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Hoje técnico, Alberto Valentim foi respeitado em seus anos como jogador na Serie A

Ex-auxiliar de Cuca no Palmeiras, Alberto Valentim era tido como um profissional de boas ideias, mas só aparecia em momentos em que o treinador estava suspenso. Agora, finalmente ganhou uma chance no alviverde paulista e está fazendo um bom trabalho. O que pouca gente sabe é que antes de ser conhecido pelo sobrenome “Valentim”, Alberto teve uma passagem sólida pelo futebol italiano.

Mineiro de Oliveira, Alberto iniciou sua vida no esporte nas categorias de base do América-MG, mas com quase 18 anos se transferiu para o Guarani, onde concluiu sua formação. Pelo Bugre, na mesma geração do atacante Luizão, o lateral conquistou a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 1994 – foi ele quem cobrou o pênalti decisivo contra o São Paulo – e recebeu convocações para as seleções sub-20 e sub-23 do Brasil, vencendo o Torneio de Toulon. Como profissional, Alberto ganhou a série A2 do Paulista pela Inter de Limeira, em 1996, e logo depois desembarcou no Atlético Paranaense, clube em que teve mais destaque.

Alberto terminaria aquele ano bem cotado como o melhor jogador de sua posição no Brasileiro. O lateral vestiria a camisa do Furacão por quase cinco anos, entre curtos empréstimos a São Paulo, Cruzeiro e Flamengo. Após ajudar o rubro-negro paranaense a garantir a vaga na Copa Libertadores de 1999, o jogador revelado pelo Guarani partiria para uma longa jornada pelo futebol italiano, que se estenderia do fim da década de 1990 ao início dos anos 2000.

Ao todo, Alberto passou nove anos na Serie A, sempre vestindo alvinegro: primeiro, com a camisa da Udinese, e depois de deixar o Friuli, com a do Siena. Quando esteve mais presente em campo pelos friulanos, Alberto foi utilizado como meia pela direita, durante a campanha do 13º lugar na Serie A, em 2000-01. Somando dois gols, contra Reggina e Bologna, ele também foi expulso contra Roma e Juventus. Nas duas ocasiões, a Udinese foi derrotada e perdeu a chance de abrir vantagem para os times que vinham atrás na tabela, mas acabou fugindo do rebaixamento.

Experiente, Alberto encarou uma concorrência qualificada na primeira temporada em Údine, que teve o título da Copa Intertoto. Ao lado de Giuliano Giannichedda, Stefano Fiore, Morten Bisgaard e Martin Jorgensen, o ex-Atlético Paranaense se adaptou completamente à Itália apenas em seu segundo ano, quase que dobrando a sua participação de 16 para 30 jogos entre os titulares, somando Serie A e Copa Uefa, em 2000-01. Na Europa, os bianconeri não passaram da segunda rodada, caindo para o PAOK.

Os problemas, no entanto, começaram em junho de 2001, no que prometia ser uma ótima temporada para Alberto. Pego com passaporte português falso ao viajar para a Polônia com a delegação para um jogo da Copa Uefa, Valentim precisou refazer seu visto para permanecer na Itália e foi suspenso por um ano pela Federação Italiana.

O esquema dos passaportes falsos custou caro a alguns jogadores sul-americanos da época, como Dida, Fábio Júnior, Warley, Jorginho Paulista, Juan Sebastián Verón e Álvaro Recoba. A ideia dos empresários destes jogadores era se livrar das limitações a estrangeiros na competição, regra que foi abolida, curiosamente, ao longo da melhor fase de Alberto pela Udinese. Quando retornou, em junho de 2002, o brasileiro fez mais duas temporadas jogando como meia e manteve bom ritmo, acompanhando a equipe treinada por Luciano Spalletti, que encaixou campanhas honrosas de sexto e sétimo lugar em 2003 e 2004.

