Liga dos Campeões

Italianos na Europa, semana 5: Cópia fiel

Bonucci a cada dia se confirma decisivo também no ataque: o zagueiro marcou
e classificou a Juve para as oitavas da Champions (Getty)

A quinta rodada das competições europeias reservou aos italianos vereditos que são retratos fieis das campanhas 2016-17 de cada um dos seis times do país que participam dos torneios Uefa. A Juventus não foi brilhante, mas encontrou os caminhos certos para vencer e se mostrar soberana; a Roma ratificou sua força ofensiva contra times de frágil defesa, enquanto Fiorentina, Inter e Napoli tropeçam nas próprias pernas. O Sassuolo, por sua vez, tenta jogar um bom futebol, mas sofre demais com os desfalques. Com isso, o futebol da Itália tem somente dois times já classificados para o mata-mata continental, outras duas com boas chances de avançar e mais uma dupla eliminada.

Quem entrou em campo primeiro foi a Juventus, na terça. A visita ao Sevilla de Sampaoli pela Liga dos Campeões era o confronto direto não apenas pela classificação, mas pelo primeiro lugar no Grupo H, que a qualificada Velha Senhora praticamente garantiu após a vitória por 3 a 1 na Andaluzia. Com 11 pontos, os bianconeri enfrentam o zerado e frágil Dinamo Zagreb em Turim na rodada final, enquanto o Sevilla (10 pontos) visita o Lyon (7).

O jogo do Ramón Sánchez Pizjuán foi bastante complicado para a pentacampeã italiana. O Sevilla começou com a pressão característica dos times de Sampaoli e marcou o primeiro nos minutos iniciais, quando Pareja aproveitou a sobra de um escanteio e acertou um chute de rara felicidade, sem chances para Buffon. Melhor em campo, a equipe rojiblanca dominava o meio-campo porque Vázquez, N’Zonzi e Vitolo encaixotavam Marchisio, Pjanic e Khedira entre as linhas. O ítalo-argentino ganhava o duelo contra o camisa 8 juventino, até que recebeu dois cartões amarelos em um espaço de cinco minutos e desequilibrou o duelo. Dali para frente, a Juve cresceu: empatou ainda antes do intervalo, quando Marchisio converteu pênalti assinalado por Mark Clattenburg.

A partida, que já tinha ritmo intenso, ficou mais quente após a penalidade marcada e continuou assim no segundo tempo – Sampaoli chegou a ser expulso por reclamação. Allegri já estava satisfeito pelo empate, sobretudo porque a Juve não tinha Barzagli, Dybala e Higuaín, e até já tinha lançado o garoto Kean, tornando-o o primeiro nascido nos anos 2000 a atuar na Champions. Porém, no finalzinho, Bonucci deu o troco em Pareja e, após uma sobra, emendou um canhotaço e fez o gol da virada. Na tentativa de buscar o empate, o Sevilla sofreu um contra-ataque e Mandzukic fez o terceiro, dando números finais ao jogo.

Ao fazer apenas a avaliação do resultado, não dá para desconsiderar que foi uma vitória gigante da Juve contra um time que não tinha sofrido gol algum na competição. Porém, a partida deixa um alerta, uma vez que, nos minutos iniciais a Senhora foi dominada. Na Serie A, a equipe consegue se livrar de situações assim com facilidade, mas na Europa pode não conseguir o mesmo sempre.

A outra equipe da Itália que venceu no meio de semana foi a Roma, comandada por um Dzeko impossível e por um Perotti cada vez mais abusado. Enquanto o bósnio fez três gols – um deles um golaço, em que entortou o zagueiro e bateu no ângulo –, o argentino o ofuscou graças a um golaço digno de prêmio Puskás: veja aqui como ele, de letra, encobriu o goleiro Kozácik e deu números finais ao jogo. O 4 a 1 sobre o fraco Viktoria Plzen ainda teve espaço para uma curiosidade: um jogador chamado Zeman, homônimo do histórico técnico giallorosso, descontou para os checos.

A goleada garantiu a classificação da Roma para os 16 avos de final e a primeira posição no Grupo E, que ainda tem Astra Giurgiu e Austria Vienna brigando por uma vaga. A  Fato é que, diante de uma chave tão simples, o verdadeiro desafio para a Roma em nível europeu começa apenas em 2017.

