Listas

Os melhores jogadores italianos da história da Premier League

Hoje é dia de iniciar uma nova série no blog: falaremos, de tempos em tempos, sobre os jogadores italianos que fizeram sucesso em outros campeonatos europeus. Não poderíamos começar com outro torneio nacional que não fosse a Premier League, já que os ingleses contribuíram muito para o desenvolvimento do futebol na Itália e os nascidos no Belpaese retribuíram, especialmente a partir da década de 1990.

Para dissecar a participação dos melhores jogadores italianos na Premier League, contamos com a luxuosa colaboração do jornalista Daniel Leite, um dos titulares do do podcast We Lose Every Week, especializado em futebol inglês. A viagem do Quattro Tratti à Terra da Rainha começa agora!

Quando o atacante Andrea Silenzi trocou o Torino pelo Nottingham Forest em 1995, abriu-se uma porta pela qual passariam outros 65 jogadores. Dos italianos que já atuaram ou ainda atuam na Premier League, Silenzi talvez tenha sido uma das maiores decepções, com apenas 20 jogos e dois gols – por copas nacionais – no Forest. No entanto, esta não foi exatamente a tendência de desempenho de quem decidiu trocar a Serie A por um campeonato que aprofundava seu processo de internacionalização nos anos 90.

Com a explosão do dinheiro da TV, os clubes ingleses começaram a investir em estrelas de outras nacionalidades e ligas europeias. Os de origem italiana chamavam mais atenção, pela soberania da Serie A naquela época. De defensores sólidos a fantasistas, a Itália ofereceu jogadores relevantes à Premier League, que contribuíram para objetivos imediatos e de médio prazo de suas equipes (pensando até num processo de ascensão de patamar ao longo de temporadas) e, em alguns casos, até para uma melhor imagem global do campeonato.

Peças relativamente importantes trocaram clubes de ponta na Itália por médios da Inglaterra, como Derby County, Middlesbrough e Crystal Palace. Evidentemente houve discípulos de Silenzi, que fracassaram na Premier League, mas a percepção é de que, sobretudo no fim da década de 90 e no início da de 2000, a bancada italiana teve influência positiva. Nos últimos anos, entretanto, o protagonismo dos playmakers foi assumido pelos espanhóis, centroavantes decepcionaram (Rolando Bianchi, Bernardo Corradi e Marco Borriello, por exemplo), e o impacto já não é mais o mesmo.

Talvez o redimensionamento de clubes pequenos e médios ingleses esteja até mais intenso agora, mas as equipes não apostam tanto em compatriotas de Fabrizio Ravanelli, Attilio Lombardo e Paolo Di Canio. Hoje Dimitri Payet vai ao West Ham, Christian Benteke ao Crystal Palace, Xherdan Shaqiri ao Stoke, Salomón Rondón ao West Bromwich e Islam Slimani ao Leicester. São raros os italianos envolvidos no processo. Atualmente, a Premier League tem Matteo Darmian no Manchester United, Angelo Ogbonna e Simone Zaza no West Ham, Vito Mannone e Fabio Borini no Sunderland e Stefano Okaka no Watford.

A influência mais significativa da Itália no futebol inglês foi transferida ao mercado de treinadores. Carlo Ancelotti (2010), Roberto Mancini (2012) e Claudio Ranieri (2016) são campeões da Premier League, e Roberto Di Matteo – ídolo também em campo – foi coautor da página mais impressionante da história do Chelsea ao conquistar a Europa em 2012. Os primeiros meses de Antonio Conte em Stamford Bridge, onde a conexão com a Itália sempre foi especialmente forte, também são muito promissores.

Veja aqui a lista completa dos italianos que já disputaram a Premier League, com eternas promessas como Samuele Dalla Bona, Arturo Lupoli, Nicola Ventola e Federico Macheda a figurões, como Christian Panucci, Alberto Aquilani, Pierluigi Casiraghi, Roberto Mancini, Marco Materazzi e Vincenzo Montella. E, claro, nossos 20 escolhidos, que seguem logo abaixo.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais.

20º – Marco Branca

Posição: atacante
Clube em que atuou: Middlesbrough, 1998-99

Mais lembrado nos tempos recentes por ter sido diretor esportivo da Inter, Marco Branca foi um atacante razoável nos anos 1980 e 1990. O “Cisne de Grosseto” se destacou principalmente com as camisas da própria Beneamata, Udinese, Sampdoria e também com a do Middlesborugh, clube que defendeu já nos anos finais da carreira. Branca acertou com a equipe de Riverside em fevereiro de 1998, quando tinha acabado de completar 33 anos, e teve impacto imediato no time.

