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Pelo Milan, Víctor Benítez foi o primeiro peruano a ser campeão europeu

Considerado um dos grandes volantes da história do Peru, Víctor Benítez teve uma passagem de oito temporadas no futebol italiano nos anos 1960, durante o auge de sua forma. Mas apesar de ter contribuído para o primeiro título de um clube do Belpaese na Copa dos Campeões, o versátil jogador, que aprendeu a jogar na defesa com Nereo Rocco, esteve longe da forma apresentada com as camisas de Alianza Lima e Boca Juniors, clubes em que realmente se consagrou.

Nascido em Lima, Benítez começou a carreira pelo principal clube da cidade, o Alianza, pelo qual jogou por seis anos. El Conejo participou de dois títulos nacionais, em 1954 e 1955, e desde cedo se destacou como um volante de boa técnica e dinâmica, também capaz defensivamente. Estas características o colocaram em voga durante a Copa América de 1957, conhecida por “revelar” Omar Sívori, Antonio Angelillo e Evaristo de Macedo, que foram fazer história no futebol europeu depois da competição. O peruano também chamou a atenção durante a edição de 1959.

El Conejo abriu o caminho para uma legião de jogadores peruanos que fariam história no futebol argentino, uruguaio e europeu nos anos 1960 e 1970, quando foi contratado pelo Boca Juniors. Pelo clube xeneize, voltou a conquistar outro título nacional, o Campeonato Argentino de 1962, que novamente o colocou em evidência e finalmente o levou para o futebol europeu. Apesar do sucesso internacional, ter deixado o futebol do seu país também significou seu adeus à seleção: Benítez não foi mais convocado depois de 1959.

Um jogador complementar para o catenaccio de Nereo Rocco e Gipo Viani, Benítez jamais teve protagonismo pelos rossoneri ou mesmo em todo o restante da sua passagem pelo futebol italiano, mas teve alguns momentos de glória. A mais especial delas, com certeza, foi a participação na conquista da Copa dos Campeões de 1963, na qual participou das semifinais contra o Dundee e do jogo decisivo contra o Benfica, em Londres, ajudando Giovanni Trapattoni na marcação contra o poderoso time de Eusébio, Mário Coluna e Santana. Na ocasião, El Conejo se tornou o primeiro jogador peruano a levantar a “orelhuda”.

Benítez nem sempre foi titular do Diavolo. Nos dois primeiros jogos da polêmica Copa Intercontinental do mesmo ano contra o Santos, por exemplo, entrou em campo apenas no jogo desempate, quando os milanistas estavam desfalcados de seu craque Gianni Rivera, que sofrera uma lesão no primeiro jogo. A partida foi alvo de muitas reclamações por parte dos italianos por causa da arbitragem do argentino Juan Brozzi, que expulsou Cesare Maldini ainda no primeiro tempo.

Benítez (segundo em pé, da esq. para a dir.) na final europeia, ao lado de ícones como Maldini, Rivera, Trapattoni e os brasileiros Altafini, Sormani e Dino Sani (Getty)

Esta acabou sendo também sua última partida na primeira passagem pelo Milan: Benítez acabou sendo emprestado ao Messina, então campeão da Serie B. O peruano teve boa participação em uma campanha que culminou na permanência dos sicilianos em sua primeira participação na elite desde a instituição da fase moderna da Serie A, em 1929. O desempenho lhe rendeu a volta para Milão como titular do time de Nils Liedholm e Gipo Viani, que liderou o campeonato até a 30ª rodada e deixou o scudetto escapar na reta final para a Inter de Helenio Herrera.

Com a saída de Viani do cargo de diretor técnico, o clube sofreu diversas mudanças no elenco, e uma delas foi a saída de Benítez, que fez o caminho inverso dos então romanistas Karl-Heinz Schnellinger e Antonio Angelillo. No time da Cidade Eterna, que frequentemente terminava os campeonatos no meio da tabela, El Conejo começou a temporada como titular, mas acabou perdendo espaço depois de problemas físicos e foi emprestado para o Venezia, então campeão da Serie B. Pelos lagunari teve seu ano mais prolífico, marcando seis gols em 23 partidas, mas não evitou o descenso imediato.

Sem espaço na Roma, Benítez voltou para Milão, mas dessa vez para representar o lado nerazzurro da cidade. Contudo, sua quantidade de minutos em campo não subiu muito: na reserva de Gianfranco Bedin, o peruano foi apenas um jogador complementar para o técnico Herrera. A temporada também marcou a decadência e o ocaso da Grande Inter, que não conseguiu mais do que um decepcionante quinto lugar no campeonato. Enquanto isso, Benítez retornou para a Roma.

O defensivo jogador peruano teve mais duas temporadas pelos giallorossi, nas quais jogou somente nove partidas no campeonato. Benítez também teve participação modesta no título da Coppa Italia de 1968-69, seu último como jogador profissional. Aos 35 anos, voltou para Lima e se aposentou no Sporting Cristal no início dos anos 1970. Certamente um final de carreira aquém do esperado para aquele talentoso volante que surgiu nos anos 1950 e abriu portas para a maior geração do futebol peruano uma década depois.

Hoje, Víctor Benítez vive em Milão. Em maio de 2016, em comemoração pela primeira conquista europeia dos rossoneri, foi homenageado em San Siro. Dois meses depois, a última aparição pública de El Conejo foi cercada de ansiedade: o peruano desapareceu, mas foi encontrado dois dias depois nas imediações da estação central da cidade, apresentando estado de desorientação.

Víctor Morales Benítez
Nascimento: 30 de outubro de 1935, em Lima, Peru
Posição: meio-campista e defensor
Clubes: Alianza Lima (1953-59), Boca Juniors (1960-62), Milan (1962-64 e 1964-65), Messina (1964), Roma (1965-66 e 1968-70), Venezia (1966-67), Inter (1967-68) e Sporting Cristal (1970-73)
Títulos: Campeonato Peruano (1954, 1955), Campeonato Argentino (1962), Copa dos Campeões (1963) e Coppa Italia (1969)
Seleção peruana: 11 partidas

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