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Ídolo como jogador da Lazio e técnico que promete: Simone Inzaghi em evidência

Inzaghi: um sobrenome, duas histórias diferentes. Dentro de campo, Filippo venceu tudo vestindo a camisa do Milan e é considerado até hoje um dos grandes nomes recentes da história rossonera. Simone, por sua vez, teve uma passagem de quase dez anos pela Lazio, mas sempre foi ofuscado pelo brilho do irmão mais velho. Após a aposentadoria, Pippo iniciou primeiro a carreira como treinador e ganhou destaque nas categorias juvenis, a ponto de rapidamente assumir o Milan, enquanto o caçula engatinhava na base da Lazio. Parecia que a hierarquia familiar seria mantida também fora das quatro linhas, mas hoje a Itália se ajoelha em reverência a Simone Inzaghi.

A rápida ascensão de Simone Inzaghi começou quase por acaso. Em 2016, ele era treinador da equipe sub-20 da Lazio e já havia conquistado a Coppa Italia Primavera (um título que o clube ficou 35 anos sem levantar) quando Stefano Pioli foi demitido ao final da temporada. Conduziu os aquilotti de maneira interina durante sete partidas, até o final da Serie A, e estava pronto para retornar à base ou assumir o comando da Salernitana – clube da segundona que também é de propriedade de Claudio Lotito. No entanto, uma reviravolta fez com que o presidente da Lazio mudasse seus planos.

O clube capitolino foi deixado na mão por Marcelo Bielsa, que desistiu do emprego poucos dias antes de a temporada se iniciar. Com isso, Inzaghi foi efetivado no cargo e assumiu uma responsabilidade tremenda, uma vez que poucos acreditavam no time. Mas ele não apenas levou a equipe celeste a brigar com os grandes, como também entrou para o hall de técnicos mais promissores da Itália: na primeira temporada completa em Formello, mostrou futebol organizado e interessante. Em 2016-17, conseguiu fazer a Lazio vencer a arquirrival Roma após quatro anos de espera, classificou a equipe para a Liga Europa graças a um quinto lugar na Serie A e foi vice da Coppa Italia.

Em seu segundo ano no comando da equipe da capital, Inzaghi impressiona ainda mais. De cara, conquistou uma Supercopa Italiana sobre a poderosa Juventus, em uma partida em que a Lazio foi absolutamente dominante. A própria Velha Senhora – cotada como futura empregadora de Inzaghi – sofreu nas mãos do treinador ao perder em casa e deixar escapar não só uma invencibilidade de 25 partidas contra a adversária como também 41 jogos sem tropeços no Allianz Stadium.

Enquanto isso, Pippo Inzaghi está em segundo plano. Após ter vivido uma demissão traumática no Milan, o ex-centroavante acertou com o Venezia e conseguiu levar o clube aos títulos da terceira divisão e da Coppa Italia da categoria. Hoje, busca um recomeço na Serie B e, quem diria, almeja equiparar-se ao irmão.

Simone Inzaghi: os anos como jogador

Simone vestiu a camisa do Piacenza no início da carreira (Getty)

Assim como no início da carreira como técnico, Inzaghi precisou penar para chegar a momentos mais gloriosos. Assim como o irmão mais famoso, Simone começou no Piacenza, clube de sua terra natal, mas passou cinco temporadas em times pouco expressivos nas categorias inferiores, para então ter suas primeiras partidas na elite italiana.

Depois de passar por Carpi, Novara, Lumezzane e Brescello, nas séries C1 e C2, a chance finalmente chegou, em 1998-99 – na época, Pippo já vivia sua segunda temporada com a Juventus. Em 30 jogos naquela Serie A, Simone foi responsável direto por 23 dos 48 gols anotados pela equipe: balançou as redes 15 vezes e ainda contribuiu com oito assistências. Sua participação o colocou à frente do brasileiro Ronaldo na artilharia do campeonato, por exemplo, e foi decisiva para que os Lobos alcançassem a permanência na elite pela quarta temporada consecutiva.

Ao final da temporada, Inzaghi não ficaria no Piace. O atacante chamou a atenção de diversos times, mas foi a Lazio quem conseguiu contratá-lo ao desembolsar 30 milhões de liras, a pedido do técnico sueco Sven-Göran Eriksson. Na capital, Simone encontraria a concorrência de grandes atacantes, como Fabrizio Ravanelli, Marcelo Salas, Roberto Mancini e Kennet Andersson, mas ainda assim teve muitos minutos em campo e chegou a ser o artilheiro da equipe em todo o ano, com 19 gols.