À época, o Boro disputava a segunda divisão inglesa, e Branca foi a contratação certeira para alçar os Smoggies de patamar: o italiano marcou nove vezes em 11 partidas e, com a excelente média de gols, ajudou o Middlesbrough a ser vice-campeão da Championship e subir para a Premier League. Branca ainda fez um gol importante contra o Liverpool, nas semifinais da League Cup, na qual o Boro foi derrotado pelo Chelsea, na final. Na temporada que poderia ser de afirmação na elite, o centroavante toscano sofreu uma lesão no menisco e, após somente 23 minutos em campo na Premier League, foi dado como acabado pelos médicos do clube. Branca foi afastado e rompeu com a diretoria: pagou a cirurgia do seu próprio bolso, se recuperou na Inter e entrou com uma representação na Fifa contra o clube inglês. Depois de ganhar a causa nos tribunais, foi indenizado e foi atuar no futebol suíço.

19º – Fabio Borini 

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Chelsea, 2009-11; Swansea City, 2011; Liverpool 2012-13 e 2014-15; e Sunderland, 2013-14 e 2015-hoje
Títulos: Premier League (2010) e FA Cup (2010)
Prêmio individual: Seleção da Euro Sub-21 (2013)

Quando Borini chegou à Inglaterra, ele ainda era um prodígio da base. Cria do Bologna e com passagens pelas seleções sub-16 e sub-17 da Itália, o atacante acertou com o Chelsea e concluiu sua formação como profissional pelos clube londrino, no qual continuou arrebentando, em especial na FA Youth Cup. O jogador emiliano estreou pelo time principal dos Blues em 2009, quando tinha 18 anos, mas recebeu pouquíssimas oportunidades. Assim, foi emprestado ao Swansea City, em março de 2011,  e foi fundamental para o primeiro acesso do clube galês à Premier League em toda a história, com seis gols anotados em 12 partidas.

Em fim de contrato com o Chelsea, o atacante foi adquirido pelo Parma, que quase imediatamente o revendeu para a Roma. A positiva temporada 2011-12 pelo clube giallorosso fez com que o atacante recebesse a convocação para a Euro 2012 e retornasse para a Inglaterra graças a um velho conhecido: o técnico Brendan Rodgers, ex-Swansea, o levou ao Liverpool. Devido a uma séria lesão no pé e à má fase, o italiano jogou poucas vezes pelos Reds e marcou somente três vezes em dois anos em Anfield. No Sunderland, a história foi diferente: emprestado aos Black Cats em 2013-14, ele anotou sete gols na Premier League e três na League Cup, ajudando a equipe do nordeste da ilha a ser vice da copa e a permanecer na elite inglesa. Em 2015, Borini voltou ao Stadium of Light e manteve a média de atuações, colaborando mais uma vez com a manutenção do SAFC na mais prestigiosa liga do país.

18º – Matteo Sereni

Posição: goleiro
Clube em que atuou: Ipswich Town, 2001-02

A cara de poucos amigos não mente: Sereni era um goleiro brigão, daqueles que mostram a liderança em campo. O jogador, nascido em Parma, teve uma digna carreira na Itália – defendeu com bom nível Sampdoria, Piacenza, Empoli, Lazio, Torino e Brescia – e teve uma curta, mas importante passagem pelo futebol inglês. Em 2001, a Samp o negociou com o Ipswich Town porque estava com problemas financeiros, e o emiliano aproveitou para ser titular dos Tractor Boys na Premier League.

Sereni chegou ao leste da Inglaterra para disputar posição com Andy Marshall, mas não demorou para se estabelecer na meta dos Blues. O Ipswich caiu na Copa Uefa diante da Inter, foi rebaixado e teve a pior defesa da Premier League, mas o italiano não teve culpa pelo desempenho negativo – ao contrário, se destacou com seu estilo seguro e de agilidade, apesar do físico parrudo. Ao fim da temporada, Sereni não ficou para disputar a segunda divisão e foi emprestado ao Brescia, que contava com Roberto Baggio e disputava a Serie A.

17º – Nicola Berti

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Tottenham, 1998-99
Título: League Cup (1999)

Ícone da Inter nos anos 1980 e 1990, Berti teve uma curta – mas importante – passagem pelo Tottenham. O meio-campista chegou na Terra da Rainha com quase 31 anos, mas conseguiu encaixar seu estilo de muito dinamismo e trabalho duro no futebol inglês, convertendo-se em uma peça valiosa em tempos de entressafra dos Spurs.

O box to box italiano trocou Milão por Londres em janeiro de 1998, quando foi liberado pelos nerazzurri. Na primeira temporada em White Hart Lane, fez 15 jogos e três gols, que ajudaram os Lilywhites a escaparem do rebaixamento na reta final da Premier League. Querido pela torcida, Berti ainda continuou para a disputa da temporada 1998-99 e colaborou com o início da campanha do título da League Cup, mas deixou o clube no mercado de inverno, rumo ao Alavés, da Espanha.

