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Luis del Sol foi o ‘chefe de operações’ de uma Juventus extremamente organizada

Luis del Sol é um dos estrangeiros mais bem sucedidos da história do futebol italiano. Personagem de Juventus e Roma nos anos 1960 e 70, o espanhol se firmou como titular e motorzinho de seus clubes. Com uma carreira de vinte anos, Del Sol esteve na equipe que conquistou o primeiro título internacional da Espanha, em 1964, na Eurocopa.

A versatilidade de Del Sol foi crucial para o seu sucesso. Revelado pelo Real Betis na primeira metade dos anos 1950, o meia se notabilizou pelas características de marcação, posicionamento e na qualidade do passe. Inicialmente, Luis atuava como ponta, mas foi deslocado para o meio ainda em Sevilha.

Uma breve passagem pelo Utrera deu mais experiência ao atleta, que se destacou no retorno à Andaluzia, embora o Betis subisse para a primeira divisão apenas em 1958. Dois anos serviram para uma transferência ao Real Madrid, que vinha dominando a Espanha e a Europa com um esquadrão repleto de estrelas.

O meia teve uma curta e vencedora passagem pelo Real, conquistando em dois anos a Copa dos Campeões Europeus, o Mundial Interclubes, duas vezes a Liga Espanhola e a Copa do Rei (à época chamada de Copa do Generalíssimo). Nesse período, Del Sol contribuiu defensiva e ofensivamente com o poder de fogo madridista, marcando 22 gols. Por levar com segurança as bolas da defesa para o ataque, recebeu de Alfredo Di Stéfano o apelido de “carteiro”.

O ótimo desempenho no Real Madrid chamou a atenção da Juventus, que arrematou a contratação do espanhol em 1962. Del Sol provou diversas vezes o seu valor com participações incansáveis, colaborações ofensivas e com um perfil de liderança fora dos campos. Não demorou para que se convertesse em um ícone juventino, muito admirado dentro do elenco. O espanhol se converteu num símbolo da chamada “Juve operária” do paraguaio Heriberto Herrera, que treinou a equipe entre 1964 e 1969 e promoveu um futebol de muita movimentação, disciplina tática e marcação.

Omar Sívori, Néstor Combín e Luis del Sol: os estrangeiros da Juve (Wikipedia)

Apesar da exuberância vestindo bianconero, Del Sol tem apenas dois títulos pela Juve: a Coppa Italia em 1965 e a Serie A em 1967. O scudetto, aliás, veio de maneira dramática em uma disputa com a Internazionale, na última rodada. Graças a um tropeço interista contra a Mantova, a Juve venceu a Lazio e faturou o título pela diferença de apenas um ponto.

Del Sol envelheceu bem e continuou jogando em alto nível. Em 1970, assinou com a Roma e ganhou a faixa de capitão ao longo da sua segunda temporada. A experiência do espanhol ajudou a equipe capitolina a conquistar a Copa Anglo-Italiana, contra o Blackpool, em 1972.

Titular absoluto na equipe romanista, Luis saiu do time ao fim da segunda temporada, para retornar ao Betis e jogar por mais um ano no clube em que foi ídolo. Em 1973, se aposentou, deixando para trás uma carreira incontestável, e por duas vezes ainda treinou os verdiblancos.

Vestindo a camisa da Fúria, Del Sol formou um meio-campo de respeito com Luis Suárez. A dupla venceu a Eurocopa de 1964, contra a União Soviética, além de ter disputado duas Copas, em 1962 e 1966. Em ambas, a Espanha caiu ainda na primeira fase.

Lembrado até hoje em Turim, Luis del Sol recebeu uma homenagem em 2011, quando a Juventus inaugurou o Allianz Stadium. Na ocasião, o clube dedicou ao ex-jogador uma estrela na sua calçada da fama. Nada mais justo para quem honrou as cores dos bianconeri durante quase uma década.

Luis del Sol Cascajares
Nascimento: 6 de abril de 1935, em Arcos  de Jalón, Espanha
Posição: meio-campista
Clubes: Real Betis (1953-59, 1972-73), Utrera (1953-54), Real Madrid (1960-62), Juventus (1962-70), Roma (1970-72)
Títulos: La Liga (1961, 1962), Copa dos Campeões (1960), Copa do Generalíssimo (1962), Mundial Interclubes (1960), Serie A (1967), Coppa Italia (1965), Copa Anglo-Italiana (1972)
Carreira como treinador: Betis (1986-87 e 2001) e Recreativo Huelva (1990)
Seleção espanhola: 16 jogos e 3 gols

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