Liga dos Campeões

Italianos na Europa, semana 4: Balde de água fria

Salva o que eu estraguei, cara! Handanovic se destacou em mais um dia pavoroso
da zaga da Inter, mas não evitou nova derrota (Getty)

Falta muito pouco para que a Inter concretize um dos maiores vexames de sua história – tão feio quanto esse uniforme verde limão e azul que a Nike inventou para esta temporada. O time de Milão viajou para a Inglaterra com o objetivo de somar pelo menos um ponto diante do Southampton, seu adversário mais difícil no Grupo K da Liga Europa. Não conseguiu.

Dias depois da demissão do técnico Frank De Boer, a Inter (comandada pelo interino Stefano Vecchi, treinador do time sub-20) encarava um dos maiores desafios de 2016-17. A derrota contra os Saints de Claude Puel seria um resultado aceitável, mas não depois dos tropeços contra Hapoel Be’er Sheva e Sparta Praga. O primeiro tempo foi relativamente positivo para os nerazzurri, que aguentaram a pressão e saíram na frente, com o habitual gol de Icardi. Quando a arbitragem assinalou pênalti discutível de Perisic e Handanovic defendeu a cobrança de Tadic, parecia que a sorte estaria do lado italiano. Ledo engano.

O Southampton se perdeu após o gol sofrido e a cobrança desperdiçada, mas se arrumou na volta do intervalo. Ward-Prowse, Redmond e van Dijk, de cabeça, foram sempre perigosos, mas Handanovic estava defendendo tudo. Ranocchia tentava conter van Dijk de todas as formas (puxou demais o holandês), mas falhou quando uma bola sobrou, tocou no travessão e caiu nos pés do capitão adversário. Em afã, a defesa da Inter também não cortou um cruzamento de Tadic e, atrapalhado, Nagatomo fez contra. O gol que desmontou o time nerazzurro deu também números finais à partida. Com três derrotas em quatro jogos e apenas 3 pontos, a Beneamata vive situação dramática e é a última colocada no grupo – o Sparta lidera, com 9, seguido por Southampton, com 7, e Hapoel Be’er Sheva, com 4.

Ainda pela Liga Europa, o Sassuolo continua sem apresentar regularidade após o grande número de desfalques que assolam o elenco. A equipe de Di Francesco recebeu o Rapid Vienna e fez um primeiro tempo muito bom: abriu 2 a 0, com Defrel e Pellegrini, e ia mantendo o resultado até a reta final da partida, quando cedeu o empate. A desilusão é grande porque o grupo está embolado e a vitória significaria conforto para o time, que ainda recebe o Genk e viaja para enfrentar o Athletic Bilbao. O Grupo F tem a liderança de belgas e bascos, com 6 pontos, e austríacos italianos logo atrás, com 5.

Higuaín marcou seu centésimo gol na Itália, mas Juve tropeçou (LaPresse)

Dos males, o menor

Pela Liga dos Campeões, Juventus e Napoli também não saíram de campo vitoriosos. Os dois empates deram sabor agridoce à campanha dos dois times, que já poderiam ter garantido a classificação, mas ainda seguem com vantagem pela conquista das vagas às oitavas.

Em Turim, a Juventus foi amplamente superior ao Lyon e o gol marcado relativamente cedo, por Higuaín, deu tranquilidade e até certo ritmo festivo: afinal, o Pipita marcou seu centésimo gol por um time italiano. Embora tenha tido domínio territorial, a Velha Senhora exagerou um pouco na dose e fez faltas violentas, que poderiam ter levado às expulsões de Marchisio e Barzagli. Uma prova de que os franceses estavam incomodando mais do que o devido quando chegavam à área bianconera: não à toa, no final da partida, Tolisso empatou em jogada aérea e Lacazette ainda poderia ter castigado mais a Juve. 

De qualquer forma, a equipe de Allegri precisará se esforçar se ainda quiser a primeira colocação no Grupo H, uma vez que tem 8 pontos e o Sevilla, que ainda visitará na Espanha, tem 10. Zerado, o Dinamo Zagreb está eliminado e o Lyon, com 4, é quase carta fora do baralho.

O Napoli, por sua vez, perdeu sua segunda chance consecutiva de se classificar antecipadamente. Se a equipe azzurra poderia ter se classificado na terceira rodada da fase de grupos, chegará à quinta jornada precisando vencer o Dynamo Kyiv, em casa, e torcer contra uma vitória do Besiktas diante do Benfica para ficar com a vaga. Tudo culpa do tropeço contra os turcos em casa, uma vez que o empate em Istambul, nesta terça, foi um bom resultado.

A partida teve muito equilíbrio, mas a forte equipe treinada por Senol Günes foi mais perigosa. No primeiro tempo, Hutchinson contou com erro crasso de Koulibaly, mas acertou a trave, e uma bobeada de Maksimovic originou o gol das águias negras: o zagueiro colocou o braço na bola e cometeu pênalti, bem cobrado pelo carrasco Aboubakar. Só que o Napoli reagiu em seguida, com um lindo gol de canhota do capitão Hamsík. Após o empate, Sarri colocou Diawara no lugar de Jorginho e conseguiu controlar a partida, segurando o pontinho com certa tranquilidade. Napoli e Benfica dividem a liderança, com 7 pontos, seguidos por Besiktas (6) e Dynamo Kyiv (1).

Roma teve vida fácil na Áustria e encaminhou classificação em seu grupo (Getty)

Obrigação cumprida

Quem tinha os compromissos mais fáceis fez valer o favoritismo: Roma e Fiorentina bateram adversários muito inferiores tecnicamente, lideram seus grupos na Liga Europa e precisam de muito pouco para avançarem ao mata-mata da competição.

Jogando fora de casa e com time misto, a Roma de Spalletti foi surpreendida logo no início pelo Austria Vienna – time contra o qual havia tropeçado em casa, num confuso empate por 3 a 3. Aos 2 minutos de jogo Kayode aproveitou uma falha de Alisson ao tentar cortar cruzamento rasteiro e abriu o placar, embora a alegria violeta tenha durado muito pouco: Dzeko empatou aos 4 e De Rossi virou, aos 18. Na segunda etapa, Dzeko aproveitou um belo lançamento de El Shaarawy para fazer o terceiro e Nainggolan, com bela finalização, fez o quarto. Os austríacos ainda diminuíram, mas o 4 a 2 deixou a Roma na liderança do Grupo E, com 8 pontos – o Austria Vienna vem em seguida, com 5, e Astra Giurgiu (4) e Viktoria Plzen (3) ainda estão vivos no torneio.

Por sua vez, a Fiorentina venceu o Slovan Liberec com facilidade outra vez. O 3 a 0 no Artemio Franchi foi praticamente uma formalidade: tão superior era, a viola teve chances para enfiar uma goleada ainda maior, mas esbarrou na falta de pontaria. A classificação dos toscanos no Grupo J está virtualmente garantida – dificilmente o PAOK, terceiro colocado com 4 pontos, superará os 10 da Fiorentina. Eliminado, o Slovan Liberec soma apenas 1 ponto, ao passo que o azeri Qarabag surpreende, com 7 pontos ganhos.

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