Serie A

17ª rodada: embalado por recorde de Hamsík, Napoli volta à liderança

Neste fim de semana, mais um capítulo importante da Serie 2017-18 A foi escrito. No sábado, a líder (e única invicta) do campeonato até aquele momento, caiu para um carrasco habitual e, vulnerável, notava a sua soberania ameaçada. Após a derrota para a Udinese, a Inter só poderia esperar pelo imprevisível e secar Napoli, Juventus e Roma, que enfrentavam, respectivamente, Torino, Bologna e Cagliari.

Como era de se esperar, seus adversários venceram e tornaram a disputa pelo scudetto ainda mais acirrada, empurrando a equipe nerazzurra do topo da tabela para a terceira posição. Desta vez, o time a ser seguido volta a ser o Napoli, que já havia liderado o campeonato entre a 7ª e a 14ª rodada. Confira a análise da jornada, que ainda teve mais um vexame do Milan e um jogo movimentadíssimo entre Atalanta e Lazio.

Torino 1-3 Napoli
Belotti | Koulibaly (Allan), Zielinski (Jorginho) e Hamsík (Mertens)

Tops: Allan e Jorginho (Napoli) | Flops: N’Koulou e Burdisso (Torino)

Sai, zica! Ainda buscando soluções para superar as ausências de Ghoulam e Insigne, o Napoli enfim conseguiu uma vitória confortável para respirar no final de ano. O time de Sarri deixou de lado a notável a queda técnica e física dos partenopei nas últimas rodadas, cenário negativo que se aprofundou por causa das perdas de jogadores fundamentais ao sistema – e insubstituíveis, considerando as peças disponíveis no elenco. Contra o Torino, o bom futebol napolitano voltou, ou pelo menos parcialmente, mas de forma suficiente para assegurar o retorno à liderança e o recorde extraordinário de Hamsík. O capitão azzurro está empatado com Maradona como maior artilheiro do clube: são 115 gols em dez temporadas na Campânia.

O gol do eslovaco, aliás, fechou a conta da vitória dos visitantes, que já havia sido assegurada nos primeiros 30 minutos. Com a ajuda do terrível sistema defensivo do time de Mihajlovic, o Napoli não teve problemas para chegar à área grená. Marcou primeiro com Koulibaly, que completou escanteio de Callejón desviado por Allan, logo aos quatro minutos. Depois com Zielinski, lançado nas costas da defesa adversária após um grande passe de Jorginho. O regista ítalo-brasileiro, aliás, apareceu novamente ao acionar Mertens, que deu a assistência para o gol histórico de Hamsík. Com a larga vantagem assegurada, não houve grandes problemas para o time visitante controlar o jogo e não se esforçar mais para atacar, segurando a bola à sua maneira. O gol de Belotti no segundo tempo, depois de bola mal afastada por Albiol, em nada afetou o decorrer da partida. Para o centroavante italiano, porém, o gol valeu muito: havia três meses que o Galo não marcava na Serie A.

Bologna 0-3 Juventus
Pjanic, Mandzukic (Pjanic) e Matuidi

Tops: Pjanic e Alex Sandro (Juventus) | Flops: Mirante e Destro (Bologna)

Quem também aproveitou a primeira derrota da Inter foi a rival Juventus, que rapidamente superou o frustrante empate da última rodada. Cínica como quase sempre, a equipe de Allegri não se esforçou para construir uma vitória tranquila e elástica sobre seu freguês, em um tarde fria em Bolonha. Com Dybala em baixa, Pjanic brilhou: o bósnio já tinha assumido protagonismo na hierarquia da equipe com a saída de Bonucci, e, diante do Bologna, liderou a equipe. Centrada no regista, a Juve usou a posse de bola e vantagem territorial para administrar a vantagem construída pelo pé direito do próprio Pjanic.

Pjanic deu as caras primeiro com sua marca registrada: uma cobrança de falta precisa, com pouco ângulo, mas com muita ajuda do goleiro Mirante. Após abrir o placar, o meia colaborou com lançamento preciso para Mandzukic, nas costas de Mbaye, ampliar com uma boa finalização de canhota. O terceiro gol, já no segundo tempo, ficou a cargo de Matuidi, que fez seu primeiro com a camisa bianconera, em jogada protagonizada por Alex Sandro. O lateral brasileiro vive mau momento, era dúvida para o jogo diante do crescimento de Asamoah, mas aproveitou a chance e foi um dos melhores na rodada.