16º – Alessandro Diamanti

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: West Ham, 2009-10

De carreira tão sinuosa quanto a trajetória que as bolas fazem em suas cobranças de falta, o fantasista Diamanti teve na Inglaterra uma das etapas mais significativas de sua carreira. Alino chegou aos Hammers depois de encantar a Itália com a camisa do Livorno: ele não evitou a queda dos amaranto para a segundona, em 2007-08, mas marcou 16 gols no ano seguinte, reconduzindo o time toscano para a Serie A. Dessa forma, chegou a Boleyn Ground com o aval de alguém que conhecia bem a sua função – Gianfranco Zola, então técnico da equipe.

O habilidoso canhotinho foi o 800º jogador da história do West Ham e, embora não tenha sido titular absoluto, foi uma peça vital para que os Hammers não fossem rebaixados. Em 28 partidas, Alino marcou sete gols – quatro de pênalti, já que era o cobrador oficial –, incluindo tentos contra Liverpool, Chelsea e Arsenal. Apesar de ter sido considerado pela torcida o segundo melhor jogador do clube na temporada, perdendo somente para Scott Parker, o exímio batedor de faltas não permaneceria no West Ham, pois seu avalista, Zola, rescindiu o contrato ao fim da temporada 2009-10. Diamanti voltou para a Itália e se destacou com o Brescia, equipe que impulsionou a sua primeira convocação para a seleção.

15º – Massimo Maccarone

Posição: atacante
Clube em que atuou: Middlesbrough, 2002-04 e 2005-07
Títulos: League Cup (2004)

Big Mac no país do fish and chips. Maccarone foi revelado no Milan, mas foi no Empoli que despontou, marcando uma penca de gols na Serie B, entre 2000 e 2002, fato que lhe valeu uma convocação para a seleção da Itália – foi o primeiro jogador em mais de 70 anos que estreou pelos azzurri sem ter atuado na primeira divisão. Após o amistoso contra a Inglaterra, Macca chamou a atenção do Middlesbrough, que decidiu investir 13 milhões de euros para torná-lo a contratação mais cara de sua história.

O atacante piemontês começou com três gols marcados em cinco jogos, mas foi atrapalhado por lesões ou pela má avaliação do técnico Steve McClaren, que achava que ele poderia atuar como meia aberto pelos flancos, longe da meta adversária. Apesar de ter sido artilheiro do time em 2002-03, com nove gols, e de ter uma League Cup no currículo, Maccarone viveu longo jejum de gols pelo clube de Riverside e passou a temporada 2004-05 emprestado – jogou por Parma e Siena –, retornando para mais dois anos na Inglaterra logo depois. Em sua segunda etapa pelo Boro, Big Mac continuou na reserva, mas teve participação decisiva na Copa Uefa: marcou três gols decisivos (dois deles nos minutos finais), que valeram a classificação dos ingleses nas quartas de final, contra o Basel, e nas semifinais, diante do Steaua Bucareste. Macca só não evitou o vice-campeonato do seu time, derrotado por um implacável Sevilla.

14º – Alessandro Pistone

Posição: lateral esquerdo
Clubes em que atuou: Newcastle, 1997-98 e 1999-2000; Everton, 2000-07

Após passagens por clubes de menor expressão, Pistone apareceu para o futebol mundial com a Inter de Roy Hodgson, em 1995. Em dois anos pelos nerazzurri, o lateral esquerdo ganhou espaço na seleção italiana sub-21, disputou os Jogos Olímpicos de 1996 e também chamou a atenção do futebol inglês: o Newcastle de Kenny Dalglish investiu em sua contratação, mas as lesões, a utilização como defensor central e a chegada de Ruud Gullit ao comando da equipe impediram-no de ter continuidade pelos Magpies. Após um curto empréstimo ao Venezia e dois vice-campeonatos da FA Cup, o milanês foi vendido ao Everton.

Em Goodison Park, Pistone continuou convivendo com muitas lesões no joelho, que o afastaram dos gramados por ao menos um período da temporada em toda a sua passagem pelos Toffees. Ainda assim, o lateral foi um importante e experiente reserva durante sete anos de clube, contribuindo com uma classificação à Liga dos Campeões e uma à Copa Uefa. Em 2007, após 103 partidas, o italiano deixou o Everton para se aposentar no Mons, da Bélgica.

