Liga Europa

O bom, o mau e os feios: os italianos na ida dos 16 avos de final da Liga Europa

Quase como o roteiro de um filme de Sergio Leone. As exibições das quatro equipes italianas envolvidas na fase de 16 avos de final da Liga Europa deixaram aspectos bastante diferentes. Entre três derrotas e apenas uma vitória, a melhor atuação foi a de um time que perdeu, enquanto uma dessas quedas foi absolutamente inesperada e colocou em xeque vários conceitos de um projeto.

Comecemos por quem impressionou mais. A Atalanta viajou até a Alemanha para enfrentar o Borussia Dortmund, o adversário mais complicado entre os sorteados para as equipes do Belpaese. As equipes já haviam se enfrentado no início da temporada em um torneio amistoso e os italianos venceram com um gol de Ilicic. Foi justamente o esloveno quem brilhou novamente no Signal Iduna Park.

O bom: Ilicic foi fundamental para a excelente atuação da Atalanta em Dortmund (AP)

Um time com títulos europeus e um mundial contra um que faz apenas sua quinta participação em torneios Uefa. O currículo e a experiência de cada um equilibravam a fase recente em competições continentais: afinal, o Borussia Dortmund decepcionou na Liga dos Campeões e chegou à Liga Europa por ter ficado em terceiro em sua chave, sem nenhum triunfo, algo inédito em sua história, ao passo que a Atalanta liderou o Grupo E da Europa League de forma invicta e ainda aplicou a maior goleada fora de casa, com o 5 a 1 sobre o Everton. Estes foram os ingredientes da melhor partida da quinta.

A Atalanta começou melhor e quase abriu o placar com Cristante e Caldara, com menos de 15 minutos de jogo. O Dortmund respondeu com um chute de Schürrle que riscou a trave e fez o primeiro com o próprio atacante, aos 30. Freuler perdeu uma bola para Batshuayi no meio-campo e possibilitou que o carrasco da Seleção recebesse livre para tocar na saída de Berisha.

Brava, a equipe de Gasperini não sentiu o golpe e conseguiu chegar ao empate e à virada no início da segunda etapa, em um espaço de menos de seis minutos. Spinazzola, até então apagado no cotejo, cruzou na medida para Ilicic, que aproveitou o erro de cálculo de Toljan, dominou a bola com perfeição e só colocou na saída de Bürki. Após outra jogada criada pelo lado esquerdo, o esloveno aproveitou o rebote do goleiro suíço e a marcação equivocada do defensor alemão para escorar para as redes. Parecia um sonho.

A Dea, porém, desceu das nuvens em pouco tempo, graças a Rafael Tolói, seu capitão, e a Batshuayi. O brasileiro errou na saída de bola aos 65 e o atacante belga acabou aproveitando para, na sequência da jogada, encher o pé e não oferecer chances a Berisha. O empate ainda era bom para a Atalanta, que mantinha a posse de bola avançada, graças a Ilicic e Gómez. No entanto, já nos acréscimos, o camisa 3 atalantino errou de novo: espirrou o taco em um cruzamento e deu um presente para Götze acionar Batshuayi, de primeira. O substituto de Aubameyang girou rápido sobre a marcação e deu números finais à partida. Gasperini ficou frustrado com o 3 a 2, mas recebeu um belo recado de seus jogadores: é possível bater o Dortmund no Atleti Azzurri d’Italia.

O mau: Cutrone mais uma vez foi implacável e ajudou o Milan a bater o Ludogorets (LaPresse)

Falou em recado, falou em Cutrone. O atacante do Milan não cansa de enviar mensagens à torcida e a seu treinador, o ex-volante Gattuso. Sempre perigoso, o jovem de 20 anos voltou a ser escalado como titular do ataque rossonero e novamente correspondeu. Decisivo, marcou um gol e cavou um pênalti, participando de dois dos gols da vitória por 3 a 0 sobre o Ludogorets, na Bulgária.

O Ludogorets só havia enfrentado um time italiano em competições Uefa: a Lazio, nos 16 avos de final da Liga Europa, em 2013-14. Na ocasião, se deu bem: venceu por 1-0 em Roma e conseguiu arrancar um empate por 3-3 em casa, após estar perdendo por 2-0 e 3-2. Por sua vez, o Milan havia perdido apenas uma vez em 10 jogos contra times búlgaros e ampliou a sua sequência favorável. No finalzinho do primeiro tempo, Cutrone aproveitou um cruzamento na medida de Çalhanoglu e escorou para as redes. Dava resultado, enfim, o bom volume de jogo criado pelo turco, com o auxílio de Suso e Bonaventura.

