Listas

Os 5 maiores técnicos da história da Sampdoria

Um dos times mais tradicionais da Itália, a Sampdoria também é um dos mais novos. A equipe nasceu em 1946, fruto da fusão entre Sampierdarenese e Andrea Doria e já estreou na Serie A, competição que a Sampierdarenese disputava à época. Desde então, 46 treinadores dirigiram a equipe blucerchiata.

Além dos cinco maiores treinadores da equipe, sobre os quais falaremos mais detalhadamente abaixo, quatro merecem ser citados por sua importância em momentos da história doriana. O primeiro deles é Eraldo Monzeglio, zagueiro campeão mundial em 1934 e 1938: o piemontês dirigiu a Sampdoria por quase quatro anos, entre 1958 e 1962, e a levou a honrosos 5º e 4º lugares na Serie A. Muito tempo depois, já na década de 1980, Renzo Ulivieri (1981-84) foi o primeiro técnico da gestão o presidente Paolo Mantovani a ter destaque: tirou a Samp da Serie B e fez campanhas sólidas na elite, preparando o terreno para Eugenio Bersellini e Vujadin Boskov, seus vitoriosos sucessores.

Após decadência no final dos anos 1990, a Samp teve um período de renascimento nos anos 2000, iniciado na gestão do presidente Riccardo Garrone e mantido na atual, de Massimo Ferrero. Walter Novellino foi técnico do clube entre 2002 e 2007 e, além de tirar a equipe do inferno da Serie B, foi responsável por fazê-la retornar à disputa de competições continentais – classificou o time doriano à Copa Uefa. Seu substituto, Walter Mazzarri, também fez a Samp jogar um torneio europeu e a manteve no grupo das equipes mais respeitadas da Itália.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.

5º – Fulvio Bernardini

Período no clube: 1965-71
Títulos conquistados: Serie B (1967)

O romano Bernardini foi um dos maiores treinadores da história do futebol italiano e também deixou sua contribuição para a Sampdoria. Depois de trajetória marcante na Lazio e de conquistar scudetti por Fiorentina e Bologna, o o inventor do esquema “WM elástico” estava em busca de um novo desafio: duas temporadas antes havia vencido a Serie A pelos rossoblù e, mesmo assim, aceitou dirigir uma equipe que nem ousava sonhar com títulos. O Professore acertou com a Sampdoria quando tinha quase 60 anos, já na fase final da carreira, e suas seis temporadas por Gênova, inclusive, foram as últimas por um clube – entre 1974 e 1977, Fuffo dirigiu a seleção italiana.

No primeiro ano, em dupla com Giuseppe Baldini, Bernardini logo experimentou a nova realidade a que estava submetido e não conseguiu fazer os blucerchiati escaparem pela primeira vez do rebaixamento, que aconteceu por causa de apenas um ponto. Mas o pesadelo foi breve: o romano conduziu a equipe ao título da Serie B 1966-67 e depois disso manteve a Sampdoria em posições intermediárias na primeira divisão até 1971, ano em que deixou o comando. Neste período, deu espaço a jovens que se destacaram no clube, como o meia Roberto “Bob” Vieri (pai de Christian Vieri) e o zagueiro Marcello Lippi, e também teve à disposição jogadores experientes, como Luis Suárez e Giovanni Lodetti. Entre 1977 e 1979, poucos anos antes de falecer vítima de esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa, o Professor ainda foi diretor geral doriano.

4º – Eugenio Bersellini

Período no clube: 1975-77 e 1984-86
Títulos conquistados: Coppa Italia (1985)

O emiliano Bersellini teve duas passagens pela Samp e foi em sua segunda gestão que ele ajudou a dar início ao ciclo vitorioso do clube no final da década de 1980 e início dos anos 1990. Apelidado de “Sargento de Ferro” por causa da disciplina exigida nos treinamentos, o técnico chegou a trabalhar em Gênova na fase inicial da carreira, quando só havia passado por Lecce, Como e Cesena, mas acabou sendo rebaixado em seu segundo ano no clube. Somente sete temporadas depois, em seu retorno, é que pode desenvolver seu estilo, baseado na zona mista: cuidados defensivos redobrados e liberdade para os homens de frente desequilibrarem.

Quando acertou com os blucerchiati pela segunda vez, Bersellini já havia faturado um scudetto com a Inter. O treinador também encontrou um clube mais arrumado e com boa saúde financeira, graças aos ambiciosos planos de Paolo Mantovani, empresário que adquirira a Sampdoria em 1979. A temporada 1984-85 foi a mais positiva do período do Sargento de Ferro no Marassi: os craques Graeme Souness e Gianluca Vialli foram contratados e se juntaram a Trevor Francis, Ivano Bordon, Pietro Vierchowod e Roberto Mancini, formando um elenco forte o suficiente para conquistar a Coppa Italia (a primeira dos genoveses) e um quarto lugar na Serie A. Bersellini ainda conduziu os dorianos a um vice da copa em 1986 e a duas temporadas razoáveis no Italiano.

