Serie A

25ª rodada: um Milan enfim nos trilhos?

Enquanto Napoli e Juventus continuam seu dualismo na briga pelo scudetto e Roma, Lazio e Inter se alternam na busca por vagas na Liga dos Campeões, pouco a pouco uma velha força do futebol italiano e europeu vai voltando a emergir. Com 10 jogos de invencibilidade, o Milan tem sido um os maiores destaques da Serie A em 2018. Confira no resumo da rodada.

Milan 1-0 Sampdoria
Bonaventura (Calabria)

Tops: Bonaventura e Çalhanoglu (Milan) | Flops: Torreira e Ramírez (Sampdoria)

Não perca a conta: o Milan está há dez partidas invicto. Depois da vitória sobre a Inter na Coppa Italia, no final de dezembro, o time de Gattuso não voltou mais a perder e acumulou sete vitórias desde então. Cinco delas aconteceram pela Serie A, competição em que finalmente a equipe empatou com a Sampdoria. Com a vitória desse domingo no confronto direto, o Diavolo só não entrou na zona europeia pela primeira vez desde a sexta rodada por causa dos critérios de desempate: perdeu de 2 a 0 no primeiro turno, mas tem os mesmos 41 pontos dos blucerchiati. O Milan ainda diminuiu a distância para os rivais nerazzurri, que hoje é de sete pontos.

O Milan parece ter aprendido a lição que levou da Samp no primeiro turno, já que o time de Giampaolo provou do veneno aplicado aos rossoneri e, dessa vez, foi sufocado pela marcação pressão dos anfitriões por quase toda a partida. Pressão que virou volume de jogo e muitas oportunidades de gol desde o começo. Com menos de 15 minutos o Milan já tinha aberto o placar, depois que Bonaventura aproveitou uma assistência de Calabria, que também havia sido determinante contra a Spal. Vale lembrar que, minutos antes, Rodríguez teve pênalti defendido por Viviano. O placar só não voltou a ser movimentado pelas intervenções do goleiro doriano e pela trave, que parou o chute de Çalhanoglu. O árbitro de vídeo ainda anulou corretamente um gol de Bonucci, que estava em posição irregular.

Napoli 1-0 Spal
Allan (Callejón)

Tops: Allan e Callejón (Napoli) | Flops: Kurtic e Felipe (Spal)

A Juventus joga antes? Este é apenas mais um problema superado pelo Napoli. Se nas competições continentais as coisas não vão bem para o time de Sarri, na Serie A a história tem sido bastante diferente, já que os azzurri permanecem na liderança, batendo recordes com um ponto de diferença para a Juventus. Nessa rodada, o Napoli repetiu o feito de 2015/16 de nove vitórias seguidas, a melhor marca do clube na Serie A. Parece mesmo que o próprio grupo tem se poupado para deixar todos os esforços e o bom futebol concentrados para a corrida por um scudetto que não vai para Nápoles há 28 anos.

Contra a Spal, a atitude da equipe foi totalmente diferente da mostrada pela formação mista que sucumbiu no San Paolo para o agressivo Leipzig. Os partenopei não tiveram dificuldades para controlar o adversário e produzir um grande volume de jogo, principalmente com as chances de gol logo no início. Não demorou para o placar ser inaugurado, e no quinto minuto uma bela jogada entre Jorginho, Allan, Mertens e Callejón terminou no gol do ex-jogador do Vasco, que há alguns meses tem sido o jogador mais consistente do Napoli. Dos pés do volante ignorado por Tite, inclusive, saiu o que poderia ter sido o segundo gol napolitano, corretamente invalido pelo árbitro de vídeo (com alguma demora), por causa da posição irregular de Hamsík.

Se a vitória se manteve pelo placar mínimo, isso se deu pelas defesas de Meret, que parou Mertens e Callejón algumas vezes. O goleiro manteve o passivo baixo, mas isso não significou muito para o time de Semplici, que se limitou a defender sua área e chegou apenas uma vez em contra-ataque puxado por Antenucci e finalizado por Viviani.

Torino 0-1 Juventus
Alex Sandro (Bernardeschi)

Tops: Bernardeschi (Juventus) e Obi (Torino) | Flops: Belotti (Torino) e Khedira (Juventus)

Abrindo a leva de jogos de domingo, Torino e Juventus tiveram um confronto aquém do esperado pelo Derby della Mole. Se a atuação não foi esplendorosa, a Velha Senhora ratificou a sua enorme soberania nas últimas décadas sobre o rival e manteve seus ótimos números no campeonato. A Juve tem a melhor campanha da história de um segundo colocado, que nunca venceu (21) e pontuou (65) tanto depois de 25 rodadas no atual formato da Serie A, com 20 equipes e três pontos por vitória.

