Serie A

13ª rodada: toda cura para todo mal

Dizem por aí que beber é a melhor forma de curar uma ressaca. Então, bom futebol é o remédio para tratar os males causados pelo mau futebol. A 13ª rodada da Serie A acontecia logo após o desastre da eliminação italiana na repescagem para a Copa de 2018 e foi uma bela forma de mostrar que, apesar da tristeza de todos os amantes da Squadra Azzurra, a vida segue. Afinal, o fim de semana do Campeonato Italiano teve confrontos diretos entre os sete primeiros colocados do campeonato, com jogos que justificaram o cartaz.

Com um terço do campeonato já disputado, o Napoli bateu um frágil Milan e continua soberano, com dois pontos de vantagem sobre a vice-líder e quatro sobre o terceiro colocado. Segunda na tabela, a Inter reagiu após o último tropeço e exorcizou novamente sua asa negra, a Atalanta. Logo atrás, a Juventus sofreu com a grande fase da Sampdoria, única equipe que tem 100% de aproveitamento em casa e que segue surpreendendo. Não podemos esquecer ainda do ótimo Dérbi da Capital, que ratificou a boa sequência da Roma: com a vitória no clássico, a equipe giallorossa ultrapassou a Lazio na tabela. Confira o resumo da rodada.

Napoli 2-1 Milan
Insigne (Jorginho) e Zielinski (Mertens) | Romagnoli

Tops: Insigne e Mertens (Napoli) | Flops: Bonucci e Locatelli (Milan)

Estreando seu quarto uniforme, o líder Napoli não precisou de grande esforço para bater o Milan de Montella. Facilitado pela confusão dos rossoneri (novamente escalados de forma estranha), o time de Sarri não precisou dominar a posse de bola para assumir um controle natural do jogo e garantir mais três pontos, recuperando-se do tropeço ante o Chievo na última rodada. Velho algoz do Diavolo, Insigne mostrou para Ventura como utilizá-lo e mais uma vez foi o protagonista no San Paolo, abrindo o placar após ser lançado por Jorginho e tocar na saída de Donnarumma. O gol teve certo suspense, pois precisou ser validado pelo árbitro de vídeo. Foi o sexto de Lorenzinho contra o Milan.

Os anfitriões poderiam ter construído uma vantagem maior, mas o napolitano Donnarumma trabalhou bastante para segurar o placar, evitando pelo menos cinco chances claras até o gol de Zielinski. O polonês entrou no lugar de Hamsík na etapa final e aproveitou o erro na linha de impedimento rossonera para aproveitar a assistência de Mertens.

Enquanto o Napoli dominava, o Milan ficou 45 minutos sem entrar na área adversária – feito que só o Benevento foi capaz de protagonizar na temporada. O time visitante sucumbiu à má forma física de Suso (substituído ainda antes do intervalo) e só chutou bastante a gol no final – foi assim que o zagueiro Romagnoli descontou. Na sétima posição com 19 pontos, os rossoneri estão mais próximos da zona de rebaixamento (o Genoa, 18º colocado, tem nove) do que da zona de classificação para a Liga dos Campeões (a Roma, quarta, tem 30), enquanto o Napoli segue líder, agora com dois pontos de vantagem.

Sampdoria 3-2 Juventus
Zapata, Torreira (Ramírez) e Ferrari (Quagliarella) | Higuaín (pênalti) e Dybala (Douglas Costa)

Tops: Zapata e Torreira (Sampdoria) | Flops: Mandzukic e Khedira (Juventus)

Seis jogos, seis vitórias: só a Sampdoria tem 100% de aproveitamento em casa na Serie A. Nem mesmo a Juventus foi páreo para a equipe de Giampaolo, que tem empolgado a torcida graças ao melhor início de campeonato da história blucerchiata – superior até ao do título de 1991. Não foi à toa que gritos de “olé” ressoaram em Gênova: havia quatro anos que os anfitriões não batiam a Velha Senhora no Marassi e o retrospecto ainda era de seis derrotas nos últimos sete jogos diante dos bianconeri. O primeiro tempo até indicou que a história não mudaria, porque os visitantes pressionaram bastante e dominaram as ações, com direito a gol perdido de Higuaín no primeiro minuto e outra chance clara de Cuadrado defendida de costas (isso mesmo) por Viviano.

Tudo mudou na volta do intervalo, quando após confusão na área, Zapata ganhou de Lichtsteiner pelo alto e abriu o placar, aos 52. Apesar da pressão sofrida, a Sampdoria manteve seu gol inviolado e seguiu atacando com o forte centroavante colombiano, que é um dos destaques da temporada. Mas foi outro sul-americano que voltou a balançar a rede adversária: aos 70, Ramírez passou para o compatriota Torreira chutar forte da entrada da área, marcar seu terceiro gol no campeonato e lembrar a Óscar Tabárez que é uruguaio. Durante a semana, o volante ainda rechaçou a possibilidade de jogar pela Itália, mostrando orgulho de defender seu país de nascimento.

