Jogadores

Giovanni Stroppa rodou a Itália inteira como jogador e busca se firmar como técnico

Um dos meio-campistas mais técnicos de sua geração, o italiano Giovanni Stroppa defendeu 11 clubes em 19 anos de carreira e nunca conseguiu permanecer três anos seguidos em uma mesma equipe. Cigano da bola, cativou a torcida do Foggia – como jogador e técnico –, e conquistou títulos importantes pelo Milan, time que o revelou para o futebol. Em 2018, ele será o treinador do recém-rebaixado Crotone na Serie B.

Stroppa cresceu em Paullo, comuna italiana a dez quilômetros de Milão. Sua paixão por futebol começou bem cedo, e aos 9 anos de idade já estava jogando pelo Union Mulazzano, clube amador da Lombardia. A equipe que mais o encantava quando mais novo era a Juventus, mas a simpatia pela Vecchia Signora terminou quando o francês Michel Platini se aposentou ao fim da temporada 1986-87. A ida para as divisões de base do Milan também ajudou o garoto a esquecer a Juve.

Em 1984, Stroppa recebeu sua primeira convocação para o time profissional do Milan: com apenas 16 anos, entrou nos minutos finais do amistoso contra o Brunico e marcou o último gol da goleada por 11 a 0. A ida à equipe principal do Milan, porém, aconteceu de fato dois anos depois, aos 18 anos, só que ele não foi aproveitado pelo técnico Nils Liedholm. Assim, o jogador foi cedido por empréstimo ao Monza, da Serie C1.

A esperada estreia no futebol profissional ocorreu no dia 20 de setembro de 1987, num empate sem gols com o Vis Pesaro. Em sua primeira temporada pelo time biancorosso, disputou todas as 34 partidas do campeonato e foi peça importante na ascensão da equipe à Serie B e no título da Coppa Italia da Serie C. Ficou emprestado ao Monza por mais uma temporada, e novamente teve destaque – só perdeu uma partida da segundona.

Ao ver o crescimento de Stroppa no Monza, o então técnico do Milan, Arrigo Sacchi, pediu à diretoria milanista que o meia fosse incorporado ao grupo. O jogador marcou em sua estreia na Serie A (contra o Cesena) e, duas semanas depois, debutou na Copa dos Campeões com uma doppietta diante do HJK Helsinki, da Finlândia. Em grande fase no Milan, Stroppa chamou a atenção de Cesare Maldini, que o convocou para a seleção italiana sub-21. O primeiro jogo pelos azzurrini veio em 25 de outubro de 1989, contra a Suíça. Quase um mês depois Stroppa balançou as redes pela primeira vez vestindo a camisa azul.

O fim da década de 1980 e início da de 1990 foram especiais para Giovanni. Isso porque o Milan conquistou cinco títulos europeus num intervalo de um ano: duas Supercopas da Uefa, duas Copas Intercontinentais (atual Mundial de Clubes da Fifa) e uma Copa dos Campeões (hoje a Liga dos Campeões). Na decisão da Copa Intercontinental contra o Olimpia, disputada em 9 de dezembro de 1990, o meia marcou um dos gols da vitória rossonera por 3 a 0.

Após duas temporadas no Milan e cinco títulos europeus no currículo, Stroppa foi vendido à Lazio por 2,8 bilhões de velhas liras. Dino Zoff o colocou para jogar como meia aberto pela direita e Giovanni terminou a temporada 1991-92 como um dos laziali mais usados do elenco, com 30 jogos realizados. Na época seguinte, porém, viu o alemão Thomas Doll crescer de produção e ganhar sua vaga na equipe titular.

Stroppa conquistou títulos no Milan, mas também foi importante em outros clubes (AC Milan)

Em 1993, Stroppa voltou a vestir vermelho e preto, mas o time não o do Milan. Ele acertou com o Foggia, à época treinado pelo inovador Zdenek Zeman, e viveu sua melhor temporada em relação a gols marcados. Numa equipe que priorizava o ataque – símbolo das equipes do técnico checo –, Stroppa anotou oito gols na Serie A e três na Coppa Italia. As boas aparições com a camisa rossonera fizeram o meia ser convocado pela primeira vez para a seleção italiana, então comandada pelo seu ex-técnico Sacchi.