Coisa feia: a Inter perdeu de novo para equipe israelense e foi eliminada da Liga Europa (Getty)

Vexame consumado
Falando em chave fácil, não tem como não lembrar da Inter. A Beneamata conseguiu ser eliminada com uma rodada de antecedência e com a última posição em um grupo que tinha Southampton, Sparta Praga e o inexpressivo Hapoel Be’er Sheva. Foi diante da equipe israelense, aliás, que o vexame na Liga Europa tomou forma: as duas derrotas para a equipe alvirrubra foram fundamentais para sacramentar uma das maiores vergonhas que os nerazzurri já passaram em competições continentais.

Pioli estreava na Liga Europa com uma missão difícil: fazer a Inter vencer os dois jogos e torcer para o Southampton vencer o Sparta fora de casa. A sua parte a equipe italiana ia fazendo no primeiro tempo, quando demonstrou um futebol muito bom e abriu 2 a 0 em 25 minutos, em duas jogadas criadas por Éder e gols de Icardi e Brozovic.

No intervalo, os jogadores devem ter visto que o Sparta vencia os Saints e se desmotivaram, porque o time voltou transformado em uma versão piorada dos tempos de Mancini e De Boer. O time treinado por Barak Bakhar também voltou diferente e foi para cima, descontando com o brasileiro Lúcio Maranhão, que aproveitou falha de Miranda e, sozinho, cabeceou para as redes.

Minutos depois foi a vez de Murillo falhar e deixar Buzaglo cara a cara com Handanovic: o meia-atacante tentou encobrir o goleiro e errou. Na saída, o esloveno derrubou o adversário e foi expulso por segundo amarelo – levara o primeiro por fazer cera, na primeira etapa. Nwakaeme bateu bem e converteu. A insegurança de Carrizo se fazia sentir e a cada bola fácil que o argentino soltava, o Hapoel Be’er Sheva crescia na partida. Até que Ben Sahar recebeu passe de calcanhar e, nos acréscimos, virou o jogo. Dia histórico para o time de Israel e para a própria Inter, que precisará se refazer emocional e tecnicamente para a disputa da Serie A.

Napoli conseguiu se complicar na LC: poderia se classificar na 3ª rodada e chega
na última partida precisando somar pontos (Getty)

Ainda pela Liga Europa, o Sassuolo também foi eliminado, mas de cabeça erguida. A equipe emiliana começou a competição com ótimos resultados e bom futebol, mas tal qual na Serie A, sofreu com os desfalques de Berardi e Duncan e caiu de rendimento. Nesta quinta, perdeu de 3 a 2 para o Athletic Bilbao e o resultado, aliado à vitória do Genk por 1 a 0 sobre o Rapid Vienna, classificou belgas e bascos. O resultado foi aceitável e valeu pelo espírito de luta e pelo futebol de Ragusa, mas Aduriz foi decisivo – ainda que Balenziaga tenha feito este gol contra impagável.

Por sua vez, a Fiorentina conseguiu se complicar levemente. Não fez um bom jogo contra o Paok e saiu perdendo por 2 a 0; buscou o empate, mas, nos acréscimos, viu o time de Tessalônica achar o gol do 3 a 2, sacramentando o resultado na Toscana. Além de ressuscitar os gregos no Grupo J, a equipe de Paulo Sousa ainda precisará somar pontos na última rodada para garantir a primeira colocação na chave. Isso porque Qarabag (seu próximo adversário, em visita ao Azerbaijão) e Paok agora dividem a vice-liderança com 7 pontos, três a menos que a viola. Os alvinegros da Grécia terão compromisso fácil, contra o eliminado Slovan Liberec.

Quem soube se complicar mesmo foi o Napoli, na Liga dos Campeões. A equipe azzurra teve a chance de ser a primeira equipe na história da competição a se classificar ainda na 3ª rodada e, após resultados ruins, chegará ao último jogo o grupo com grande possibilidade de eliminação. O time de Sarri tem 8 pontos e viajará para Portugal para enfrentar o Benfica, que divide consigo a liderança. Logo atrás, com 7, o ótimo Besiktas visitará o eliminado Dynamo Kyiv. Em caso de vitória turca, só os três pontos interessam aos italianos. Isso porque o Napoli foi incompetente o suficiente para empatar por 0 a 0 contra os ucranianos, em um jogo que teve mais escanteios do que chutes a gol. Sorte da Itália que o coeficiente Uefa não serve mais para muita coisa.

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