Oito minutos depois foi a vez de Ferrari decretar a derrota juventina. Quagliarella aproveitou uma bola na área e protegeu bem antes de chutar cruzado para o zagueiro completar. O time de Allegri conseguiu superar Viviano somente nos acréscimos, quando era muito tarde para evitar o tropeço. Primeiro, Higuaín converteu pênalti (será o novo batedor oficial, após Dybala ter desperdiçado as últimas cobranças?), e depois Dybala arrancou e chutou forte, fechando o placar. Com oito vitórias em 12 partidas, a Sampdoria abriu vantagem na zona europeia e, com um jogo a menos, já tem sete pontos de vantagem para o Milan. A Juve é a terceira colocada, quatro pontos atrás do Napoli e a dois da Inter.

Isso não é um cachimbo: Zapata fez a cobra fumar contra a Juve (Getty)

Roma 2-1 Lazio
Perotti (pênalti) e Nainggolan | Immobile (pênalti)

Tops: Perotti e Nainggolan (Roma) | Flops: Luis Alberto e Bastos (Lazio)

Nada como um Derby della Capitale para abrir a rodada e superar a ressaca da data Fifa. Na briga pela quarta posição, Roma e Lazio proporcionaram uma partida equilibrada, que – se não teve grandes oportunidades – mostrou o bom trabalho dos treinadores Di Francesco e Inzaghi, assim como as qualidades de duas equipes muito físicas. Os biancocelesti tiveram a defesa bem postada, liderada pelo posicionamento de Lucas Leiva, e os contra-ataques protagonizados pelo artilheiro Immobile, enquanto os giallorossi apostaram nas conduções de Nainggolan e Perotti, no pivô de Dzeko e na segurança da defesa menos vazada do campeonato.

No final das contas, prevaleceram os romanistas, que se defenderam muito bem e começaram o segundo tempo voando, estabelecendo domínio sobre uma Lazio acuada: a partida se decidiria em menos de dez minutos após o intervalo. Aos 48, o ex-laziale Kolarov foi derrubado na área, e Perotti converteu muito bem a cobrança de pênalti. Quatro minutos depois, após receber na intermediária, Nainggolan avançou e chutou firme para ampliar. A vantagem deu tranquilidade para a Roma seguir superior no jogo, inclusive criando mais chances. A Lazio começou a igualar as ações após a entrada de Lukaku e só foi descontar com a ajuda do árbitro de vídeo, que alertou para um toque no braço de Manolas e proporcionou o 15º gol de Immobile na Serie A. A pressão no final de pouco adiantou para a equipe azul da capital, que perdeu o jogo e a posição para a rival: agora está dois pontos atrás da Roma.

Inter 2-0 Atalanta
Icardi (Candreva) e Icardi (D’Ambrosio)

Tops: Icardi e Miranda (Inter) | Flops: Rafael Tolói e Castagne (Atalanta)

Contra uma velha asa negra, dessa vez a Inter não teve problemas e se recuperou imediatamente do primeiro tropeço em casa na temporada, diante do Torino. Se não houve outro 7 a 1, como no último confronto entre as equipes, a Beneamata fez partida muito segura contra a agressiva equipe de Gasperini e contou novamente com o poder de decisão de Icardi. O camisa 9 jogou com uma lesão no menisco, que o levou a ser cortado da convocação argentina na última data Fifa, mas teve uma de suas melhores apresentações pelos nerazzurri e superou com sobras a marcação adversária, sobretudo a de Rafael Tolói.

Antes de se consagrar, contudo, o capitão interista vacilou nas três primeiras oportunidades, perdendo duas chances claras contra Berisha. Na quarta e na quinta finalmente superou o goleiro albanês, contando com assistências de Candreva e D’Ambrosio para chegar aos 13 gols na Serie A. Os dois italianos estavam no San Siro contra a Suécia (apenas o primeiro jogou, e foi bastante vaiado) e, no mesmo estádio, fizeram as pazes com a torcida, em uma das muitas ironias da vida. Com uma atuação muito segura dos zagueiros Skriniar e Miranda, a Inter pouco sofreu ao longo do jogo e controlou a vantagem, assegurando o retorno à segunda posição. No meio da tabela, a Atalanta concentra forças na partida de quinta contra o Everton, que pode garantir sua passagem ao mata-mata da Liga Europa.

