Serie A

34ª rodada: no último respiro, o Napoli põe fogo na reta final do Italiano

Sem palavras. Assim ficaram os torcedores de Juventus e Napoli, após o gol que esperou 90 minutos para aparecer e acirrar ainda mais a briga pelo scudetto. De um lado, os bianconeri, atônitos, passaram a sentir medo com a possibilidade de o heptacampeonato escapar entre seus dedos. Do outro, os azzurri explodiram em felicidade e perderam a capacidade de expressar a emoção que lhe tomou naquele momento em verbetes dicionarizados – ou simplesmente não conseguiam emitir sons após uma madrugada de festança. Assim foi o ritmo de mais uma rodada histórica da Serie A. Confira a análise.

Juventus 0-1 Napoli
Koulibaly (Callejón)

Tops: Koulibaly e Callejón (Napoli) | Flops: Dybala e Higuaín (Juventus)

Campeonato decidido? Que nada! Poucos esperavam um triunfo do Napoli em Turim, mas ele veio, e de uma forma espetacular. A equipe azzurra superou uma sólida série de estatísticas negativas contra a Juventus para obter a primeira vitória no Allianz Stadium e a primeira desde 2009 nos domínios da maior rival. O triunfo partenopeo veio com gol heroico de Koulibaly no minuto 90, em escanteio de Callejón, e levou a torcida napolitana à loucura no estádio e nas ruas de Nápoles.

O time de Sarri vingou a derrota por 1 a 0 no primeiro turno no San Paolo, empatou no primeiro critério de desempate (o confronto direto) e diminuiu a desvantagem para um ponto, faltando quatro rodadas para o fim da Serie A. Agora a esperança do Napoli é a tabela relativamente mais fácil do que a da Juventus, que terá outro clássico no próximo final de semana, dessa vez contra a Inter, em Milão, e ainda pegará a Roma, no Olímpico. Os azzurri também precisarão fazer a sua parte.

A pior exibição dos comandados de Allegri em 2017-18 teve como pontos mais baixos as atuações ruins de Dybala, substituído no intervalo, e Higuaín, que não acertou o gol uma única vez. Os visitantes tiveram o domínio da posse de bola, concentrada nos pés de Jorginho e também tiveram maior volume de jogo, acuando uma Juve que jogava com o intuito de empatar. Os napolitanos poderiam ter aberto o placar bem mais cedo, mas Buffon fez algumas defesas importantes e Mertens viveu mais uma noite apagada – ampliando seu jejum de gols para sete partidas. No final das contas, a partida foi decidida por um dos melhores em campo: na jogada do forte cabeceio, Koulibaly ainda deixou Benatia sentado no chão.

Spal 0-3 Roma
Vicari (contra), Nainggolan e Schick (Pellegrini)

Tops: Nainggolan e Pellegrini (Roma) | Flops: Vicari e Schiattarella (Spal)

Concentrada no jogo mais importante da temporada, a primeira semifinal da Liga dos Campeões contra o Liverpool, a Roma não teve problemas para entrar com uma formação alternativa contra a Spal e sair de Ferrara com uma vitória tranquila, que a manteve na terceira colocação da Serie A. Os spallini, porém, voltaram à zona de rebaixamento depois de um mês graças à surpreendente reação do Crotone, que somou quatro pontos nesta semana.

Apesar da pressão, o time de Di Francesco demorou para abrir o placar: isso por causa da excelente atuação do goleiro Meret, que fez pelo menos quatro defesas difíceis ao longo do cotejo. Para fazer o primeiro, a Roma precisou de mais um gol contra do desastroso Vicari, após jogada de Pellegrini. A vida dos visitantes ficou ainda mais fácil depois da volta do intervalo, e rapidamente a vantagem foi ampliada por Nainggolan e Schick – o checo, mais cara contratação da história da Roma, fez o seu primeiro no campeonato.