A temporada 2003-04 começou bem para Alberto, que marcou contra o Parma na segunda rodada – o empate em 1 a 1 teve Adriano como protagonista. Presença frequente nos onze iniciais de Spalletti, o brasileiro perdeu espaço no começo do segundo turno. A equipe friulana passou por momentos de turbulência e só se recuperou de fato nas quatro últimas rodadas, emplacando quatro vitórias diante de Torino, Modena, Perugia e Lazio. Alberto viu de fora a classificação para a Copa Uefa de 2003-04.

Alberto e o mítico Franco Causio, nas dependências da Udinese (Mondo Udinese)

Em sua última campanha sólida na Udinese, Valentim somou apenas 22 jogos pela Serie A e passou em branco. Sem ele, o clube não passou da primeira fase da Copa Uefa, sucumbindo diante do Austria Viena. O sétimo lugar no Italiano compensou a outra frustração daquele período: a queda nas quartas de final da Coppa Italia, contra a Inter.

Em janeiro de 2005, de maneira discreta, o meia foi cedido ao Siena em regime de copropriedade. Sempre no limite para escapar do rebaixamento, o time de Luigi De Canio era repleto de veteranos, como Gianluca Falsini, Francesco Colonnese, Igor Tudor, Fabio Pecchia, Simone Vergassola, Francesco Cozza, Tore Andre Flo e Enrico Chiesa. E a idade avançada do plantel prejudicou o desempenho na parte final da temporada, ainda que o Siena tenha conseguido escapar da degola na última rodada, graças a uma vitória sobre a já rebaixada Atalanta.

Nos anos seguintes, mesmo com mudanças de treinador (após De Canio, passaram pela Robur Mario Beretta e Andrea Mandorlini), continuavam chegando veteranos à Toscana: Nicola Legrottaglie, Simone Loria, Paolo Negro, Tomas Locatelli, Mario Frick, Cristian Bucchi, Erjon Bogdani, Christian Riganò, Dimitrios Eleftheropoulos… Ainda assim, o Siena se salvava de última hora e permanecia na Serie A, a qual deixou somente em 2010, quando Alberto não estava mais no clube.

Contemporâneo de Taddei na equipe bianconera, Alberto não podia mudar sozinho o destino do Siena, fadado a brigar para não ser rebaixado para a Serie B. Foram 77 jogos em um intervalo de três anos, nos quais o lateral e meia conseguiu ajudar a equipe a cumprir seu objetivo. Ainda assim, Alberto não conseguiu brilhar como esperava e voltou para o Brasil em definitivo, assinando com o Atlético Paranaense, que 12 anos antes lhe colocara em posição de destaque no futebol nacional. Dois anos e menos de dez aparições depois, Valentim anunciou a aposentadoria, mas com um último título, no Campeonato Paranaense de 2009.

Após deixar os campos, o mineiro continuou ligado ao futebol. Valentim fez estágios em Udinese, Juventus e Roma, até assumir o cargo de assessor da presidência do Atlético Paranaense. Em 2012, Alberto iniciou carreira como auxiliar técnico, função que desempenhou no clube por dois anos, até se mudar para o Palmeiras.

No Palestra, ganhou destaque como assistente de Cuca e, após a conquista do Brasileirão e a saída da comissão técnica, se aventurou como treinador do Red Bull Brasil. Alberto Valentim não teve sucesso no interior paulista e meses, depois, acabou voltando ao Palmeiras para ser auxiliar de Cuca novamente. A passagem negativa do técnico pelo clube, em 2017, lhe abriu as portas para dirigir a equipe alviverde, que comanda até hoje.

Alberto Valentim do Carmo Neto
Nascimento: 22 de março de 1975, em Oliveira (MG)
Posição: lateral-direito, meia-direita
Clubes: Guarani (1995), Inter de Limeira (1995), Atlético Paranaense (1996, 1998-99, 2008-09), São Paulo (1997-98), Cruzeiro (1998), Flamengo (1998), Udinese (1999-2005) e Siena (2005-08)
Títulos: Copa São Paulo de Futebol Júnior (1994), Torneio de Toulon (1995), Série A2 do Campeonato Paulista (1996), Campeonato Paulista (1998), Campeonato Paranaense (2009) e Copa Intertoto (2000)

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