Torino 1-1 Chievo
Baselli (Obi) | Hetemaj

Tops: Sorrentino e Hetemaj (Chievo) | Flops: Belotti (Torino) e Radovanovic (Chievo)

O Torino começou novembro em alta com o empate em Milão contra a Inter, antes da data Fifa, mas  tornou a vacilar em casa. Dessa vez, contra um adversário direto por um posto entre as oito primeiras equipes do campeonato, que segue com os granata por um ponto de vantagem. Muito irregular, o time de Mihajlovic não tem ido correspondido às expectativas geradas pela última boa temporada e pelos reforços contratados na janela de transferências. Belotti, por sua vez, tem deixado a desejar, e supõe-se que sua volta após a lesão no joelho tenha sido antecipada e imprudente. Contra o Chievo, aliás, o centroavante até mesmo perdeu o pênalti decisivo, que daria os três pontos para sua equipe.

Os visitantes começaram pressionando, acertaram a trave aos cinco minutos, com Castro, e abriram o placar aos 13, com Hetemaj, aproveitando o desvio de um cruzamento de Meggiorini. O empate veio ainda na primeira etapa, aos 33, quando Baselli cabeceou firme a bola levantada por Obi. Foi uma das poucas vezes que o time da casa conseguiu acertar o gol adversário: por mais que o autor do gol e Ljajic tenham criado oportunidades, faltou pontaria aos companheiros, como Belotti, que teve a chance de marcar o gol da vitória em três oportunidades. Quando solicitado, Sorrentino correspondeu diante de sua antiga equipe: além de ter defendido a cobrança de pênalti, o goleiro também foi providencial em um chute de Falque.

Nainggolan e Perotti foram protagonistas no Dérbi de Roma (LaPresse)

Spal 1-1 Fiorentina
Paloschi | Chiesa (Simeone)

Tops: Felipe (Spal) e Chiesa (Fiorentina) | Flops: Borriello (Spal) e Simeone (Fiorentina)

Segue o calvário viola. Depois de sequência de vitórias que serviu para Pioli dar uma respirada, seu time voltou a vacilar e, contra a Spal, chegou ao terceiro jogo sem vencer. O resultado poderia ter sido ainda pior, não fosse Chiesa marcar um gol no final da partida para comemorar a renovação de contrato até 2022.

Em um primeiro tempo de poucas chances, o placar foi inaugurado somente aos 41, quando Felipe acertou a trave e Paloschi aproveitou o rebote na pequena área para marcar seu terceiro no ano. A reação visitante veio após o intervalo, mas embora a Fiorentina tenha atacado bastante, o goleiro Gomis não teve grande trabalho para defender quatro chutes. O senegalês foi superado somente aos 80, quando Chiesa recebeu passe de um apagado Simeone e tocou na saída do arqueiro, garantindo um ponto que não muda a situação da equipe de Florença, estacionada no meio da tabela com apenas 17 pontos em 13 rodadas. A Spal está mais próxima da zona de rebaixamento com a vitória do Genoa, que agora está apenas um ponto atrás.

Udinese 0-1 Cagliari
João Pedro (Barella)

Tops: Rafael e Barella (Cagliari) | Flops: Maxi López e Danilo (Udinese)

Depois de duas vitórias seguidas, Delneri foi para a data Fifa de novembro um pouco mais tranquilo, mas o dramático retorno da folga manteve o veterano treinador na berlinda. Jogando em casa, a Udinese perdeu um jogo importante contra o Cagliari, que também tem atuado abaixo de suas expectativas e está próximo da zona de rebaixamento. A vitória deste domingo foi apenas a segunda dos sardos no Friuli em toda a história e serviu para que a equipe conseguisse abrir três pontos para os bianconeri. Nada mal para o técnico Diego López, que conseguiu seu terceiro triunfo em cinco jogos pela equipe.

O resultado foi ainda mais amargo para os anfitriões porque a equipe produziu uma quantidade razoável de chances de gol. Enquanto Maxi López desperdiçou a primeira delas de forma inacreditável, Jankto, Barák e Perica pararam em um inspirado Rafael e no surpreendente desempenho defensivo do Cagliari, que desde o retorno à elite tem sido uma das piores defesas do campeonato. Para responder à pressão adversária, os visitantes atacaram sobretudo com o talentoso Barella, especialmente em contra-ataques. A joia sarda criou quatro oportunidades, inclusive o gol da vitória: cruzou para João Pedro, que aproveitou o cochilo de Danilo e Widmer para marcar seu quarto gol na Serie A. O meia-atacante, ex-Santos e Atlético Mineiro, é o artilheiro da equipe e anotou seu terceiro na carreira contra a Udinese. Outro brasileiro em campo, o ex-flamenguista Samir terminou a partida atuando como goleiro, devido à expulsão de Bizzarri.

