Serie A

Adaptado à Itália, lateral Rogério destaca ‘ambiente favorável’ para jovens jogadores no Sassuolo

Promissor lateral-esquerdo brasileiro, Rogério, de 20 anos, encara sua segunda temporada na elite do futebol italiano. O jogador, cria do Internacional, foi contratado pela Juventus em janeiro de 2016 após se destacar com a camisa amarelinha da seleção brasileira no Mundial Sub-17 do ano anterior. A Vecchia Signora, que venceu a concorrência de Manchester City e Paris Saint-Germain para fechar com o jovem atleta, logo o emprestou ao Sassuolo.

No clube neroverde, Rogério disputou cinco partidas pelo time de base até retornar à Juve visando a temporada 2016-17. Sob a batuta de Fabio Grosso, treinador da equipe Primavera da Juventus, o brasileiro entrou em campo 28 vezes, marcando um gol e fornecendo quatro assistências. O defensor não saiu da pauta do Sassuolo e voltou ao time emiliano por empréstimo, na temporada 2017-18, desta vez para se juntar aos profissionais. A estreia na Serie A ocorreu na derrota por 2 a 0 frente ao Milan, em casa, no dia 5 de novembro do ano passado: permaneceu no gramado por seis minutos.

À medida que a temporada se desenrolava, Rogério acrescentava mais minutos em campo. Não à toa, ganhou um lugar entre os onze iniciais no time comando por Giuseppe Iachini, que utilizava o atleta como ala-esquerdo no sistema 3-5-2. Encerrou a época passada com 73% de acerto de passes. Entretanto, com a saída de Iachini e a chegada do jovem Roberto De Zerbi para 2018-19, o camisa 6 foi recuado para a lateral esquerda, já que agora a equipe neroverde se posiciona num 4-3-3.

Em entrevista exclusiva à Calciopédia, Rogério afirmou que não tem preferência por jogar mais recuado ou avançado, e ressaltou o ambiente favorável que os jovens jogadores encontram no Sassuolo. “Aqui se tem muita paciência com os atletas jovens. O clube tem uma estrutura e a uma torcida que te dão todo apoio para crescer sem uma certa pressão. É diferente de outras equipes”, afirmou.

Rogério aprecia laterais com forte poder ofensivo. “Não sigo um jogador em específico, mas tem alguns que admiro pelo percurso e pela qualidade que demonstram durante várias épocas: Marcelo, Alex Sandro e Jordi Alba”, revelou o mato-grossense, que vê no futebol italiano uma grande oportunidade para se tornar um “jogador mais completo”.

Confira, na íntegra, a entrevista completa:

Quando chegou ao futebol italiano, o que te chamou mais atenção?
O profissionalismo de cada jogador, com o trabalho feito no dia a dia. A forma como se preparam para os jogos, sempre chegando duas horas antes do treino para trabalhos específicos de prevenção de lesões.

A Serie A é uma liga que preza muito pela solidez defensiva. Você levou muito tempo para se acostumar com essa nova realidade?
Tive que me adaptar a essa realidade, que é característica do futebol do país. Tive muita dificuldade no início, o que é normal. Mas creio que isso vem me ajudando muito porque sempre fui um lateral que gosta de atacar, e essa nova realidade me ajuda a me tornar um jogador mais completo.

O Sassuolo é uma equipe que se caracteriza por moldar jovens jogadores. Você sente que melhorou depois que foi emprestado ao clube neroverde?
Claro! Porque aqui se tem muita paciência com os atletas jovens. O clube tem uma estrutura e uma torcida que te dão todo apoio para crescer sem uma certa pressão. É diferente de outras equipes.

Você prefere atuar numa linha de cinco no meio-campo ou de quatro na defesa?
A preferência é jogar. Sempre joguei em uma linha de quatro nas categorias de base e na seleção de base, mas comecei a ter minhas primeiras oportunidade no profissional atuando na linha de cinco no meio campo e me saí muito bem. Então, não tenho uma certa preferência pelo módulo. O importante é se preparar bem e chegar no jogo concentrado para as coisas saírem bem.

Você teve 73% de acerto nos passes na última temporada. O que você está fazendo para melhorar a média?
Até pelo estilo que a nossa equipe tinha, era normal que a gente forçasse mais o passe e aumentasse o número de erros, mas era uma maneira de jogar que adotamos e nos saímos muito bem, ficando até dez partidas sem perder. Então, os erros fazem parte. Claro que procuramos sempre melhorar esse percentual de aproveitamento.

Você está na Itália desde janeiro de 2016. Do que sente mais saudades do Brasil?
Da minha família e de todas pessoas que amo!

Foi muito difícil aprender a língua italiana?
Não muito. Convivendo no dia a dia, em um mês – no máximo dois – você já consegue entender bem o que eles dizem. A pronúncia demorou um pouco mais, mas hoje estou super adaptado.

Quais são suas referências no futebol?
Não sigo um jogador em específico, mas tem alguns que admiro pelo percurso e pela qualidade que demonstram durante várias épocas: Marcelo, Alex Sandro e Jordi Alba.

Qual sua atividade preferida quando não está treinando ou jogando?
Gosto de sair pra comer algo diferente, algo que não posso comer sempre devido à dieta que sigo, e jogar videogame.

Qual o melhor lugar da Itália que você já visitou?
Roma, sem comparação, foi a cidade mais atrativa.

Se você não fosse jogador de futebol, qual profissão escolheria?
Nunca pensei muito nisso, mas sempre tive uma paixão muito grande por fazendas, animais etc… tenho até isso em mente para meu futuro depois do futebol.

O Inter está muito bem no Campeonato Brasileiro, disputando a liderança com o São Paulo. Acredita num possível título do time colorado?
Com certeza são duas equipes que vêm fazendo uma campanha impressionante. Simpatizo muito com o São Paulo porque sou torcedor do clube e tenho alguns amigos jogando por lá, mas não seria ruim se o título ficasse para o Inter, até pelo carinho e pela amizade que tenho com o Odair [Hellmann]. Ele é uma pessoa que me ajudou muito na seleção de base e que merece todo esse sucesso que vem tendo com Internacional.

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