Serie A

10ª rodada: um ano depois de vexames, brigar nas cabeças é realidade para a Inter

Após um final de semana em que muitos times se pouparam, a Serie A teve mais uma rodada quente. Nos jogos realizados entre terça e quarta, os grandes venceram: Napoli, Inter, Juventus, Lazio, Roma, Fiorentina e Milan puderam comemorar os três pontos, cada um a seu jeito. Por sua vez, equipes como Atalanta, Udinese e Cagliari somaram pontos e tentam recuperar território, e os três caçulas sofrem: o trio que garantiu o acesso se encontra na zona de rebaixamento para a segundona depois de pouco mais de um quarto do certame.

Entre os triunfos dos primeiros colocados, o que mais chamou atenção foi o da Inter, que teve jogo isolado na terça. A equipe de Milão mostrou bom futebol na maior parte dos 90 minutos contra a Sampdoria e nem parece que o elenco teve tão poucas alterações em relação à temporada 2016-17, negativa para os nerazzurri. Confira a análise dos jogos da 10ª rodada.

Inter 3-2 Sampdoria
Skriniar (Vecino), Icardi, Icardi (Perisic) | Kownacki (Quagliarella), Quagliarella (Praet)

Tops: Icardi (Inter) e Quagliarella (Sampdoria) | Flops: João Mário (Inter) e Ramírez (Sampdoria)

Em 75 minutos, futebol de postulante ao scudetto; noutros 15, as imprecisões e os sustos na torcida que lhe garantiram a alcunha de “doida”. A Pazza Inter em versão spallettiana faz parecer distante o 26 de outubro de 2016: naquela oportunidade, a equipe treinada por De Boer ocupava a 13ª posição da Serie A, jogava muito mal e construía o caminho para a demissão do holandês, que ocorreria nos primeiros dias de novembro.

Um ano depois, a Beneamata chegou a dormir na liderança do campeonato e tem mostrado que é possível continuar nas primeiras posições. Em meses de trabalho, Spalletti já deu identidade, solidez, segurança e agora começa a progredir em termos de qualidade de jogo e continuidade. Méritos todo para ele, já que oito dos jogadores frequentemente utilizados pelo técnico já eram titulares na última temporada.

Na terça, a Inter tinha pela frente uma das melhores equipes do campeonato até agora. A Sampdoria de Giampaolo, sexta colocada, estava credenciada por atuações de bom nível e futebol equilibrado, mas a Beneamata triturou a adversária com enorme volume de jogo nos 75 minutos de domínio – uma proeza, visto que o time que entrou em campo foi o mesmo que parou o Napoli. Com Vecino e Borja Valero ditando o ritmo e Candreva e Perisic dominando os flancos, a Inter criou muito e fez o goleiro Puggioni trabalhar. Além dos gols de Skriniar e Icardi, os nerazzurri ainda acertaram três bolas na trave, com Maurito e Perisic (duas vezes). Já no final, as saídas de Valero e Nagatomo, com as consequentes entradas de João Mário e Santon, pioraram a equipe. Com isso, Quagliarella e Caprari cresceram, fazendo a Samp encostar no placar. Mas a vantagem era grande demais e a Inter soube sofrer para garantir os três pontos.

Genoa 2-3 Napoli
Taarabt (Galabinov), Izzo (Rigoni) | Mertens, Mertens (Diawara), Zukanovic (contra)

Tops: Mertens e Diawara (Napoli) | Flops: Miguel Veloso e Bertolacci (Genoa)

Foi com susto, mas o Napoli continua na liderança da Serie A. A equipe campana chegou a sair atrás e depois da virada correu o risco de levar o empate, mas conseguiu manter intacto o retrospecto de 11 jogos de invencibilidade contra o Genoa. Durante e após a partida disputada no Marassi, Sarri demonstrou nervosismo. Ele queria que a tranquilidade da vitória tivesse sido conquistada em meados do segundo tempo, mas o roteiro de partes do duelo foram similares aos do jogo entre Inter e Sampdoria.

Sarri decidiu poupar alguns jogadores, como Albiol, Allan e Jorginho e o resultado inicial foi similar ao das vezes em que os dois brasileiros descansaram: um futebol abaixo do nível habitual do time. A atuação não tão convincente dos azzurri começou mal, com um gol-relâmpago de Taarabt, deixado livre por Chiriches, um dos que ganharam vaga no time titular por causa do rodízio. Mertens precisou dar um show particular para virar. Primeiro, um golaço de falta; depois outro lindo gol após lançamento de Diawara: domínio de bola absurdo e uma pancada indefensável. Após a virada, os partenopei cresceram e aumentaram a presão sobre o Genoa. Mertens até faria o terceiro, mas Zukanovic colocou para as próprias redes e a liga assinalou gol contra. Uma nova desatenção defensiva permitiu que Izzo, nascido em Nápoles, ressuscitasse os genoveses e Lapadula quase empatou. No final das contas, após o baque, os azzurri se reorganizaram e conseguiram a vitória.