Benevento 1-2 Sassuolo
Armenteros (Ciciretti) | Matri (Missiroli) e Peluso (Berardi)

Tops: Peluso e Consigli (Sassuolo) | Flops: Brignoli e Letizia (Benevento)

Vai dar, vai dar, vai dar… não deu. Diante da sua torcida e contra um fragilizado Sassuolo, o Benevento tinha tudo para conseguir seu primeiro ponto na Serie A, mas novamente sofreu um duro golpe nos acréscimos e saiu derrotado pela 13ª vez em 13 rodadas – um recorde em toda a história dos cinco maiores campeonatos europeus. Dessa vez, o “culpado” foi Peluso, que colocou os neroverdi na frente do placar aos 93 minutos, após escanteio cobrado por Berardi. O ponta calabrês, aliás, teve a oportunidade de fazer o gol da vitória emiliana minutos antes, mas acabou perdendo pênalti, ratificando a má fase que atravessa.

Embora Berardi tenha decepcionado, o Sassuolo voltou a vencer depois de três rodadas e chegou a 11 pontos, mantendo a diferença para o Genoa, que também venceu e abre a zona da degola, com dois pontos a menos. No Benevento, enquanto o goleiro Brignoli voltou a falhar e entregou a bola para Missiroli possibilitar que Matri abrisse o placar, Ciciretti foi uma das poucas notas positivas e participou do gol de empate de Armenteros. A reação campana foi frustrada pela expulsão de Letizia, que cometeu falta sem a bola logo após o empate. Os anfitriões ficaram com um a menos por quase 30 minutos e não conseguiram segurar o placar.

Verona 2-3 Bologna
Cerci (Fares), Cáceres (Verde) | Destro (Palacio), Okwonkwo (Verdi), Donsah

Tops: Cáceres (Verona) e Palacio (Bologna) | Flops: Zuculini (Verona) e Helander (Bologna)

Verona e Bologna faziam uma partida de difícil prognóstico. Afinal, as duas equipes vinham em fase negativa e, além disso, tinham retrospecto pouco glorioso: o Hellas havia vencido apenas quatro dos últimos 17 jogos contra o rival de segunda e não havia feito gols em 11 deles, ao passo que o Bologna não marcou em 14 dos últimos 34 jogos longe do Renato Dall’Ara. Nesta sinuca de bico, melhor para a equipe de Donadoni, que voltou a vencer após quatro derrotas e manteve os veroneses na zona de rebaixamento, mas com uma série de cinco fracassos – o que não acontecia desde 2001.

Jogando em casa, o Verona começou melhor. O argelino Fares, que atua como uma espécie de coringa do no esquema de Pecchia, fez jogada pela esquerda e cruzou na área e Cerci apareceu para abrir o placar, de cabeça. Só que o Bologna tinha Palacio, verdadeiro carrasco do Verona: nas seis vezes em que enfrentou o Hellas na carreira, contribuiu com gol ou assistência. Nesta segunda, o argentino deixou Destro livre para empatar a partida. Ainda no primeiro tempo, Cáceres aproveitou novo cruzamento na área e fez 2 a 1, mas o Bologna não desistiu e, aos 74, voltou a empatar. O zagueiro uruguaio foi antecipado por Okwonkwo, autor do terceiro cabeceio que resultou em gol no Bentegodi. A virada rossoblù chegou dois minutos depois, com outro africano: o ganês Donsah recebeu fora da área, cortou para o meio e bateu sem chances para Nícolas. O Hellas quase empatou no finalzinho, mas Mirante salvou o gol contra de Helander.

Crotone 0-1 Genoa
Rigoni (Laxalt)

Tops: Perin e Rigoni (Genoa) | Flops: Budimir e Trotta (Crotone)

Em um dos jogos de menor qualidade técnica da temporada, Crotone e Genoa até que fizeram um duelo movimentado, com os goleiros Cordaz e Perin aparecendo para evitar um placar mais florido. Em meio a constantes erros dos dois times, melhor para o de Ballardini, que inicia um trabalho no Genoa pela terceira vez na carreira.

O treinador romanholo viu Rigoni completar cruzamento de Laxalt para marcar o único gol da partida e contou com as intervenções de Perin para que os grifoni terminassem a terceira partida sem serem vazados na Serie A. A vitória na casa de um concorrente direto contra o rebaixamento foi importante, mas não mudou a situação da equipe, que segue na zona de rebaixamento, com nove pontos, a um de distância da Spal.

*Os nomes entre parênteses após os autores dos gols se referem aos responsáveis pelas assistências

Seleção da rodada
Sorrentino (Chievo); D’Ambrosio (Inter), Koulibaly (Napoli), Miranda (Inter), Kolarov (Roma); Nainggolan (Roma), Torreira (Sampdoria), Perotti (Roma); Insigne (Napoli); Icardi (Inter), Zapata (Sampdoria). Técnico: Marco Giampaolo (Sampdoria).

Deixe um comentário