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Massimo Ambrosini conquistou a torcida do Milan pelo esforço e pelas alfinetadas na Inter

Massimo Ambrosini fez parte do último dream team do Milan. O ex-volante viveu 18 anos gloriosos com a camisa rossonera, sendo figura importante na “era Ancelotti”. Foi ele quem assumiu a braçadeira de capitão do time após Paolo Maldini anunciar aposentadoria, em 2009. Tornou-se um exemplo para os jogadores mais novos; uma bandeira do clube. Dois anos antes, em 2007, Ambro se deixou guiar pela empolgação e protagonizou um momento polêmico, que aumentou a idolatria entre os seus e lhe deixou em maus lençóis com o outro lado de Milão.

Os jogadores milanistas foram comemorar o título da Liga dos Campeões, obtido diante do Liverpool, em cima de um ônibus. Um torcedor se aproximou do veículo e entregou a Ambrosini uma faixa que provocava a Inter, com os dizeres: “Lo scudetto mettilo nel culo” (“Enfie o scudetto no cu”, em tradução literal), em alusão ao bicampeonato consecutivo da rival na Serie A. Ambro segurou o objeto e o estendeu para a torcida, alimentando a festa dos fãs. No outro dia, ele pediu desculpas pelo gesto, mas a provocação não passou batida.

Marco Materazzi, ex-jogador de grande identificação com a Inter, que defendeu a Beneamanta por dez anos, de 2001 a 2011, não deixou barato. O zagueiro respondeu de forma espirituosa na temporada seguinte, na qual os nerazzurri levaram mais um scudetto para Appiano Gentile: “Ambro, nel mio culo c’è ancora posto” (“Ambro, no meu cu ainda tem espaço”, em tradução literal). A torcida interista gostou da resposta de Materazzi e também passou a “zoar” Ambrosini com a frase.

Depois, o ex-zagueiro italiano explicou a declaração direcionada ao meio-campista do Milan. “É uma mensagem irônica e divertida, não queria ser vulgar”, afirmou, à época. “Pouco elegante, talvez, mas não deveria ser colocada no mesmo nível que a do Ambrosini, o que poderia ser considerado um insulto. Esta é uma resposta que os torcedores tinham dentro de si. E eu me sinto um torcedor”.

No início da carreira, Ambrosini defendeu o Vicenza (Getty)

Polêmica à parte, Ambrosini se destacava dentro de campo pela impulsão ao buscar o cabeceio, presença na área, disciplina e amor à camisa. Revelado pelo Cesena em 1994, aos 17 anos de idade, o jogador nascido na comuna de Pesaro também gostava de arriscar chutes de fora da área. Não por acaso seus dois primeiros gols pelo Milan, que o contratou no ano seguinte por 3,7 bilhões de velhas liras, saíram dessa forma.

Ambrosini ficou duas temporadas no Diavolo, mas foi pouco utilizado. Dessa forma, a diretoria do clube resolveu emprestar o jovem de apenas 20 anos ao Vicenza. O volante fez um bom campeonato pela equipe biancorossa, contabilizando 27 jogos e um gol, e foi fundamental para que os vicentinos escapassem do rebaixamento e fossem vice-campeões da Supercopa Italiana e semifinalistas da extinta Recopa Uefa.

Com crédito, Ambro retornou ao San Siro para se firmar de vez. Sob o comando de Alberto Zaccheroni, o meio-campista ganhou confiança e mais minutos de jogo. Seu primeiro gol com a camisa rubro-negra saiu no segundo turno da temporada 1998-99, diante da Sampdoria, em casa. Com um foguete de canhota, ele abriu caminho para o triunfo por 3 a 2 ante os genoveses.

As duas épocas seguintes, 1999-2000 e 2000-01, foram de consagração para o camisa 23. As boas atuações o levaram à seleção italiana principal, pela qual fez sua estreia no dia 28 de abril de 1999, em um amistoso com a Croácia, em Zagreb. Porém, uma grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo obrigou o volante a ficar dez meses no departamento médico. Devido aos problemas físicos, o treinador da Squadra Azzurra na Copa do Mundo de 2002, Giovanni Trapattoni, optou por deixá-lo de fora do Mundial. O atleta também não seria convocado para a Eurocopa de 2004.