Como reflexo da exaustiva apresentação no meio da semana pela Liga dos Campeões, Allegri optou por uma formação mista e com algumas improvisações. Entre as escolhas alternativas, utilizou Alex Sandro na segunda linha do meio-campo e Douglas Costa no centro do ataque, já que Higuaín levou a pior em dividida com Sirigu e saiu logo aos 15 minutos de jogo. Bernardeschi entrou e aproveitou muito bem a oportunidade, sendo o protagonista de uma equipe que não se esforçou para controlar o jogo e criou raríssimas ocasiões de gol. Se serve como alento, Dybala voltou ao time após pouco mais de um mês afastado por lesão, e atuou em alguns minutos do clássico.

Quando Bernardeschi fez jogada individual pela direita e entregou o gol para Alex Sandro completar na pequena área, o time de Allegri tinha chegado em apenas duas oportunidades, com Asamoah e Pjanic. Estas acabaram sendo as únicas três finalizações no alvo dos bianconeri, todas na primeira etapa. Reflexo também do equilíbrio estabelecido pelo rival granata, uma vez que o time de Mazzarri fez boa partida, neutralizou as forças adversárias – exceto quando Bernardeschi passou por Molinaro para dar a assistência do único gol da partida – e também atacou, embora sem perigo para Szczesny. A nota negativa da partida ficou para o excesso de violência em algumas divididas, embora a arbitragem tenha marcado 22 faltas e mostrado apenas dois cartões amarelos, um deles nos acréscimos. No quesito rispidez, Chiellini mais uma vez foi protagonista, aparecendo dessa vez com murro na cara de Belotti, em lance que não foi observado por Orsato.

Udinese 0-2 Roma
Ünder (De Rossi) e Perotti (Nainggolan)

Tops: Alisson e Ünder (Roma) | Flops: Fofana e Jankto (Udinese)

Às vésperas de jogo decisivo pela Liga dos Campeões, a Roma não poupou esforços na viagem ao Friuli, mesmo que a Udinese seja uma freguesa, que derrota consecutivamente desde 2012. Di Francesco poupou apenas Strootman e Kolarov, substituídos por Pellegrini e Juan Jesus. Como esperado, os anfitriões fizeram jogo duro e bastante equilibrado, principalmente no primeiro tempo, quando Alisson teve trabalho para parar os contra-ataques adversários. Do outro lado, Bizzarri também teve que sujar o uniforme para manter o placar zerado.

Após várias tentativas, somente na segunda etapa os giallorossi conseguiram chegar ao gol. Como nas vitórias contra Verona e Benevento, sempre com a marca de Ünder: o jovem meia-atacante turco finalmente tem correspondido à expectativa criada e mais uma vez foi decisivo para sua equipe, marcando outro belo gol de fora da área. Em meio à pressão desordenada dos donos da casa, os visitantes voltaram a responder no final da partida, quando Nainggolan finalmente foi recompensado pela boa partida que fazia, dando bela assistência para Perotti fechar a conta. E assim a Serie A tem um novo terceiro colocado pela terceira rodada seguida, já que os romanistas aproveitaram novo tropeço da Inter e chegaram aos 50 pontos.

Lazio 2-0 Verona
Immobile (Luis Alberto) e Immobile

Tops: Immobile e Luis Alberto (Lazio) | Flops: Kean e Verde (Verona)

Depois de um mês sem vencer, já estava na hora de o time de Inzaghi reagir. A Lazio aproveitou a fragilidade do adversário para recuperar a confiança e seu posto no G4 ao passar a Inter, que agora tem um ponto de desvantagem. A partida no Olímpico foi quase um massacre, mas os anfitriões custaram para abrir o placar. Depois de 17 tentativas contra a meta defendida pelo brasileiro Nícolas no primeiro tempo, somente depois do intervalo o gol saiu. Ou melhor, os gols. Apenas dois, diante de tamanho volume de jogo, mas suficientes para os objetivos da equipe.

Como sempre, a produção ofensiva celeste foi protagonizada por Luis Alberto e Immobile. O atacante, inclusive, retornou às redes depois de um mês e meio em branco e deixou sua marca logo duas vezes. Após passe do espanhol, o italiano teve bastante facilidade de fintar um marcador e abrir o placar aos 55. Cinco minutos depois, novamente com a ajuda da marcação adversária, aproveitou rebote e fechou a conta para anotar seu 22º gol em 22 partidas no campeonato. Enquanto isso, o Verona segue afundado na zona de rebaixamento: sua posição segue a mesma em relação ao Crotone, que também perdeu e tem cinco pontos de vantagem.