Juventus 4-1 Spal
Bernardeschi (Douglas Costa), Dybala, Higuaín, Cuadrado (Douglas Costa) | Paloschi (Mattiello)

Tops: Douglas Costa (Juventus) e Paloschi (Spal) | Flops: Bentancur (Juventus) e Salamon (Spal)

A Juventus que faz e também leva apareceu novamente. Será que esta versão dos bianconeri será a oficial em 2017-18? A notória vulnerabilidade na defesa juventina, que faz a equipe sofrer com um atacante que até o início deste mês tinha quase dois anos sem marcar um mísero gol, está sendo compensada pela alta produção do ataque. As boas notícias para Allegri nesta partida contra a Spal foram o reencontro de Dybala e Higuaín com as redes e a crescente adaptação de Douglas Costa à nova realidade. O brasileiro, inclusive, foi o melhor em campo.

A boa vitória da Juventus começou com dois lindos gols na primeira etapa. Após Douglas Costa ajeitar, Bernardeschi dominou, não deixou a pelota cair e chutou sem chances para Gomis. O goleiro também saltou em vão na sequência, já que a cobrança de falta de Dybala era indefensável. Tão impossível de defender quanto a frouxa marcação de Lichtsteiner no gol de Paloschi ou a atuação apagada de Bentancur no meio-campo da Juve. Após o intervalo, a Spal chegou a assustar e empatou, mas o árbitro de vídeo pegou o impedimento no lance. Para não correr riscos, Allegri lançou Pjanic e Cuadrado, que tiveram impacto positivo na partida. O colombiano, aliás, anotou o último gol da peleja, pouco depois de Higuaín deixar o dele. A Juve divide a terceira posição com a Lazio, enquanto a Spal é a penúltima colocada.

Roma 1-0 Crotone
Perotti (pênalti)

Tops: Kolarov (Roma) e Simic (Crotone) | Flops: Ünder (Roma) e Crociata (Crotone)

Vitória magra e com gol polêmico: assim a Roma superou a retranca do Crotone na noite desta quarta na Itália. Embora a diferença técnica entre os times tenha ficado nítida e os romanos tenham esbarrado na má sorte em alguns momentos, é por partidas assim que é difícil crer que o time da capital, atualmente na quinta posição, tenha fôlego para competir pelo título. Di Francesco, no entanto, tem feito sua equipe alcançar momentos fantásticos, como contra o Chelsea. Falta continuidade.

A Roma decidiu a partida contra o Crotone já nos primeiros minutos, período em que Kolarov brilhou. A melhor contratação da temporada romanista quase marcou com dois chutes de fora da área (um bateu na trave) e ainda sofreu um pênalti que a arbitragem foi generosa ao assinalar, mesmo com o vídeo. Depois que Perotti abriu o placar, os calabreses mantiveram a retranca e a Roma chegou a fechar o primeiro tempo com quase 80% de posse de bola. Azarado, Dzeko acertou a trave e teve outras chances também desperdiçadas. O Crotone, cujo único plano era defender, pouco ameaçou. No entanto, mesmo que o time tenha sido derrotado, a atuação da retaguarda foi positiva e Nicola deixou o Olímpico com boas impressões.

Bologna 1-2 Lazio
Lulic (contra) | Milinkovic-Savic (Lulic), Lulic (Luis Alberto)

Tops: Milinkovic-Savic e De Vrij (Lazio) | Flops: Donsah e Mirante (Bologna)

Se o artilheiro Immobile não teve sorte nesta quarta, a Lazio pode contar com o onipresente Milinkovic-Savic para arrancar pontos preciosos no Renato Dall’Ara. Embora a soberania dos capitolinos nos jogos contra o Bologna e o técnico Donadoni fosse gritante, retrospecto não entra em campo. Principalmente quando os rivais estão fazendo uma campanha superior às expectativas e têm uma forte defesa e quando o ambiente interno do clube é atribulado por imbecis. Nesta semana, um grupelho de ultras fascistas disseminou ódio contra judeus e a ida do elenco e do presidente a uma sinagoga acabou aumentando a polêmica, por conta de um suposto áudio vazado de Lotito. Os jogadores, que estão de fora destes problemas, ao menos fizeram a parte deles em campo.