Inter 1-3 Udinese
Icardi (Candreva) | Lasagna (Widmer), De Paul (pênalti) e Barák (Jankto)

Tops: Lasagna e Widmer (Udinese) | Flops: Santon e Brozovic (Inter)

Caiu a última invicta do campeonato e, com isso, a Inter também deu adeus à liderança. Em grande momento na temporada, os interistas não tiveram uma semana nada fácil contra adversários friulanos: na terça-feira, pela Coppa Italia, custaram para eliminar o modesto Pordenone, da terceira divisão, e, depois do sofrimento nos pênaltis, viram a Udinese derrubá-los. Na abertura da rodada da Serie A, a Beneamata sofreu a primeira derrota na Serie A para sua velha asa negra, que não vencia no San Siro desde 2013.

Esta derrota foi bem difícil de engolir para o torcedor interista e de se explicar para quem só assistiu o primeiro tempo. O enorme volume de jogo dos anfitriões no primeiro tempo foi interrompido pelo cochilo da zaga, que levou ao gol de Lasagna. Por apenas alguns segundos, já que Icardi completou cruzamento de Candreva para marcar seu 95º gol pela Inter, entrando definitivamente no top 10 da artilharia do clube. Depois, Perisic, Candreva, Borja Valero e Brozovic também tiveram grandes oportunidades para virarem o placar, o que não aconteceu. No segundo tempo, dois ataques da Udinese e dois gols puniram a falta de ritmo e produtividade do time de Spalletti, que perdeu o duelo tático para Oddo. Santon voltou a falhar ao interceptar com a mão passe de um inspirado Widmer, e De Paul marcou de pênalti. Por fim, a jogada de Jankto foi finalizada por Barák – oito dos 11 últimos gols da Udinese tiveram a participação da dupla, que subiu de produção após a chegada do novo treinador.

Roma 1-0 Cagliari
Fazio

Tops: Fazio e Florenzi (Roma) | Flops: João Pedro e Padoin (Cagliari)

Três pontos na conta e defesa não vazada: check. Com a queda da última equipe invicta no campeonato, agora é da Roma a maior série de partidas sem perder, uma vez que o time de Di Francesco não é derrotado desde outubro e, neste sábado, chegou a nove rodadas de invencibilidade. Neste período, os romanos acumularam sete vitórias, que serviram para o grupo se recuperar das derrotas para Inter e Napoli. Outra conquista para os giallorossi é que, além de terem a melhor defesa da Serie A, com apenas 10 gols sofridos em 16 partidas, o brasileiro Alisson já soma nove jogos sem sofrer gols.

Embora não faça partidas excepcionais, a Roma mantém boa organização e tem sido cínica o bastante para conquistar jogos complicados e seguir pontuando, para se manter na corrida pelo scudetto. Contra o Cagliari foi exatamente assim, graças ao gol salvador de Fazio nos acréscimos: vale salientar que a a arbitragem de Damato confirmou o gol após considerar que foi involuntário um toque no braço do zagueiro argentino, na origem do lance. Diante da passividade do adversário, destaque negativo para as participações de Dzeko e Schick (enfim titular), e, claro, de Perotti. O argentino completou o dia ruim do ataque romanista com pênalti perdido no começo do segundo tempo.

Verona 3-0 Milan
Caracciolo (Rômulo), Kean (Daniel Bessa), Daniel Bessa (Rômulo)

Tops: Nícolas e Rômulo (Verona) | Flops: Suso e Kalinic (Milan)

Aqui se faz, aqui se paga. Na última quarta-feira, o Milan avançou na Coppa Italia com um 3 a 0 sobre o Verona, porém, os butei devolveram o placar neste domingo e tornaram ainda mais dramática a situação dos rossoneri na temporada. O time de Gattuso atacou bastante no abafa, mas lhe faltou qualidade e paciência para superar o brasileiro Nícolas, autor de várias defesas na partida. Além disso, Suso retratou o péssimo momento dos rossoneri e foi expulso nos acréscimos, depois de o árbitro de vídeo ter alertado para a agressão do meia-atacante espanhol contra Verde.

