final de competição europeia: com direito a agir como carrasco do Real Madrid, a equipe só caiu na Copa Uefa frente ao Ajax – em um dos jogos da decisão, o treinador ainda protestou de forma veemente contra a arbitragem, ganhando ainda mais o amor dos torcedores. No ano seguinte, para coroar seus primeiros anos como técnico em Turim, Mondo levantou a Coppa Italia, encerrando o ciclo vencedor em 1994. Quatro anos depois, o lombardo foi contratado novamente para levar a equipe, imersa em dívidas, de volta à elite. Especialista em acessos que é, ele conseguiu, mas rescindiu o contrato depois de um rebaixamento.

2º – Luigi Ferrero

Período no clube: 1945-47
Títulos conquistados: Serie A (1946 e 1947)

O Grande Torino foi um dos maiores times da história do futebol mas, ao contrário da maioria das equipes que marcaram época, ele não teve um único treinador responsável por ficar com os méritos  da criação. O pentacampeonato conquistado pelo Toro entre 1943 e 1949 é filho de vários pais: uma construção coletiva, com cinco profissionais diferentes. Eles comandaram uma mesma e refinada base de jogadores, que contava com Mario Rigamonti, Ezio Loik, Romeo Menti, Franco Ossola, Gugliemo Gabetto e, claro, Valentino Mazzola. Luigi Ferrero, que foi atacante granata na década de 1930, foi o mais duradouro treinador do período e o único a ter sido bicampeão italiano pelo clube.

O treinador turinês é pouco lembrado fora de sua cidade natal, mas foi ele quem esteve no comando da equipe em em uma de suas temporadas mais marcantes, a de 1946-47. Naquela ocasião, o time venceu 28 jogos e perdeu apenas três em 38 partidas, conquistando o título com 10 pontos de vantagem com relação à vice-campeã, a rival Juventus. A equipe marcou absurdos 104 gols e teve um saldo positivo de 69 tentos, um recorde que seria quebrado pelo próprio Torino no ano seguinte. Depois do sucesso em Turim, Ferrero também foi treinador de Fiorentina, Lazio e Inter, mas nem de longe repetiu os feitos que conseguiu no antigo estádio Filadélfia.

1º – Luigi Radice

Período no clube: 1975-80 e 1984-89
Títulos conquistados: Serie A (1976)

Gigi Radice sobreviveu a alguns dos ambientes de maior pressão na Itália, como os de Milan, Inter, Roma e Fiorentina, mas o seu feito mais emocionante foi devolver a grandeza a um clube nobre, mas que teve sua trajetória marcada por um desastre. Um dos idealizadores do modelo de jogo conhecido como zona mista, o técnico lombardo fez do Torino um time a ser temido pela marcação pressão e por uma dupla de ataque fulminante. Com esta fórmula, a equipe mostrou uma eficiência categórica e foi campeã da Serie A em 1975-76, naquele que foi o primeiro e único scudetto grená após a Tragédia de Superga. A taça valeu ao técnico o prêmio Seminatore d’Oro, dado ao melhor profissional da temporada.

Comandando ícones do Torino, como o lateral Claudio Sala e os atacantes Paolo Pulici e Francesco Graziani, Radice ainda conseguiu levar os granata a dois vice-campeonatos, um terceiro e um quinto lugares entre 1977 e 1980 – somente em seus anos de ouro o Toro esteve tão frequentemente no alto da tabela da Serie A. Depois de não lograr êxito em quatro clubes, de 1980 e 1984, Radice voltou a Turim e defendeu as cores grenás por mais cinco temporadas. Neste período, conquistou mais um vice do Italiano, em 1985, e também ficou com a segunda colocação na Coppa Italia, em 1988. Apesar de ter deixado o clube por ter sido incapaz de evitar o rebaixamento em 1989, o técnico que mais vezes esteve à beira do gramado comandando o Torino manteve uma relação indelével de carinho com a torcida.

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