Lazio 4-0 Sampdoria
Milinkovic-Savic (Radu), De Vrij (Felipe Anderson), Immobile (Milinkovic-Savic) e Immobile (Nani)

Tops: Milinkovic-Savic e Immobile (Lazio) | Flops: Ferrari e Strinic (Lazio)

Sem dar chance ao azar depois da vitória da rival, a Lazio goleou mais uma vez. O melhor ataque do campeonato fez uma nova vítima e aumentou o drama da Sampdoria, que não consegue recuperar a regularidade: venceu na rodada anterior, mas terminou a semana golpeada duramente. A vitória por 4 a 0 foi construída com autoridade pelo time de Inzaghi, que mais uma vez teve grande volume de jogo e poderia ter vencido por mais – ou assegurado o 4 a 0 mais cedo.

O placar só não foi mais elástico por causa de Viviano. O goleiro blucerchiato mais uma vez foi frustrado pelo desempenho ruim dos seus companheiros na defesa. A goleada no Olímpico foi construída nos extremos dos dois tempos: na primeira etapa, Milinkovic-Savic abriu o placar após cruzamento de Radu, e depois De Vrij finalizou escanteio de Felipe Anderson para estabelecer um recorde e ampliar seu absurdo aproveitamento: o zagueiro holandês só finalizou oito vezes no campeonato, mas já fez seis gols. Na etapa final, Immobile ampliou sua artilharia para 29 gols em menos de três minutos com passes de Milinkovic-Savic e Nani.

Chievo 1-2 Inter
Stepinski (Birsa) | Icardi (D’Ambrosio) e Perisic (Rafinha)

Tops: Rafinha e Handanovic (Inter) | Flops: Jaroszynski e Rigoni (Chievo)

Pressionada pela vitória da Roma e pelo resultado parcial positivo da Lazio (que jogava no mesmo horário), a Inter não repetiu as boas atuações das últimas rodadas, mas fez o suficiente para bater o Chievo mais uma vez, sempre sob as ordens de Icardi e Perisic. A dupla, responsável por 66% dos gols da equipe de Spalletti no campeonato, marcou os gols da vitória pouco depois da volta do intervalo. O primeiro foi do argentino, após assistência de D’Ambrosio, que aproveitou rebote de Sorrentino em chute de Brozovic. A Beneamata ampliou pouco depois com o croata, em grande jogada coletiva protagonizada por Rafinha, autor da assistência e melhor em campo.

Vitória assegurada, mas não sem um pouco de sofrimento: Stepinski aproveitou cochilo de Miranda para descontar, e Tomovic esteve a centímetros do empate no último lance da partida, embora estivesse impedido – lance que não foi analisado pela arbitragem, afinal de contas Valeri soou o apito final imediatamente após o susto dos nerazzurri. Antes dos gols, a Inter sofreu enquanto empatava por 0 a 0 e dependeu de mais uma atuação segura de Handanovic para ficar viva na briga por uma vaga na Liga dos Campeões. A Inter é a quinta colocada, com um ponto a menos do que Roma e Lazio, enquanto o Chievo flerta com o rebaixamento: em 16º, está apenas dois pontos acima da zona da degola.

Atalanta 2-1 Torino
Freuler (Barrow) e Gosens (Castagne) | Ljajic (Edera)

Tops: Caldara e Barrow (Atalanta) | Flops: Belotti e Burdisso (Torino)

Olà, Europa. Depois de passar o campeonato inteiro fora da zona europeia, a Atalanta aproveitou o vacilo do Milan para assumir a sexta posição, com um ponto de vantagem para os rossoneri, e está mais perto do que nunca de repetir a façanha da última temporada, quando se classificou para a Liga Europa. Apesar do susto no gol de empate de Ljajic, o time de Gasperini dominou os comandados de Mazzarri com autoridade e mais uma vez teve o garoto Barrow como protagonista. O atacante gambiano de 19 anos conduziu os anfitriões e provavelmente encheu os olhos de Di Biagio e Oriali, responsáveis pela seleção italiana principal, que estavam em Bérgamo para a partida. Em contrapartida, a dupla viu in loco mais uma exibição fraca do camisa 9 azzurro Belotti, que ficou escondido no bolso de Caldara.

