Jogadores Técnicos

Autor de gol de scudetto do Napoli em 1990, Marco Baroni quer surpreender com o Benevento

Toda carreira mediana pode ter um momento de auge incontestável. A imprevisibilidade do futebol permitiu que Marco Baroni, um meio-campista absolutamente comum, pudesse ser uma figura central do segundo scudetto da história do Napoli. Por um curto momento em sua vida, Baroni ofuscou craques como Diego Armando Maradona e Careca, companheiros de clube, e os adversários milanistas Franco Baresi, Paolo Maldini, Marco van Basten, Frank Rijkaard e Ruud Gullit. Hoje, como técnico do caçula Benevento, busca fazer o mesmo com os grandes clubes italianos.

Toscano de Florença, Baroni entrou nas categorias de base da Fiorentina com apenas 10 anos e foi exatamente pela equipe viola que ele estreou profissionalmente, na Serie A 1981-82, quando estava perto de completar 19. Sem espaço no time de sua cidade natal, o meio-campista central acabou sendo negociado com o Monza, então na segundona. Baroni defendeu os lombardos, passou ao Padova e, em 1985, voltou à primeira divisão: na Udinese, se destacou e começou a ser convocado para a seleção sub-21 italiana. Em 1986, foi vice-campeão europeu da categoria, desperdiçando pênalti decisivo na final contra a Espanha.

Após apenas um ano no Friuli, Baroni foi contratado para compor elenco na Roma – que seria uma das camisas pesadas que vestiria. Pouco utilizado na Cidade Eterna, o jogador se transferiu para o Lecce dirigido por Carlo Mazzone, para a passagem de maior brilho na carreira. De cara, se tornou um dos mais importantes jogadores dos giallorossi na campanha do acesso à elite e, em 1988-89, estreou na Serie A anotando um gol contra o Napoli. Justo o clube que defenderia com sucesso na temporada seguinte.

Uma das grandes camisas que Baroni vestiu foi a da Roma (AS Roma Ultras)

Foram dois anos para o toscano em Nápoles. Neste biênio, Baroni foi utilizado com certa frequência pelo técnico Alberto Bigon e fez história. Primeiro, teve a felicidade de anotar, contra o Bologna, o gol de número 3000 da história azzurra. Meses depois, na última rodada da Serie A, atingiu o ápice: diante da Lazio, foi o autor do tento que definiu a vitória e o scudetto dos partenopei, que relegaram o estelar Milan de Arrigo Sacchi ao vice-campeonato.

O auge não durou muito para o meia, que acabou se tornando um exemplo do famoso provérbio “quanto maior a subida, maior é a queda”. No ano seguinte ao do scudetto, Baroni foi o responsável por desperdiçar a cobrança de pênalti que fez o Napoli cair nas oitavas de final Copa dos Campeões, diante do Spartak Moscou, e inaugurou seu período de franco declínio. Ao fim de 1990-91, o florentino foi disputar a Serie B com a camisa de um Bologna em apuros financeiros e, dois anos depois, viu a equipe ser rebaixada para a terceira divisão. Com a falência decretada pelos emilianos, Baroni chegou a descer mais um degrau e disputou a Serie C2 com o minúsculo Poggibonsi. Dali em diante, o balzaquiano Baroni rodaria o país e defenderia Ancona, Verona e Rondinella, até se aposentar, aos 37 anos.

Foi no mesmo Rondinella, pequeno clube da cidade de Florença, que Baroni começou sua carreira como técnico: imediatamente após pendurar as chuteiras, o ex-meia assumiu o comando da equipe, então na quarta divisão italiana. Iniciaria ali uma série de curtas e inglórias passagens por clubes de divisões inferiores, até que o Siena aparecesse e lhe oferecesse o cargo de treinador da equipe sub-20, a Primavera.

Em traje “camuflado”, Baroni comanda o Benevento da beira do campo (LaPresse)

A chegada ao Siena representou, bem ou mal, uma boa oportunidade na carreira de Baroni. Após dois anos como técnico da base, ele até teve sua primeira chance na Serie A: foi alçado interinamente ao comando do time principal, para o lugar de Marco Giampaolo. No entanto, conseguiu apenas um empate em três partidas e não foi efetivado. Voltou aos juvenis e, depois de uma temporada, ganhou uma vaga nos profissionais da Cremonese, clube no qual também não durou muito.

Seu patamar mudaria, de fato, em uma praça improvável. Os muitos anos de Fiorentina e Napoli não foram obstáculo para que Baroni aceitasse trabalhar como treinador da Primavera da Juventus, em 2011. Em Turim, trabalhou com uma boa geração, que tinha jogadores como o brasileiro Gabriel Appelt, Leonardo Spinazzola (esterno da Atalanta e já convocado para a seleção italiana) e Raman Chibsah, que hoje trabalha com ele no Benevento. Também conquistou títulos: em 2012, faturou a Copa Viareggio e, na temporada seguinte, a Coppa Italia da categoria. O sucesso pelos bianconeri lhe incentivaram a, mais uma vez, tentar a sorte fora das categorias de base.

Foram dois anos de trabalhos regulares por Lanciano e Pescara, na Serie B, até parar no Novara, também da cadetteria. Os piemonteses esbarraram no acesso para a primeira divisão, em 2016, mas acabaram eliminados nos play-offs justamente pelo Pescara. De forma inesperada, Baroni não permaneceu na equipe azzurra e acabou aceitando o convite do Benevento, estreante na segundona.

Ainda mais surpreendente que sua saída de Novara foi o trabalho pela equipe do sul da Bota. Baroni substituiu Gaetano Auteri e, pouco a pouco, foi levando os stregoni à parte de cima da tabela da Serie B, até classificá-la para os play-offs. O desfecho foi um dos maiores feitos recentes do futebol do Belpaese: o segundo acesso consecutivo dos campanos, com um elenco absolutamente modesto até mesmo para a segunda divisão. Marco Baroni está vivendo seu ápice como treinador e torce para que o acesso à elite tenha, para ele, o mesmo significado do gol de número 3000 da história do Napoli: que sirva de porta de entrada para um ponto ainda mais alto de sua carreira. Quem sabe, a permanência sannita na elite.

Marco Baroni
Nascimento: 11 de setembro de 1963, em Florença, Itália
Posição: meio-campista
Clubes como jogador: Fiorentina (1981-82), Monza (1982-83), Padova (1983-85), Udinese (1985-86), Roma (1986-87), Lecce (1987-89), Napoli (1989-91), Bologna (1991-93), Poggibonsi (1993-94), Ancona (1994-95), Verona (1996-98) e Rondinella (1998-2000)
Títulos como jogador: Serie A (1990), Supercopa Italiana (1990) e Campeonato Dilettanti (1999)
Carreira como técnico: Rondinella (2000-01), Montevarchi (2001), Carrarese (2003-04), Südtirol (2005-06), Ancona (2006-07), Siena (juvenis entre 2007-09 e 2009-10 e profissionais em 2009), Cremonese (2010), Juventus (juvenis; 2011-13), Lanciano (2013-14), Pescara (2014-15), Novara (2015-16) e Benevento (2016-hoje)
Títulos como técnico: Copa Viareggio (2012) e Coppa Italia Primavera (2013)

Deixe um comentário