13º – Benito Carbone

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Sheffield Wednesday, 1996-99; Aston Villa, 1999-2000; Bradford City, 2000-01; Derby County, 2001-02; Middlesbrough, 2002
Prêmio individual: Jogador do Ano no Sheffield Wednesday (1999)

Carbone é um raro caso de jogador italiano que não teve sucesso no futebol de seu país e só brilhou n Inglaterra. O calabrês se notabilizou na Bota por não ter honrado a camisa 10 do Napoli e por ter sido um atacante sem a verve do gol em seus anos de Torino e Inter. Ainda assim, como os olhos dos ingleses estavam voltados à Inter em 1995-96 (já que Hodgson treinava os nerazzurri), Benny ganhou a oportunidade de defender o Sheffield Wednesday, que o adquiriu por 3 milhões de libras. Aliás, foi pelos Owls que ele viveu a grande fase da carreira. Entre 1996 e 1999, Benny Carbone nem pareceu a eterna promessa que desfilou nos campos italianos.

Fixado como winger, ele anotou seis gols em sua primeira temporada, colaborando com a ótima sétima posição da equipe de Sheffield. Nos dois anos que se seguiram em Hillsborough, teve boa sintonia com o compatriota Paolo Di Canio: com 17 gols no total, ajudou na permanência na elite e foi eleito pela torcida o melhor jogador do clube em 1998-99. Carbone se transferiu para o Aston Villa no início da temporada 1999-2000, e ficou conhecido por ter marcado um hat-trick na semifinal da FA Cup contra o Leeds, que valeu a passagem da equipe de Birmingham à final. Benny foi vendido ao Bradford City no final da campanha, mas não evitou a queda dos Batams para a segundona, competição que ainda disputou por alguns meses. O atacante ainda voltaria a jogar na Premier League com a camisa de dois clubes que que abriram as portas para muitos italianos naquela época – Derby County e Middlesbrough.

12º – Francesco Baiano

Posição: atacante
Clube em que atuou: Derby County, 1997-2000
Prêmio individual: Jogador do Ano no Derby County (1998)

Jogador interessante do futebol italiano nos anos 1990, o atacante Francesco Baiano se destacou com as camisas de Foggia e Fiorentina, na segunda e na primeira divisão do Belpaese. Ambidestro, muito rápido, habilidoso e bom finalizador, Baiano já tinha até vestido a camisa da seleção italiana quando o Derby County surpreendeu e tirou o jogador da Fiorentina, que brigava por uma vaga em competições europeias.

Os Rams tinham retornado à elite na temporada anterior e formaram um time interessante, que conseguiu superar as expectativas e alcançou a 9ª posição no Campeonato Inglês 1997-98 e a 8ª no seguinte. Baiano foi eleito pela torcida o melhor jogador do Derby em sua primeira temporada no clube, superando alguns colegas, como Rory Delap, Paulo Wanchope, Deon Burton e Igor Stimac. Pudera, foram 12 gols marcados no bom ano dos alvinegros – no segundo ano em Pride Park, o camisa 27 anotou outros seis.  Em novembro de 1999, perto de completar 32 anos, Baiano retornou à Itália e fechou com o Ternana, da Serie B.

11º – Stefano Eranio

Posição: meio-campista e lateral direito
Clube em que atuou: Derby County, 1997-2001

Partícipe de dois times históricos, Eranio foi uma ambiciosa contratação do Derby County em 1997. O genovês, que já havia recebido 20 convocações para a seleção italiana, foi importante no Genoa de Osvaldo Bagnoli: a equipe surpreendeu ao se classificar para a Copa Uefa 1991-92 e eliminar o poderoso Liverpool, caindo apenas nas semifinais do torneio, para o Ajax. Depois, foi reserva no Milan de Fabio Capello, com o qual foi tricampeão italiano e uma vez esteve no topo da Europa. O já abastado currículo foi enriquecido com a idolatria que conquistou em Derbyshire.

O meio-campista, que atuava aberto pelo lado direito e também podia ser improvisado na lateral, chegou ao Derby a custo zero e se tornou uma lenda do clube: Eranio ainda entrou para a história por ter marcado o primeiro gol da história de Pride Park, novo estádio dos alvinegros e foi eleito pela torcida como um dos 11 melhores atletas da história dos Rams. Ao longo de quatro anos, assumiu a braçadeira de capitão e ajudou o Derby County a fazer duas campanhas tranquilas na Premier League, além de evitar o rebaixamento do time em outras duas oportunidades. O meia iria se aposentar em 2001, mas foi convencido pelo técnico Jim Smith a permanecer na equipe – no entanto, optou por sair em outubro, quando o comandante foi demitido, e pendurou as chuteiras com o pequeno Pro Sesto, da Itália.