Logo nos primeiros minutos de bola rolando, Milinkovic-Savic derrubou o muro bolonhês: completou uma bela jogada de contra-ataque, que passou pelos pés de Parolo, Luis Alberto e Lulic. Immobile teve uma série de oportunidades para marcar mais gols, mas não estava com sorte: parou três vezes na trave (uma delas em seu primeiro pênalti desperdiçado com a camisa celeste) e em Mirante. O goleiro rossoblù, porém, falhou no gol marcado por Lulic, ainda na primeira etapa. O bósnio, por sua vez, quase surpreendeu Strakosha e, no segundo tempo, acabou mesmo fazendo contra – e ainda deixou o campo irritado, após ser substituído. Após a distração, a Lazio voltou a controlar a partida e Strakosha ainda fez boas defesas, quando requisitado. Os romanos seguem na terceira posição, enquanto o Bologna é o 11º.

Chievo 1-4 Milan
Birsa | Suso, Cesar (contra), Çalhanoglu (Kessié), Kalinic (Suso)

Tops: Suso e Kalinic (Milan) | Flops: Gamberini e Cesar (Chievo)

Nem mesmo a má fase do Milan e a incerteza quanto ao futuro de Montella mexeram na freguesia do Chievo, assíduo cliente dos rossoneri. Não havia adversário mais indicado do que a equipe de Verona para dar sobrevida ao treinador e novo gás para os milanistas: mesmo sem brilhantismo, a equipe aplicou um sonoro 4 a 1 no Marcantonio Bentegodi e assumiu a sétima posição, ao lado da Fiorentina. O Chievo foi ultrapassado e caiu para a nona colocação.

Sob os olhares do capitão Bonucci (suspenso, mas nas arquibancadas), o Milan foi conduzido pela ótima atuação de Suso. O espanhol marcou o primeiro, com um belo chute de canhota a 10 minutos do intervalo, e ainda participou do segundo e do quarto gols: começou cruzando uma bola que Cesar colocou contra o próprio patrimônio e ajeitou para Kalinic fazer o dele. No meio-campo rossonero, atuações em chiaroscuro de Kessié e Çalhanoglu, dois vaga-lumes nesta rodada. Embora Biglia é que tenha se saído muito mal em toda a partida, foi o marfinense que cometeu o maior erro do 90 minutos, ao passar a bola para Birsa diminuir – ao menos, o ex-jogador da Atalanta já havia feito a jogada do terceiro gol. Ainda houve tempo para a torcida se assustar com Calabria, que sofreu uma pancada, ficou desacordado e saiu de ambulância do estádio. O lateral já recebeu alta.

Fiorentina 3-0 Torino
Benassi (Simeone), Simeone (Benassi), Babacar (pênalti)

Tops: Benassi e Simeone (Fiorentina) | Flops: Barreca e Niang (Torino)

Três vitórias consecutivas e dois placares por 3 a 0 em um giro de três dias: é o melhor momento da Fiorentina em toda a temporada, sem dúvidas, e a torcida até custa a lembrar das agonias da pré-temporada. Já escrevemos sobre isso outras vezes, mas desde que Benassi voltou a atuar como meia central, o nível de atuações da equipe de Pioli mudou da água para o vinho. Não à toa, o ex-capitão do Torino voltou a ser o grande destaque do time. Diante de sua antiga equipe, Benassi tinha as atenções voltadas para si e logo justificou os motivos: foi ele quem desempatou uma partida equilibrada, após uma ação construída por Chiesa e Simeone.

Após sofrer o gol, o time de Mihajlovic se lançou ao ataque, mas Moretti acertou a trave e Ljajic foi negado por Sportiello. Inócuo, o centroavante Sadiq deixou o campo após o intervalo e deu lugar a Berenguer, com Niang ganhando vaga no comando do ataque. O francês, no entanto, perdeu chance clamorosa, acertando o travessão cara a cara com o goleiro viola. A Fiorentina acabou reagindo pouco depois, quando Benassi devolveu o presente e Simeone ampliou a vantagem. O terceiro gol saiu com Babacar, após um pênalti cometido por Barreca sobre Chiesa. O lateral do Toro acabou expulso e a Fiorentina voltou a ter uma oportunidade, desperdiçada por Babacar. Embora o 3 a 0 não reflita o que foi a partida, Mihajlovic corre sérios riscos de demissão: o Torino não vence há cinco rodadas.