Genoa 2-0 Inter
Ranocchia (contra) e Pandev (Laxalt)

Tops: Pandev e Zukanovic (Genoa) | Flops: Ranocchia e Borja Valero (Inter)

Após dois meses sem vencer, uma hora a conta ia chegar – e chegou na Pinetina. Nem mesmo a vitória na rodada passada bastou para manter a Inter na zona de classificação para a Liga dos Campeões, deixando assim o time de Spalletti fora do G4 pela primeira vez na temporada. A terceira derrota nerazzurra no campeonato veio para o Genoa no Marassi, estádio em que a equipe de Milão não vence desde dezembro de 2011, e exaltou mais uma vez o crescimento da equipe comandada por Ballardini. 24 dos 30 pontos dos rossoblù, 12º colocados, foram conquistados no período da terceira passagem do treinador por Gênova. Desde que ele assumiu, aliás, apenas Juventus e Napoli somaram mais (34). Por outro lado, depois do empate com a Juventus na 16ª rodada, a Inter ganhou somente oito pontos em nove rodadas, desempenho superior apenas aos de Verona, Spal e Chievo.

Quem puniu o time de Spalletti mais uma vez foi Pandev, o mesmo carrasco interista na temporada passada, no jogo que custou a cabeça de Pioli. Campeão da Tríplice Coroa de 2010 com a Inter, novamente o macedônio não comemorou contra o clube que o revelou como profissional. O veterano atacante foi o grande destaque de um Genoa que não teve problemas para atacar os visitantes e se defendeu relativamente bem, sem deixar Perin passar por grandes apuros, ainda que o goleiro tenha feito defesas importantes. Tudo ficou especialmente mais fácil quando, no final do primeiro tempo, uma bola mal afastada por Skriniar desviou em Ranocchia e se transformou num insólito gol contra, além de lei do ex incomum. O golpe final veio na metade da segunda etapa, quando após chute cruzado de Laxalt, um dos vários ex-Inter no Genoa, Pandev dominou sem marcação na grande área e ampliou a vantagem.

 

Atalanta 1-1 Fiorentina
Petagna (Gómez) | Badelj

Tops: Badelj (Fiorentina) e Gómez (Atalanta) | Flops: Mancini (Atalanta) e Milenkovic (Fiorentina)

Muda o lugar, muda a temporada, e o resultado segue o mesmo: empate. Se em 2016-17 foram dois 0 a 0, dessa vez Atalanta e Fiorentina fizeram dois 1 a 1 sem graça e longe da expectativa sobre o confronto. Um ponto que também não ajuda em nada as equipes na tabela, já que ambos os times viram o Milan mais uma vez vencer e agora abrir vantagem na briga com a Sampdoria por vaga na zona europeia.

No Atleti Azzurri d’Italia, se os anfitriões tiveram a bola, os visitantes tiveram os contra-ataques. Nenhum deles, no entanto, fez o suficiente para vencer. Badelj abriu o placar depois de cruzamento desviado de Chiesa, enquanto Petagna voltou às redes na Serie A depois de cinco meses de jejum para marcar apenas seu quinto gol na temporada. O empate saiu após cobrança de falta lateral do sumido Gómez, que teve alguns problemas físicos no último mês, e terminou com o primeiro gol de cabeça do centroavante lombardo na primeira divisão – acredite se quiser.

Bologna 2-1 Sassuolo
Poli e Pulgar (Bologna) | Babacar

Tops: Pulgar e Mirante (Bologna) | Flops: Goldaniga e Magnanelli (Sassuolo)

Já vimos quase de tudo nesta Serie A, mas ela sempre nos reserva algo de novo. Desta vez, a surpresa foi o fato de Pulgar ser decisivo para o Bologna de forma positiva. Contestado por muitos, menos pelo técnico Donadoni (que parece estar de saída do clube no final desta temporada), o volante anotou o gol da vitória contra o Sassuolo no final da partida disputada no Renato Dall’Ara. O chileno, que é o homem das bolas paradas na ausência de Verdi, tinha marcado um gol olímpico contra a Fiorentina há duas rodadas, e repetiu a dose em cobrança de falta aos 88 minutos, dessa vez dando três pontos que não vinham há um mês para os rossoblù.

