Direto da Itália

Noite do Maestro: com Pirlo, com festa

Maestro. No Brasil, o diretor da orquestra. Na Itália, o professor, o mestre da classe. Duas definições que cabem perfeitamente em um dos jogadores mais elegantes dos últimos tempos: Andrea Pirlo.

Ontem o meio-campista promoveu sua despedida oficial no San Siro, em evento chamado “La Notte del Maestro” (A noite do Maestro/Professor), os grandes nomes de um passado recente (e também do presente) no futebol italiano se reuniram para bater uma bola e elevar o sentimento de nostalgia na torcida.

A arquibancada por sinal, era democrática como poucas vezes se via. Camisas de Milan, Juve, Inter, Brescia e porque não, de Napoli e Roma. Todas elas coloriam o estádio Giuseppe Meazza. Todos os presentes queriam ver a última vez que Andrea regeria a orquestra de craques.

E foram tantos, uma verdadeira classe de estrelas. Os juventinos se animavam quando Alessandro Del Piero tentava seus dribles, os milanistas puderam se esbaldar com a tripletta de Pippo Inzaghi, os interistas contemplaram as belas saídas de jogo de Javier Zanetti e ainda os romanistas viram mais uma vez, as assistências açucaradas de Francesco Totti.

Como de praxe nesses jogos festivos, Cafu mostrou que ainda é um garoto com uma quantidade desconhecida de pulmões. Ele comandou ao lado de Clarence Seedorf a vitória do time azul contra o time branco no primeiro tempo.

Pirlo era discreto, aproveitando a festa e os amigos que o circulavam. Volta e meia executava um bom passe, tabelava com Frank Lampard e tentava colocar Bobo Vieri na cara do gol. Quando pintava uma faltinha, a torcida se esgoelava por um gol do jogador.

Mas o camisa 21 não estava preocupado em marcar. Promover uma celebração daquelas ao esporte que lhe proporcionou tantas alegrias já era o golaço de Andrea.

No segundo tempo, as lendas Totti, Totò Di Natale e Inzaghi comandaram a reação da equipe branca. Gigi Buffon entrou no fim e Pippo não o perdoou, marcando um gol logo depois de seu ingresso em campo.

No finalzinho, um Pirlo deu lugar a outro. Meia da base juventina, Niccolò entrou no lugar do ovacionado pai, Andrea. Marcando o final de uma fase e o começo de outra.

O placar final ficou em 7 a 7, com direito ao dono da festa sendo lançado ao ar por todas as outras estrelas. Um repórter tentou arrancar alguma palavra emocionada do Maestro, mas Pirlo não se impressiona, preferindo sempre a simplicidade: “Vamos, Itália. Vamos, Futebol. Obrigado a todos”.

Os torcedores é que agradecem. Professor, maestro, arquiteto; e acima de tudo, um craque. Capaz de lotar o estádio até mesmo em uma segunda-feira chuvosa, e de proporcionar no último jogo, uma ficha técnica invejável.

Pirlo faz parecer simples. Ele sempre fez.
Obrigado, Maestro.

White Stars: Abbiati, Dida; Bonucci, Chiellini, Costacurta, Favalli, Jankulovski, Maldini, Nesta, Oddo, Simic, Zambrotta, Zanetti; Pirlo (no primeiro tempo), Baronio, Camoranesi, Gattuso, Lampard, Leonardo, Pepe, Pirlo, Rui Costa, Verratti, Vidal; Baggio, Del Piero, Di Natale, Iaquinta, Inzaghi, Matri, Pato, Ronaldo, Totti, Vieri.

Blue Stars: Storari, Buffon; Adani, Barzagli, Bonera, Cafu, Diana, Ferrara, Kaladze, Materazzi, Serginho; Pirlo (no segundo tempo), Albertini, Ambrosini, Brocchi, De Rossi, Diamanti, Marchisio, Perrota, Seedorf; Borriello, Cassano, Quagliarella, Shevchenko, Tévez, Toni, Ventola.

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