10º – Graziano Pellè

Posição: atacante
Clube em que atuou: Southampton, 2014-16
Prêmio individual: Jogador do Mês da Premier League (setembro de 2014)

Alderweireld, Mané, Tadic e Pellè. A responsabilidade desses quatro jogadores era enorme na temporada 2014-15 do Southampton, que havia vendido várias promessas e peças-chave do time em anos anteriores. Os recém-chegados não teriam muito tempo para adaptação: eles seriam os protagonistas da reconstrução da equipe, que tinha trocado também o técnico – Mauricio Pochettino, de mudança para o Tottenham, por Ronald Koeman. Pellè era a autêntica contratação do treinador. Quando Koeman comandava o Feyenoord, o centroavante italiano lhe rendeu excelentes 55 gols em 66 jogos nas duas temporadas em Rotterdam. No entanto, era inevitável a desconfiança sobre um atacante de 29 anos que nunca havia sido prolífico antes do futebol holandês e que não tinha se destacado muito por Lecce, Catania, Parma e Sampdoria – na Itália, só teve bons números pelo Cesena, na Serie B. Destaque italiano tardio, à Luca Toni, ou “armadilha” da Eredivisie, à Afonso Alves?

Mais para a primeira versão, Pellè foi muito bem nos Saints. O bom encaixe no time o fazia ser tanto um facilitador para Tadic e Mané quanto um goleador – foram 30 gols em duas temporadas no St. Mary’s (23 na liga), sem demandar período de aclimatação ao futebol inglês. Muito pelo contrário: o italiano foi o jogador do mês da Premier League já em setembro de 2014, quando marcou, por exemplo, um golaço de bicicleta contra o Queens Park Rangers. Pellè prestou ótimo serviço a um time que, mesmo precisando se reinventar, obteve, respectivamente, a sétima e a sexta posição da liga em 14-15 e 15-16. Com a saída de Koeman e o 31º aniversário, o atacante decidiu aceitar o convite do chinês Shandong Luneng e subir muito no ranking de jogadores mais bem pagos do futebol mundial.

9º – Gianluca Festa

Posição: zagueiro
Clubes em que atuou: Middlesbrough, 1997-2002; Portsmouth, 2002-03
Prêmio individual: Jogador do Ano no Middlesbrough (1998)

Disciplinado, versátil (também fazia a lateral direita se necessário) e capaz de marcar gols eventualmente, Festa tomou a primeira decisão que o transformou em referência no clube depois de apenas um semestre no Riverside Stadium. Apesar da caminhada até as finais da FA e da League Cup, estágio em que perdeu respectivamente para o Chelsea e o Leicester, 1996-97 terminou também com rebaixamento para o Boro. Festa, que havia acabado de chegar da Internazionale para se juntar a Fabrizio Ravanelli, escolheu permanecer no norte da Inglaterra, enquanto estrelas como Juninho Paulista e o próprio centroavante italiano deixaram o clube.

O retorno à Premier League foi imediato, e Festa recebeu o prêmio de Jogador do Ano no clube pelo papel fundamental na campanha vice-campeã na segunda divisão. Em 2002, quando perdeu espaço no time, voltou à segunda divisão inglesa pelo Portsmouth. Na Costa Sul da Inglaterra, também se transformou rapidamente em uma figura popular entre os torcedores e ajudou o Pompey a buscar o título e a promoção. Na temporada seguinte, preferiu disputar novamente uma divisão de acesso, mas desta vez a Serie B ao lado do melhor italiano da história da Premier League. Ao lado de Gianfranco Zola, Festa voltou ao Cagliari, clube de sua cidade natal, que havia o revelado pelo mundo e que já defendera por seis temporadas, para obter a promoção à Serie A.

8º – Mario Balotelli

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Manchester City, 2010-13; Liverpool, 2014-15
Títulos: Premier League (2012), FA Cup (2011) e Community Shield (2012)
Prêmios individuais: Golden Boy (2010) e Artilheiro da Euro (2012)

Mario Fantastico, Mario Magnifico, ole, ole, ole, ole. A torcida do Liverpool até tentou deixá-lo bem à vontade, mas Balotelli foi uma tragédia em Anfield. Após um amistoso de pré-temporada contra o Milan em 2014, o então técnico do clube, Brendan Rodgers, afirmou categoricamente que o atacante italiano não se juntaria ao Liverpool. Algumas semanas depois ele estava lá, em uma transferência que mais parecia o acionamento do botão de pânico por quem ainda não sabia direito como proceder após perder Luis Suárez. Super Mario marcou apenas quatro gols pelo Liverpool – um na Premier League – e na segunda temporada foi emprestado ao Milan. Na terceira e última de seu contrato, foi liberado de graça para o francês Nice, onde, aliás, começou muito bem.