Antes disso, porém, o Sassuolo esteve próximo da vitória. Depois de Poli ter aberto o placar aos 12 minutos, aproveitando o toque de Magnanelli que lhe deixou em posição regular após cruzamento de Falletti, os visitantes produziram as chances mais perigosas, chegando ao empate aos 38. Após falha de Krafth, Babacar aproveitou a sobra na pequena área para marcar seu primeiro gol com a camisa neroverde. Com exceção para o voleio de Di Francesco defendido por Consigli, o rival Mirante fez defesas decisivas para manter sua equipe no jogo até a falta cometida por Goldaniga em Krejci. O zagueiro levou o segundo amarelo e proporcionou o gol de Pulgar, que provocou os críticos na comemoração.

Chievo 2-1 Cagliari
Giaccherini e Inglese (Giaccherini) | Pavoletti (Lykogiannis)

Tops: Giaccherini e Inglese (Chievo) | Flops: João Pedro e Barella (Cagliari)

A rodada também mais reencontros com a vitória. Se o Bologna não triunfava havia cerca de 30 dias, o Chievo vivia um jejum de quase três meses, já que o último triunfo do time de Maran tinha sido contra a Spal no distante dia 25 de novembro. Desde a eliminação para o rival Verona na Coppa Italia, a equipe acumulava 11 partidas sem vencer, incluindo nove derrotas. Vale lembrar que esta vitória em novembro já tinha quebrado tabu de um mês sem vitórias para os gialloblù, que se mantêm em posição segura na tabela, com 13 pontos de vantagem para o primeiro time na zona de rebaixamento. Sem maior esforço e com sequências terríveis como essas, a equipe de Verona deverá se manter na elite mais uma vez.

O Cagliari também não está muito distante da permanência, embora decepcione por causa da qualidade do elenco e do investimento feito. Mesmo com apenas duas vitórias em três meses, a equipe sarda mantém certa vantagem para a Spal, que também não tem mostrado reação para assustá-la. No Bentegodi, a estrela da tarde foi, pasmem, Giaccherini. O versátil meio-campista substituiu um apagado Birsa aos 69 minutos, e aos 74 marcou o primeiro gol em cobrança de falta. Na jogada seguinte saiu o segundo, sempre dos pés do baixinho: Inglese finalmente superou Cragno, que tinha feito defesa espetacular no primeiro tempo. Pavoletti descontou cinco minutos depois, mas já era tarde demais, pois passou praticamente 80 minutos sem fazer nada produtivo. Com o resultado, o Cagliari continua sem derrotar o Chievo em Verona pela Serie A.

Benevento 3-2 Crotone
Sandro (Viola), Viola (Djuricic) e Diabaté (Djimsiti) | Crociata (Nalini) e Benali (Faraoni)

Tops: Viola e Diabaté (Benevento) | Flops: Cordaz e Ajeti (Crotone)

O grande milagre da rodada foi a terceira vitória do Benevento. Um mês e meio depois dos dois triunfos que deram uma ponta de esperança para a equipe campana, enfim os reforços caros da diretoria deram a resposta esperada. A equipe foi brutalmente superada com quatro derrotas seguidas e 13 gols sofridos no período entre os triunfos e continuou mostrando problemas defensivos. A zaga continuou desastrosa, como no gol do garoto Crociata, aos 11 minutos, e na jogada do frustrante empate sofrido aos 73, graças a Benali. Apesar disso, o plano ofensivo de De Zerbi foi recompensado no final graças ao pé esquerdo de Viola e o oportunismo de Diabaté.

O regista criado na Reggina, antigo destaque no futebol de base, foi o grande protagonista da virada e o principal bruxo dos stregoni. Da sua cobrança de escanteio saiu o empate marcado pelo volante brasileiro Sandro, ex-Internacional e Tottenham, ainda no primeiro tempo, e de um chute seu de fora da área veio a virada aos 65. Aos 89, quando a partida estava novamente empatada, Viola voltou a cobrar escanteio, dessa vez desviado por Djimsiti e finalizado por Diabaté. A vitória, no entanto, não mudou muito a situação da equipe giallorossa, que está 11 pontos atrás do próprio Crotone.

*Os nomes entre parênteses após os autores dos gols se referem aos responsáveis pelas assistências

Seleção da rodada
Alisson (Roma); Calabria (Milan), De Vrij (Lazio), Zukanovic (Genoa), Alex Sandro (Juventus); Giaccherini (Chievo), Allan (Napoli), Bonaventura (Milan), Çalhanoglu (Milan); Pandev (Genoa), Immobile (Lazio). Técnico: Gennaro Gattuso (Milan).

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