Ambrosini comemora com Gattuso, Bierhoff, Albertini e Shevchenko (Gazzetta dello Sport)

Se, por um lado, as coisas não estavam indo bem para Ambrosini na Nazionale, por outro ele cresceu de produção após a chegada de Carlo Ancelotti. Com Carletto, foi figura relevante nos títulos de Liga dos Campeões e Coppa Italia, ambos em 2002-03, e da Serie A, na temporada subsequente.

Ambrosini não esteve presente na tragédia de Istambul, na qual o Liverpool remontou um 3 a 0 no segundo tempo da final da Champions 2004-05 e derrotou o Milan nos pênaltis. No entanto, ele formaria com Gennaro Gattuso e Andrea Pirlo uma trinca de volantes imponente para ganhar a orelhuda na edição 2006-07 em cima do próprio Liverpool, desta vez em Atenas.

Apesar do bom momento no Milan, Ambrosini não foi chamado para defender a seleção italiana na Copa do Mundo de 2006. O comandante Marcello Lippi não via no volante uma peça a agregar no plantel que conquistaria o tetracampeonato mundial na Alemanha. Lippi deixou a Nazionale após ganhar o torneio, e Roberto Donadoni o sucedeu.

Sob a batuta do ex-milanista, Ambro voltou a ser convocado. Participou da Eurocopa de 2008, disputando quatro jogos – dois como titular e dois saindo do banco. A Itália caiu nas oitavas de final para a Espanha, que venceria aquela edição da competição. Ele se aposentou da Nazionale depois da Euro, com 35 jogos e sem balançar o barbante.

Certamente o gol mais bonito da carreira de Ambrosini ocorreu na temporada 2007-08, no Olímpico de Roma. O Milan não teve piedade da Lazio e enfiou 5 a 1 nos biancocelesti na capital; Ambro abriu o placar com um golaço. Após receber passe de Giuseppe Favalli, o volante surpreendeu a todos e chutou de longa distância, quase que da faixa lateral do campo, encobrindo o goleiro laziale.

Apesar da identificação com o Milan, Ambro encerrou sua carreira pela Fiorentina (Getty)

Ambrosini viveu sua temporada artilheira em 2008-09: oito bolas na rede em 33 partidas, além de cinco assistências. Ao fim da época, pegou a faixa capitão da equipe, já que Maldini anunciava o fim de sua carreira como jogador. Também viu Carletto partir. Na ‘era Ancelotti’ (de 2002 a 2009), Ambrosini disputou 156 jogos na Serie A e marcou 17 gols, ajudando o Milan a empilhar títulos: duas Ligas dos Campeões, duas Supercopas da Uefa, um Mundial de Clubes da Fifa, uma Serie A, uma Coppa Italia e uma Supercoppa Italiana.

Depois que assumiu a capitania do time, Ambrosini viu seus contemporâneos deixarem San Siro. Ao término da temporada 2012-13, o ex-CEO do Milan Adriano Galliani revelou que o camisa 23 não teria seu contrato renovado. Assim, após 18 anos, 489 jogos, 36 jogos e 23 assistências, Ambrosini saiu do clube. Agente livre no mercado, ele assinou, no verão europeu de 2013, contrato de uma temporada com a Fiorentina. Realizou 30 partidas e anotou um gol com o manto viola antes de anunciar a aposentadoria dos gramados durante entrevista coletiva, em maio de 2014.

Com as chuteiras penduradas, Ambrosini participou de um curso especial da Uefa em Coverciano, CT da seleção italiana, e obteve licença para treinar equipes de base. Este ano, segundo a Gazzetta dello Sport, seu nome foi ligado à seleção italiana sub-21, mas, pelo visto, não passou de especulação. Atualmente ele é comentarista esportivo do canal de televisão Sky Sports Italia.

Massimo Ambrosini
Nascimento: 29 de maio de 1977, Pesaro, Itália
Posição: volante
Clubes: Cesena (1994-95), Milan (1995-97 e 1998-2013), Vicenza (1997-1998) e Fiorentina (2013-14)
Títulos: Serie A (1996, 1999, 2004 e 2011), Coppa Italia (2003), Supercopa Italiana (2004 e 2011), Liga dos Campeões (2003 e 2007), Supercopa da Uefa (2003 e 2007) e Mundial de Clubes da Fifa (2007)
Seleção italiana: 35 jogos

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