Se o goleiro Nícolas segurou como pôde atrás, o zagueiro Caracciolo abriu o placar com uma grande cabeçada, após escanteio cobrado por Rômulo – o defensor ainda anulou Kalinic e Cutrone. No segundo tempo, uma cria da base juventina e outro da interista terminaram de punir o Diavolo. Na jogada de Daniel Bessa, ítalo-brasileiro criado em Interello, Kean, entroavante emprestado pela Juventus, marcou o segundo o gol. O próprio Bessa fechou a conta, graças a outra assistência do brasileiro Rômulo, cada vez mais fundamental ao Hellas. Apesar da vitória, o Verona continua na penúltima posição, com 13 pontos – um abaixo do último time fora da zona de rebaixamento.

Atalanta 3-3 Lazio
Caldara (Petagna), Ilicic (Gómez) e Ilicic (pênalti) | Milinkovic-Savic, Milinkovic-Savic (Parolo) e Luis Alberto (Caicedo)

Tops: Ilicic (Atalanta) e Milinkovic-Savic (Lazio) | Flops: Freuler (Atalanta) e Bastos (Lazio)

Quer gols? Conte com Atalanta e Lazio. As equipes, que protagonizaram um 3 a 4 na primeira rodada de 2016-17, voltaram a fazer outro jogo muito movimentado em Bérgamo. Entre o pé esquerdo espetacular de Ilicic, o talento de Papu Gómez e de Luis Alberto e a força extraordinária de Milinkovic-Savic, vimos um jogo sem muita organização, mas bastante atrativo pelo ritmo e ferocidade das equipes. Agressividade que se viu também no técnico Simone Inzaghi, expulso pela arbitragem.

Não perca a conta. Aos 18 minutos, Petagna levantou a bola na área e o zagueiro artilheiro Caldara marcou seu terceiro gol na temporada, o décimo em apenas um ano e meio na Serie A. Aos 21, Gómez lançou Ilicic nas costas da defesa e o esloveno ampliou. Vantagem que não se manteve por muito tempo, já que, cinco minutos depois, Milinkovic-Savic arrancou por dentro e acertou forte chute de esquerda da entrada da área. Antes do intervalo, novamente o sérvio chutou firme da entrada da área e empatou. Logo após a volta do intervalo, Ilicic tornou a colocar os anfitriões na frente do placar em cobrança de pênalti, mas Luis Alberto voltou a empatar no apagar das luzes, depois de tabela entre Felipe Anderson e Caicedo. Apesar da diversão, o empate não favorece a nenhum dos times e ainda alerta Gasperini e Inzaghi pelos tropeços consecutivos: a Lazio está mais distante do quarteto que tem vaga direta na fase de grupos da próxima Liga dos Campeões, enquanto a Atalanta em nenhum momento nesta temporada esteve presente na zona de classificação a torneios continentais.

Sampdoria 0-1 Sassuolo
Matri (Ragusa)

Tops: Matri e Acerbi (Sassuolo) | Flops: Zapata e Ramírez (Sampdoria)

Segue o calvário da Sampdoria em dezembro. O retrospecto do time de Giampaolo no último mês do ano é simplesmente desastroso: um empate e três derrotas, incluindo a eliminação na Coppa Italia para a Fiorentina e as primeiras derrotas no Marassi, que derrubaram a única equipe que tinha 100% de aproveitamento em casa. Contra o Sassuolo, os blucerchiati chegaram a quatro rodadas sem vencer no campeonato e, pior, nem pareciam o mesmo time que começou a temporada voando. Para a sorte dos dorianos, seus adversários por uma vaga na Liga Europa também estão mal e a vantagem na zona europeia permanece, embora esteja menor.

O resultado poderia ter sido ainda pior para os anfitriões, já que Viviano foi o melhor em campo e ainda defendeu um pênalti de Politano – o atacante também acertou a trave em outra oportunidade. Contudo, Matri voltou às redes na hora certa, marcando o único gol da partida nos minutos finais, assegurando outra vitória para os neroverdi, como fizera contra Cagliari e Benevento. O crescimento do Sassuolo desde a chegada de Iachini é notório, e até Berardi tem voltado a jogar bem. Outra nota positiva fica por conta de Acerbi, que além da grande partida, comemorou a 100ª partida consecutiva pelo Sassuolo, sem ter sido substituído em nenhuma delas. Vale lembrar que, três anos atrás, o zagueiro atrás lutava contra um câncer nos testículos.

