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Mesmo baixinho, Franco Tancredi se tornou o maior goleiro da história da Roma

Homem de cinco clubes diferentes em sua carreira, o goleiro Franco Tancredi se notabilizou como um dos principais representantes da sua posição, mesmo encontrando enormes adversidades pelo caminho. Sua fase mais gloriosa se deu na Roma: foi ele o arqueiro que protegeu a meta giallorossa na campanha do scudetto em 1983.

A carreira de Franco teve início no modesto Giulianova, da sua cidade natal, nos primeiros anos da década de 1970. A temporada como titular do clube bastou para convencer olheiros e dirigentes do Milan de que ele era diferenciado, mas foi apenas em 1974 que assinou contrato com os rossoneri. A presença intimidante de Enrico Albertosi impediu que Tancredi tivesse futuro no Milan.

A solução foi dar um passo atrás. Em 1976, o goleiro passou pelo Rimini, na Serie B, e logo voltou à elite, ao assinar com a Roma. Naquele momento, Franco entraria em uma fase gloriosa de sua jornada, graças às atuações pela equipe capitolina. Olhando de longe, ele nem metia tanto medo assim: apesar de poucos goleiros nanicos terem feito sucesso no esporte, Tancredi, que tinha 1,76m, nunca foi limitado por sua baixa estatura. Do contrário: fez disso uma motivação pessoal para ser bem sucedido.

Em treze anos defendendo a Roma, Tancredi foi um pilar da equipe, seja em períodos negativos ou em safras repletas de talento. Consolidado apenas em seu terceiro ano de clube, quando Paolo Conti saiu de cena para abrir caminho ao seu sucessor, o camisa 1 mostrou enorme maturidade e bons reflexos. E era nos pênaltis que se destacava, acertando o canto na maioria dos chutes – como fez nas finais da Coppa Italia em 1980 e 1981. Além disso, contava com a sua ótima impulsão e ostentava uma técnica ao saltar com apenas um braço para executar defesas difíceis.

Tancredi celebra com Falcão e o terceiro goleiro Superchi (Wikipedia)

Tancredi superou toda a desconfiança para se tornar um dos maiores vencedores da história da Roma e, com sobras, o maior goleiro que já defendeu a meta giallorossa. Ao todo, levantou cinco títulos: quatro da Coppa Italia e um da Serie A, de maneira inesquecível, em 1983. Esteve quase sempre em grande forma, chamando a atenção de outros times. Franco emplacou uma série de 258 jogos seguidos como dono da posição, sem ser ameaçado por qualquer outro atleta.

A sequência e a regularidade de Tancredi debaixo das traves lhe renderam uma convocação como reserva de Giovanni Galli para a Copa do Mundo de 1986, na qual a Itália foi eliminada nas oitavas de final, pela França de Michel Platini. Como titular, dois anos antes, o romanista foi titular da seleção azzurra que ficou com a quarta posição nos Jogos Olímpicos de 1984, disputado em Los Angeles.

Entre as diversas glórias que Tancredi alcançou com a camisa giallorossa, houve espaço também para um episódio dramático: em 13 de dezembro de 1987, no San Siro, a Roma enfrentava o Milan. O placar ao intervalo era de 1 a 0 para os mandantes. Na volta para o segundo tempo, dois rojões foram lançados ao gramado e um deles atingiu a cabeça do goleiro visitante, que desmaiou no gramado e precisou ser atendido às pressas.

Os médicos evitaram o que seria um enorme desastre. Franco teve uma parada respiratória, mas foi ressuscitado pelos paramédicos a caminho do hospital, enquanto a partida continuava e Angelo Peruzzi, seu substituto, estreava na Serie A. Depois de dois dias internado, Tancredi voltou a treinar e recuperou a titularidade.

Tancredi, Falcão, Ancelotti, Vierchowod e Di Bartolomei: proteção garantida (AS Roma)

A última aventura do guarda-metas foi no Torino, em 1990-91. Jogando pouco e acumulando menos de dez partidas na temporada, vencido na disputa pela vaga por Luca Marchegiani, Tancredi viu do banco de reservas o título da Copa Mitropa, conquistada pelo Toro em cima do Pisa, por 2 a 1. Assim, encerrou após quase vinte anos o seu ciclo como atleta.

Em 2004, a relação do ex-goleiro com a torcida giallorossa ficou estremecida. Isso porque Tancredi deixou o cargo de preparador de goleiros da Roma – que ocupou por 12 temporadas – para trabalhar na mesma função na Juventus, seguindo Fabio Capello. Por causa disso, foi o único jogador vaiado na festa de 80 anos da fundação do clube, celebrada em 2007.

Franco Tancredi continuou colaborando com Capello no Real Madrid e na Inglaterra, até retornar ao Olímpico em 2011, quando fez as pazes com os romanistas – um ano depois, foi contemplado com a entrada no Hall da Fama da Roma. Após trabalhar com Christian Panucci no Livorno e na Ternana, desde junho de 2017, o ídolo capitolino voltou a ser auxiliar de Don Fabio, atualmente no Jiangsu Suning.

Franco Tancredi
Nascimento: 10 de janeiro de 1955, em Giulianova, Itália
Posição: goleiro
Clubes como jogador: Giulianova (1972-74), Milan (1974-76), Rimini (1976-77), Roma (1977-90) e Torino (1990-91)
Títulos: Coppa Italia (1980, 1981, 1984 e 1986), Serie A (1983) e Copa Mitropa (1991)
Seleção italiana: 12 jogos, seis gols sofridos

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