Depois da pressão na etapa inicial, em que Barrow só não marcou algumas vezes por causa da resistência de Sirigu, os nerazzurri finalmente chegaram ao gol no início do segundo tempo. O próprio Barrow trocou passes com Cristante e cruzou na medida para Freuler, no segundo pau, completar. O empate imediato de Ljajic após passe de outra promessa do futebol italiano, o também atacante Edera, porém, não foi uma ameaça para os donos da casa. Os atalantinos chegaram ao gol da vitória pouco depois, em novo cruzamento da direita, dessa vez de Castagne. Gosens apareceu livre na segunda trave para completar a jogada e deu números finais ao jogo.

Benevento surpreendeu o Milan mais uma vez, mas acabou rebaixado (AP)

Milan 0-1 Benevento
Iemmello (Viola)

Tops: Puggioni e Sandro (Benevento) | Flops: André Silva e Borini (Milan)

A bipolaridade do Milan continua. Depois de dez partidas invicto, incluindo uma sequência de cinco vitórias, o Diavolo não vence no campeonato há um mês – período equivalente a seis rodadas. Curiosamente, durante esse período Gattuso renovou o contrato, mas desde então o time caiu consideravelmente de rendimento, e o mais novo tropeço veio novamente para o então virtual rebaixado Benevento. A equipe sannita teve apenas um dia para comemorar a vitória no San Siro, que adiava o rebaixamento, mas o triunfo do Crotone contra a Udinese garantiu matematicamente seu retorno à Serie B.

O herói da vez, contudo, não foi Diabaté, que começou no banco e foi expulso no segundo tempo, e nem mesmo o goleiro Brignoli, que viu o veterano Puggioni salvar a equipe contra o bombardeio anfitrião – o ex-jogador da Sampdoria só não pode se opor ao chute que Kessié acertou no travessão. Coube a Iemmello, algoz da Inter na temporada passada, atrapalhar a vida de outro time milanês, após ótimo passe de Viola. Além da humilhação diante da sua torcida, o Milan ainda perdeu a sexta posição e ainda terá um confronto direto em Bérgamo com a Atalanta, que pode ser decisivo para suas pretensões. Com isso, a final contra a Juventus na Coppa Italia ganha um peso ainda maior.

Sassuolo 1-0 Fiorentina
Politano (Adjapong)

Tops: Politano e Acerbi (Sassuolo) | Flops: Dabo e Falcinelli (Fiorentina)

Acabou o gás da Fiorentina? Depois de seis vitórias seguidas, o time de Pioli não venceu mais desde os 2 a 0 sobre a Roma no início do mês e chegou ao terceiro jogo sem vitória, justamente quando voltava a sonhar com vaga europeia. O tropeço da vez veio para o Sassuolo, em franca recuperação depois de se aproximar da zona de rebaixamento com a péssima forma entre janeiro e o início de abril.

Com duas vitórias seguidas, o time de Iachini praticamente garantiu sua salvezza ao chegar aos 37 pontos, oito acima da zona da degola. O Sassuolo se safou mais uma vez graças a um gol de Politano, que acertou um belo chute da entrada da área, ainda no primeiro tempo. A vida dos anfitriões, aliás, acabou facilitada pela expulsão de Dabo ainda aos 30 minutos de jogo, e também pela opção de Pioli pelo ex-neroverde Falcinelli no lugar de Simeone, que entrou somente no segundo tempo.