A aventura de Stroppa no Foggia, contudo, durou apenas um ano, uma vez que em 1994 ele seria recomprado pelo Milan a pedido de Fabio Capello, que o treinou no Milan Primavera. De volta ao San Siro, o meia conquistaria mais dois títulos: a Supercopa Italiana e outra Supercopa da Uefa, a terceira em seu currículo. O restante da temporada, entretanto, não foi dos melhores.

O Milan perdeu a Copa Intercontinental, para o Vélez Sarsfield, e a Copa dos Campeões, ante ao Ajax de Louis van Gaal. Após 28 jogos e cinco gols marcados (no total, 85 partidas e nove tentos), Stroppa deixaria o Milan pela última vez como jogador. Curiosamente, o último duelo pelo Diavolo foi contra o Foggia, em maio de 1995.

No ano seguinte, Stroppa assinou contrato com a Udinese e vestiu a pesada camisa 10. A trajetória no time do Friuli começou com o pé esquerdo. Antes de a bola rolar para a temporada 1995-96, ele sofreu um acidente automobilístico em Teor, comuna italiana na região de Friuli-Venezia Giulia, e levou 30 pontos na cabeça. Um mês depois, em 27 de agosto, entrou em campo pela primeira vez com a camisa bianconera e forneceu a assistência para o gol da vitória sobre o Cagliari, anotado pelo matador Oliver Bierhoff.

Stroppa concluiu essa época em alta, com 34 aparições, mas perdeu muito tempo lesionado na seguinte após quebrar a fíbula da perna esquerda contra a Inter, no primeiro embate da Udinese na Serie A. Voltou em dezembro de 1996, não se adaptou ao esquema 3-4-3 implantado por Alberto Zaccheroni e acabou deixado o clube para defender o Piacenza.

Como de costume, Stroppa não ficou muito tempo no Piacenza: foram dois anos e meio defendendo os biancorossi. Atuando como meia-atacante e com o número 10 às costas, ele não mostrou seu melhor futebol na primeira temporada devido às lesões – marcou apenas um gol, contra a Inter, uma de suas vítimas preferidas. Deu a volta por cima em 1998-99, terminando a Serie A como um dos melhores meio-campistas do campeonato. Entretanto, uma forte crise financeira afetou o Piacenza, que negociou o atleta na virada do século.

Stroppa sempre teve dificuldades para se firmar em um clube, mas, nos anos 2000, a situação ficou pior: de 2000 a 2005, ele jogou por sete times diferentes – incluindo o Piacenza. O meia passou pelo Brescia, ficou somente seis meses na agremiação. Deu tempo, porém, para marcar um gol com um chute de muito longe contra a Pistoiese, em março.

Três meses depois, Stroppa acertaria com o Genoa. Na primeira época, atuou em 37 das 38 partidas dos grifoni na Serie B, ainda que o clube tenha trocado de técnico cinco vezes, e contribuiu bastante para a permanência da equipe na elite. Na segunda temporada, por outro lado, perdeu espaço e acabou sendo liberado pelos genoveses em junho de 2002. Perto do fim de sua carreira, Stroppa foi rebaixado nas duas temporadas seguintes: a primeira com o Alzano Virescit (da Serie C1 para C2) e a segunda com o Avellino (da Serie B para a C1).

Stroppa ainda não se firmou após quase uma década como treinador (AP)

Em 2004, o meia retornou ao Foggia, que havia falido e adquirido pelo empresário Giuseppe Coccimiglio. Ele sofreu com lesões e, por isso, entrou pouco em campo – foram só nove jogos e uma bola na rede. Com o término da temporada, Coccimiglio não conseguiu pagar muitos funcionários do clube e, após uma situação de instabilidade, cedeu a agremiação a um grupo de empresários da cidade.

