Liga dos Campeões

Italianos na Europa, semana 7: Sobre hipotecas e o sonho da vaga própria

Matador: Dzeko apareceu em grande forma para destruir o Villarreal e alavancar classificação da Roma (Getty)

Na volta das competições europeias, após o período de recesso entre o fim de 2016 e o início de 2017, três dos quatro times italianos remanescentes na disputa pelos títulos continentais tiveram destinos diferentes. Enquanto Roma e Fiorentina, na Liga Europa, conseguiram ótimos resultados fora de casa e hipotecaram as vagas nas oitavas de final, o Napoli – à espera da Juventus, que joga na próxima semana –, até fez um bom jogo no mata-mata da Liga dos Campeões contra o Real Madrid, mas precisará de um grande resultado na partida de volta para continuar sonhando.

Começando pela quinta de Liga Europa, feliz para a Itália, foi a Roma quem teve o resultado mais expressivo da semana – não só entre as equipes da Velha Bota, mas considerando todos os confrontos dos 16 avos de final do torneio. A equipe de Luciano Spalletti viajou para a Espanha para enfrentar o duro Villarreal de Fran Escribá, mas não tomou conhecimento do Submarino Amarelo. Graças a um Dzeko em estado de graça, a Loba passou o carro e enfiou um sonoro 4 a 0, que a deixa em situação extremamente confortável para a volta, a ser disputada na próxima semana, no Olímpico. Desde 2010, ante o Barcelona, o Villarreal não sofria quatro gols no El Madrigal, e esta foi sua pior derrota em uma competição Uefa.

Se Dzeko foi o segredo do sucesso romanista, a goleada começou com participação brasileira. Emerson Palmieri, descartado pelo Santos e ex-reserva do Palermo, ganhou a titularidade no 3-4-3 de Spalletti e, em boa fase, marcou um golaço. Ele recebeu na ala canhota, costurou para a direita e mandou uma bomba no ângulo, sem chance alguma para o goleiro Asenjo. Depois de um primeiro tempo de domínio romano, o Villarreal reequilibrou o jogo na segunda etapa, mas Alisson se mostrou pronto para defender, com reflexo, uma cabeçada de Mario Gaspar e uma cobrança de falta de Sansone.

Os amarelos cresciam, mas coube a Salah mudar o jogo. O egípcio substituiu El Shaarawy e deu mais mobilidade à Roma, colocando os apagados Bruno Peres e Nainggolan no jogo e acionando Dzeko de uma vez por todas. Em uma jogada criada pelo rápido atacante, o bósnio recebeu na área, entortou Musacchio com um drible de corpo e anotou o segundo. O terceiro, após lançamento, e o quarto, com um chute cruzado, garantiram a Dzeko uma tripletta e o décimo gol nos últimos sete jogos. Com isso, Edin se sagrou o artilheiro da Liga Europa – lembrando que ele também encabeça a artilharia da Serie A.

Mais cedo, a Fiorentina fez um jogo de cinismo e muita aplicação tática para bater o Borussia Mönchengladbach. Quando era treinador do Wolfsburg, Dieter Hecking já havia contado com as vulnerabilidades da Inter para eliminar o time italiano, mas dessa vez errou completamente na abordagem frente a viola. Embora os borussianos apertassem, o time de Paulo Sousa estava bem postado na defesa e, embora tenha chutado muito pouco a gol, saiu com a vitória da Alemanha.

No primeiro tempo, Hazard e Herrmann tentavam superar a linha defensiva florentina, formada por Maxi Olivera, Rodríguez, Astori e o volante Sánchez, mas pouco conseguiam. Nas melhores oportunidades, Tatarusanu apareceu com boa defesa e Johnson acertou a trave. No entanto, o aniversariante Bernardeschi surgiu para decidir. O jogador de 23 anos cobrou uma falta com uma curva absurda e mandou no ângulo do goleiro Sommer. Era apenas a segunda finalização dos visitantes, que se limitaram a fechar a casinha no segundo tempo para tornarem o ataque do Gladbach totalmente estéril.

Alguns minutos de bom futebol não bastaram para que o Napoli superasse o Real Madrid (Getty)

Na quarta, o Napoli também deu indicativos de que surpreenderia. Os primeiros 20 minutos da partida contra o Real Madrid foram de domínio total dos azzurri, que praticaram o melhor futebol possível diante dos merengues. O time de Sarri jogava com tranquilidade total, trocando passes curtos e rápidos, envolvendo o adversário e o colocando na roda. Foi assim, com uma jogada iniciada no campo de defesa e concluída com rapidez, que Insigne surpreendeu Navas. Após receber enfiada de Hamsík, Lorenzinho percebeu que o costarriquenho estava adiantado e, do meio-campo, bateu na bola com a parte externa do pé, abrindo o placar. A felicidade durou pouco.

O futebol, que era bom, passou a dar a impressão de ser leve demais. Diawara passava bem a bola, mas não chegava junto na marcação, Callejón aparecia muito pouco e Modric, Kroos e Casemiro passaram a ganhar o meio-campo. Pouco após abrir o placar, o Napoli sofreu o gol de empate: Carvajal cruzou de trivela e Benzeman aproveitou a deficiência da zaga partenopea em bolas alçadas e empatou. Com o 1 a 1 no placar, Cristiano Ronaldo e Benzema tiveram duas boas chances, mas as equipes foram para o intervalo em igualdade.

Na volta para o encharcado gramado do Santiago Bernabéu – somente do lado em que o Napoli atacaria –, o sonho do bom resultado durou pouco para os azzurri. Aos 4 minutos, Ronaldo fez uma grande jogada pela direita, para cima de Ghoulam, e rolou para trás: após corta luz de Benzema, Kroos chapou para as redes. O golpe de misericórdia aconteceu cinco minutos depois, quando Casemiro aproveitou uma sobra de bola para emendar um chutaço e marcar o mais belo gol da noite. Com a vantagem, os madridistas dominaram o jogo e até poderiam ter feito mais, ao passo que o Napoli acordou quando Callejón finalmente entrou na partida, mas os gols não aconteceram.

Um 2 a 0 no San Paolo é possível, mas o presidente Aurelio De Laurentiis não colabora. Insatisfeito com a atuação, mais uma vez meteu o bedelho na parte esportiva, criticando o técnico Sarri e alguns jogadores, o que acabou gerando mal estar e lei da mordaça na Campânia. O treinador precisa de tranquilidade para trabalhar, mas cutucado com a vara curta, responderá com sua garra habitual e com um futebol ainda mais sarrista. Promessa de grande jogo no dia 7 de março.

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