Liga dos Campeões

A noite do carrasco: Juve curva-se a Ronaldo e ao Real Madrid de Zidane

Tudo fica mais difícil para a Juventus quando Cristiano Ronaldo está do outro lado. O português é, simplesmente, um dos maiores carrascos da história da Velha Senhora, se não o maior. Quando encontra a equipe o Turim, o craque fica ainda mais letal e eleva seu aproveitamento a uma porcentagem absurda: em seis jogos contra o time italiano, finalizou apenas 11 vezes em direção à meta e anotou nove gols. Nenhum jogador anotou tantos tentos contra um único adversário na Liga dos Campeões. Antes de hoje, ninguém havia marcado em 10 partidas consecutivas na competição.

Nesta terça, o camisa 7 repetiu seu desempenho contra a Juve na final da última Champions League, em Cardiff, anotou dois gols e embasbacou o mundo com uma pintura. O 3 a 0 construído pelos madrilenhos em Turim deixa o confronto quase decidido. Até porque a Velha Senhora terá o enorme desfalque de Dybala, expulso.

A Juventus estava invicta em contra o Real Madrid havia sete jogos, com seis vitórias e um empate em sua conta: o último triunfo dos blancos em Turim havia acontecido em 1961-62. Além disso, a última vez que os merengues passaram pela Juve num mata-mata europeu foi em 1986. Jogando contra times espanhóis em solo italiano, a Velha Senhora havia perdido apenas duas vezes em 26 partidas, com invencibilidade nos últimos nove confrontos. Para completar, a equipe bianconera perdera apenas uma vez em casa pela LC desde que inaugurou o Allianz Stadium (em 2013, contra o Bayern) e, nesta temporada, somava 25 jogos de invencibilidade, com quatro gols sofridos desde o início de 2018. Foi este retrospecto que Ronaldo e o Real Madrid de Zidane derrubaram, com louvor.

A primorosa vitória do Real Madrid começou a ser construída muito cedo, num lance que deixou claro o quanto a defesa da Juventus se movimentou errado e deu espaço para que o craque brilhasse mais ainda. Aos 3 minutos, Marcelo achou Isco nas costas de De Sciglio e o espanhol (que não errou um passe sequer na partida) cruzou rasteiro para o meio da área. Benzema bloqueou Chiellini e Barzagli, e a movimentação de Cristiano Ronaldo rumo ao espaço vazio pegou a dupla desprevenida. O lindo toque de primeira com a perna direita, deu efeito na bola e tornou nulas quaisquer chances de defesa para Buffon. Foi o gol mais rápido que a Juve sofreu na Liga dos Campeões e no Allianz Stadium.

A defesa juventina continuou a se movimentar de maneira equivocada e deu outras possibilidade para que o Real Madrid marcasse, mas isso não aconteceu no primeiro tempo. Mesmo sem o suspenso Pjanic e pouca incidência de jogadas pelo centro, a Juventus lutou para empatar. Pressionou como deu e levou perigo com Higuaín e Chiellini, em jogadas de bola parada, mas viu Kroos acertar uma pancada no travessão no final da etapa inicial. O lance decisivo, porém, seria um amarelo aplicado erroneamente a Dybala por simulação: houve um choque com Casemiro quando La Joya tentou penetrar na área.

Após o intervalo, a Juve teve uma boa chance de empatar em cobrança de falta de Dybala, mas em geral os times ameaçaram menos as metas adversárias. Até que Chiellini se atrapalhou e deixou Ronaldo cara a cara com Buffon: o português perdeu o ângulo, mas ajeitou para Vázquez finalizar e obrigar o goleiro italiano a fazer bela defesa. Na sequência do lance, Carvajal cruzou e Cristiano apareceu para se antecipar a Vázquez e, sem marcação, emendar uma bicicleta fenomenal no contrapé de Buffon. O golaço, digno de prêmio Puskás, deixou Zidane impressionado e submeteu a torcida da Juventus a aplaudir o cracaço.

Dois minutos após o segundo gol de Ronaldo, a Juve sofreu outro golpe: Dybala saltou de maneira desajeitada sobre Carvajal, levou o segundo amarelo e foi expulso. O camisa 10 bianconero não se escondeu do jogo, como em Cardiff; até tentou chamar a responsabilidade, mas foi decisivo para o adversário. Ainda que o primeiro cartão tenha sido injusto, lhe faltou maturidade na jogada contra o lateral direito madrilenho.

Com um a mais, o Real Madrid decidiu o jogo aos 72 minutos. Marcelo tabelou com Isco e Ronaldo, recebeu do português em ótimas condições e ainda driblou Buffon para fazer 3 a 0. Os blancos ainda poderiam ter ampliado, mas Kovacic (com assistência de Cristiano) acertou o travessão e o próprio Ronaldo perdeu um gol fácil, de dentro da área. Lentos, Barzagli e Chiellini terminaram a péssima noite olhando, bem de longe, o atacante desperdiçar a oportunidade.

Após o jogo, Allegri admitiu o óbvio: avançar às semifinais é quase impossível. Afinal, a pior derrota da Juventus no Allianz Stadium aconteceu diante de um time qualificadíssimo. Se o treinador juventino repetir os erros na escalação, no timing das substituições e na abordagem do jogo, será mais complicado ainda. E se Ronaldo, artilheiro da Champions League com 14 gols, mantiver o seu retrospecto contra a Juve, é bom que os torcedores da Velha Senhora se preparem para o pior.

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