Sete destes tentos foram anotados na campanha do segundo título da Serie A e outros nove na grandiosa campanha na Champions League, na qual os laziale chegaram até as quartas de final do torneio europeu. Inzaghi, aliás, é até hoje o maior artilheiro biancoceleste em competições da Uefa, com 20 gols – quatro deles em uma mesma partida, contra o Olympique Marseille, em março de 2000.

Dias depois da ótima atuação na França, Inzaghi recebeu como prêmio sua primeira convocação para a seleção italiana e estreou pela Squadra Azzurra num amistoso contra a Espanha. Nesse jogo, viveu um dos momentos mais especiais da carreira: atuou ao lado do irmão Filippo. Simone ainda seria chamado para a Nazionale apenas outras duas vezes, já que acabava sendo ofuscado por estrelas da época, como Christian Vieri e seu próprio irmão.

Filippo e Simone juntos pela seleção italiana (Football Picz)

Sua trajetória na seleção e na própria Lazio tinha tudo para ser diferente, não fossem os seguidos problemas físicos (especialmente em sua coluna vertebral), que prejudicaram seu rendimento ao longo dos anos. Mesmo tido como dos jogadores mais adorados pela torcida laziale, Inzaghi não conseguiu muito espaço e só fez 20 gols na Serie A entre 2000 e 2004. Por isso, decidiu buscar novos ares para ter maior sequência e foi emprestado para a Samp, em janeiro de 2005, numa negociação que levou o bonde Fabio Bazzani à Roma. Nenhum deles teve sucesso após a mudança de clube.

Inzaghi retornou à Lazio, mas já não era nem sombra do atacante que encantou em suas primeiras temporadas. Sua presença se restringia quase sempre ao banco de reservas – tanto é que fez apenas 12 jogos entre 2005 e 2007, ofuscado pela dupla formada por Tommaso Rocchi e Goran Pandev. Simone acabou negociado por empréstimo com a Atalanta, clube em que seu irmão brilhara nos anos 1990, mas não teve o mesmo sucesso. O caçula até conseguiu emendar uma sequência de jogos, ora entrando no decorrer das partidas, ora como titular, mas não conseguiu balanças as redes.

Já prevendo o fim de sua carreira, Inzaghi retornou para sua terceira passagem pelo time capitolino. E a volta ao time em que mais se destacou fez bem para o atacante, que voltou a ver as redes balançando depois de 49 jogos sem marcar. Na temporada 2008-09, ele teve apenas nove aparições, mas participou da campanha vitoriosa da Coppa Italia. Simone ainda venceu a Supercopa Italiana, mas ao final da temporada 2009-10 rescindiu seu contrato com os biancocelesti um ano antes do encerramento oficial e decidiu pendurar as chuteiras, após 196 jogos e 55 gols pelo time romano.

Simone Inzaghi, o iluminado: técnico vai colocando a Lazio nas cabeças (Getty Images)

Sem conseguir fazer o que lhe deu prazer por toda a vida, decidiu passar todo seu conhecimento aos mais novos e imediatamente após a aposentadoria emendou seu primeiro trabalho como técnico, na base laziale. Em 2014, Simone assumiu o time Primavera e rapidamente se destacou pelos títulos conquistados, especialmente a Coppa Italia, justamente contra a Roma. Em abril de 2016, assumiu interinamente o time principal e o resto é história.

Por linhas tortas, foi um tiro certeiro de Claudio Lotito, que precisou apostar em um antigo ídolo dentro de campo, que vai ganhando a idolatria também fora dele. Após tantas mostras positivas em duas temporadas, Inzaghi agora tenta colocar a Lazio na Liga dos Campeões e fazer um grande papel na Liga Europa.

Simone Inzaghi
Nascimento: 5 de abril de 1976, em Piacenza
Posição: atacante
Clubes como jogador: Piacenza (1992-94, 1997 e 1998-99), Carpi (1994-95), Novara (1995-96), Lumezzane (1996-97), Brescello (1997-98), Lazio (1999-2005, 2005-07 e 2008-10), Sampdoria (2005) e Atalanta (2007-08)
Títulos como jogador: Serie A (1999-2000), Serie C2 (1995-96), Coppa Italia (1999-2000, 2003-04 e 2008-09), Supercopa Italiana (2000 e 2009), Supercopa da Uefa (1999)
Carreira como treinador: Lazio (desde 2016)
Títulos como treinador: Supercopa Italiana (2017)
Seleção italiana: 3 jogos e nenhum gol

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