Balotelli não trabalhava em treinamentos e jogos como  desejavam seus treinadores, mas ele aparece na lista pela contribuição que prestou ao Manchester City em temporadas de consolidação do clube como um dos mais poderosos da Inglaterra. A relação com Roberto Mancini, que o levou a Manchester mesmo conhecendo suas idiossincrasias dos tempos de Internazionale, foi por vezes controversa, mas Balotelli foi relevante do jeito dele. Com um total de 30 gols, momentos de puro brilho associados a um aparente desinteresse e algumas expulsões estúpidas, Mario está registrado na história do clube, entre outros motivos, pela grande atuação e a famosa exibição da camisa com o questionamento Why always me? nos 6 a 1 sobre o Manchester United em Old Trafford e pela assistência para o gol de Sergio Agüero contra o QPR que, aos 94 minutos daquele jogo, decidiu dramaticamente a Premier League 2011-12.

7º – Carlo Cudicini

Posição: goleiro
Clubes em que atuou: Chelsea, 1999-2009; Tottenham, 2009-2012
Títulos: Premier League (2005, 2006), FA Cup (2000, 2007), League Cup (2005, 2007) e Community Shield (2000, 2005)
Prêmio individual: Jogador do Ano no Chelsea (2002)

Uma das principais conexões entre Chelsea e futebol italiano, Cudicini jamais teve vida fácil na Inglaterra. Filho do goleiro Fabio Cudicini, que se destacou por Roma e Milan, Carlo foi revelado pelos rossoneri e desembarcou em Londres, inicialmente por empréstimo e para ser reserva de Ed de Goey, após boas exibições pelo Castel di Sangro na Serie B. Em sua segunda temporada, ganhou espaço e gradativamente consolidou o posto de titular. O auge veio entre 2001 e 2003, quando se estabilizou como um dos melhores goleiros da liga – não apenas por isto, evidentemente, mas também pela defesa de pênaltis importantes, o que ajudou na construção de seu status. Ele ainda não havia completado 30 anos quando Roman Abramovich comprou o Chelsea e certamente imaginava que suas temporadas mais produtivas estavam por vir, mas foi talvez a vítima mais emblemática do redimensionamento do clube.

A temporada 2003-04, a última de Claudio Ranieri como treinador e de Cudicini como titular dos Blues, foi de problemas físicos para o goleiro e de frustração coletiva, apesar da trajetória até a semifinal da Champions League e da segunda posição doméstica, atrás apenas da versão invencível do Arsenal. Novas exigências, José Mourinho e Petr Cech chegaram, e as aparições de Cudicini ficaram restritas a competições secundárias e a períodos de inatividade do goleiro checo – quando ele mesmo não estava indisponível, como nos meses seguintes ao famoso choque entre Stephen Hunt, do Reading, e a cabeça de Cech. No Tottenham, para onde foi em janeiro de 2009, Cudicini foi reserva imediato de Gomes, mas perdeu terreno após as contratações de Brad Friedel e Hugo Lloris. No fim das contas, a imagem é de um goleiro importante, um dos grandes da liga em seu melhor momento, mas que poderia ter escolhido um caminho diferente para jogar mais a partir de 2004 – como, a propósito, fez seu ex-companheiro Gomes ao recomeçar a carreira no Watford, onde atualmente desfruta uma das mais interessantes fases da carreira.

6º – Attilio Lombardo

Posição: winger
Clube em que atuou: Crystal Palace, 1997-99

He’s got no hair, but we don’t care, cantavam os torcedores no Selhurst Park. Campeão da Itália com Sampdoria e Juventus, e da Europa e do mundo pela Velha Senhora, Lombardo se mudou para o Crystal Palace logo após completar 30 anos. A surpresa foi diretamente proporcional à empolgação da torcida dos Eagles, que ganhou um winger capaz de associar diversas qualidades essenciais à posição – velocidade, drible, cruzamento e trabalho defensivo. Ele saía da Juve para um time que provavelmente terminaria na metade de baixo da tabela. Mais ou menos o que aconteceu com Emanuele Giaccherinni no Sunderland em 2013 ou Roberto Pereyra no Watford nesta temporada, com a diferença de que a liga inglesa não tinha sobre as outras a vantagem financeira que desfruta atualmente.

A relevância de Lombardo foi comprovada assim que ele se lesionou: o time caiu da décima para a última posição no período de ausência do italiano. Com apenas duas vitórias no Selhurst Park em toda a Premier League, o Palace foi rebaixado, apesar da influência positiva de Lombardo – que chegou a ser técnico interino por mais de 40 dias –  no início e no fim da temporada. Mesmo assim, ele decidiu permanecer em Londres para a disputa da segunda divisão. A trajetória foi interrompida em janeiro de 1999, quando, em crise financeira, o clube  o vendeu à Lazio, onde ele conquistou pela segunda vez a Serie A, em 2000, ao lado de Sven Göran-Eriksson. Foram apenas 49 jogos pelo Palace, mas The Bald Eagle, como era chamado pelos torcedores, foi ainda assim eleito para o time do século do clube. Sua conexão com o futebol inglês continuou no Manchester City, onde trabalhou na comissão técnica de Roberto Mancini. Atualmente auxiliar no Torino, ajudou a convencer Joe Hart a transferir-se por empréstimo para o clube do norte da Itália.

