Liga dos Campeões

Os goleiros ficaram no centro das atenções na estreia de Juve e Roma na Liga dos Campeões

Não foi uma grande terça para a Itália na Liga dos Campeões. Juventus e Roma estrearam contra os adversários mais complicados de seus grupos e não conseguiram triunfar. Em um contexto em que os times do Belpaese foram acuados por Barcelona e Atlético de Madrid, os goleiros Buffon e Alisson acabaram se tornando o centro das atenções. No entanto, por motivos distintos.

Na Catalunha, Gigi sofreu nos pés de Messi e seus companheiros. A Juventus foi a campo com muitas mudanças, por causa de lesões e suspensões, e não conseguiu se encontrar na partida. Sem Chiellini, Marchisio, Khedira, Cuadrado e Mandzukic (além de Lichtsteiner, que não foi inscrito na competição), a Velha Senhora perdeu a habitual organização e também não conseguiu agredir o Barcelona. O resultado foi um retumbante 3 a 0, com direito a show de Messi no segundo tempo. Pela primeira vez na carreira, a Pulga conseguiu vazar Buffon – e o fez duas vezes.

Para estruturar uma equipe desfalcada, Allegri optou pelas escalações de De Sciglio, Bentancur e Douglas Costa. Nos primeiros 45 minutos, a equipe até se comportou bem, correndo poucos riscos e chegando em contra-ataques e chutes de média distância. No entanto, no final da primeira etapa, De Sciglio foi substituído após uma pancada e o improvisado Sturaro não conseguiu manter o mesmo nível no setor. Foi justamente uma falha de movimentação do volante que acabou sendo crucial para o primeiro gol blaugrana: a corrida de Jordi Alba enganou o lado direito da defesa da Juve, que abriu um corredor para Messi avançar pelo meio. O argentino tabelou com Suárez e concluiu com precisão, no canto esquerdo de Buffon.

Na volta para o segundo tempo, o craque voltou a levar perigo em diagonais da direita para o centro. De cara, acertou a trave e Buffon contou com a sorte para não marcar contra: a pelota bateu nas suas costas e saiu. Na sequência, a sorte abandonou Super Gigi. Messi deixou Alex Sandro para trás e colocou a bola na pequena área; Sturaro cortou mal e Rakitic apareceu livre de marcação para concluir no rebote. Um gol que a Juventus não está acostumada a sofrer, pois o meio-campo não acompanhou as duas arrancadas fundamentais para a conclusão da jogada – a de Messi e a de Rakitic.

Menos de 15 minutos após o segundo gol, Messi voltou a aparecer e deixou Alex Sandro e Benatia comendo grama para anotar o terceiro. Em 69 minutos, os bianconeri sofreram a mesma quantidade de gols que em 11 jogos e meio da última campanha na Champions League. Uma mostra de que, sem Bonucci e Chiellini, a equipe tende a ficar muito mais exposta ao longo da temporada. O camisa 3 estará disponível para a 4ª rodada da Serie A, o que deve minimizar as falhas defensivas. Por outro lado, assustou o quanto Higuaín não foi acionado nesta terça. O Pipita mal tocou na bola e foi vítima das partidas apagadas de Dybala, Douglas Costa e Pjanic.

Buffon finalmente foi vazado por Messi e precisou pegar a bola no fundo das redes três vezes no Camp Nou (AP)

Enquanto a Juventus sofria em Barcelona, a Roma sofria em seu próprio estádio. O Olímpico não tem sido muito amigo da Loba giallorossa na Liga dos Campeões – os romanos venceram apenas um dos seus últimos oito jogos em casa na competição – e isso pode ter influenciado no fato de a torcida não ter esgotado os ingressos para a partida contra o Atlético de Madrid. Os que compareceram, porém, não pouparam insultos a Simeone, técnico dos colchoneros e ex-volante da Lazio.

A partida marcava a estreia do brasileiro Alisson na Uefa Champions League. Questionado por parte da torcida brasileira, o goleiro teria seu jogo de maior evidência internacional com a camisa do clube, poucos dias após de enfrentar a Inter. Sem dúvidas, o gaúcho teve um batismo de fogo e passou no teste com louvor. Foi o melhor em campo pela Roma e o responsável direto pelo 0 a 0.

Alisson Becker fez nove defesas no Olímpico (quatro delas de muita dificuldade) e se destacou principalmente no segundo tempo. Antes disso, na primeira etapa, Manolas foi vital para manter a Roma no jogo, ao cortar em cima da linha uma finalização de Koke – no rebote, o goleiro brasileiro tirou com o pé. Também foi antes do intervalo que a Roma teve sua única chance de perigo na partida, com uma forte finalização de fora da área de Nainggolan.

Na volta para a segunda metade da partida, Alisson mostrou reflexos para evitar um gol de cavadinha de Vietto. Sua agilidade voltou a ser destaque na jogada de maior emoção do confronto, aos 91 minutos de bola rolando: o titular da Seleção mostrou porque é o preferido de Tite ao se esticar para defender um cabeceio de Saúl. No rebote, o espanhol acabou acertando a trave e perdendo uma chance inacreditável.

Pelo contexto, o pontinho foi muito comemorado pela Roma, mesmo que a partida tenha sido disputada em seus domínios. Alisson celebra ainda mais: em ano de Copa do Mundo, assume a titularidade na Cidade Eterna e, de forma estrepitosa, começa a trilhar o caminho para calar seus críticos.

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