Aos 37 anos, Stroppa assinou com o Chiari, time lombardo da Serie D, e cumpriu seu último contrato como jogador profissional. Sua estreia pelos nerazzurri aconteceu no dia 11 de setembro de 2005, contra o Saluzzo, e ele marcou um gol. Mas um mês depois, se despediria do clube – e, consequentemente, da carreira como profissional. Pendurou as chuteiras com 543 jogos disputados e 58 gols.

No entanto, não demoraria muito para Stroppa voltar ao universo do futebol. Em julho de 2007, foi convidado a treinar a equipe juvenil do Milan. Três anos depois comemorou o título da Coppa Italia Primavera, taça que os garotos rossoneri haviam conquistado pela última vez havia 25 anos, quando o próprio Stroppa fazia parte do setor de formação milanista.

Depois de deixar Milanello em julho de 2011, o treinador foi contratado pelo Südtirol, da terceira divisão. Ele fez um bom trabalho à frente da equipe, salvando-a do rebaixamento e quase levando-a aos play-offs de acesso à Serie B. Optou por não renovar contrato ao fim da temporada. O estilo de jogo ofensivo que Stroppa implantou ao Südtirol – um 4-3-3 inspirado em Zeman – chamou a atenção do Pescara, então na Serie A, que o contratou para substituir justamente o seu mentor. Não conseguiu, contudo, extrair o máximo do time e pediu demissão em novembro.

Stroppa teve um longo período de hiato: só voltaria a treinar uma equipe em junho de 2013. Tratava-se do Spezia, da segunda divisão. Começou sua aventura nos aquilotti até bem, colocando-os na zona de qualificação à Serie A. Mas em dezembro, depois de uma derrota por 4 a 0 para o Varese, foi exonerado. Depois de outro ciclo de inatividade, o comandante acertou seu retorno ao Südtirol em abril de 2015. Ele dirigiu o time em três jogos até o fim da temporada e permaneceu para 2015-16, mas logo seu caminho se cruzaria com o do Foggia mais uma vez.

Após a demissão de Roberto De Zerbi, a diretoria recorreu a Stroppa para treinar os rossoneri. Ele fez uma grande trabalho na terceira divisão italiana e conduziu seu ex-time a uma histórica classificação à Serie B. Ao fim da temporada, ele foi consagrado com o Panchina d’Oro, prêmio dedicado ao melhor treinador da Lega Pro. Realmente ganhou a torcida rubro-negra. Na segunda divisão depois de 19 anos, o Foggia de Stroppa terminou a época 2017-18 em nono lugar.

O êxito de Stroppa à frente do Foggia fez a diretoria do Crotone contratá-lo para a temporada 2018-19. Os rossoblù estiveram na Serie A da última temporada e acabaram rebaixados. Davide Nicola (da 1ª rodada até a 15ª) e Walter Zenga (da 16ª a 38ª) não conseguiram evitar o descenso. Agora, a missão de recolocar o Crotone na elite do futebol italiano cabe, sobretudo, a Stroppa. Será que ele conseguirá?

Giovanni Stroppa
Nascimento: 24 de janeiro de 1968, em Mulazzano, Itália
Clubes como jogador: Milan (1986-87, 1989-91 e 1994-95), Monza (1987-89), Lazio (1991-93), Foggia (1993-94 e 2004-05), Udinese (1995-97), Piacenza (1997-2000), Brescia (2000), Genoa (2000-02), Alzano Virescit (2002-03), Avellino (2003-04) e Chiari (2005)
Títulos como jogador: Coppa Italia da Serie C (1988), Copa dos Campeões (1990), Copa Intercontinental (1989 e 1990), Supercopa da Uefa (1989, 1990 e 1994) e Supercoppa Italiana (1994)
Clubes como treinador: Südtirol (2011-12 e 2015-16), Pescara (2012), Spezia (2013), Foggia (2016-18) e Crotone (2018-hoje)
Títulos como treinador: Lega Pro (2016-17) e Supercopa da Lega Pro (2017)
Seleção italiana: quatro jogos

Deixe um comentário