5º – Fabrizio Ravanelli

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Middlesbrough, 1996-97; Derby County 2001-03

Ravanelli poderia estar até mais bem colocado na lista pela expectativa que gerou na chegada à Premier League. O Middlesbrough pagou à Juventus incríveis (para a época) £7 milhões e lhe ofereceu o maior salário do país. A estreia foi a mais promissora que você pode imaginar: hat-trick no empate por 3 a 3 com o Liverpool. Ravanelli ainda marcaria outros 13 gols naquela edição da liga e mais 15 por copas nacionais numa impressionante temporada de estreia, pelos números e pela sociedade com Juninho Paulista. No entanto, o rebaixamento do Boro e o comportamento questionável fora de campo fizeram o registro histórico de sua passagem pelo Riverside não ser tão positivo assim.

Ravanelli reclamava da estrutura do clube, dos métodos de treinamento, da liga de maneira geral e da vida no país. “Jogadores ingleses têm um dom natural para correr, mas, em explosão e tempo de reação, não estão no nível dos italianos. No futebol você precisa fazer mais do que correr”, afirmou durante aquela temporada. O centroavante deixou o Boro, mas ainda voltaria à Inglaterra por outro time que se acostumou a apostar em jogadores italianos: o Derby County. Não foi tão prolífico quanto no Middlesbrough, mas marcou nove gols na liga, insuficientes para evitar o rebaixamento. Desta vez ele disputou a segunda divisão, mas foi incapaz de reconduzir os Carneiros à elite. Do Derby, seguiu à Escócia para atuar pelo Dundee FC.

4º – Gianluca Vialli

Posição: atacante
Clube em que atuou: Chelsea, 1996-99
Títulos: FA Cup (1997), League Cup (1998), Recopa da Uefa (1998) e Supercopa da Uefa (1998)

Companheiro de Attilio Lombardo na Samp, na Juve e na seleção, Vialli foi indubitavelmente um dos melhores italianos a defender um clube inglês. No entanto, da mesma forma que a maioria dos compatriotas, não reservou seus melhores anos à Premier League, onde esteve dos 32 aos 35. A relação difícil com Ruud Gullit limitou inicialmente minutos e contribuição ao Chelsea, mas mesmo assim ele concluiu 1996-97 como artilheiro do clube na liga, com nove gols, e o título da FA Cup.

O desentendimento de Gullit com a diretoria, a cultura já estabelecida de ter um jogador-treinador (era o caso do holandês) e a presença de outros italianos no grupo levaram Vialli a acumular as funções de atleta e técnico. Foi o primeiro dos 11 comandantes italianos que a Premier League já teve e conseguiu conciliar bem as funções, mantendo uma média de gols respeitável (40 em 78 jogos em toda a trajetória em Stamford Bridge), ainda que tenha preferido pendurar as chuteiras no fim de 1998-99 para se dedicar mais à nova carreira. Como treinador, Vialli repetiu o feito de quando era apenas jogador do Chelsea, com a conquista da FA Cup em 2000, que se somou a quatro outros troféus menos relevantes. No entanto, certa inabilidade no trato com os atletas (inclusive Gianfranco Zola), mesmo mal que indiretamente derrubou Gullit, fez o ex-atacante perder o emprego em setembro de 2000. No comando do Watford, não obteve o mesmo sucesso.

3º – Paolo Di Canio

Posição: atacante
Clubes em que atuou: Sheffield Wednesday, 1997-99; West Ham, 1999-2003; Charlton, 2003-04
Prêmios individuais: Jogador do Ano do Sheffield Wednesday (1998) e Jogador do Ano do West Ham (2000)

“Aquilo é sensacional. Até para os padrões dele!”, registrou a narração do gol da temporada 1999-2000 na Inglaterra, eleito pelo programa Match of the Day, da BBC. Di Canio, um dos jogadores com quê de Eric Cantona que passaram pela Premier League, foi o autor da finalização acrobática contra o Wimbledon, que será lembrada como um dos grandes momentos do saudoso Boleyn Ground, estádio de que o West Ham se despediu na temporada passada. Os lances magníficos – descritos pelo treinador que o contratou para o West Ham, Harry Redknapp, como “coisas com que as pessoas podem apenas sonhar” – se revezavam com as controvérsias, como o empurrão que derrubou o árbitro Paul Alcock e lhe rendeu uma suspensão de 11 jogos.