 

Fiorentina 0-0 Genoa
Tops: Pezzella (Fiorentina) e Perin (Genoa) | Flops: Simeone (Fiorentina) e Pandev (Genoa)

A única partida sem gols da rodada marcou mais um tropeço em casa para a Fiorentina de Pioli, que venceu apenas uma vez nos últimos sete compromissos. A viola conseguiu algumas vitórias expressivas e resultados importantes, como o empate contra o Napoli na última rodada, mas segue sem empolgar e não consegue aproximar da zona europeia. Um cenário também bastante repetido recentemente: os viola empataram cinco vezes no campeonato, quatro delas nas últimas cinco rodadas.

Situação completamente diferente para o Genoa, visto que o time de Ballardini conquistou um ponto importante e inesperado fora de casa – afinal, desde 1977, os grifoni não conseguem vencer a Fiorentina na Toscana. O empate sem gols também ajudou a equipe a manter o bom momento defensivo: nas cinco partidas realizadas com o novo treinador, apenas três gols sofridos. Inclusive, esta foi a terceira partida em que o goleiro Perin não foi vazado.

Crotone 1-0 Chievo
Budimir (Ajeti)

Tops: Ajeti e Budimir (Crotone) | Flops: Pellissier e Gamberini (Chievo)

Seja muito bem-vindo, Zenga. Substituto de Nicola no comando técnico do Crotone, o histórico ex-goleiro da Inter fez sua primeira partida no estádio Ezio Scida e estreou com o pé direito em casa: após debutar com derrota para o Sassuolo, o treinador conduziu a equipe para um triunfo, após quatro tropeços. Com o resultado, o Crotone conseguiu sua terceira vitória em três encontros com o Chievo na Serie A. Aliás, foi exatamente contra os clivensi que a equipe calabresa obteve o primeiro triunfo de sua história na elite do Italiano.

Mas a festa não vai muito além daí, porque o jogo disputado na Calábria não foi dos mais bonitos. Melhor para os anfitriões, que marcaram o único gol da partida com seu artilheiro Budimir, após bola levantada na área e desviada por Ajeti. A vitória foi suficiente para manter o Crotone fora da zona de rebaixamento, e justo em uma rodada em que seu concorrentes também conseguiram bons resultados. O Chievo segue estático no meio da tabela.

Benevento 1-2 Spal
Cremonesi (contra) | Floccari (Schiattarella) e Floccari

Tops: Ciciretti (Benevento) e Floccari (Spal) | Flops: Belec (Benevento) e Paloschi (Spal)

Em um daqueles jogos que inexplicavelmente acontecem em horários isolados das rodadas, o confronto entre Benevento e Spal cumpriu a baixa expectativa técnica. No primeiro jogo em casa desde o heroico empate com o Milan, o time de De Zerbi chegou a estar na frente do placar – o que aconteceu apenas duas vezes na temporada, a primeira contra a Juventus -, mas foi frustrado mais uma vez. Afinal, a vantagem durou apenas cinco minutos, já que um desaparecido começou a dar as caras.

Floccari, até então titular em apenas duas oportunidades, ambas em agosto, retornou ao time e mais do que convenceu o técnico Semplici e a torcida dos estensi. Depois de ter acertado a trave antes do gol contra de Cremonesi, garantiu o empate após uma assistência de Schiattarella e, dez minutos depois, assinou a primeira vitória da Spal em dois meses. O veterano marcou seus primeiros gols no ano e não balanças as redes na Serie A desde a temporada 2015-16.

*Os nomes entre parênteses após os autores dos gols se referem aos responsáveis pelas assistências

Seleção da rodada
Nícolas (Verona); Widmer (Udinese), Caracciolo (Verona), Fazio (Roma), Rômulo (Verona); Pjanic (Juventus), Jorginho (Napoli), Milinkovic-Savic (Lazio); Ilicic (Atalanta), Daniel Bessa (Verona); Floccari (Spal). Técnico: Massimo Oddo (Udinese).

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