3º – Luigi Delneri

Período no clube: 2009-10
Títulos conquistados: nenhum

Gigi Delneri precisou de apenas uma temporada no Luigi Ferraris para gravar seu nome na história doriana. O treinador friulano chegou à Samp em 2009 com uma dura missão: pelo menos igualar os feitos de Walter Mazzarri, que teve dois anos positivos no clube, levando-o à Copa Uefa. O sósia do inspetor Clouseau já havia realizado trabalhos interessantes em Chievo e Atalanta, mas foi com a Sampdoria que emplacou o seu melhor resultado como milagreiro de equipes médias e pequenas da Itália. O time genovês ficou com uma vaga na Liga dos Campeões, torneio para o qual só havia se classificado uma vez, 18 anos antes. A Samp obteve o feito com recorde de pontos e um returno muito bom, com 41 pontos conquistados.

O time do técnico friulano começou a Serie A com quatro vitórias em quatro jogos – uma delas contra a então campeã, a Inter – e chegou a ser líder isolada da competição. Delneri montava seu time em um 4-4-2 dinâmico, que tinha no zagueiro Daniele Gastaldello e no volante Angelo Palombo os pontos mais sólidos do sistema defensivo e a dupla Antonio Cassano e Giampaolo Pazzini como responsável por fazer a diferença próxima ao gol adversário. O talento de Bari e o Pazzo viveram seu auge justo sob o comando de Delneri: juntos, marcaram 28 gols, fundamentais para a quarta posição e a histórica conquista da vaga europeia. Com o êxito em 2009-10, o treinador acertou com a Juventus.

2º – Sven-Göran Eriksson

Período no clube: 1992-97
Títulos conquistados: Coppa Italia (1994)

Último treinador do presidente Mantovani, Eriksson tinha quase 20 anos de carreira quando assinou com a Sampdoria: o técnico já havia trabalhado na Itália nos anos 1990, por Roma e Fiorentina, e tinha um vasto currículo, com o vice da Copa dos Campeões e títulos da Copa Uefa e dos campeonatos nacionais de Suécia e Portugal. Svennis conquistou somente uma taça pelos blucerchiati de Gênova, mas seus cinco anos renderam a ele seu mais longo período em um clube. O time de Eriksson não era brilhante, mas propunha um futebol bastante objetivo e compacto, que agradava os torcedores.

Após uma primeira temporada modesta, Eriksson teve sua melhor fase na Ligúria em seu segundo ano. A equipe genovesa, que tinha a base vitoriosa do scudetto em 1991 e os reforços de Ruud Gullit e David Platt no time, superou a morte do presidente Mantovani e chegou a brigar pelo título, mas acabou ficando atrás do Milan de Fabio Capello e da Juventus de Giovanni Trapattoni – no entanto, a  Samp comemorou seu último troféu da Coppa Italia, vencida por sonoro 6 a 1 contra o Ancona. O treinador sueco ficou na Sampdoria até 1997, mas o falecimento do cartola acabou fazendo com que os investimentos no time diminuíssem e o time viesse a ter temporadas menos brilhantes até o final da sua gestão. O melhor momento neste período da passagem de Eriksson foi a chegada da equipe à semifinal da Recopa Uefa, em que caiu para o Arsenal.

1º – Vujadin Boskov

Período no clube: 1986-92 e 1997-98
Títulos conquistados: Serie A (1991), Recopa Uefa (1990), Coppa Italia (1988 e 1989) e Supercopa Italiana (1991)

Não havia como ser diferente: por larga margem, Boskov é o maior técnico da história doriana. O sérvio, que também jogou pela Sampdoria, conquistou cinco dos oito títulos oficiais dos blucerchiati e foi um dos grandes responsáveis pela década de ouro da equipe, que durou de meados dos anos 1980 à metade dos 1990. A importância de Boskov para a Samp é diretamente proporcional à dos genoveses para sua própria carreira: embora tenha dirigido clubes e a seleção da antiga Iugoslávia e também tenha tido passagens por outros clubes italianos, suíços, holandeses e espanhois (pelo Real Madrid, conquistou La Liga, Copa do Rei e um vice da Copa dos Campeões), Boskov nunca venceu tanto quanto na Ligúria.

O técnico foi contratado pelo presidente Mantovani (de terno na foto) após um bom trabalho no Ascoli. Seu futebol defensivo e de contra-ataque mortal agradava ao cartola, que via em Boskov o homem certo para comandar um time que tinha excelentes zagueiros, meio-campistas de “quantidade e qualidade”, como se diz na Itália, e atacantes hábeis em se desmarcar e marcar muitos gols. Sob o comando do sérvio, a Samp nunca ficou abaixo da 6ª posição na Serie A (somente em sua segunda passagem, em 1997-98, a equipe ficou em 8º) e ainda enfileirou títulos nacionais e internacionais. Pudera: Boskov tirou o máximo de Pietro Vierchowod, Moreno Mannini, Giuseppe Dossena, Srecko Katanec, Attilio Lombardo, Toninho Cerezo e dos “gêmeos do gol” Roberto Mancini e Gianluca Vialli. O histórico scudetto e a Recopa Uefa (única Serie A e único título continental doriano) são feitos de Boskov, falecido em 2014. Uma façanha que poderia ser ainda maior, caso a equipe não acabasse derrotada na prorrogação da final da Copa dos Campeões pelo Barcelona.

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