Aos 10 da segunda etapa, o Ludogorets assustou e acertou a trave milanista. No entanto, Cutrone não demorou a dar a resposta e, nove minutos depois, foi derrubado por Moti na área: Rodríguez, recém-entrado, cobrou pênalti com perfeição e deslocou o goleiro Broun. Com a vitória já assegurada, o Diavolo ainda matou o confronto nos acréscimos, quando Kessié levantou na área, André Silva desviou e Borini aproveitou para bater no contrapé do goleiro argentino. Em San Siro, teremos apenas formalidades.

Os feios: Lazio e Napoli jogaram mal e derraparam (EFE)

Ao contrário do Milan, Napoli e Lazio terão de suar bastante para conseguirem a classificação. Os dois times azuis saíram derrotados nos confrontos de ida, mas o tropeço napolitano foi mais assustador: a derrota em casa por 3 a 1 para o RB Leipzig deixa os comandados de Sarri em uma situação muito complicada na chave e com uma pressão ainda não vista nesta temporada. Nem mesmo após as quedas para Manchester City e Shakhtar Donetsk na Liga dos Campeões houve tanta contestação aos partenopei.

Assim como na Champions League, o elenco curto do Napoli se fez sentir. Sarri mandou a campo um time misto, que nem de longe se assemelhava em nível de atuação ao titular: sem Mertens (suspenso), Jorginho, Allan e Insigne, o time da casa trabalhou pouco a bola e não levou muito perigo a Gulácsi. A bem da verdade, os visitantes também ofereceram pouco trabalho a Reina durante a primeira metade da partida. Apenas aos 52, quando o falso nove Callejón acionou Ounas em profundidade é que saiu o gol: o argelino bateu cruzado e fez o seu primeiro com a camisa do clube.

Depois do tento inaugural, a equipe de Leipzig começou a sair mais e ameaçou, com Poulsen e Keïta. O gol do empate, porém, saiu depois de um cruzamento rasteiro de Kampl, finalizado com rapidez por Werner. Aos 69, Insigne, já em campo, perdeu uma enorme oportunidade de deixar o Napoli em vantagem novamente, e acabou vendo o castigo chegar quatro minutos depois.

Poulsen recebeu um lançamento nas costas de Tonelli (sem ritmo, em seu segundo jogo na temporada) e só ajeitou para Bruma virar e colocar o time da casa de joelhos. Após o baque, o Napoli não criou mais nada de relevante e ainda viu Werner fazer o segundo, hipotecando o confronto. Tirar uma vantagem de 3 a 1 de um time tão organizado será uma tarefa tão árdua que já há sugestões de que o Napoli irá se concentrar exclusivamente na Serie A e na busca pelo terceiro scudetto de sua história. Até porque, sempre que não venceu sua partida em casa por esta etapa da Liga Europa, o time azzurro não conseguiu a vaga para as oitavas.

A Lazio também deu vexame: viajou até a Romênia para enfrentar o tradicional Steaua Bucareste e chegou a sua quarta derrota consecutiva na temporada. Um hiato para a equipe de Inzaghi, que já foi responsável por apresentar um dos níveis mais interessantes de futebol na temporada. Por outro lado, um feito para o time romeno, conhecido do grande público por ter sido casa de Gheorghe Hagi e vice-campeão europeu nos anos 1980, quando caiu para o Milan de Arrigo Sacchi por 4 a 0. O Steaua nunca havia vencido uma equipe italiana em 13 disputas e só havia conseguido marcar gols em uma ocasião.

O gol da vitória dos steliștii saiu ainda no primeiro tempo, graças ao atacante francês Gnohéré. A Lazio perdeu a bola no ataque e viu o time da casa construir uma jogada em velocidade, pegando-a desarrumada na defesa. O passe em profundidade de Budescu rasgou a defesa e deixou o camisa 9 na cara de Strakosha, que não teve muito o que fazer. Na segunda etapa, o time romano teve sua melhor chance com Felipe Anderson, mas não mereceu vencer.

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