 

Udinese 1-2 Crotone
Lasagna (Maxi López) | Simy (Nalini) e Faraoni

Tops: Simy (Crotone) e Lasagna (Udinese) | Flops: Samir (Udinese) e Ricci (Crotone)

Será que o Crotone vai conseguir mais uma vez? Na temporada passada, o time da Calábria conquistou a salvezza na última rodada após passar o campeonato inteiro na zona de rebaixamento, e agora saiu da área da degola um pouco mais cedo, depois de longa briga com a Spal, que tem dois pontos a menos. A Udinese deu o campeonato como resolvido em janeiro, após uma sequência de vitórias, e chegou até a sonhar com uma vaga na Liga Europa. Ecos de um passado distante: a equipe friulana agora acumula 11 derrotas seguidas e tem somente quatro pontos de vantagem para a zona do rebaixamento.

Apesar disso, um solitário Lasagna quase conseguiu evitar o pior. Abriu o placar logo aos cinco minutos, mas na jogada seguinte saiu o empate firmado pelo herói Simy, também autor do gol salvador contra a Juventus. Lasagna continuou tentando furar a defesa comandada pelo goleiro Cordaz, mas não teve companhia. Coube, então, ao ex-bianconero Faraoni fazer o gol da vitória aos 86, em mais um cochilo fatal da defesa de Oddo: Samir se posicionou de forma estranha e rebateu um chute fraco nos pés do lateral, que decidiu a partida. Com isso, Oddo se tornou o terceiro treinador a perder tantos jogos em sequência, após Varglien (Triestina, 1946-47) e Sandreani (Padova, 1995-96). Sua batata já queimou no forno, mas a diretoria o mantém aceso.

Genoa 3-1 Verona
Iuri Medeiros (Laxalt), Daniel Bessa (Lazovic) e Pandev | Rômulo (pênalti)

Tops: Lazovic e Iuri Medeiros (Genoa) | Flops: Danzi e Bearzotti (Verona)

Virtualmente salvo, com 12 pontos de vantagem para a Spal, o Genoa chegou aos 41 pontos e agora pode finalmente descansar. Cenário totalmente diverso para o Verona, que seis pontos atrás de Crotone e Chievo, precisa de um milagre nas últimas quatro rodadas para evitar o retorno à segunda divisão.

No Marassi, o português Iuri Medeiros e os ítalo-brasileiros Daniel Bessa e Rômulo protagonizaram os primeiros gols da partida. Os tentos tiveram participação dos alas Laxalt e Lazovic para os anfitriões, enquanto os visitantes marcaram de pênalti com seu capitão. Mas o grande destaque da partida que encerrou a 34ª rodada ficou para o veterano Pandev, autor de golaço por cobertura sobre Nícolas, numa cavadinha de fora da área já nos acréscimos.

Cagliari 0-0 Bologna
Tops: Faragò (Cagliari) e Mirante (Bologna) | Flops: Pavoletti (Cagliari) e Verdi (Bologna)

Sem tempo para lamentar a goleada sofrida para a Inter, o Cagliari recebeu um Bologna praticamente de férias, mas não conseguiu sair do zero. Não por falta de oportunidades, já que Faragò, Sau e Ionita fizeram Mirante trabalhar. Pavoletti ainda perdeu gol incrível na pequena área e o árbitro Doveri errou ao invalidar um lance que terminaria no gol de Sau. Do outro lado, os visitantes não representaram grande ameaça e também não fizeram grande esforço para conquistar um empate que assegurou ainda mais sua posição no meio da tabela. O resultado passou longe de melhorar a situação dos anfitriões, que têm apenas quatro pontos de vantagem para a Spal, primeira na zona de rebaixamento.

*Os nomes entre parênteses após os autores dos gols se referem aos responsáveis pelas assistências

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Koulibaly (Napoli), Caldara (Atalanta), De Vrij (Lazio); Gosens (Atalanta), Nainggolan (Roma), Sandro (Benevento), Milinkovic-Savic (Lazio), Mário Rui (Napoli); Barrow (Atalanta), Immobile (Lazio). Técnico: Simone Inzaghi (Lazio).

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