De qualquer forma, sua jornada de três clubes e sete anos pela Inglaterra, que indubitavelmente teve seu auge no West Ham, foi bastante positiva. Tanto que, no Natal de 2001, Alex Ferguson tentou em uma ligação convencê-lo a transferir-se para o Manchester United, o que não se concretizou porque Di Canio, então capitão dos Hammers, “não poderia virar as costas ao West Ham”. Sua trajetória como técnico também foi marcante, com um bom trabalho no Swindon Town, incluindo uma promoção à terceira divisão e uma boa campanha na Copa da Liga em 2012-13. No Sunderland, cumpriu à base do “vamos que vamos” sua missão inicial, de salvá-lo do rebaixamento no fim daquela mesma temporada, mas fracassou no início de 2013-14 e foi demitido, também por enlouquecer o elenco com métodos, digamos, pouco convencionais.

2º – Roberto Di Matteo

Posição: meio-campista
Clube em que atuou: Chelsea, 1996-2002
Títulos: FA Cup (1997 e 2000), League Cup (1998), Recopa da Uefa (1998), Supercopa da Uefa (1998) e Charity Shield (2000)

Marcou o golaço que, aos 42 segundos do primeiro tempo, abriu o caminho para o título da FA Cup contra o Middlesbrough na temporada de estreia; na temporada seguinte, o gol da vitória diante do mesmo adversário na final da League Cup; também o único gol da decisão da FA Cup em 1999-2000 contra o Aston Villa. São apenas detalhes da jornada de Di Matteo nos Blues, que não precisa se prender a episódios isolados, mas ajudam a entender a grande passagem por Stamford Bridge de um meio-campista capaz de controlar o jogo e ameaçar muito em chutes de longe. Ele não trazia a fantasia de Gianfranco Zola, mas provavelmente foi tão importante quanto o Magic Box para a ascensão do clube na metade final da década de 90. Foi o Frank Lampard de seu tempo.

Poderia ter sido ainda mais relevante não fosse uma fratura na perna, que ele sofreu em setembro de 2000 contra o suíço St. Gallen, pela Copa Uefa. Após 18 meses de batalha contra a lesão, com apenas 31 anos, Di Matteo foi forçado a uma precoce aposentadoria. O tamanho dele para o Chelsea é simbolizado pelo tributo que Claudio Ranieri, técnico à época, prestou ao meio-campista, já após o fim da carreira: ele liderou a fila de entrada dos jogadores no Millennium Stadium, em Cardiff, antes da final da FA Cup de 2000, que os Blues perderiam para o Arsenal. Os anos que deixou de desfrutar como jogador certamente foram compensados pela quase inacreditável glória do Chelsea na Champions League 2011-12, quando, sob a liderança do treinador interino Di Matteo, o clube conquistou a Europa depois de derrubar Napoli, Benfica, Barcelona e Bayern. Em seguida, a carreira como técnico deu vários passos para trás, culminando na recente demissão do Aston Villa.

1º – Gianfranco Zola

Posição: atacante e meia-atacante
Clube em que atuou: Chelsea, 1996-2003
Títulos: FA Cup (1997 e 2000), League Cup (1998), Recopa da Uefa (1998), Supercopa da Uefa (1993 e 1998) e Charity Shield (2000)
Prêmios individuais: Hall da Fama do Futebol Inglês (2005), Jogador do Ano na Inglaterra (1997), Jogador do Ano no Chelsea (1999 e 2003) e Jogador do Mês na Premier League (dezembro de 1996 e outubro de 2002)

Símbolo da internacionalização do futebol inglês a partir dos anos 90, Zola tem uma cadeira nobre na história do Chelsea – equivalente às ocupadas por Terry, Lampard e Drogba, até por ter desempenhado um papel fundamental numa época de franco crescimento do clube. Não por acaso fez jus a um título de cavalaria: a Ordem do Império Britânico (OBE), que ele recebeu em 2004. Protagonista nos sete anos que antecederam a chegada de Roman Abramovich a Stamford Bridge, o Magic Box, alcunha que lhe foi atribuída pelos ingleses, levantou seis troféus em Londres, incluindo duas edições da FA Cup.

Já aos 30 anos, em 1996, Zola deixou o Parma e foi contratado por £4,5 milhões pelo então treinador Ruud Gullit e teve um início arrasador ao ponto de ser eleito o melhor jogador da temporada inglesa pelos jornalistas, superando Juninho Paulista, segundo colocado na votação. Apesar dos números expressivos na Premier League (59 gols e 22 assistências em 229 partidas), a maior contribuição deste autêntico fantasista ao clube e especialmente ao futebol inglês é intangível. A ousadia para fazer diferente ajudou a popularizar a Premier League em escala global. O controle de bola associado aos dribles e os gols de falta e por cobertura estão na memória afetiva de todos os torcedores do Chelsea e amantes do jogo que assistiram a tudo isso.  Como treinador, Zola já passou por West Ham e Watford, ainda sem grande êxito.

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