Atalanta 3-0 Verona
Freuler (Gómez), Ilicic (Freuler), Kurtic (Gosens)

Tops: Freuler e Ilicic (Atalanta) | Flops: Souprayen e Caracciolo (Verona)

Mesmo sem ter conquistado uma vitória sequer contra o Verona nesta década, a Atalanta era favoritíssima contra o Hellas. A Dea justificou a sua superioridade com um segundo tempo perfeito, no qual aproveitou as fraquezas defensivas dos veroneses e marcou três gols. Gasperini, no entanto, não ficou plenamente satisfeito com a atuação do seu time: acredita que os jogadores concederam muito espaço e que houve mais sofrimento do que o previsto. Ainda assim, os bergamascos subiram para a sétima posição, deixando o Verona na zona de rebaixamento.

Gasperini decidiu lançar Gómez a campo, ainda que o argentino não esteja bem fisicamente, após uma lesão no pé. Papu não apareceu tanto no jogo quanto o habitual, mas seus escudeiros Freuler, Ilicic e Cornelius supriram sua pouca incidência na partida. Após um primeiro tempo com dois gols anulados para cada lado, a Atalanta voltou disposta a decidir a partida. Freuler, que já havia tido um gol anulado, aproveitou roubada de bola de Gómez (em erro crasso de Daniel Bessa) e anotou o primeiro. Pouco depois, o suíço deu assistência para Ilicic ampliar e deu início à ação concluída por Kurtic. Jornada de gala para o bom coadjuvante nerazzurro.

Sassuolo 0-1 Udinese
Barák (Perica)

Tops: Danilo e Lasagna (Udinese) | Flops: Berardi e Acerbi (Sassuolo)

Certamente, Sassuolo e Udinese são dois times dos quais se espera mais do que uma luta na rabeira. Organizados, bem articulados no mercado e incentivadores de jovens jogadores, os dois clubes vivem momentos negativos e devem lutar contra o rebaixamento até o fim da temporada. Neste duelo entre equipes com panorama similar, melhor para os visitantes, que souberam se defender e venceram pelo placar mínimo, graças ao checo Barák. Os neroverdi continuam sem vencer em casa nesta Serie A.

O técnico Bucchi tenta repetir as mesmas ideias de seu antecessor, Di Francesco, mas é nítido que ele não tem a mesma capacidade. Para piorar, Berardi não vem em boa fase e vários outros jogadores importantes do elenco (Duncan, Politano, Acerbi e Magnanelli) não repetem as atuações de temporadas anteriores, perdidos no esquema. A Udinese aproveitou uma das poucas chances que teve e soube se defender, em atuação especial de Danilo. A melhor chance do Sassuolo, inclusive, aconteceu graças a Samir, que quase marcou seu segundo gol contra em poucos dias.

Cagliari 2-1 Benevento
Faragò, Pavoletti (Faragò) | Iemmello (pênalti)

Tops: Barella e Pavoletti (Cagliari) | Flops: Di Chiara e Djimsiti (Benevento)

Por um fio: o Benevento quase conquistou seu primeiro ponto nesta Serie A, mas a décima derrota dos campanos chegou nos acréscimos. No duelo entre os dois únicos times que já demitiram os treinadores que iniciaram o campeonato, melhor para Diego López. Com alguns dias a mais para trabalhar do que De Zerbi, recém-chegado (e já contestado pela torcida) a Benevento, o ex-zagueiro rossoblù ainda não conseguiu extrair muita coisa do seu elenco, mas ao menos deixou para trás as cinco derrotas consecutivas da equipe.

Mais na vontade do que na organização, o Cagliari chegou ao gol em jogada rocambolesca, que teve erro da defesa sannita, bola na trave e um chute ruim de Faragò, responsável pela vantagem. O placar seguiu com vantagem mínima para os sardos, já que Sau desperdiçou um pênalti ainda na primeira etapa. O Cagliari não conseguia matar a partida e perdia vários gols frente a Brignoli, enquanto o Benevento ganhava coragem para contragolpear. Aos 92, Faragò derrubou Coda na área e Iemmello converteu o pênalti. Tudo parecia caminhar para o empate, mas o mesmo Faragò se redimiu: acertou belo cruzamento para Pavoletti, que, de peixinho, deu um banho de água gelada nos visitantes e fez o Cagliari respirar.

*Os nomes entre parênteses após os autores dos gols se referem aos responsáveis pelas assistências

Seleção da rodada
Strakosha (Lazio); Skriniar (Inter), Danilo (Udinese), De Vrij (Lazio); Douglas Costa (Juventus), Benassi (Fiorentina), Freuler (Atalanta), Perisic (Inter); Suso (Milan), Icardi (Inter), Mertens (Napoli). Técnico: Luciano Spalletti (Inter).

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